MURA MASA & porque eu amo a música de dança ‘for kidz’

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Cara, eu peguei pra ouvir esse disco porque amo ‘1 Night’, juro, há um dia atrás e ele instantaneamente me empolgou de uma maneira que eu lembro de só ter ficado assim quando ouvi o ‘Settle’, do Disclosure. Não que ambos sejam os melhores discos do mundo e tals (mas: eles se aproximam), é que pra quem se liga e é obcecado por música de dança como eu ver uns novinhos como o Alex Crossan ou os irmãos Lawrence reverter lógicas estruturais de gêneros tão bem definidos e poder chamar um monte de amigos A-list pra essa doidera é, no mínimo, incrível.

Em parte, eu devo essa identificação ao Alex ter a mesma faixa-etária que eu (ele tem 21 anos), onde muito do que ele vai experimentar – e olha que não é pouca coisa – simplesmente será uma aventura impulsiva e sem freios. Como se ele nem tivesse noção de tudo que tá se passando por aqui. E sim, esse frescor que as beats trazem são cruciais pra aventura que é esse disco funcionar; só ver o Disclosure, que depois do ‘Settle’ foi ladeira a baixo tentando uma estética com os mesmos ideais, mas sendo um tanto engessada.

O Alex aqui, em contramão, eu vejo que tem um conforto maior nas opções dele muito por elas serem extremamente pessoais, afinal o disco é baseado em algo que eu gosto muito: Londres como um nível de subcultura a ser identificada em cada um dos gêneros que ele irá multar aqui. Não, o que eu gosto não é de Londres não (num roteiro imaginário de cidades que minha ilusão permite acreditar que conhecerei, ela não estaria nem num top100) mas da ideia de ver o seu espaço como a expressão mais pessoal da sua música. E ver essa ideia explorada através de tanto groove, do melhor e mais inconsequente que a música de dança britânica poderia oferecer, torna a coisa toda ainda mais especial.

primeiro round ’17: discos, musicas, filmes, tv, shows

Sete e bláu e nóis tá como???? Hãaaaaaa

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Um meio de ano bem gordo.  Felizmente ano que vem vai ter top de viagens e comidas também. E aqui, a famigerada playlist só das musicas no Spotify pra quem for doido o suficiente pra acompanhar meu gosto, hehe.

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charli xcx e as narrativas pop

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Voltando lá por 2012, eu tenho péssimas memórias do que a Charli XCX e tudo aquilo que chamaríamos de popstars da internet, como a Grimes e a Sky Ferreira, representavam. Dizia eu que apreciava a ideia do que elas estavam fazendo, mas que nada daquilo chegaria ser um um pop autêntico, definido em si, ou algo assim, simplesmente porque elas eram técnicas demais. Os anos se passaram, a Charli conseguiu alguns hits, virou uma songwriter da indústria, mas por alguma razão, ela não deu realmente certo como uma popstar. Escutando o Number 1 Angel, na verdade, você percebe que ela nunca deixou de ser uma popstar da internet.

Mas entre o que isso representa pra 2012 e o que representa pra 2017 tem um abismo, acho. E aqui no Number 1 Angel a Charli é mais uma nerd de música pop presa num quarto cantarolando algumas musiquinhas que incitam um nostalgia já conhecida dentro do material dela. Não acho que ela queria algo muito diferente disso desde os tempos do teenpop enfeitiçado do True Romance, por exemplo, mas é a primeira em que ela efetivamente me pega por essa diversão — é um ponto de identificação entre nós dois que, agora, eu vejo além das entrevistas coolzonas.

É curioso que essa estética (sim, porquê a única estética que une todo o material da Charli, for real, é essa ambição) chegue tão firme sob o signo dos caras da PC Music, que também representaram o ponto mais baixo da carreira dela ano passado e also são responsáveis por um show de pseudagem numa das correntes estéticas mais pretensamente bestas da minha memória. Number 1 Angel também trabalha com truques de produção parecidos com o do Vroom Vroom, tho. Mas aqui há muito mais um showcase pra toda essa persona da Charli que pra pirotecnia do PC Music, e ela meio que tem um timing certo pra essas beats, pros momentos exatos em que elas soarão over. Pouca coisa aqui sai do controle dos ideais dela.