oscar broadcast ’17: perspectivas rápidas sobre os 9 indicados a melhor filme

moonlightÉ claro que esse pot existiria né? E este ano devidamente com todos os indicados a melhor filme vistos! E com mais uma prova do meu vício compulsivo por listas, tá tudo ordenado e numerado por preferência. É claro que eu devia tar falando sobre filmes lindos dessa temporada, como a comédia depalmiana do diretor de Oldboy, do Titanic do Rob Zemeckis, do coming of age da Hailee Steinfield com elenco mais bem cuidado desde o auge do Albert Brooks (sério, vejam The Edge of Seventeen, que filme!), de um filme que consegue ser divertido, ser feminista, ser pop, ser classicista, ser wiccano com o nome de ‘A Bruxa do Amor’, mas estou aqui escrevendo sobre filmes que encerram com músicas da Sia com batida de Bollywood, Ryan Gosling se achando o salvador do jazz, enfim… Louco né? Posso dizer que a exceção dessas duas bombas, ou até incluindo elas, a experiência de ver todos os filmes indicados ao Oscar de melhor filme em uns 5-6 anos não foi de tudo mal — aliás, acho que mais do que em todos os meus outros anos como ‘cinéfilo’, a junção destes filmes aqui definem todo um momento político dos Estados Unidos. Vejo isso quando até o mais rasteiros entretenimentos da categoria, como o bom Estrelas além do tempo, se tornaram verdadeiras plataformas de discursos sociais, o que eu diria que tem muito mais a ver com o marketing do filme que com o filme de fato. Continuar lendo “oscar broadcast ’17: perspectivas rápidas sobre os 9 indicados a melhor filme”

sobre animais noturnos e a megalomania de tom ford

nocturnal

Acho que é possível associar os dois filmes que Tom Ford se arriscou a dirigir até agora como peças pueris, com ideias ambiciosas, pra não dizer megalomaníacas, o que é completamente dentro do esperado da figura á que ele investe como estilista. No fundo, ambos os filmes naufragam em investidas narrativas & estéticas muito, err, óbvias; o que também está dentro do esperado, já que por trás de toda a grife, trata-se de um principiante.

Eu defendo de boa até hoje seu primeiro filme, o tal do ‘Direito de Amar’, porque acredito que ele tenha uma fuga, uma recusa a narrativa que funciona tanto com a dramaturgia do filme como com a plasticidade excessiva do Ford.

‘Animais Noturnos’, no entanto, é uma pequena baguncinha onde a s peças nunca parecem se juntar. É um filme triplo em muita necessidade de ser, é um filme pictórico sem muita necessidade de ser. Boas intenções e até boas ideias, mas que não formam nada concreto em si, apenas diferente fragmentos do que seria um filme pro Ford em si. A montagem utilizada na tentativa de correlacionar sua ficção e o filme da Amy Adams é especialmente bizarro.

Eu sinto que eu torço a todo instante mais do que deveria pelo filme, muito porquê o Ford tem suas convicções, suas crenças cinematográficas apesar de tudo e eu vejo aqui que isso é o que o difere tanto de um filme covarde como La La Land, onde toda a fé das ideias (questionáveis) sobre arte só são explicadas em defesas manjadas, alheias ao mesmo. No ‘Animais Noturnos’ há um vício nessa crença, meio shyamalanistica até, onde o kitsch e o mal gosto são postos a prova pra ver até onde eles podem funcionar dentro de um arco dramático.

Essa relação que se desenvolve tanto no novelão com a Amy Adams, que eu gosto muito, como na ficção que tem uma pegada muito mais física, uma veia mais de ator com aqueles close-ups difíceis de acreditar que foram criados pelo Ford, que eu gosto moderadamente. Como um filme único, tudo parece naufragar.

filmes citados
Animais Noturnos (Tom Ford, EUA, 2016) C+