sobre animais noturnos e a megalomania de tom ford

nocturnal

Acho que é possível associar os dois filmes que Tom Ford se arriscou a dirigir até agora como peças pueris, com ideias ambiciosas, pra não dizer megalomaníacas, o que é completamente dentro do esperado da figura á que ele investe como estilista. No fundo, ambos os filmes naufragam em investidas narrativas & estéticas muito, err, óbvias; o que também está dentro do esperado, já que por trás de toda a grife, trata-se de um principiante.

Eu defendo de boa até hoje seu primeiro filme, o tal do ‘Direito de Amar’, porque acredito que ele tenha uma fuga, uma recusa a narrativa que funciona tanto com a dramaturgia do filme como com a plasticidade excessiva do Ford.

‘Animais Noturnos’, no entanto, é uma pequena baguncinha onde a s peças nunca parecem se juntar. É um filme triplo em muita necessidade de ser, é um filme pictórico sem muita necessidade de ser. Boas intenções e até boas ideias, mas que não formam nada concreto em si, apenas diferente fragmentos do que seria um filme pro Ford em si. A montagem utilizada na tentativa de correlacionar sua ficção e o filme da Amy Adams é especialmente bizarro.

Eu sinto que eu torço a todo instante mais do que deveria pelo filme, muito porquê o Ford tem suas convicções, suas crenças cinematográficas apesar de tudo e eu vejo aqui que isso é o que o difere tanto de um filme covarde como La La Land, onde toda a fé das ideias (questionáveis) sobre arte só são explicadas em defesas manjadas, alheias ao mesmo. No ‘Animais Noturnos’ há um vício nessa crença, meio shyamalanistica até, onde o kitsch e o mal gosto são postos a prova pra ver até onde eles podem funcionar dentro de um arco dramático.

Essa relação que se desenvolve tanto no novelão com a Amy Adams, que eu gosto muito, como na ficção que tem uma pegada muito mais física, uma veia mais de ator com aqueles close-ups difíceis de acreditar que foram criados pelo Ford, que eu gosto moderadamente. Como um filme único, tudo parece naufragar.

filmes citados
Animais Noturnos (Tom Ford, EUA, 2016) C+

2016: 30 grandes filmes

2017-01-09t043905z_1801005258_rc16a85ac490_rtrmadp_3_awards-goldenglobes_0Agora sim 2016 pode acabar, for real. Antes do tão sofrido top, aquelas 10 menções honrosas marotas.

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi, de Michael Bay
A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien
A Bruxa, de Robert Eggers
Canibais, de Eli Roth
O Exorcista do Vaticano, de Mark Neveldine
Invasão Zumbi, de Yeon Sang-Ho
Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert
Mogli – O Menino Lobo, de John Favreau
A Verdade Sobre Marlon Brando, de Stevan Riley
Xmen – Apocalypse, de Bryan Synger

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2016: 30 grandes discos gringos

A few more days til my mornings look like this again

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Feliz ano novo a todos. E pra desculpar um pouco a demora, leiam esse texto e tentem ler, ver essa lista com carinho. Como um entusiasta de tudo que é lista & empolgado oficial todo final de ano pra fazê-las, ver a excessiva padronização (mais do que nunca) de quase todas as publicações em 2016 foi muito, muito chato. Isso aqui continua pessoal, então, valorizem como nunca. Continuar lendo “2016: 30 grandes discos gringos”

2016: 30 grandes discos brasileiros

(Autoretrato) Fazer entender, reivindicar e abrir uma nova era. Feliz natal, progresso e muita Luz!

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surpresinha de pós-natal!
E queria deixar também uma menção pra dois EPs de dois grandes rappers. um é o ‘Filhos de um Deus Que Dança‘, do Thiago Elniño, já hoje um dos rappers críticos mais maduros do Brasil agora sob o signo das beats do Nave. e o outro é o ‘7am‘, aperitivo do que vai ser a carreira solo do Sain (sim, o do Start… e sim, o filho do Marcelo D2) na Pirâmide Perdida e a julgar pelo flow cortado das 3 faixas, é bem promissora. Ambos não entram aqui por erem releases de menos de 10 minutos. :/ agora sim, vamos direto ao que interessa.

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