big little lies, the mom girl power

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Rapaz, sabe que mesmo com o hype e os comentários negativos de amigos bem ridículos que me atiçavam um pouco a curiosidade, eu nunca tinha visto até então nada do tal de Jean Marc Vallee. Comecei a ver essa Big Little Lies quase ou totalmente por causa da Reese Whiterspoon e a possibilidade de vê-la num thriller meio ridículo e cômico, já que o David Fincher tinha me tirado essa possibilidade há alguns atrás em Gone Girl.

Acho que toda essa premissa meio Pretty Little Liars MILFs Version dava um gás pro tipo de material que costuma ser irresistível pra mim, mas ao longo dos episódios que eu ia vendo, percebia o quanto esse tipo de ideia, de série de gênero, do whodunit tem sido super explorada pela TV ao longo dessa década e o quanto depender dela, de alguma forma, tem enfraquecido as narrativas (como How to Get Away with Murder, tão precocemente datada). Não acho que esse tipo de análise tenha sido alguma metalinguagem do David Kelley não; btw, ele é extremamente ineficiente em dar alguma tensão a trama de assassinato. Mas ele acerta muito na dramaturgia e no centro das figuras femininas centrais: não tenho dúvidas que Madeline, Celeste e Jane seriam alvos fáceis de estereótipos misóginos num bom thriller genérico, mas aqui, felizmente, elas partem de uma folha em branco para, ao longo da série, serem devidamente exploradas e o melhor de tudo, sendo meras reféns da contextualização, o que também ocasiona delas serem sínteses de problemas ubíquos como o abuso físico e psicológico, o estupro a infidelidade, a visão do que é ser mãe e etc.

Eu gosto do tom naturalista que a direção do Vallee conserva nesse sentido, dá uma crueza e uma dependência das três atrizes principais, que sendo bem sincero, soam como as verdadeiras autoras da série (literalmente, considerando que a Reese e a Nicole Kidman também são produtoras). Em contraste, eu realmente odeio os planos puramente estéticos do Vallee que vão e vem pra lugar nenhum, apenas como pretenso recurso videoclíptico de luxo pra filmar um mar, mas não posso deixar de dizer que, ao mesmo tempo, amo aquele desfecho que também é um show de misandria gratuita como nos melhores clipes da Rihanna.

2016: 5 grandes séries do ano

So… it’s opening time.

Menções honrosas
3% / Pedro Aguilera / Netflix
BLACK MIRROR / Charlie Brooker / Netflix
HOW TO GET AWAY WITH MURDER / Peter Nowalk / ABC
SCREAM QUEENS / Ryan Murphy, Brad Falchuk & Iann Brennan / FOX
SUPERMAX / José Alvarenga Jr., Fernando Bonassi & Marçal Aquino / Globo

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Essas são as minhas séries favoritas de 2015

Bem, taí algo de novo que eu prometi pra esse período de listas. Um top de séries. Sim, um top10! Isso é resultado de muita vagabundagem (não que eu quisesse, claaaro, as greves me levaram a isso) + Sky + ver gente que eu amo como os Wachowski, Shyalaman e Soderbergh envolvidos nelas. Ah, séries sobre o universo do hip hop. Série em homenagem ao terror teen com pitada de Meninas Malvadas. Série inspirada em Melville. Enfim, são tantos atrativos que é impossível não tentar estar a par desse mercado. E eu me sinto no dever de ressaltar isso pq até ano passado, tava praticamente só vendo uma ou duas séries especiais e fiquei muito naquela narrativa de ‘estão supervalorizando as séries’ — hoje, eu as observo com esse ar naturalmente comercial e elas conseguem me atrair ainda mais. Só um desabafo mesmo.

E ah, uma obversação: série é aquela coisa de ficar ligado demais na narrativa, cliffhanger, gancho e etc. Isso faz com que eu queira sempre comentar episódio por episódio; esse parece o único modo de seguir a lógica de texto que elas sugerem (bem, eu comentei a season 3 de Orange is The New Black aqui esse ano, e como cês podem observar é uma tarefa complexa demais achar uma unidade, um diálogo entre tudo), uma excessão em meio a isso — como Sense8 e Mr Robot — ainda é raro. E eu nem sei se eu quero curtir mais séries assim no modo binge watching da Netflix (como essas duas são), afinal, elas quase que te obrigam a “devorá-las”. E sim, eu tou falando tudo isso pra lembrar que eu não escrevi cápsula pra nenhuma delas além do primeiro lugar, por esse exato motivo. Mas essas *pequenas frases* fazem muito sentido com cada uma das séries citadas, manjem aí. Continuar lendo “Essas são as minhas séries favoritas de 2015”

2015 – primeiro round

discos
10 ava rocha – ava patrya yndia yracema
9 mc 2k – 2k
8 b flowers – the desired effect
7 dj clent – last bus to lake park
6 sufjan stevens – carrie & lowell
5 dawn richard – blackheart
4 tyler – cherry bomb
3 vince staples – summertime ’06
2 kendrick lamar – to pimp a butterfly
1 jazmine sullivan – reality show

musicas
10 tove lo – talking body (shift k3y rmx)
9 kiss daniel x tiwa savage x davido – woju rmx
8 mc cebezinho – to concentrado
7 rihanna – #bbhmm
6 mc 2k – sua bunda treme
5 skepta – shutdown
4 fetty wap – trap queen
3 t q d – day & night
2 maliibu n helene – figure 8
1 skrillex x diplo x bieber – where are u now

filmes
10 permanência (leonardo lacca)
9 pássaro branco na nevasca (gregg araki)
8 american sniper (clint eastwood)
7 mad max – fury road (george miller)
6 vicio inerente (pt anderson)
5 o destino de júpiter (the wachowskis)
4 mapas para as estrelas (david cronenberg)
3 top five (chris rock)
2 listen up phillip (alex r. perry)
1 branco sai, preto fica (adirley queirós)

series
5 wayward pines (m. night shyamalan)
4 empire (lee daniels)
3 orange is the new black (jienji kohan)
2 mad men (matthew weiner)
1 sense8 (the wachowskis)

sobre orange is the new black: algumas ideias dispersas, mais spoilers

apenas umas impressões vagas dessa terceira temporada de orange is the new black. faz séculos que eu não falo de qualquer série aqui (e bom nesse caminho, eu viciei num bocado delas e depois as esqueci, mad men acabou etc), então escolher falar por tópicos me pareceu melhor pra uma visão meio que de turista. e a ajuda também na minha relação com a série, que sim, ás vezes se confunde com uma relação de fã.

• o que eu mais gosto (de gostar) em orange is the new black é o modo nada funcional com que se pensa a relação espectador-personagem. claro, basicamente depende do quanto você cria empatia por aquelas mulheres. mas não é um caminho fácil. e ninguém tenta esconder isso. um exemplo ao longo dessa temporada era aleida, que havia essa opção por humanizá-la dentro da relação com a filha (daya) — muito mais do que em qualquer outra situação da série — e simultaneamente, também era aquela ignorante espalhando insultos transfóbicos pra sophia.

• um exemplo ainda mais forte: dogett (que também diria respeito há um outro tópico), ainda como o arquétipo da religiosa alienada, era agora uma vítima de estupro ocasional. basicamente uma narrativa que se sustentava em dois momentos específicos e dos mais especiais da temporada: um era sua amizade improvável com a boo, as duas formavam uma espécie de sátira feminina de um buddy-movie, com conversas e ações estúpidas que sempre miravam na misandria; a outra já eram suas cenas, de fato, de estupro e o olhar frígido da tary manning, como uma sensação de quem acredita merecer aquilo. forte.

• essa foi a temporada mais divertida das 3, e isso em nada tem a ver com o plot datado da tal empresa de calcinhas sujas da piper (ffs, cada vez que vinham algum desses momentos eu só conseguia pensar que era algo que os farrely bros fariam nos anos 90 — e muito melhor). mas orange sempre teve um apelo voltado pro ridículo — ainda mais pruma série que se orgulhe tanto do seu humanismo, fazer esses dois lados funcionarem juntos sem parecer um mumblecore não é fácil. um grupo de mulheres decidindo aleartoriamente cultuar norma e crazy eyes como uma escritora de contos eróticos alieníginas foi demais tho.

• também: eu já falei que a piper não pestou pra nada além de uma chupada na alex, essa temporada??? aliás, a própria alex teve um plot horrível e mal resolvido também. de alguma forma, eu não tiro da cabeça que a queda de ambas as personagens esteja ligada ao relacionamento frio que elas tiveram. eu sei que é um pouco cruel pensar assim dado o ideal da série, mas áquele ar mítico e inatingível anterior que elas tinham ajudava e muito.

• eu gosto de como a série sempre inicia seu foco numa visão bem típica de cada personagem e o que ela está representando, para depois reconstruir as personalidades e impor alguma complexidade as tais. nas duas primeiras temporadas, uma reclamação frequente eram chang e a soso, as duas asiáticas — elas não eram exploradas, e nós ficávamos sempre naquela visão superficial e *exótica* delas. as duas ganharam alguma desenvolvimento na terceira, mas o que acontece é: 1) o episódio da chang é muito ruim, 2) ele impõe algumas normas dentro da personalidade dela, 3) o nome do episódio é meio que uma bosta. ademais, soso ameaçou ir pelo mesmo caminho em vários momentos, ma num geral, foi uma das explorações mais interessantes aqui e a sacada no final — a sororidade da taystee/poussey — me deixou muito feliz.

• sophia, taystee e flaca foram dois pontos fortes que, vamos dizer, andaram mais dentro das suas narrativas gerais. as duas primeiras, em especial, sempre foram minhas personagens favoritas; acho que por ambas (como eu expliquei acima sobre os ligeiros estereótipos iniciais) serem tão arquetípicas de um modo que eu dificilmente veria ser transformado em dramaturgia como aqui.

• sobre os novos personagens: eu realmente gostei da berdie, não só por representar um contraponto a grande maioria dos funcionários do presídio, mas ser ativa em relação a isso (colocar o healey em seu devido lugar etc. etc.). stella prometeu muito mais do que acrescentou, de fato, mas não me incomoda ela com a piper — certamente é um caminho que me agrada mais pro futuro que o relacionamento alex/piper. e o danny pearson não me chamava a atenção pelo personagem em si (super inofensivo), mas pelo ator que eu jurava conhecer de girls ou algum filme do judd apatow; até confirmar esses dias que é o fantástico comediante mike birbiglia! então, já após terminar de assistir, foi um bocado frustrante ver que alguém como o mike estava em orange fazendo simplesmente nada.