charli xcx e as narrativas pop

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Voltando lá por 2012, eu tenho péssimas memórias do que a Charli XCX e tudo aquilo que chamaríamos de popstars da internet, como a Grimes e a Sky Ferreira, representavam. Dizia eu que apreciava a ideia do que elas estavam fazendo, mas que nada daquilo chegaria ser um um pop autêntico, definido em si, ou algo assim, simplesmente porque elas eram técnicas demais. Os anos se passaram, a Charli conseguiu alguns hits, virou uma songwriter da indústria, mas por alguma razão, ela não deu realmente certo como uma popstar. Escutando o Number 1 Angel, na verdade, você percebe que ela nunca deixou de ser uma popstar da internet.

Mas entre o que isso representa pra 2012 e o que representa pra 2017 tem um abismo, acho. E aqui no Number 1 Angel a Charli é mais uma nerd de música pop presa num quarto cantarolando algumas musiquinhas que incitam um nostalgia já conhecida dentro do material dela. Não acho que ela queria algo muito diferente disso desde os tempos do teenpop enfeitiçado do True Romance, por exemplo, mas é a primeira em que ela efetivamente me pega por essa diversão — é um ponto de identificação entre nós dois que, agora, eu vejo além das entrevistas coolzonas.

É curioso que essa estética (sim, porquê a única estética que une todo o material da Charli, for real, é essa ambição) chegue tão firme sob o signo dos caras da PC Music, que também representaram o ponto mais baixo da carreira dela ano passado e also são responsáveis por um show de pseudagem numa das correntes estéticas mais pretensamente bestas da minha memória. Number 1 Angel também trabalha com truques de produção parecidos com o do Vroom Vroom, tho. Mas aqui há muito mais um showcase pra toda essa persona da Charli que pra pirotecnia do PC Music, e ela meio que tem um timing certo pra essas beats, pros momentos exatos em que elas soarão over. Pouca coisa aqui sai do controle dos ideais dela.

10 hits pro carnaval 2k17

E foi como eu sonhava 🎼😍 @puma

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Um carnaval na visão de outsider, um nordestino bem menos norderstino que eu gostaria de ser, infelizmente. Só gostaria de pedir pra que todos nesse carnaval recusem as apropriações péssimas que vem sendo feitas do arrocha de hits já estabelecidos de funk e pior, com o próprio mc no meio virando um mero coadjuvante. sério, pior moda já inventada. Continuar lendo “10 hits pro carnaval 2k17”

2016: 30 grandes discos gringos

A few more days til my mornings look like this again

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Feliz ano novo a todos. E pra desculpar um pouco a demora, leiam esse texto e tentem ler, ver essa lista com carinho. Como um entusiasta de tudo que é lista & empolgado oficial todo final de ano pra fazê-las, ver a excessiva padronização (mais do que nunca) de quase todas as publicações em 2016 foi muito, muito chato. Isso aqui continua pessoal, então, valorizem como nunca. Continuar lendo “2016: 30 grandes discos gringos”

2016: 30 grandes discos brasileiros

(Autoretrato) Fazer entender, reivindicar e abrir uma nova era. Feliz natal, progresso e muita Luz!

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surpresinha de pós-natal!
E queria deixar também uma menção pra dois EPs de dois grandes rappers. um é o ‘Filhos de um Deus Que Dança‘, do Thiago Elniño, já hoje um dos rappers críticos mais maduros do Brasil agora sob o signo das beats do Nave. e o outro é o ‘7am‘, aperitivo do que vai ser a carreira solo do Sain (sim, o do Start… e sim, o filho do Marcelo D2) na Pirâmide Perdida e a julgar pelo flow cortado das 3 faixas, é bem promissora. Ambos não entram aqui por erem releases de menos de 10 minutos. :/ agora sim, vamos direto ao que interessa.

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