oscar broadcast ’17: perspectivas rápidas sobre os 9 indicados a melhor filme

moonlightÉ claro que esse pot existiria né? E este ano devidamente com todos os indicados a melhor filme vistos! E com mais uma prova do meu vício compulsivo por listas, tá tudo ordenado e numerado por preferência. É claro que eu devia tar falando sobre filmes lindos dessa temporada, como a comédia depalmiana do diretor de Oldboy, do Titanic do Rob Zemeckis, do coming of age da Hailee Steinfield com elenco mais bem cuidado desde o auge do Albert Brooks (sério, vejam The Edge of Seventeen, que filme!), de um filme que consegue ser divertido, ser feminista, ser pop, ser classicista, ser wiccano com o nome de ‘A Bruxa do Amor’, mas estou aqui escrevendo sobre filmes que encerram com músicas da Sia com batida de Bollywood, Ryan Gosling se achando o salvador do jazz, enfim… Louco né? Posso dizer que a exceção dessas duas bombas, ou até incluindo elas, a experiência de ver todos os filmes indicados ao Oscar de melhor filme em uns 5-6 anos não foi de tudo mal — aliás, acho que mais do que em todos os meus outros anos como ‘cinéfilo’, a junção destes filmes aqui definem todo um momento político dos Estados Unidos. Vejo isso quando até o mais rasteiros entretenimentos da categoria, como o bom Estrelas além do tempo, se tornaram verdadeiras plataformas de discursos sociais, o que eu diria que tem muito mais a ver com o marketing do filme que com o filme de fato.

Moonlight – sob a luz do luar
Eu assisti esse filme, tipo, 7 outras vezes após falar sobre aqui pelo primeira vez. A força continua a mesma, mas acho interessante que os dois pontos que eu ressaltei relacionados filmagem e a masculinidade ‘punitiva’ permanecem subestimados nas rodas de conversa sobre. Enfim. última vez que eu revi fiquei mais ligado que nunca no filme de amor kar-waiano do terceiro ato; toda essa página em branco que se transforma o Chiron preenchida basicamente pela relação destrutiva com a mãe ganhando contornos e sentido a cada troca de palavras com o Kev me dizem o quanto esse filme é especial. De longe, o meu favorito.

Manchester à beira-mar
Sou um daqueles fãs implacáveis do megalomaníaco longa anterior do Lonnergan, o tal do ‘Margaret’, e previsivelmente, este que tem muito em comum, mas com um pouco mais de hype, me agradou por motivos semelhantes. O cara consegue estabelecer a relação dramaturgia e emoção como poucos no cinema americano hoje. não exatamente que eu ache que há uma maneira ‘ideal’ de se fazer isto, mas esse desgaste a que ele submete o Affleck e a própria atuação dele — que tá sempre num limite emocional do caralho, a ponto de explodir, mesmo num filme que aparentemente é tão contido — me pegou 4 real.

Até o último homem
Sempre tive simpatia pelo Mel Gibson diretor (‘Apocalypto’ revisto, permanece grande), mas esse filme anda por caminhos dramáticos que, até então, eu não julgava fortes nele. Mel é pornográfico em absolutamente tudo no seu material – da guerra, da fé, dos atores – e, particularmente pra mim, é incrível quanto o filme consegue incorporar um arco dramático absurdo de bom pra tantos excessos. É um daqueles trabalhos onde a crença no seu material mostra o real valor pra tudo andar aqui. Daí quando alguém ri do quanto eu consigo achar isso aqui emocional, denso & tenso, eu só preciso responder que o Mel me manipulou muito bem.

A qualquer custo
É um neo western quase pra meditar. Gosto muito do clima em que se dá toda a ação do filme, imediatinha e tals. Mesmo com os excessos do Mackenzie. Grande esforço de todos os envolvidos aqui, mas Bridges tá especialmente monstro.

Um limite entre nós
Dentro de toda uma linha do cinema ‘de teatro’ de Kazan a Cassavettes, acho o Denzel até que bem habilidoso nesse caminho. O filme vai com muita sede ao bote, mas ele efetivamente tem vísceras pra constituir aquilo que busca — principalmente se for pensar em como ele constrói esse universo bem August Wilson: boa praça, cheirinho de alcool, negro, negríssimo etc. E calma, eu não esqueci de falar que a Viola Davis tá muito foda aqui não.

Estrelas além do tempo
Se for pegar pra comparar este filme a Fences e Moonlight em termos de narrativas negras, ele inevitavelmente explicitará o quão higiênico é, mas dentro dessa noção de higiene, cinemão, códigos de Hollywood e essas porras todas, acho que dá pra tirar uma diversão sólida até. Se não disseca, pelo menos não compromete. Claro que as 3 meninas encantadoras são todo o charme disso, mas né.

A chegada
Comparado ao outro filme do Villeneuve que eu vi dias antes, ‘Sicario’, esse aqui é até uma pérola – e não vou negar que gostei daquela vibezona ‘Solaris’ Soderbergh remix na primeira metade, com direito a clima de terror, trilha na linha da artifície, paranóia e tals. Depois vem o espetáculo impressionável, o ‘olhem como isso é um sci-fi inteligente’. Mas valeu a tentativa pra confirmar que a Beyoncé imitou o Malick muito melhor em 2016.

La la land – cantando estações
Todo o alicerce do Chazelle parte do personagem do Gosling, sua obsessão pretensamente elitista numa nostalgia pointless. E caras, sempre bom refirmar que o filme cai por terra pra mim aí porque nada me desagrada mais que isso. Toda essa ‘magia’, encantamento e etc. eu vi com cara de cu, a exceção talvez das verdades que o John Legend diz pra ele (personagem mais sensato do filme tho). Emma Stone é uma grande atriz e dona de um carisma de estrela, mesmo, mas já pode voltar a fazer filmes bons como ‘Easy A’.

Lion – uma jornada para casa
Ok, eu tenho algo de bom pra falar de quase todos indicados, mas deste aqui, quando sobe o letreiro pra ‘justificativa’ do nome, nada mais faz sentido e eu lembro que foram quase duas horas meio que sem nada a dizer e muito a (tentar) sensibilizar. Davis não é nada bom pra aventureira e triste e arrastada primeira parte, e é consideravelmente pior com o drama familiar da segunda – isso porque o romance não é nem digno de ser listado (poor Rooney Mara).

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