Every n*gga is a star

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A primeira comparação que me vem a mente assistindo Moonlight, era o Girlhood de Céline Sciamma, filme onde a diretora branca investiga o universo e as adversidades de meninas negras no subúrbio da França. Os dois filmes tem muito em comum, mas vou me atentar há dois fatores que, na verdade, são a essência do que me interessa em ambos:

1) a escolha da iluminação no digital: se em Girlhood os tons azuis entre meninas negras se divertindo e fumando um baseado ao som de ‘Diamonds’ era onde Céline deixava claro que, de fato, estávamos vendo um filme sobre cor, em Moonlight essa iluminação vira uma necessidade mais literal; afinal, o filme de Barry Jenkins também é sobre a condição e a origem de ser negro, não exatamente num ponto de vista social, mas de essencializar a etnia a sua cor. Não surpreende que o próprio nome do filme seja uma maneira de metaforizar o empoderamento pra Jenckins, conforme explicado por Juan pra Chiron ao dizer que na luz do luar os meninos negros se destacam, brilham e ficam azuis. Não à toa as pessoas negras de Moonlight brilham, literalmente.

2) o gênero: eu imagino a importância de Moonlight como um filme LGBQT, mas não deixo de lembrar que este é um filme de origens, um coming of age por excelência, portanto aqui a sexualidade se encaixaria num ponto específico, talvez. Em Girlhood, um filme essencialmente feminino, havia-se a consciência quase trágica do que é ser mulher, mas ali havia uma crença muito forte no gênero; uma contemplação nos raros momentos felizes do filme que inexiste em Moonlight. O filme de Jenkins, um filme essencialmente masculino, trata, para o Chiron a todo instante, a masculinidade como um purgatório; ela vai da exaltação das fragilidades de Chiron na infância/juventude ao perfeito escudo do personagem na vida adulta, visto através dos músculos e a pose hood. Mas o próprio Chiron, no fim das contas, continuaria atormentado por esse ‘código’, quase ‘lei’ de masculinidade em sua vida, principalmente pela onipresença da mãe  — uma mulher viciada e quase inexistente como mãe, mas a quem Chiron sempre teria como referência e nunca abandonou, mesmo tendo outra opção de ‘família’ –, o indivíduo que junto ao único personagem que o garoto expressa desejo sexual (Kevin) formam os catalizadores dessa masculinidade.

filmes citados
Moonlight (Barry Jenkins, 2016, EUA) A-
Garota (Bande de filles, Céline Sciamma, 2014, França) B

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