2016: 30 grandes filmes

2017-01-09t043905z_1801005258_rc16a85ac490_rtrmadp_3_awards-goldenglobes_0Agora sim 2016 pode acabar, for real. Antes do tão sofrido top, aquelas 10 menções honrosas marotas.

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi, de Michael Bay
A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien
A Bruxa, de Robert Eggers
Canibais, de Eli Roth
O Exorcista do Vaticano, de Mark Neveldine
Invasão Zumbi, de Yeon Sang-Ho
Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert
Mogli – O Menino Lobo, de John Favreau
A Verdade Sobre Marlon Brando, de Stevan Riley
Xmen – Apocalypse, de Bryan Synger

creed1 Creed, de Ryan Coogler
Construção do mito, da representação negra. Filme de luta(s).

elle2 Elle, de Paul Verhoeven
É o Verhoeven divertido e sacana como sempre, e acho que se ver dentro da pompa de filme de arte europeu deu margem pra ele ser ainda mais perverso — imagina se isso aqui fosse um filme americano, se assumisse de gênero e protagonizado pela Meryl Streep, quantas carreiras tariam exterminadas agora? É um tanto doentio como o corpo da Isabelle Huppert, agredido a todo instante, parece movimentar todo um universo dirigido aqui.

carol3 Carol, de Todd Haynes
O Haynes dos melodramas sempre será meu Haynes preferido, muito porque como em ‘Far from Heaven’ ele parte de um material de época que não se limita, do primeiro ao último plano é um filme que se encanta por Douglas Sirk mas não particularmente evoca ele. É como pensar no ‘Maria Antonieta’ da Coppola com a dualidade tradição vs moderno menos escancarada.

theshallows4 Águas Rasas, de Jaume Collet-Serra
O filme megalomaníaco de Collet-Serra é também a órbita de Blake Lively. Diferentes níveis de experiência, das sequências mais sensoriais ao arco dramático, se colidem e transmutam na figura dela. Cara também é sacana fazendo um filme com espaços e personagens naturalistas e deslocando-os pra sua estética de estúdio ultra artificial.

sgn9jsa5 Aquarius, de Kléber Mendonça Filho
Se em ‘Som ao Redor’ o Kleber reunia ideias, fragmentos que ele colecionou por quase uma década nos seus curtas, em ‘Aquarius’ parece que ele reuniu tudo isso, mas o que ‘Som’ tinha de novo. E mais o que o Kleber poderia mostrar de novo aqui também. É um filme sobre o Brasil e ponto. (P.S.: de quase-jornalista pra ex-jornalista, Aquarius mostra bem pq eu desisti dessa profissão.)

6 O Silêncio do Céu, de Marco Dutra
Filme de texturas de gênero comuns reconfiguradas pela singularidade da interpretação do Dutra. Escrevi sobre ele aqui.

midnight7 Destino Especial, de Jeff Nichols
Ok, depois da previsão certeira de que o Nichols se tornaria um grande esteta de estúdio, vamos dizer que ele não deu bem ao mundo o produto em perfeita sicronia com essa geração que eu esperava. É mais Carpenter que Spielberg. Belo filme de artifícios, onde a fé e o medo se contrastam num mesmo espaço vazio.

rightnow8 Certo Agora, Errado Antes, de Hong Sang-soo
O Hong dos gesto, como ele não fazia há tempos. Muito bonita a relação dramática que o filme desenvolve com a própria estética, como se a divisão não fosse apenas uma necessidade da história aqui, mas toda a estrutura dela e do impacto nos seus personagens.

neondemon9 O Demônio de Neon, de Nicholas Winding Refn
Pouco após ver esse Neon Demon pela primeira vez, revi Drive no cinema e ali vi quanto era desconfortável pro Refn homogeneizar a dramaturgia do filme. Filme continua forte, mas é inevitável que os pontos fracos dele se originam ali. ‘Neon Demon’, nesse sentido, é a realização formal do cinema de Refn. Um conto de fadas, catálogo de moda, cores. Nada a mais.

frente10 A Frente Fria que a Chuva Traz, de Neville de Almeida
Um beco sem saída. Ferrara na cidade das Olimpíadas. Como ‘Nerve’ é um filme que se assume devoto de uma crença pouco receptiva e eu sempre tô aqui pra filmes que vão com tanta sede nas suas crenças. A recepção do Neville aqui me faz crer que ele chegou exatamente onde queria.

chiraq11 Chiraq, de Spike Lee
Á época do Oscar do ao passado e todo o movimento de boicote a ausência de ator negros, lembro de um comentário que me marcou afirmando “não é que o Spike Lee mudou, foi o mundo que ficou igual o Spike Lee”. Essa afirmação é depreciativa, mas eu só tive a ganhar com ela até agora. O filme mais forte dele em mais de uma década aqui (se for um sinal disso), é uma delas.

trainwreck12 Descompensada, de Judd Apatow
A redenção do Apatow via Amy Schumer.

nerve13 Nerve, de Ariel Schulman e Henry Joost
É o ‘Unfriended’ de 2016 e eu tenho a tese de que, de agora em diante, terei pelo menos um filme por ano sobre, simultaneamente, tradições de gênero e possibilidades dramáticas da tecnologia. Pode até ser um fetiche meu, mas né, os caras de Catfish fizeram isso muito bem.

mia14 O Que Está Por Vir, de Mia Hansen-Love
Adoro como a presença da Isabelle Huppert funciona aqui. A Mia Hansen Love é muito boa lidando com situações-limite, sempre criando dramaturgias um tanto sutis pra isso e meio que pra falar de uma professora sexagenária, a Isabelle é a figura ou melhor, o patrimônio francês que melhor responde aos anceios dela.

hateful815 Os Oitos Odiados, de Quentin Tarantino
Think i’m going down to the well tonight
And I’m going to drink till i get my fill
And I hope when i get old
I don’t sit around thinking about it
But i probably will

Yeah just sitting back trying to recapture
A little of the glory of,
But time slips away and leaves you
With nothing mister but boring stories of
Glory days…

69516 Lemonade, de Beyoncé Knowles-Carter e Khalil Joseph
O filme é conceitualmente um complemento ao disco, mas a forma como ele impõe diferentes ângulos a mesma lógica do arco narrativo, torna a música muito coadjuvante do material em si e, consequentemente, menos videoclíptico e mais cinematográfico. Algumas das imagens mais fortes sobre negritude, revolta, família e mor do ano estão aqui.

sully17 Sully, de Clint Eastwood
Um Clint ao essencial. Tão pouco de história e arco dramático, mas nada disso parecer interessar a ele de fato. Sully vai bem a margem no filme de desastre e Clint filma aquilo, tão simples, mas que sempre é a ‘causa’ da existência desse tipo de filme: as reações.

tangerine18 Tangerine, de Sean Baker
Firulas estética a parte duas coisas me ligam a Tangerine de um jeito descomunal: a) ele carrega toda a pompa de ‘filme indie’, mas o humanismo do Baker é nada tímido, nada pomposo, e a forma com que ele surge aqui é especialmente interessante e b) as duas atrizes principais excelentes e a carga que elas/as suas personagens carregam.

creepy19 Creepy, de Kiyoshi Kurosawa
Imagino o quanto isso deve ser manjado, mas eu gosto dos elementos quase aleatórios do Kurosawa pra construir um thriller. Faz pensar num filme mais como uma reconstrução da estética de gênero que a utilização do filme de gênero como objeto de algo além.

1118full-burying-the-ex-screenshot20 Enterrando a Minha Ex, de Joe Dante
Enquanto paga suas contas dirigindo episódios de série ruins, Dante arranja tempo pra financiar alguns projetos que, claro, infelizmente são um pouco derivativos pra ele, mas que dentro da proposta estética dele ganham um charme todo. ‘Enterrando a minha ex’ vive nese grupo.

jt21 Justin Timberlake + The Tennesse Kids, de Jonathan Demme
Curioso que num espetáculo contratando um diretor de prestígio desses eu esperaria muito maneirismo, mas felizmente os únicos maneirismos aqui são as danças do Timberlake, aquelas coreografias tipicamente urban que flutuam entre o tipo de música que ele canta. O show todo tem um olhar espacial muito sólido de Demme e me fez querer ver mais diretores de cinema dirigindo espetáculos pop. A geometria de uma turnê grandiosa como essa é fascinante.

everybody22 Jovens, Loucos e mais Rebeldes!, de Richard Linklater
O Linklater cool que todo mundo gosta de volta. Eis o dom de se manter fazendo filme fresquinho, jovem há mais de 20 anos.

conjuring223 Invocação do Mal 2, de James Wan
É o filme spilberguiano de 2016 por excelência. Ele é manjadinho como filme de terror em seus elementos e tals, mas não consigo deixar de amar toda a construção que leva até ele; e tem tanta coisa pro Wann cuidar aqui que imagino ele realmente pensando isso aqui primariamente como um blockbuster.

love24 Amor e Amizade, de Whit Stillman
Filme menor do Stillman, por justamente se importar tanto com a sensibilidade e estilo da Jane Austen. O que simultaneamente também é forte nele.

birth25 O Nascimento de Uma Nação, de Nate Parker
Um filme que nasceu celebrado por razões erradas pra depois ser arranhado por razões alheias ao mesmo. Belo recorte histórico sobre a construção da identidade negra e o que é raro: ele se vê como um recorte histórico, mesmo. E o Parker dirige pra caralho.

1326 A 13a Emenda, de Ava DuVernay
A escolha de Ava pelo encarceramento da população negra tem um diálogo funcional com a tensão racial que a América vive hoje, mas ao longo do filme você vai entendo isto como sobre a construção da identidade negra, também, mas agora percorrendo toda uma história pra fundamentar o racismo estrutural

neighbors27 Vizinhos 2, de Nicholas Stoller
O material de Vizinhos já abria, inevitavelmente, margem pra essa veia *problematizante*, o que é incrível aqui é como isso já surge como uma dramaturgia pronta. Ele anuncia, desenvolve, brinca e satiriza. No fundo, é um filme que vive num mundo onde todo mundo pareça familiarizado com o feminismo. Uma violência, nesse sentido.

ausage28 A Festa da Salsicha, de Conrad Vernon & Greg Tiernan
2016 também foi o ano em que o dream team da comédia americana anos 2000 também acreditou no potencial humanista daquilo que sempre fez. Até mais que o filme de Apatow e o Stoller, Seth Rogen aqui ainda articulou todo o marketing do filme como uma animação rated R pra, no fim, ser mais interessante como uma versão animação de Sense8.

taca29 O Roubo da Taça, de Caíto Ortiz
Uma comédia ‘hollywoodiana’ brasileira, e como tudo que tenta evocar algo de Hollywood aqui, é bastante datado, também. Mas eu gosto disso. E gosto de como Ortiz constrói o filme com esse aspecto de que ele está (literalmente) fora de seu tempo. Foi um ano bem inusitado pro cinema comercial mesmo, o Bryan Synger fez isso no último X-Men e eu também gostei.

bgshrt_1130 A Grande Aposta, de Adam Mckay
O filme acadêmico do Mckay. Gosto de como ele lida com as limitações pra esse tipo de material e status por a) trabalhar bem com o grau de dramaticidade imposto aqui, principalmente quando conseguimos separar bem os núcleos e b) o tom por vezes didático que quebra muito bem com o umor tipicamente escrachado dele.

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2 comentários em “2016: 30 grandes filmes

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