2016: 30 grandes discos gringos

A few more days til my mornings look like this again

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Feliz ano novo a todos. E pra desculpar um pouco a demora, leiam esse texto e tentem ler, ver essa lista com carinho. Como um entusiasta de tudo que é lista & empolgado oficial todo final de ano pra fazê-las, ver a excessiva padronização (mais do que nunca) de quase todas as publicações em 2016 foi muito, muito chato. Isso aqui continua pessoal, então, valorizem como nunca.

d8s9dem30 Jessy Lanza, Oh No (Hyperdub)
Não muito diferente do ‘Pull My Hair Back’, Jessy continua sendo uma especialista em sons eufóricos na música pop, sempre se mantendo serena e sedutora. Junto ao Jeremy Greenspan do Junior Boys, Jessy tem criado um artesanato tão único & consistente com esse tipo de som. Podem vir mais 5 discos assim, por favor.

a4096873081_1029 Ladyhawke, Wild Things (Mid Century Records)
No início do ano, Charli XCX lançou um EP chamado ‘Vroom Vroom’ onde ela reiniciava sua carreira pela terceira vez sob os signos da PC Music. O material da Charli ali era horrível, ainda mais pra quem tinha saído de um disco tão bom quanto Sucker. Mas o que eu queria dizer é o quanto essas cantoras que vivem de constantes reboots são tão hit or miss. A Ladyhawke, no caso, fazendo canções pop dos anos 80 soou, pela primeira vez, interessante.

tweet-charlene-album-cover28 Tweet, Charlene (eOne Music)
Mais de 10 anos longe dos holofotes, Tweet lançou discretamente seu terceiro disco esse ano. E é um sinal de conserva, já que aqui não tem nada muito oposto ao que ela fazia na época de ‘Oops (Oh My)‘, até os amigos Timbaland e Missy Elliott dão o ar da graça. Tweet sempre foi tão boa em evocar as tradições do R&B (o gospel aqui, no caso), mas trazendo um ar mais específico.

cam-china-ep27 Cam & China, Cam & China (s/r)
Apesar de não parecer por essa lista, o rap das minas foi tão forte esse ano. Da sede pelos hits da Dreezy ao antilikeability da cupcaKKe e Dej Loaf, da política Noname e Moor Mother á hiperssexualizada Cardi B. Todas muito opostas e também extremamente precisas dentro de sua estética. Os discos já, pode-se dizer, não foram tão musculares assim. Talvez por isso o melhor projeto de estréia dessas duas bad bitches de Inglewood seja um EP mais do que compacto. Uma carta de intenções, em essência, como um Sremmlife ano passado — mais os 2 hits locais delas (‘Do Dat’ e ‘Nada’, que infelizmente agora soam datados) e teríamos um discão.

tove-lo-lady-wood-cover26 Tove Lo, Lady Wood (Island)
Eu subestimei o Queen of the Clouds lá em 2014, disco que hoje eu amo, por sinal. Mas em 2016, Tove Lo continuou sendo, basicamente, a Courtney Love dessa geração, mas em beats de house, techno & synthpop. Acho até que ela pensou em como me fisgar de primeira. Also o média metragem que acompanha a primeira parte do disco é ótimo.

29479d_c29ebdb0f5d24df6b1175d770193685a25 Corinne Bailey Rae, The Heart Speaks in Whispers (Virgin)
Outra cantora que sofreu um reboot dos bons em 2016. Corinne abandou a New boring inglesa pra fazer esse soft r&b modernista de primeira. Uma ajuda das King na composição de algumas faixas ajudaram e muito nessa direção dela, mas toda a textura & a voz, apesar de ser soulful é bem oposta e passiva aos vocais de r&b da atualidade, são um achado.

equiknoxx_bird_dds24 Equiknoxx, Bird Sound Power (DDS)
2016 pode-se dizer que foi o ano em que o dancehall se firmou no mainstream com alguns, muitos hits horríveis e alguns bons, também. Mas graças a essa ubiquidade do gênero e também ao selo do Demdike Stare, um projeto como o Equiknoxx ganhou vida, revelando aqui de forma bem enérgica os impulsos mais experimentais do dancehall.

nd-25x23 Mark Ernestus’ Ndagga Rhythm Force, Yermande (Ndagga)
Mark Ernestus se unindo a uns bateristas de Senegal pra vir com o som mais percussivo, nervoso, fluído, caótico & AFRICANO que ele poderia fazer? Eu tô aqui pra isso.

alunageorge-i-remember-2016-single-2480x248022 Alunageorge, I Remember (Island)
Já escrevi sobre esse disco aqui. Aluna, que se tornou no último 2 ou 3 anos uma das principais vocalistas em singles de EDM, uniu, assim como a Tove Lo, a música de dança a um songwriting tão vulnerável, emocional e variado.

zen232-machinedrum21 Machinedrum, Human Energy (Ninja Tune)
Então… chegamos ao Travis Stewart da era Dawn Richard né? Ele tá pop, tá colorido, cheio dos vocais soulful; mas talvez frenético como nunca. Eu amei?

caemj0exiaioh6k20 K. Michelle, More Issues Than Vogue (Atlantic)
Eu ainda tô esperando pelo dia em que a Kimberley vai virar uma super estrela. Das figuras mais singulares no R&B atual, em 2014 ela encerrava seu disco com uma faixa country e ninguém entendia, em 2016 Miguel e Beyoncé fazem o mesmo e, de repente, isso era cool. Por favor, olhem pra essa mulher.

ckb22jjwsaamqry19 ABRA, Princess (True Panther Sounds)
Como a Jessy Lanza, Abra é uma moça que faz música pop soar calma por mais obscura que ela seja. Espécie de extensão do debut dela ano passado, ‘Rose’, também um discaço. Aqui, a popularidade cresceu e o orçamento engordou, mas a darkwave dutchess continua precisa e orgânica.

mac-miller-the-divine-feminine-201618 Mac Miller, The Divine Feminine (REMember / Warner)
“I open your legs and go straight for your heart”. Num ano em que o jazz aparentemente contaminou de vez novamente de novo o rap high profile, Larry Fishermann o usou pra criar um disco calmo, cheio de groove, muito, mas muito brega sobre a Ariana Grande.

anohni17 Anohni, Hopelessness (Rough Trade)
Uma violência em forma de figura, em forma de música. Anohni é uma das minhas figuras femininas de 2016 e em parte, isso tem a ver com o quanto eu discordo em alguns sentidos políticos aqui. A outra parte é por como ela me seduz com toda a fúria que ela canta & expressa ele.

a0704267006_1016 Moor Mother, Fetish Bones (Don Giovanni)
Um disco sobre afrofuturismo, mas com um respeito ás memórias como forma de resistência. A escravidão, a KKK, os Direitos Civis. Camae Ayewa diz que já há ‘canções suficientes sobre acordar bonita por aí‘, no Fetish Bones ela lista apenas algumas outras ideias brutais para falar sobre racismo.

a-tribe-called-quest-we-got-it-from-here-thank-you-4-your-service-album-cover-art15 A Tribe Called Quest, We got it from Here… Thank You 4 Your service (Epic)
Desde o meu primeiro cotado com o Tribe eu sempre vi ali um grupo fechado, concluído. Todo o trabalho que o Q-Tip fez nos anos 2000 pareciam uma extensão ideal do que eles fizeram nos anos 90, mas caaara… isso aqui é como se o tempo tivesse congelado e a extensão da carreira deles fosse só isso aqui, é um contexto que não se apaga. Nunca pensei que seria algo tão emocional assim pra mim.

a1988935017_1014 Elucid, Save Yourself (Backwoodz Studioz)
Queria que metade das pessoas que dão tanta atenção ao Chance the Rapper parassem pra escutar o Elucid. Não que eu não goste do Chance, mas certamente há vários rappers mais sólidos por aí projetando nos seus versos uma espécie de sitcom que ao mesmo tempo em que preserva certos valores, tradições, trata de ser crítico ao ambiente em que eles pertencem. O Elucid é um deles.

maxwell-blacksummersnight-2016-2480x248013 Maxwell, blackSUMMERS’night (Columbia)
Faixas que parecem viver numa auto sedução, faixas que soam andróginas a cada especificidade. É, o Max continua incomum como sempre.

solange_cover-1475240092-1000x100012 Solange, A Sea at the Table (Saint Heron)
Eu recebi esse disco com um pouco de desconfiança (a premissa dele é basicamente a Solange tentando entrar num medalhão Bey/Kendrick de Assuntos Relevantes Discos Marcantes), mas quanto mais eu ouvia, mais notava o quanto tudo aqui é fudidamente pessoal pra ela, e o reflexo de assuntos como o Black Lives Matter são, sim, tem definidoras do nosso tempo quanto qualquer coisa que a irmã dela ou o Kendrick Lamar poderiam fazer.

dawn-richard-redemption-2016-2480x248011 D∆WN, REDemption (Local Nation)
A última parte da trilogia da Dawn também é a mais forte em termos de songwriting, também talvez o primeiro disco dela que eu poderia chamar de narrativo. E a produção do Machinedrum ser mais espacial e óbvia aqui permite ela brincar ainda mais com as texturas das letras. Dawn também lançou em 2016 um baita EP com o Kingdom.

metronomy-summer-08-2016-2480x248010 Metronomy, Summer 08 (Because Music)
O pop mais intrigante do mundo, por Metronomy. Tenho certeza que eles criaram cada hook aqui como e estivessem adulando seus bichinhos de estimação.

a3325213884_109 Negative Gemini, Body Work (100% Electronica)
Eu falei anteriormente sobre a Aluna Francis e Tove Lo e a música de dança ‘emocional’, mas em Body Work, a Lindsey French leva isso prum outro nível. Muito por ela ser uma produtora que se arrisca a cantar, de fato, mas o envolvimento emocional/vulnerável aqui muitas vezes esbarra justamente no quanto ela é enigmática. Um comentário perspicaz no bandcamp da moça dizia que ela é ‘o que aconteceria se a Britney Spears fosse uma DJ’ e bem, isso faz todo sentido. Mais abaixo talvez tu entendas o porquê.

a4131161450_108 Kaitlyn Aurealia Smith, EARS (Western Vinyl)
Um sonho sobre o futuro, talvez. Incrível como toda a meta-sonoridade aqui, do sintetizador abrindo o disco como uma remontagem da música electronica dos anos 60 e etc., eu vejo na voz virtuosa da Kaitlyn a manipulação de todos os elementos do ‘Ears’. É cada melodia aqui, bicho.

kaytranada-99-9-2016-2480x24807 Kaytranada, 99.9% (XL Recordings)
Como eu já disse antes, esse é o revival perfeito do Black Eyed Peas circa-Monkey Business. Also o Kaytranada é a melhor pessoa de 2016.

33238a0dbe6470fde82c5fea51ff69e2-1000x1000x16 Beyoncé, Lemonade (Parkwood Entertainment)
Outro que eu já falei bastante aqui. Beyoncé no estado mais depurativo, uma auto análise, um auto conhecimento buscado a diferentes formas, instituições, personas que, em todo grau, termina também numa análise da própria imagem.

demdikecover-11-17-20165 Demdike Stare, Wonderland (Modern Love)
Como o projeto que o Demdike Stare curou, Equiknoxx, o Wonderland toca num ponto muito experimental do dancehall. Um ponto a criar atmosfera que talvez eu só encontre comparações no The Bug. Imagine todo aquele tom agressivo intrínseco do dancehall e do jungle agora sendo maleáveis, mais ambient, mais techno. Mais anos 90, em suma. E não para por aí, o Wonderland também é o disco mais bem realizado dos caras talvez por ser um projeto que idealize tudo que eles pensaram de música até hoje.

britney-spears-glory-album4 Britney Spears, Glory (RCA)
Se algum dia te perguntarem porque a Britney é praticamente o significado do termo pop desde 1998, responda com esse disco. Porque serião, aqui ela parece uma cantora diferente a cada faixa, e também tem uma grande variedade estilística, mas o que ela tenta, junto com alguns produtores escandinavos, fazer, é criar uma espécie de padronização pra isso tudo. Um universinho de 17 faixas do caralho onde uma dupla doo woop dos anos 60, um flamenco, r&b, um pseudo funk carioca, tropical house, revival do chanson via Françoise Hardy, etc etc. (ufa) façam sentido. E faz, quando as idiossincrasias são filtradas e, narcisística ou mitologicamente, esse se torna um disco da Britney Spears.

ariana-grande-dangerous-woman-deluxe-20163 Ariana Grande, Dangerous Woman (Republic)
Muita coisa dita sobre a Britney também se aplicaria a Ariana e ao Dangerous Woman. Indeed, a Ariana é uma espécie de Britney dessa geração e esse é, provavelmente, o seu In The Zone. Não sei se é um simples fascínio que ela me desperta ou é a voz mesmo, que é manipulável, cria diferentes personagens sem muito esforço, funciona em tantos contextos etc. Ou se simplesmente tudo aqui é tão bem realizado, tão bem escrito. E nota que embora eu tenha elegido ‘Into You’ minha música de 2016, cada semana que volto a esse disco tenho uma nova faixa preferida. O épico ‘Knew Better / Forever Boy’ que lembra a Dawn Richard circa-Goldenheart merecia mais atenção, tho.

king_we-are-king2 King, We Are King (King Creative)
Ao longo de toda essa década, as King tem feito alguns dos meus singles preferidos do r&b contemporâneo. Em 2016, cerca de 5 anos após o lançamento da formação, elas finalmente lançaram um disco. Que poderia soar como uma compilação qualquer, já que contém tudo que elas lançaram até hoje. Ao invés disso, elas entendem que, mesmo com tão pouco material, elas formularam uma estética muito própria, uma visão de texturas no R&B precisa e muito rica. As harmonias e os acordes então… são como uma projeção de um universo colorido, calmo, preenchido — podendo até pensar na própria capa florida do disco. Cada intro, cada outro… tanta coisa a acrescentar nessas faixas.

the-1975-i-like-it-when-you-sleep1 The 1975, i like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it (Polydor)
Se a Ariana é a Britney dessa geração, eu diria que o 1975 é o Blink 182. E a ideia de que esse disco fez sucesso em algumas publicações de melhores do ano me faz crer que o mundo ainda tem chance. Particularmente porque o Matt Healy é tão devoto de que tudo vindo da mente dele é material pra fabricar grandes canções. Ele é devoto do seus impulsos, sendo preciso. Da linha mais kistch e debochada a mais emocional e bem estruturada, constitui uma mesma canção; assim como tudo que eles entendem por música, independente se a maioria dos fãs de rock (lmao) vão ver as características do gênero diluídas em mil e outras tantas sonoridades aqui. De fato. Acho que o ‘I Like it’ parece tão pessoal pra mim é por como eu me identifico com as letras do Matty, com como elas fazem sentido com as minhas experiências de 2016 (o disco foi lançado lá no início do ano, detalhe), mas também é por como ele é um nerd de música — e isso fica muito mais evidente aqui, num tom quase épico em seus 74 minutos que no debut dos caras.

Talvez uma visão muito pessoal, ás vezes imagens minhas projetadas nesse disco, mas o que me vem a mente é como uma odisseia. Odisseia sobre o Matty, andando pelas ruas num pós-balada, com aqueles pensamentos distorcidos & imersivos & romantizados sobre as pessoas que passaram pela vida dele até aquele momento — daquela que vc fode e logo esquece àquela que vc idealizou e (imaginou) esperar a vida toda. São momentos, fragmentos pelos quais ele se apaixonou e tira esse momento tão universal á falar sobre. Isso enquanto ouve alguns dos artistas que o influenciaram sonora & liricamente a se manter ortodoxo nessa visão. De Sigur Rós a Talking Heads a Taylor Swift a My Chemical Romance ao próprio Blink, tho.

Meu disco preferido de 2016 é mais ou menos isso.

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8 comentários em “2016: 30 grandes discos gringos

    1. maioria dos criticos de pop q eu conheço deram moral sim e é um consenso q esse é o melhor cd pós-blackout dela, problema é que não dá pra esperar muito dos críticos ‘gerais’ q botam beyoncé e rihanna nas listas se achando super progressistas. até pq a britney não supre alguns fatores da visão super limitada de pop deles no momento (o maior deles: não fez sucesso. kk)

      p.s.: quanto tempo carlinhos <3

      1. nem tava sabendo que tinham curtido, mas vi agora que vários críticos colocaram como um dos melhores discos pop do ano. ótimo!

        ps: e sim, mto tempo! mas eu sempre dou uma passadinha por aqui pra ver oq tu anda escutando/assistindo e catando as dicas.
        alias, amei mto o disco das king que catei a dica por aqui. tava escutando amel larrieux esses dias e lembrei que tu curte tbm.

  1. valeu pela indicação da negative gemini, mio, esse cd tem gosto de doce :P
    e apaixonadooo eternamente pela musica com sample da britney.

    1. precisamos espalhar a palavra dessa deusa, hein. melhor descoberta do ano, de longe.
      e o famigerado sample, eu nem considero exatamente um sample, é um rework de ‘everytime’ mesmo! já li a lindsay falando q por ela ser tão fan da britney, ela tentou da um ‘ar’ bem a cara dela pra musica, acabou q o disco todo é bem britney né.

^-^

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