2016: 5 grandes séries do ano

So… it’s opening time.

Menções honrosas
3% / Pedro Aguilera / Netflix
BLACK MIRROR / Charlie Brooker / Netflix
HOW TO GET AWAY WITH MURDER / Peter Nowalk / ABC
SCREAM QUEENS / Ryan Murphy, Brad Falchuk & Iann Brennan / FOX
SUPERMAX / José Alvarenga Jr., Fernando Bonassi & Marçal Aquino / Globo

5. SCREAM / Jill Blotevogel, Dan Dworkin & Jay Beattie / MTV
sabe ano passado quando falei que ‘scream queens’ era a série feita pra mim? pois é, a segunda temporada de scream é algo próximo disso. se a primeira descerebrava o filme do craven e criava uma narrativa meramente funcional, na segunda o que vemos é basicamente uma exploração das possibilidades da estética dos filmes. muito além de reutilizar a ironia, os jogos, a metalinguagem, scream buscou, a sua forma, se estabelecer e compreender a cultura teen de sua época pela estética de gênero como zeigeist — exatamente como o filme de craven foi.

4. AMERICAN HORROR STORY: ROANOKE / Ryan Murphy & Brad Falchuk / FX
depois de duas ou três temporadas mais interessadas no miolo da estória e seus arquétipos do que o terror propriamente dito, ryan murphy voltou mais ou menos aquilo que ele parecia ter começado lá nos primórdios da série (murder house ftw), onde o terror é o cultor, o autor de toda a estética que ele emprega. aqui em roanoke há um mito, uma passagem histórica da américa sendo esfacelada, mas acima disso, tem o terror que a cerca, tem a contemporaneidade do found footage a que ela está aprisionada.

3. MR. ROBOT / Sam Esmail / USA Network
no sexto episódio dessa temporada, mr robot inicia como uma paródia dos sitcoms dos anos 80-90. há um chuva de possibilidades a partir dali e o que se desenvolve em todo o episódio: que esmail parodia a fixação da nossa geração por essa era, que ele entende da ansiedade e emergência da nossa geração, que ele pensa diretamente no afeto que a nossa geração tem com as séries de tv, em suma, que ele entende bem a nossa geração. entender talvez não seja a palavra, mas mr. robot é o produto que melhor elucida toda a complexidade do jovem de 2016 — o que inclui-se, óbvio as contradições de ser representado por um eliott e ao mesmo tempo um alvo fácil de suas críticas. é tão parecido com fight club, dizem. eu discordo. ou talvez faça mais sentido hoje.

2. CHEWING GUN / Michaela Coel / E4
essa é uma sitcom britânica do final de 2015 que só veio ganhar popularidade agora no fim do ano, quando ganhou distribuição da netflix. são só seis episódios, o que ainda assim me deixou surpreso com o controle de narrativa que a michaela coel (única roteirista e também a estrela da série) tem. michaela tem nas mãos os personagens mais absurdos possíveis nas situações mais absurdas possíveis que, por fim, fazem muito sentido com as experiências de quem assiste. sério, entre gags e mais gags fantásticas, ela lida com insegurança, sexo, vício, cultura pop (e de celebridades) a sua forma sem nunca diluir tais assuntos.

1. THE PEOPLE VS. OJ SIMPSON: AMERICAN CRIME STORY / Scott Alexander & Larry Karaszewski / FX
rostos cansados, estética semi documental, estética publicitária, mais rostos cansados. é isso que compõe a série do ano. e é estranho ver uma série se aproximar assim tão metodicamente, ~jornalisticamente~ de um caso e preferir trabalhar com arquétipos para seus personagens. tipo, qual é o único personagem minimamente ambíguo aqui? só o oj simpson, de resto temos a exata noção do caráter de cada um e de que devemos enquadrá-los em algum estereótipo. a profundidade a que as discussões raciais são levadas aqui também é o que mais contribui pra construção da narrativa tão brilhante; é o que começa como um simples truque de marketing e vira uma grande camisa de força que contamina tudo que cerca aquele universo. e ver o nome do john singleton entre os diretores dela me faz pensar no quanto cada momento do chris darden aqui pode ser pessoal…

Anúncios

8 comentários em “2016: 5 grandes séries do ano

    1. esse ano o ryan murphy botou pra fuder legal! 3 séries e só coisa fina. e ainda tô bem curioso pela quarta (!!) série que ele ta idealizando agora, que vai ser sobre os bastidores de baby jane.

  1. surpreso com suas citações pra 3% e supermax, duas tentativas de série ‘de gênero’ no brasil que me pareceram grandes fiascos. não aguentei nenhuma das duas até o final…

    1. supermax foi empurrada do meu top5 esses dias quando vi chewing gun tbh.
      eu acho que tanto supermax quanto 3% foram incursões curiosas no mercado mainstream das série nacionais e, entre uma ou outras falhas, se mostraram fortes e contundentes dentro de suas propostas.
      ‘3%’ é aquela série bem conduzida e funcional que é bacana de se acompanhar (talvez seja menos eficiente nas críticas que o roteirista acredita), mas meu amor por ‘supermax’ mesmo que só cresce, baita exemplo tanto com as referências de terror B e cinema fantástico como nas sacadas espertinhas (e bem malandras) do roteiro.

      1. só consigo achar supermax malandra, das coisas que dizes. tu viu o último ep? vi um pedaço e que medonho aquelas mortes rasas… e 3% tem alguma crítica? pq eu acho perdida no meio do caminho.

        1. hahahah aquelas morte random foram podres!!!!!
          dos 12 eps, esse ultimo foi o unico totalmente dirigido e roteirizado pelo alvarenga. acho q isso eplica alguns desastres rs. alem doq, deverim ter feito um ep mais um longo ne? cada elipse brutal

  2. Nem sabia que tu assistia Scream :p ela é boba mas eu gosto.
    E preciso urgente ver American Crime Story, só ouço falarem bem e ainda deu o Emmy pra Sarah <3

^-^

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s