alguns filminhos que vão te lembrar que eu tô vivo

Queria tirar a poeira desse espaço aqui. Sinal de que tudo anda conforme o planejado e, siim, pssei mais de 1 mês sem nem abrir essa página. hahah
Começando pelos odiados que eu não odeio tanto assim, Esquadrão e Neon Demon.
Em Esquadrão Suicida, eu sinto que a narrativa intencionalmente caótica me incomoda bem menos do que incomodou todo mundo. Talvez porque eu compreenda aquilo como um esboço de uma boa ideia – ok, boa ideia talvez não, mas uma ideia de intenções genuinas. Tanto que, por pior que seja o Coringa do Leto, nos 5-10min dele de filme pela forma como a câmera do Ayer o namora eu vejo perfeitamente o filme que ele queria ali.
The Neon Demon é o sinal do desespero de Nicolas Winding Refn pra ser chamado de autor, mas a verdade é que a única coisa em si que liga seus 3 filmes que eu vi (o 3 últimos) é a diluição do filme de gênero popular (ação, luta, horror) em catálogo de arte. Este, no mínimo, eu posso dizer que é bem mais divertido que o anterior (o papel da Jena Malone, que é bem semelhante a Julianne Moore em Maps to the Stars, é o mais hilário) e a inexistência de dramaturgia meio que faz o Refn simular bem cada arquétipo aqui. Na real, é bem claro aqui que ele não liga pra ser chamado de vazio/frágil e etc. filme é todo construído nas bases de um conto moderno entre um Mean Girls e um Showgirls, tirando a acidez crítica de ambos o filmes e implementando personagens grosseiramente rasos que no fundo, não deixaam de representar uma base estética pro Refn (pela estrutura e o apego visual, creio que ele nem queria algo mais forte que isso).
O novo do Almodóvar, Julieta, meio regular né? Muito frouxo pra um clássico melodrama dele, muito maneirista praa convencer como um suspense. Mas gosto das reviravoltas. Gosto de fases dele. Num geral, um filme de momento fortes, nunca com a força que o material sugere.
Nise certamente é cheio de problemas, mas eu gosto de como todo mundo tem sua chance nele. Digo, da figura imaculada da psiquiatra ao crítico de arte, aos enfermeiros bestas e principalmente, aos internos com problemas mentais… todos possuem uma representação muito forte, muito humana dentro do filme. Se cortassem todas as cenas de Nise fora do hospital, seria um filme melhor tho.
E falando em corte, parece que filme de herói com um fiapo de narrativa e estórias paralelas se cruzando pra um clímax ruinzão é a bola da vez né? “Capitão América” – Guerra Civil não faz muito além disso, nesse sentido. Eu posso selecionar os personagens com que vou me importar, afinal tem pra todos os gostos. Esperar que ele forme alguma unidade é o difícil.
E pra finalizar, Águas Rasas é a obra-prima de Jaume Collet-Serra até aqui. Os menos atentos podem se perguntar se isso quer dizer algo de relevante, mas o cara só dirigiu todos os filmes com o Liam Neeson que você curtiu nessa década e vem numa sequência de exercícios de gênero impressionante pro padrão mainstream atual. Esse me parece maior, até pelos bons filmes comerciais do ano (ver: The Conjuring 2) serem megalomaníacos e Serra engloba diferentes níveis de experiência (uma exuberância visual, um bom arco dramático, uma experiência sensorial) pra um artesão que até então eu considerava muito eficiente em fazer filmes genéricos. E Blake Lively aqui tá tão, mas tão fantástica.

filmes citados
Esquadrão Suicida (David Ayer) C
O Demônio de Neon (Nicholas Winding Refn) B
Julieta (Pedro Almodóvar) B-
Nise – O Coração da Loucura (Roberto Beliner) B-
Capitão América: Guerra Civil (Anthony e Joe Russo) C
Águas Rasas (Jaume Collet-Serra) A-

4 comentários em “alguns filminhos que vão te lembrar que eu tô vivo”

  1. Estou mentalmente dando na tua cara por ter falado assim de Guerra Civil.

    E sobre Neon Demon, concordo que o cara realmente não quis algo muito pra além daquilo, mas até onde aprendi, cinema nunca conseguiu se manter apenas como base estética. Se não há forma, se não há conteúdo, se não há ao menos um objetivo concreto que não seja o de meramente pintar uma tela, o que sobra pra Neon Demon enquanto filme? Isso sem falar na representação de arquétipos do Refn, absolutamente banais, grosseiras e de mal gosto (que intragável aquela cena do olho).

    1. então, os arquétipos são banais mesmo, mas estes arquétipos são banais em todos os filmes em que eles são apresentados. tipo como os filmes que eu citei de exemplo – meninas malvadas e showgirls – eles tem personagens mt semelhantes as de neon demon e, assim como ele, desde o início vc já sabe quem vai ser a diva top lacradora e quem serão as rek4lk4d4s, o cara que vai representar uma espécie de perigo na vida delas e etc.
      oq o refn faz aonde esses outros dois se tornam filmes políticos ou ‘de conteúdo’, é simplesmente não querer isso pro filme dele amplificando esses arquétipos no senso estético, com um ideal de filme de terror e tals. eu entendo de vdd quem não curtiu o filme, mas essas críticas em relação a ‘conteúdo’ não são o caminho…

  2. “Tanto que, por pior que seja o Coringa do Leto, nos 5-10min dele de filme pela forma como a câmera do Ayer o namora eu vejo perfeitamente o filme que ele queria ali.”

    aqueles flashbacks pointless dele mais bem cuidados que a maioria das cenas de ação que o digam q

^-^

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