cápsulas — sobre queen bae, zayn, pj harvey e+

WHO THE FUCK DO YOU THINK I AM? 

Beyoncé, LEMONADE
Esse disco saiu numa semana curiosa pra mim, além de ser na semana da morte do Prince, claro; eu tava imerso escutando os discos da fase dita ‘de ouro’ dele, tempo onde todas aquelas questões de imagem eram frequentemente evocadas, enquanto escrevia um ensaio sobre o autoconhecimento baseado em algum texto do Guimarães Rosa e citando um monte toda a cultura de celebridades e falando sobre o porquê eu assisto Keeping up with The Kardashians (não me pergunte pq a palavra ‘autoconhecimento’ leva a tudo isso, por favor). E eu uso tanto esse contexto porque ouvir a música da Beyoncé sempre me lembra o sentido de tudo isso, do quanto ela tem trabalhado essas características acima por toda a sua carreira (mas especialmente nos seus três últimos discos que são indiscutivelmente a sua forma mais sólida e completa) pra condensar em música do tipo que ela quiser fazer, do assunto que ela quiser falar, sem haver contestações de que isso é exatamente que ela deveria estar fazendo.

O LEMONADE, nesse sentido, é intrinsecamente político. Ele é político porque é musicalmente aventureiro e variado, pq tem um arco narrativo concreto que leva a várias possibilidades; é político pq a Beyoncé expressa um bocado de raiva nele; é político por elevar esse arco e as possibilidades a meros tópicos da feminilidade negra… enfim, ele age também como uma afirmação de que a Beyoncé representa tudo de que há mais político no pop esses dias, exatamente como a Madonna representou entre o Like a Prayer e o American Life. Eu gosto de como a Bey pensa de uma maneira bem concisa e calculada tudo que ela quer aqui (o que é estranho se tratando de um disco que já de início tem tantas explosões como “Sorry” e “Don’t Hurt Yourself”), é como se fosse um disco conceitual redondinho, mas dentro de suas especificidade ele vai ficando cada vez mais amplo.

O visual é bem complementar, tho, além de ter algumas das imagens mais fortes que eu vi esse ano, ele tanto dá uma outra dimensão em faixas como “All Night” e “Foward” como impõe diferente ângulos da mesma lógica do arco narrativo do disco, como a sua insistência, no fim das contas, na manutenção de família; como se a Beyoncé fizesse um ligação direta entre as experiências gerais das mulheres negras e as sua experiências pessoais (o momento em “Foward” focado nas mães dos menino negros mortos pela polícia segurando suas foto, é bem simbólico nesse sentido).

Bobby Brackins, To Live For
“Hot Box” foi um dos meus singles preferidos de 2014 quando o rnbass tava saindo da Bay Area e o Nic Nac e o DJ Mustard se tornaram os caras do momento com “Loyal” e “2 On” e “Don’t Tell ‘em”, respectivamente. “My Jam” foi um dos meus singles preferidos de 2015 quando o rnbass vivia os últimos instantes do seu auge e que inclusive deposi virou tema do meu post sobre músicas pro verão amazônico. Agora em pleno maio de 2016 quando a morte do rnbass já parecia decretada, o cara que é meio que a face fantasma do rnbass e tá por trás de todos os hits que eu citei aqui, lançou essa tape. Apesar do timing nem tão horrível quanto se espera (c’mon com “Needed Me” e “Work From Home” no top10 do Hot 100), o projeto do Bobby ficou maneiro e ele meio que soa sem um tempo específico mesmo, como se não fosse zeigeist que o 10 Summers do Mustard foi por exemplo; apenas acompanha a sua maneira distintiva de fazer o gênero. E saber que tem seus velho grande singles aqui que acompanharam toda a ascenção e a decadência do rnbass, só deixa a coisa toda mais interessante.

Corinne Bailey Rae, The Heart Speaks in Whispers
Soft-R&B modernista foi uma boa direção e tanto pra Corinne, tho, eu nem daria muita atenção pra esse disco não fossem os singles ótimos e o envolvimento das KING em uma parte dele. Toda a textura quiet storm casa super bem com voz mais passiva – em relação as grandes vocalistas de r&b desse tempo – da Corinne e toda a dinâmica que o disco segue, até mesmo quando tenta cantar por cima de uns acordes encarnando a Janis Joplin, é sempre impecável no contexto.

PJ Harvey, The Hope Six Demolition Project
Engraçado que a campanha de marketing desse disco me desagradou em dois pontos que definem mais ou menos onde ele é tão decepcionante: a) PJ insistindo que esse disco apresentaria uma grande mudança do ‘Let England Shake’, sendo que o singles e a ideia política a partir dele pareciam versões mais grosseiras do que ela fez lá e b) essa ideia, tho, soa decorativa e explorativa, um humanismo num modo bem automático Bono Vox de ser; e o sentido jornalístico, mais formalzão e objetivo, da coisa toda só deixa a PJ mais desconfortável no songwriting dessas faixas. Tipo, a impressão mais positiva que eu poderia destacar no disco é que estas canções e o conceito delas deveriam existir, sim, mas a PJ Harvey simplesmente não é bem a pessoa certa pra fazer isso.

ZAYN, Mind of Mine
A carreira solo do Zayn Malik tem sido uma confusão gigante desde o início, e a narrativa sobre esse disco não tá exatamente errada. De fato, nem Zayn é o popstar que precisávamos, nem que queríamos; ffs, escutando isso a impressão é que ele interpreta canções que pedem a persona e o carisma de um bom popstar (pra efeito, nada aqui jamais se compararia a força desse single – incrível – do Nick Jonas, por exemplo), mas ele tem 0 vontade de vender bem qualquer uma delas aqui. Mas sabe que eu até gosto do disco num geral? Quando ele não tá nessa pose try-harder pra parecer o Weeknd/Frank Ocean, sai boas canções pop bregas como “Pillowtalk”, “It’s You”, “Drunk”, e principalmente “Like I Would”. Um adendo: em todas faixas boas do disco, ele parece o Robbie Williams tentando gravar uma música do Maxwell.

3 comentários em “cápsulas — sobre queen bae, zayn, pj harvey e+”

  1. teu coment sobre o lemonade <3 muito pontual, como sempre. mas disserte sobre a relação com a cultura de celebridades, pq eu tenho certeza que todo esse foco na traição do jay-z e a ~~~becky with the good hair só faz mau ao cd.

    saudades migo!

^-^

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