cápsulas — sobre katy b, skepta, radiohead e+

Bem, esses dias apareceu na barrinha aqui de notificações que o blog comemorou 5 anos e eu nem lembrava direito. E nem lembrei depois. Pq previsivelmente, como eu já tinha cantado a bola, esse ano aqui taria meio que as moscas, pelo pouco tempo e também por um pouco de falta de empenho (e preguiça, claro). Mas enfim, agora que eu tô com uma semaninha de férias, tô tentando escrever uma capsula sobre os tantos discos recentes que eu taanto tenho escutado e tanto tem rendido discussões interessantes nas mesas de bar da vida; ou leia-se, uma forma bem básica e improvisada de atualizar o blog por esses dias, enquanto eu vejo a primeira temporada de Jessica Jones e vou pra um ou outro sarau na universidade. Essa é só a primeira fornada, stay tuned!

Chloe x Hale, Sugar Symphony
Alguns amigos já tinham me recomendado “Drop” nos últimos meses, mas eu só fui ver qual é dessas garotas ouvindo esse EP inteiro. E também só foi ouvindo ele que eu li que elas são protegidas da Beyoncé! É tudo aqui muito bom, tho; bem encantador, teatral, melodramática — me lembra o ‘Yours Truly’ da Ariana Grande no sentido de que é um pontapé inicial que vai com sede ao bote, mas tem todas as noções artísticas de gênero na ponta da língua pra explorar bem todas as texturas, estilos & influências que elas tem. “Drop” é incrível e algumas outras músicas soam como Lorde ou Strokes pós-decadência combinados em harmonias de Destiny’s Child… como não amar?

Katy B, Honey
Eu gosto de como a Katy B é modesta chamando esse disco de “projeto”, afinal ele é todo estruturado mesmo como se ela fosse uma curadora — como um disco do Major Lazer, ou o Aa do Baauer; um projeto de painel pra uma determinada ‘cena’, onde seu protagonista vira um coadjuvante em prol dos convidados x beats. Mas ao mesmo tempo em que eu gosto dessa narrativa no Honey, eu vejo ele também como um monte de músicas bem pessoais da Katy sobre a sua relação com as pistas de dança (como ela tem feito nos seus outros dois discos), mas que ganha uma conotação menos individual pela variedade de produtores/vocalistas/mcs que ela convida; na verdade muito onde o Honey tende a ser visto mais como um ‘retorno as origens’ da Katy, eu vejo como uma resposta ao padrão mainstream x underground da dance music britânica que ela sempre passeou por — e que foi interpretado de maneiras distintas em cada um de seus discos.

Mayer Hawthorne, Man About Town
Depois da surpresa que foi o projeto Tuxedo ano passado, essa foi a pior direção possível que carreira do Mayer poderia ter tomado. Claro, na superfície é o retrô smooth soul que você sempre esperou dele, mas na verdade, nesse disco ele parece que se tornou exatamete aquilo que seus detratores sempre esperaram dele: Mayer tá mais preocupado em vender essa grife do som retrô que dar alguma utilidade real ou substancial pra ele em 2016.

Radiohead, A Moon Shaped Pool
Bem, eu – como um fã incondicional do King of Limbs – quero gostar desse disco bem mais do que eu realmente gosto. Minha primeira sentença quando ouvi “Burn the Witch” é que tava claro que o Radiohead tinha estagnado no tempo, e o disco flutua pra um território tão distante disso — e tão interessante mesmo! que me faz querer defendê-lo mais. Esse lado melancólico e o próprio foco do disco na perda buscando meios mais orgânicos (o piano, o violão, a força dos backing vocals etc) tem um quê da obra-prima do Serge Gainsbourg, “Historie de Melody Nelson” que muito me agrada, masssss… idk, as mudanças texturais e harmônicas mais mantém meu interesse na segunda metade do que de fato me agradam. A própria versão de estúdio de “True Love Waits” é tão provocante por toda a comoção que ela causa no contexto do disco e a dicotomia da velha canção de amor e a atual lógica da perda do mesmo pelo Thom Yorke; já a música, em si, não traz essa catarse toda.

Skepta, Konnichiwa
Tenho aguardado tanto esse disco pelo últimos dois anos, lá em 2014 quando o Skepz lançou “That’s Not Me” e toda essa esperança no grime ficou bem palatável. Durante todo esse tempo muita coisa aconteceu, muita coisa que eu não gostaria inclusive (como a correlação do Drake com a Boy Better Know e a influência que ele poderia ser nos mcs de lá e em toda cena do grime), mas felizmente, o Konnichiwa soa mais ou menos como o que eu esperava que ele fosse em 2014. Um montão de bangers reunidos, uns acenos bem vindos a cultura americana (“Numbers” tanto na produção como na utilização do Pharrell me lembrou “WTF” da Missy) e uma fidelização do grime que só faz sentido hoje com o Skepta mesmo. Claro, ele virou uma espécie de garoto propaganda do revival do grime, mas fazer coisas como estruturar seu disco como uma rádio-pirata sem deixar nada fetichista é definitivamente um atestado de que o cara comanda a cena mesmo.

^-^

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