Nem tudo é azul

Halsey, “Colors”

Eu não gosto da Halsey e o seu disco foi um dos piores de 2015 pra mim, also essa música é baseada em algumas metáforas óbvias da música pop sobre cores que parece ser uma narrativa óbvia pra cantoras como ela, dessas bem ~~altpop pós-lana del rey se sentirem tão inteligentes e ainda se chama… “Colors”! Contra tudo isso, eu me peguei viciado nela a semana toda. Acho que por a Halsey ser quase nada daquilo que ela tenta ser, uma faixa genial perdida no meio de tanta baboseira não parecia impossível. Ainda mais essa, que começa me agradando muito porque ela força uma voz meio Taylor Swift, faz um synth pop básico que não ficaria mal no 1989 e tem um songwriting que é basicamente o mesmo de “Red”. Tanta obviedade acabou favorecendo a moça que quer a todo instante ser o oposto disso.

Mas tudo isso ainda parece um bocado superficial sobre a minha relação com “Colors”. Há um ponto de identificação aqui pra mim, pq apesar das imagens que ela evoca serem juvenis, aqueles sentimentos bem emergentes, carregados de melodrama e sempre tão inconsequentes, ela é contada sob a perspectiva de uma vida adulta — ou no mínimo, pra quem já saiu dessa fase. Eu me pego pensando nesse tipo de coisa o tempo todo; a que a narrativa de “Colors” representa, digo. Num tipo de relacionamento que te seca totalmente, e ainda com aquele detalhe… um relacionamento onde você sabe que gosta mais de alguém do que alguém gosta de você, sabe. É uma situação e, principalmente, uma sensação horrível.

Cada vez que eu presto atenção na letra de “Colors” e percebo a Halsey descrevendo o cara que ela gosta com tanta especificidade, e tendo nesses detalhes a lembrança do quanto ele é desleixado com ela é um ponto de encontro a algumas das partes mais importantes da minha adolescência. Talvez por isso as metáforas me pareçam tão no lugar.

Eu também me sentiria assim falando dessa época. Mais do que isso, eu não passando por esse tipo de situação há muitos anos ainda assim, de um modo que ninguém avisou por quais motivos, acabo vivendo tudo isso vendo os meus amigos nessa narrativa, cada vez que eu dou um conselho ou ouço essas histórias, involuntariamente as memórias desse tempo acabam ficando presas em mim. É uma profusão de detalhes como em “Colors”, e como a Halsey narra, eu lembro com toda a certeza de como aquilo era ruim. Principalmente pra mim, mas não só pra mim.

As cores ganham uma função tão forte nas memórias da Halsey, também, pra descrever o que foi esse processo – ruim – num plano geral. Tipo no hook, tem sempre uma cor que descreve tanta coisa (His hair, his smoke, his dreams) que acaba tornando tão mítica aquela situação num geral. É triste/blue, mas ela não quer ou precisa esquecer. É uma narrativa que faz parte da tua vida, afinal (como eu tento usar). Quem sabe até usar isso até pra ter certeza de quem tu é hoje e o que tu quer (como eu tento ser).

2 comentários em “Nem tudo é azul”

^-^

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s