Bad gal riri takeover – conversinha bem extensa sobre o ANTI

Então… depois de mais de um ano de uma das piores campanhas de divulgação do mundo, depois de muito single ruim que acabou nem entrando no disco (eu percebi esses tempos que tanto rihanna como o kanye cortaram qualquer envolvimento do paul mccartney de seus discos e não consigo parar de rir), depois de uma capa ruim com toda aquela pompa pra exibição numa galeria de arte, depois de trocar o kanye pelo travi$ scott. O ANTI existe. Uma bomba? A última peça artística do século XXI? Uma afirmação pra carreira da Riri? Contra todas as expectativas e thinkpieces ruins que ainda vão sair essa semana, é só mais um disco da Rihanna. Bem decente. Sigam-me os fortes.

Consideration

isso me lembrou um pouco “raining men”, a inesquecível parceria decepcionante da rihanna/nicki (surpreso que não tem nenhum envolvimento da ester dean). E como a outra, nada vai bem simplesmente porque ela tá desesperadamente imitando uma voz que não casa bem coma estética ou os pontos fortes (agressivos, falo) dela que venderiam bem uma faixa dessas. O que é uma pena, já que a letra é bem boa e eu super imaginaria um super hino da riri naquela vibe bem gangsta rap de bbhmm.

James Joint

metade do ANTI tu vai encontrar a rihanna tentando ser uma cantora de r&b respeitável, então, nenhuma surpresa que ela tenha convocado o shea taylor pra escrever algo aqui. Ela nunca chega lá, na verdade nos melhores momentos sai como o oposto, mas essa interlude (?) é bem próximo em termos de atmosfera dessa tensão soulful que ela tenta evocar, produção toda rica, generosa/espaçosa e tal. Me faz querer imaginar o que seria a riri cantando numa faixa do robert glasper.

Kiss it Better

é claro que a rihanna é uma popstar e é claro que ela continua sendo, recuse narrativas óbvias. E é claro que a rihanna fazendo uma música de glam rock soa exatamente como uma música da rihanna é porque ela é uma popstar. A forma como ela impõe a voz, as imagens que ela evoca susurrando ki-kiss como uma onomatopeia, toda a arquitetura da letra aqui, cada detalhe aqui sugerindo aquela grande faixa zeigesty que redefine toda uma personalide dela como popstar; no caso, uma inesperada homenagem ao prince da época do purple rain… esse é o verdadeiro banger do ANTI, e por essência a faixa tru rihanna que todo mundo quer ouvir. MMM Do what you gonna do. Keep me up all niiiight.

Desperado

dubstep riri no rated r foi uma das partes mais subestimadas do, até hoje, melhor disco dela. Eu fico feliz que na sua afirmação artística ela tenha colocado uma faixa que soe exatamente como um deep cut dubstep do rated r. e seja bem bom, tho.

Work

curioso que o drake aqui poderia ser só mais um verso ruim entre tantos que ele já fez, mas isso é “mine” acontecendo de novo. Ela é tipo a idealização da equipe do drake (noah, partynexdoor, todos passeiam pela produção) de uma daquelas faixas de raízes dancehall/ragga/reggae que a rihanna sempre preserva nos cds – e que sempre são a sessão que mais me interessa neles. Mas fica aí nessa idealização meio babaca, meio preguiçosa que não funciona porque nem o drake nem os seus bros entendem nada das especificidades da rihanna, assim como não entendiam da beyoncé, da alicia, DA AALIYAH, etc.

Woo

de acordo com os créditos do disco, essa música é co-escrita pelo the-dream, o jeremih e o the weeknd. E produzida pelo hit-boy. Mas a única coisa que tu consegue pensar é numa música inaudível do travi$ scott (todas), que também tá nos créditos. É como um amigo me disse assim que soube das informações acima: “parece que o terius/jeremih/worstnd/hitb tavam tentando pegar a rihanna e escreveram umas porras qualquer pra ela, mas ela escolheu o travis que de alguma forma arruinou a presença de todo o resto”.

Needed Me

um bom ensinamento pro drake de ‘como entender a rihanna’ pelo dj mustard. Essa faixa é tipo uma atualização da classic hood riri de uma “birthday cake” via batidas minimalistas de r&b que eu nunca tinha visto o mustard fazer – e que ficaram bem inspiradas, por sinal. E é bom ver que ela lembra as narrativas de um antiherói como o Future que eram tão atrativos em 2015, e em 2016 eles já surgem escritos numa perspectiva feminina. Engraçado que cerca de 2 ANOS ATRÁS, o mustard falava tão empolgado sobre os bangers que tinha feito presse disco, e a única coisa que entrou é o mais próximo que ele poderia fazer de um quiet storm.

Yeah, I Said It

esse foi instantaneamente o standout do ANTI pra mim – um esforço bem estranho, instigante da rihanna e o timbaland tentando fazer uma faixa inteira baseada em sensualidade. Eventualmente eu percebi que havia DEMAIS da tinashe e do aquarius aqui (ffs os vocais de apoio são estruturalmente identicos aos de “cold sweat”) e outras faixas foram ficando mais importantes e etc etc, mas ela ainda é tão importante pro disco e pra todo um contexto vocal e retrabalhamento muscular dela pra rihanna.

Same Ol’ Mistakes

eu nunca dei uma foda pro tame impala, e sugerindo que o currents não chega a ser tão ruim quanto o resto do material que eu ouvi deles, essa música aí meio que funciona como a junção da melancolia bem kitsch do kevin parker + a psicodelia gratuita mas credível que ele põe em qualquer coisa que toca + experimento com o synthpop dentro da estética dele. Mas wtv… no ANTI ela é uma faixa longa demais (a mais longa, i guess) minimamente interessante no contexto porque esse é um disco sobre as formas em que a voz da rihanna poderia ser trabalhada. Então… acho que o rockismo venceu ¯\_()_/¯

Never Ending

uma das poucas vitórias do ANTI é não ter “fourfiveseconds” na tracklist, e como uma das consequências, ainda ter a rihanna entrando nessa estética acústica sem que seja numa faixa que a) pareça uma demo mal editada b) tenha uma das letras mais wut num sentido péssimo que eu já ouvi na vida c) não tenha o yeezy cantando e d) a voz da rihanna não pareça tão descompassada. Never Ending além de não ser ofensiva assim, é bem decente na verdade. O hook é um dos mais bem escritos no disco.

Love on the Brain / Higher

retro soul deve ser a última coisa que eu gostaria que a rihanna fizesse (que qualquer artista fizesse tho), ainda mais num momento em que supostamente se busca por ~respeito~~. É um conceito manjado, óbvio e falho. O que me fez admirar ainda mais nessas duas faixas é que elas são exatamente um retro soul bem motown anos 60 e assustadoramente são duas das faixas mais fortes e próprias do ANTI. Em vez de seguir uma paleta definida, a Rihanna usa essa sonoridade mais como um adereço, uma espécie de crédito a uma forma de songwriting que ela expande bem mais com a voz. essa é a síntese do que o ANTI poderia representar pra rihanna, em termos de pessoalidade. cara, olha o que ela consegue com essas duas faixas manejando a voz confiante de que ela (de fato) é uma das mais idiossincráticas no pop atual; tão obscura, vulnerável, afetada, bêbada, rouca, desesperada. certeza que se eu for andar pela internet encontrarei comparações com a amy winehouse, p. ex.; e elas não estarão erradas, mas como tudo aqui coexiste com autenticidade, prefiro pensar porque ela simplesmente não caiu num abismo de uma adele/duffy da vida.

Close to You

pras ditas ambições do ANTI, encerrar o disco com uma balada no piano tão padrão é um dos clichês mais bregas/disfuncionais/ruins de discos pop (inclusive a própria rihanna já caiu nessa balela outras vezes). Mas como nada aqui faz sentido, ela é boa. É com várias outras faixas, principalmente “never ending”, uma espécie de demissão do próprio conceito do ANTI que supostamente nos daria uma nova visão da rihanna; ele termina sendo, como “close to you” uma reconstrução da persona dela e amplia os ares de quase tudo aquilo que a gente já conhece e tá no DNA, no gosto, nas vontades da rihanna em todas as formas que já gostamos dela.

7 comentários em “Bad gal riri takeover – conversinha bem extensa sobre o ANTI”

  1. bem boa a review. eu curti bem o disco depois de prestar melhor atenção nas composições e na voz dela, mas senti que o disco parece uma brisa da rihanna que só ela tá curtindo. não consegui imergir tanto nele como eu deveria, talvez, idk. e a faixa do mustard é <3

    1. “parece uma brisa da rihanna que só ela tá curtindo” huahauah essa é bem a definição da estetica do travis scott, q a rih parece tar copiando na primeira parte do cd

  2. você tocou em pontos que eu concordo muito na maioria das faixas, mas não entendo seu ódio em “work” já falando como um entusiasta do drake que não vê tanto dele assim nela hehe; no geral acho que me empolguei mais com o disco que tu, embora a falta de “bitch better have my money” nunca pareça ser compensada, é no fim, um disco enxuto e conciso, sem os deslumbramentos que a maioria esperava da rihanna não tendo a preocupação de fazer um disco de hits pela primeira vez. na verdade, a cada faixa que ela vive aqui e pareça uma ação inesperada é levado com naturalidade e ela mesma parece segura de cada escolha, exemplificado na duração curta da maioria das faixas mas sem nada que fique pelo caminho ou pareça gratuito.

    1. eu concordo ctg sobre a riri parecer a vontade lidando com tudo que é bem a parte a mitologia dela, embora isso ñ torne nada propriamente bom, foi com certeza um passo definidor pro disco em si parecer conciso e aturavel do inicio ao fim — tambem pressa porra toda de testamente artistico pessoal e etc não afundar até oq ele tem de bom duma vez.

      ‘work’ não soa bem como o drake, soa como ele e os cara lá mano dele idealizando a persona da rihanna. esse é um conceito horrivel em si, e pior ainda cada vez q eu escuto a musica

      tuas notas sobre a produção vs auteurism da rihanna no disco são interessantes, eu tinha notado que os produtores top tão fazendo coisas bem diferentes da fama deles aqui, mas não pensei nisso como algo mais substancial. vejo mais como parte do disco em si e sua ambição — ty dolla $ign escreveu ‘fourfiveseconds’, alex da kidd produziu ‘american oxygen’, etc

  3. e bacana que tu lembrou de alguns dos produtores bem pops do disco ao longo do post. lembro de tu falando aqui mesmo acho que era sobre o disco da tinashe, que era cheio de superprodutores e ainda assim todos pareciam a serviço da estética dela e não ela entrando no popular estilo deles. eu sinto isso pra caralho no ANTI; todos os produtores são caras que tu super vê trabalhando com a rihanna, mas todos vem com faixas inesperadas dado ao que é popular do estilo deles. e tu realmente sente que a rihanna é a única autora do disco.

^-^

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