2015, melhores filmes

Feliz ano novo! Satisfeito por ter finalizado a lista rápido (acho que é o ano em que eu publico a lista de filmes mais ‘cedo’), mas também, creio, pelo ano mais trabalhoso que eu devo ter em 2016, blog será bem menos ativo. especialmente nesse início de ano. E enfim, eu comecei a desenhar essa lista como um top30, mas fui percebendo que o ano tava tão bom que deu os 40 + as menções sem problemas. Uns 2 filmes da lista só vistos de última hora nos 2 dias de 2016, poderia ser mais; tem mais coisa de 2015 que eu tenho interesse em ver, tho, mas como não queria fazer tudo as pressas, preferi deixar pra não ver tanta coisa assim prestes a publicar a lista e ela parecer mais pessoal ou orgânica ou algo assim. Regras são sempre boas de lembrar né? E a que vale aqui é a de sempre: filmes lançados no Brasil de alguma forma em 2015, seja circuito comercial, na TV aberta ou fechada, em DVD/BD, na Netflix e até no seu Vimeo.

Menções honrosas: O Acre Existe (Bruno Graziano), Favela Gay (Rodrigo Felha), La Sapienza (Eugene Green), Pasolini (Abel Ferrara), Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert), Selma (Ava DuVernay), Star Wars – Despertar da Força (JJ Abrams), Stretch (Joe Carnahan), Velozes e Furiosos 7 (James Wan), What Happened Miss Simone? (Liz Garbus)

40 CIDADES DE PAPEL (Jake Schreier)
Filmes teens de hoje cada dia fazem menos sentido — um romance thriller, meio fantasmagórico, meio outsider de sempre. Mas ao contrário da adaptação umas 100 vezes mais bem sucedida do John Green, o diretor Jake Schreier dá todo um sentido tão puro de coming of age, das experiências pessoais meio que universais também e todo um imaginário ao redor dos amigos muito rico. Cara Delevingne é uma boa atriz though.

39 O ESTOPIM (Rodrigo Mac Niven)
Raro ver um doc político a esse nível tomar um partido (por mais óbvio que ele seja) e ainda assim conservar um sobriedade, que parecem uma base essencial dos depoimentos de Mac Niven. A reencenação da tortura de Amarildo pode parecer gratuita, mas me parece ao mesmo tempo um retorno ao básico da gênese, da revolta que um material desses pede.

38 O HOMEM FORMIGA (Peyton Reed)
Talvez não seja tão grande quanto seus envolvidos (Edgar Wright, Adam Mckay) sugerem, mas ele é tão… todo no lugar. Ele sabe exatamente até onde pode ir, nada muito pretensioso, mas um senso de unidade sem igual prum filme de herói. Batalha no quarto da filha talvez seja a síntese do cinemão, ao menos no que eu gosto e espero, em 2015. E óbvio, por isso mesmo, ele é um contraponto, uma luz no fim do túnel pra quem não aguenta mais essas ondas de realizzzzzzzzzzmo e uma utilização totalmente sem vida de elementos fantásticos.

37 A COLINA ESCARLATE (Guillermo del Toro)
O fato de serem bem imaginados é o que sempre me atrai em qualquer filme de Del Toro. E mesmo com um ou outro tropeço, me agrada muito as qualidades dessas suas características que ele conserva aqui: é um filme todo elegante se tratando de um melodrama e sendo ele gótico. Seja em todas as cores que ele maneja aqui ou suas opções pra como contar essa estória, Del Toro faz tudo com um cuidado incomum, como se fosse uma criatura que ele cria ali, mostrando pra gente todo animado.

36 STRAIGHT OUTTA COMPTON (F. Gary Gray)
A primeira parte mais o final dando aquele indicio bem vagabundo de uma sequência é meu filme de super herói favorito de 2015. E mesmo que todo o arco dramático não relacionado a isso seja tão ruim, há cenas dos shows que enaltecem todo um imaginário de rap filmados com todo um cuidado. Gray é tão mais forte e preocupado e apaixonado nos momentos mais fortes que sempre me faz imaginar o quão maior esse filme seria sem as obrigações comuns de biopics mainstream.

35 PERMANÊNCIA (Leonardo Lacca)
Sobre os gestos e a potência deles enquanto cinema.

34 WE ARE YOUR FRIENDS (Max Joseph)
As vezes parece um filme do Malick se ele ainda estivesse na faculdade, as vezes parece um clipe da Rihanna, as vezes parece um trailer de 90 minutos cujo título é uma música do Justice. Tem tantas formas de descrever esse filme exatamente meio ridículo como o diretor espera, aliás, diretor esse que é o criador de Catfish (!!!). Mas eu gosto tanto disso que ele instiga, ele as vezes é bizarramente ruim nas suas opções e medíocre tentando fazer drama, mas ele nunca cai, nunca desperdiça seu tempo sem saber que ele vai chegar exatamente onde quer. Bem, é sobre EDM né.

33 MISSÃO IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA (Christopher McQuarrie)
Tom Cruise contrata seu artesão preferido dos últimos anos pra dar mais um pouco de sentido as obsessões com sua própria imagem e fazer, como basicamente todo filme da franquia, algumas das sequência de ação mais inventivas e bem coreografadas do ano.

32 PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (Gregg Araki)
A carreira do Araki é tão estranha até aqui que seu melhor filme ganhou tão pouca atenção e é justamente o que tem mais estrelas no elenco (ainda tentando digerir a ideia da Eva Green como mãe da Shailene, mas ok). Ele trabalha numa dualidade tão fantástica, meio perversa até, por como há sempre essa frieza com os tons azuis, cinzentos e etc. Mas ao mesmo tempo tá ali o cara com a sutileza de um elefante, construindo um terror nesses tons e um maneirismo quase que pornográfico que ele sabe exatamente quando e como freiar.

31 PERIGO EXTREMO (Isaac Florentine)
Conhecendo os filmes anteriores do Florentine, fácil perceber como esse parece mais um filme de rotina do que tentativas mais grandiosas com um bom arco dramático (tipo o último Ninja) e also, ele também não é nada bom em criar personagens latinos. Mas, meus caros, quando você já tem um estilo definido e quer fazer 80min de ação bem ritmada com o Scott Adkins, nada parece básico.

30 GAROTA (Céline Sciamma)
É um filme essencialmente sobre cor — há um foco acentuado em cor de pele, mas falo cor como uma etnia mesmo, nas suas especificidades, nos seus fenótipos. E Céline é protetora com sua personagem sempre tão emocional, mesmo nos momentos mais caídos aqui. A sequência em que dá um novo sentido a ‘Diamonds’ da Rihanna é tão brilhante (lmao), uma coesão dessas características que potencializa tudo que o filme tem de melhor a oferecer.

29 ULTRAJE ALÉM DA CONTA (Takeshi Kitano)
Eu não era muito fã do primeiro Outrage, assim como não sou muito fã de tanta coisa do Kitano nos últimos 10, ou 15 anos, mas eu adoro como esse filme parece existir como um artifício em prol do exploitations ou as diversas formas que o Kitano tem de fazer um. Veja, se ele ficou por tanto tempo se sustentando na violência pesada e direta, porque não fazer meio que uma comédia de gangsters que te mostre os novos espaços em que você vai explorar novas sensações de pânico?

28 DOIS DIAS, UMA NOITE (Jean Pierre e Luc Dardenne)
Iñarritu leva uma trilogia inteira que não vai a lugar nenhum e não faz o que os Dardenne fazem no que é provavelmente o mais simplistas de seus melodramas. O que eu vejo na trajetória de Cottilard e cada um daqueles ali é os irmãos se recusando a lembrar qualquer espécie de ‘filme painel’ (um dos artifícios já datados mais mal usados dos anos 2000) e indo a bases mais simples do humanismo, de seu cinema pra chegar a um catalisador sempre honestos com o sentimento que a jornada evoca.

27 AMERICAN SNIPER (Clint Eastwood)
Nunca tive em mente que eu deveria ‘defender’ esse filme, pq entre tanta especulação ‘a favor’ ou ‘contra’ eu nunca achei que ele realmente precisasse de uma. Não é o tipo de celebração num filme que eu quero ou tenha lá um gosto por ver (o republicanismo, os valores, a família, e a noção disso ‘formando’ aquele cara), mas quem disse que alguma vez minha relação com o Clint se deu nessa expectativa? Eu tenho muito mais a aprender com ele do que ele comigo. E, claro, ele me ensina um bocado aqui a cada vez que bota Kyle frente a guerra e o pov, a perspectiva que ele adota ali, mais como um local que ele sente necessidade de estar do que realmente um local que ele vibre. É um The Hurt Locker as avessas, e por isso mesmo tão complementar a obra-prima da Bigelow.

26 A ESPIÃ QUE SABIA DE MENOS (Paul Feig)
Não sei se sou eu que caio sempre nas esquetes mais fáceis do Paul Feig, se é meu gosto por filme de espionagem, se é porque esse é o melhor personagem do Jason Statham desde o Frankenstein de Corrida Mortal, se é a Melissa McCarthney que é sempre uma presença forte. Mas esse filme se sustenta em bases tão óbvias de todo aquele humor Apatow & cia de quase 10 anos atrás e aguenta o pique de mais de 120 minutos assim mesmo.

25 ADEUS A LINGUAGEM (Jean-Luc Godard)
Acho que qualquer filme do Godard a partir da fase Vertov poderia tranquilamente se chamar Adeus a Linguagem, ou Adeus a Tradição, em suma. Mas então, por ele decidir chamar seu primeiro filme em 3D (que eu nunca verei em 3D) assim e por também ser seu primeiro filme desde o fim de Historie(s) du Cinema em que eu me animo ou me sinto minimamente a vontade falando sobre, é como se eu encontrasse um estágio mais natural de toda estética ultra fria, ainda que levado praticamente por não-humanos? smh.

24 MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA (George Miller)
A certo modo é o Under The Skin de 2015 — filme que emprega uma visão de futurismo acentuando questões de gênero como uma violência — e é especialmente feliz que um filme que pede de alguma forma essa comparação seja um dos maiores hits do ano. E é um filme de ação ainda mais impressionante por ter tanto a impressionar ‘intelectualmente’ falando e ainda assim ser tão direto, tão agressivo (ainda mais nas suas personagens femininas), é porrada geométrica bem coreografada aqui antes de tudo.

23 TOP FIVE (Chris Rock)
Flexionar uma dramatização do stand-up com uma narrativa própria abraçando uma espécie de autoficção é uma tarefa bem comum a TV hoje, e brilhante feita pelo Louis CK e mais recentemente pela Amy Schumer. Mas um filme baseado nisso, como esse que o Chris Rock faz aqui me parece um passo decididamente mais experimental e ousado, ainda mais se tratando de uma narrativa padrão, fechada e comercial, como a de Top Five. E não que ele tenha sido totalmente bem sucedido nisso, mas criar cada cena aqui é um desafio que lhe revigorava a todo instante. E a coisa toda, principalmente o stand-up, funciona a sua forma.

22 HEAVEN KNOWS WHAT (Ben e Joshua Safdie)
Essa exploração soderberghiana do digital pelo Sean Price Williams que exclui um mundo e bota ele literalmente dentro do quadro, no limite da percepção do espectador, do personagem. A trilha sonora nervosa (tenho que parabenizar o bom gosto do Ariel Pink tho, continua um músico horrível btw) que dá a todo instante um sentido mais próprio, autêntico ao imaginário de filme indie que os diretores gostam de trabalhar com — e isso não é bem uma crítica, afinal se aliar ao problema é parte do quão bem sucedidos eles são. Os atores que seguem um fluxo exato e te ajudam a situar onde o filme está ou vai… Posso dizer já que esse é o melhor filme acadêmico do ano.

21 DEAR WHITE PEOPLE (Justin Simien)
O que eu mais gosto desse filme é que ele te tira do teu conforto da forma de discutir questões étnicas. Claro, eu tinha comentado sobre isso mesmo falando sobre o Vince Staples e Black-ish, mas esse foi um ano especial pra se discutir questões étnica. Aqui o Simien simplesmente não deixa claro sobre o que você deve entender pelo discurso dele. Eu mesmo me peguei refletindo a sério sobre tanta verborragia de seus personagens, até vê-lo como uma das comédias mais ácidas que o cinema indie já pariu. Claro, soterrado em toda essa ironia ele encontra um sentido político até que bem sólido. Mas nenhum problema em admitir que as vezes um ‘Mley, what’s good?’ é mais forte que qualquer grande discurso.

20 A HISTÓRIA DA MINHA MORTE (Albert Serra)
Como o Shyalaman, o Albert Serra tem esse fascínio meio infantil em se aproximar e acreditar nas suas próprias estórias. O caso aqui em A História da Minha Norte é que tratando de um movimento histórico, não há lá um sentido forte em ir além nas suas criaturas e a forma como ele as conduz e nos interpretamos; é mais como ele alarga cada um desses personagens como mitos e ainda assim conserva uma sobriedade tratando do que supostamente é inverossimil como dinâmico.

19 MAPAS PARA AS ESTRELAS (David Cronenberg)
Curioso como todo filme pós-Marcas da Violência do Cronenberg vem sendo acusado de uma suposta higieno no estilo, de diversas formas. Mas o que eu vejo em cada um desses filmes para além de ver um diretor como ele sendo aceito no mercado mainstream já com o prestígio que nos seus melhores filmes faltou, é ele arranjando a cada filme novas formas de lidar com esse status. Fazer o seu próprio Sunset Blvd me parece uma boa sacada, e abusar de elementos deliciosamente B nessa estética meio impessoal, do filme de ator, torna a coisa toda ainda mais insana — e claro, bem própria do Cronenberg.

18 O DESTINO DE JÚPITER (Lana e Andy Wachowski)
Filme de quase 200 milhões pra um público mais do que seleto, uma space opera absurdamente pessoal. Quando vi esse filme, falei aqui um pouco sobre a minha relação e a relação do resto do povo com a Lana e Andy com o título de ‘They Live’. Afinal, cada vez mais raro alguém imaginar como Carpenter imagina/va um blockbuster extremamente crítico a sua própria forma/indústria /público e ainda assim tão apaixonado em fazer esse cinemão.

17 UM AMOR A CADA ESQUINA (Peter Bogdanovich)
Pensar que em 1972 o Bogdanovich fez uma grande screwball comedy com ‘Essa Pequena É Uma Parada’ e mais de 40 anos depois ele retornou ao gênero, que provavelmente ninguém ou quase ninguém tocou desde então. Isso diz muita coisa sobre o filme em si, coisas que certamente quem nota mais o envolvimento de Baumbach/Anderson jamais encontraria. É só um filme muito inspirado em cada movimento e reviravolta que dá, especialmente pelos atores mais A-list como o Owen Wilson e a Jennifer Aninston, por exemplo, tão mais confortáveis que boa parte do que fazem hj em dia.

16 O CHEIRO DE NÓS (Larry Clark)
Mais um na saga filmes teens fazem nenhum sentido hoje. I dunno ao mesmo tempo em que esse filme me parece uma representação crua e atual de juventude, ele conserva um cheirinho de anos 90 (garage rock, a filmagem etc). Talvez tenha a ver com essa obsessão momentânea dos nossos teens com os anos 90 mesmo. Ele é muito como um Spring Breakers do Clark — saindo dos EUA e das incurssões mais narrativas, mas ainda afetado por elas — substituindo o Skrillex pelo rock e o digital ultra nervoso do Korine por algo que dê mais sentido a essa veia experimental por essência.

15 PHOENIX (Christian Petzold)
Das coisas que mais me agradavam em ‘Barbara’ era como o Petzold construía seu espaço e integrava um certo sentido histórico entre ele e seus personagens. Em Phoenix o que impressiona mesmo é ele fazer tudo isso em um tom de limpidez, uma economia em elementos que ele faz questão de dobrar em imagens, das mais fortes e apaixonadas que o cinema mostrou esse ano. Como se esse sentido histórico se encontrasse totalmente naquelas imagens, reduzindo qualquer didatismo a um adereço descartável.

14 UNFRIENDED (Levan Gabriadze)
Um filme pra nova era, mas sobre disciplina.

13 MAGIC MIKE XXL (Gregory Jacobs)
O Magic Mike de Soderbergh era uma forma bem inesperada de exploração da camaradagem entre 3 ou 4 caras. O segundo — onde ele provavelmente ainda é a sua forma o verdadeiro auor — ainda é inesperado, estranho. Mas é por ser a forma mais esquisita que o cinema americano já falou sobre a sexualidade feminina. E entre diversos povs, e maneira positiva tão bem acabada de ver o trabalho sexual, favor ler isso aqui que é um dos motivos que me levam amar tanto o Soderbergh.

12 VÍCIO INERENTE (Paul Thomas Anderson)
Como muitos podem ver esse filme como um retorno do Anderson as comédias pastiche, tem uma diferença importante entre algo como Vício Inerente e um Boogie Nights: aqui PTA tem o mínimo de especificidade, nada muito dependente do que quer que seja; pelo contrário, pontos fortes do filme é exatamente onde o livro de Pynchon era mais desleixado (tudo que ele tem de dramático, basicamente).

11 BATA ANTES DE ENTRAR (Eli Roth)
Keanu Reeves só quer ser o homem de família classe média padrão, mas tem duas novinhas que a certo ponto parecem mais frias e psicopatas que qualquer assassino de slasher adolescente pra impedí-lo. Se eu acreditasse no termo guilty pleasure, provavelmente taria colocando esse filme como um e fingindo que gosto ironicamente, mas como isso não serve pra nada eu simplesmente defendo cada sacanagem e tosquisse proposital aqui sem medo de ser feliz.

10 HACKER (Michael Mann)
Mann nunca foi de gênero algum, nunca trilhou uma estética em específico, nunca explorou um só tipo de personagem. O seu primeiro filme em 6 anos, após um tempo envolvido em projetos de TV, não poderia ser mais experimental, nesse sentido: um cyber-thriller físico demais, um irmão de Miami Vice por vezes esquemático com seu protagonista. Ele não se aquieta.

9 PONTE DOS ESPIÕES (Steven Spielberg)
Spielberg no ápice do seu classicismo. É tipo um Titanic dele: incrível como é um filme tão rico em tudo aquilo que ele vai buscar através da Guerra Fria, sem querer torná-la a protagonista direta de toda a ação nele. Todo detalhado, todo grandioso, todo épico.

8 NOS BASTIDORES DA FAMA (Gina Prince-Bythewood)
Esse filme trabalha com uma questão muito complexa e que poucas vezes recebeu o devido crédito pra uma grande tese: a autenticidade na música pop. Sobre isso, esses dias dropou um artigo na FACT que mostra um pouco como essa discussão vai longe, as vezes possuindo uma dezena de respostas, de dúvidas… Esse filme vai mais além, ele concilia a onipresença de ‘Blackbird’ nas suas 2 horas como uma representação de tudo aquilo que a Noni imagina da cultura negra, ao longo que essa imagem é esfacelada pela realidade atual dela (o ex-rapper dono da gravadora, os fones da Beats by Dre, o BET Awards, as batidas de trap na trilha), realidade que as vezes pode parecer confusa pelo sentimento da personagem, mas que a Gina também vê como um certo apoio. E o que eu mais gosto: ele termina como uma espécie de celebração a musica pop, ao conto pop; a Noni voltando a ‘Blackbird’ mas pras arenas, ao seu próprio toque.

7 A TRAVESSIA (Robert Zemeckis)
“Spielberg está em sua melhor forma”, uma frase que eu tenho repetido exaustivamente nos últimos anos, e o melhor amigo dele também tem me empolgado a ponto de querer gritar a mesma coisa sobre pra ver se mais alguém nota as últimas coisas que o Zemeckis fez, coisa de louco mesmo. Cara induz uma narrativa comum de Hollywood se auto elogiando e eleva a um status mágico, se unindo aqueles efeitos visuais que um dia fizeram dele um pioneiro de um modo naturalista, orgânico como eu nunca tinha imaginado pra ele e nem vi ngm mais fazendo mesmo. É até curioso como o cara usa artifícios comuns de filmes baseados em fatos reais (até uma infeliz narração em off), mas torna tudo tão onírico; sério, se com O Voo o Zemeckis se provou fazendo um drama sóbrio e intimista, seu retorno ao cinemão aqui rendeu o blockbuster mais criativo de 2015.

6 SPL 2 – A HORA DAS CONSEQUÊNCIAS (Soi Cheang)
Soi Cheang já tinha feito um dos meus filmes de ação recente preferidos com Motorway, mas essa sequência perdida de um filme de 10 anos atrás é não só um dos meu filmes de ação recente preferidos como tem um daqueles subtextos políticos meio absurdo, meio paranóico e muito contundente a la Verhoeven ou Carpenter que eu tanto gosto. Detetive viciado, garota com leucemia, chefe da gangue que precisa de transplante… Nada aqui sai ileso.

5 LISTEN UP PHILIP (Alex Ross Perry)
Não deixa de ser o mumblecore que seria bem aceito em Sundance mas é curioso como Perry sempre busca se distanciar das características que sempre fetichizam esse ‘gênero’: se há um jazz na trilha sonora é para te manter atento a não confiar muito nas atitudes misantrópicas alienadas de Philip; se a ex-namorada compra um gatinho é muito sobre como Perry pode construir um olhar na figura dela e na sua desajeitada vida pós-relacionamento sem recorrer a natural ideia condescendente de um namorado. Philip, que aliás é o maior alvo de Perry aqui: em toda a sua ambição narcisista, no seu ego e na sua natural antipatia por pessoas e felicidade, o diretor não faz nada de desconstrução de personagem pra uma eventual aproximação; o filme trata mais sobre, por exemplo, como nós compreendemos o fato de Philip não é muito querido (e com a ciência de que ele não).

4 JAUJA (Lisandro Alonso)
Vi esse filme poucos dias depois de Phoenix e era impossível não traçar um paralelo entre os dois: se Petzold quer integrar o sentido histórico ao espaço e a narrativa, Alonso quer destruir esse sentido histórico com o espaço e a narrativa. Diretor elevar cada paisagem da Argentina a quadro pictórico parece muito pouco diante do que ele faz aqui; Alonso vai mesmo é atrás de um sentido áquelas imagens reais que só pertencem ao cinema. Reduz cada conflito do seu país a uma série de deslocamentos que não mais dizem sobre a Argentina, mas a série de possibilidadess espaciais, temporais do cinema em si.

3 IT FOLLOWS (David Robert Mitchell)
Última vez que anunciaram uma ‘redefinição do terror’ veio um dos filmes mais pavorosos daquele ano (Cabin in the woods), então, fico feliz que o filme que foi pimbado esse ano com esse termo (erroneamente obv) seja tão irônico em relação as próprias necessidades do terror. É tão contemporâneo e não é. Abusa duma trilha oitentista sem estar muito interessado em nostalgia. E a Maika Monroe já ganhou ponto na carteirinha por protagonizar dois dos melhores filmes de terror que eu vi em 2015 — favor ver THE GUEST, e favor estreiarem de alguma forma essa pérola aqui no Brasil.

2 BRANCO SAI, PRETO FICA (Adirley Queirós)
Pensar que o meu filme preferido de 2014 tinha Scarlett Johansson idealizada como um alien poderoso vivendo situações de opressão num planeta estrangeiro. Branco Sai Preto Fica, que foi meu filme preferido de 2015 por 11 meses, dá uma lógica afrofuturista ao filme do Glazer — mas construindo um comentário tão específico, poderoso e inconformado tal qual. Adirley é dos grandes comentaristas políticos do Brasil hj, e esse filme deu sei lá quantos passos além de um modo como constrói seu discurso. Há muito a ser dito na estrutura do sci fi, no protagonismo negro neles, o protagonismo negro em cada um dos seus movs, no comentário social, na violência policial contra a população negra que de um ou dois anos pra cá “mereceu” virar um tópico específico (como ele de fato o faz), na utilização da música (negra) como instrumento de união entre o tempo… há tanta coisa aqui construída, e com aquele sentimento zeigesty a respeito da população negra brasileira. A comparação meio desengonçada que eu fiz entre uma faixa do To Pimp A Butterfly e o momento mais catártico desse filme talvez vá mais longe do que pareça…

1 A VISITA (M. Night Shyamalan)
Desde o início da campanha de divulgação de A Visita como o ‘terrir do Shyamalan’ venho explicando todo empolgado pra cada amigo a ideia de que esse cinismo, meio cômico, uma veia mais kistch sempre existiu nele e que em parte foi um dos responsáveis pela sua queda lá no Dama na Água. Então, esse filme é tipo um triunfo nesse sentido — a forma mais completa e radical desses elementos na carreirado indiano. É uma paulada de tensão em cima dum humor, é um que contamina o outro indissociadamente. É um exercício de gênero(s), mas uma completa desconstrução dos mesmos. É o found footage quase pictórico. É o filme de ator dos personagens que atuam. Do filme dentro do filme sempre preservando uma individualidade, um ou outro elemento extra que ele relembra aqui sempre muito sacana só pra conservar o estilo. É o Shyamalan no seu melhor, basicamente.

6 comentários em “2015, melhores filmes”

        1. acho q nao! pelo q eu lembre em outubro ia estreiar nos cinemas, mas cancelaram e nem especificaram se sairia em dvd depois (e no filmeb ao menos, n ta como lançado em dvd/bd ainda)

  1. Fiquei ANIMADISSIMA com ‘a visita’ em primeiro. Já tinha visto o trailer e amado (gosto de Shyamalan sim, mesmo com ‘dama na água’ no curriculo).
    Adorei a lista e peguei pra vida!

    1. hahaha valeu
      eu amo a dama na agua :( mas acho que esse filme é o mais ‘likeable’ do shyamalan desde sinais… por mais que reclamem das crenças ou das ideias dele, dá pra gostar ainda como um filme bem funcional. tanto como terror como comédia acho q entretem bastante

^-^

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