2015: 50 melhores discos

Essa é hora em que devia escrever um textão primeiro sobre o que a música importa num dos anos mais importantes da minha vida. Mas eu provavelmente ia ficar chorando sobre os discos que não entraram aqui, me irritando um pouco com as merdas que eu ouvi esse ano e enfim. Esse foi um ano tão bom que esquecer alguns velhos hábitos aqui até deve fazer bem. Além de olhar pra cada um desses 50 discos e o que eu tenho a dizer sobre eles, sentir que já tá tudo ali resumido. É uma sensação boa até quando ela não é. Mas voltando aos velhos hábitos… aqui as menções honrosas com os EPs/mixtapes e derivados:

ARIANA GRANDE | Christmas & Chill
CLAP! CLAP! | Simple
DJ NIGGA FOX | Noite e Dia
DJ ORANGE JULIUS | Mall Music Presents: Juice II
FUTURE & DJ ESCO | 56 Nights
HAILEE STEINFIELD | Haiz
HONEY COCAINE | The Gift Rap
LEO JUSTI | Vira a Cara
LOTIC | Agitations + Heterocetera
METÁ METÁ | Metá Metá
MISSRED | Murder
NIDIA MINAJ | Danger
OMULU | Omulu
RICO DALASAM | Modo Diverso
RJ & CHOICE | Rich Off Mackin
T.I. | Da Nic

Impressionante que a despeito de ano a ano comenta-se que a importância de diferenciar um release ‘retail’ pra uma mixtape é irrelevante, mas observando aqui… tirando Future, Miss Red e RJ & Choice, todos releases são EPs! Eis um motivo pra continuar com um certo pé atrás de ter mixtapes na minha lista. E olha esse ano nasceu uma nova febre de ‘mixtapes’ pagas, ou projetos ou discos digitais iniciados pelo Drake com uma das piores coisas que eu ouvi em 2015. Mas o que eu quero lembrar é que esse tipo de cd também comparecerá aqui (há 3 deles, i guess). E vamo ao longo top50 todo duma vez, e feliz natal ao som de ‘True Love’.

50 DUMBLONDE | dumblonde

Danity Kane sempre uma girlband interessante (favor checar: o Welcome to Dollhouse inteiro e pelo menos uns 4-5 bangers do disco delas ano passado), o fato de ficarem sempre na espreita como uma versão pirata das Pussycat Dolls nunca disse muito sobre elas. Dawn tá aí sendo A artista mais criativa do mundo, mas Aubrey e Shannon também formaram essa dupla, o Dumblonde e lançaram esse cd todo imaginativo, futurista e mostram um baita songwriting, em termos de fazer grandes faixas pop. O disco, also, também tem todo aquele gostinho de principiante, aquele natural deslumbramento com sua própria criatividade. Mas aqui até isso vira charme.

49 RODRIGO OGI | R Á!
Um disco bastante incomum no rap nacional: ele é incrivelmente divertido. Em alguns pontos me lembra o disco igualmente bom que o Emicida lançou esse ano, por ver o periférico brasileiro da forma como ele é, e não lotando seu discurso de americanismos. O disco do Ogi ganha ainda mais por ser tão enxuto, tão focado e objetivo (ele é bem curtinho!) nesse formato de crônica sobre as periferias de SP. E claro, o time é todo coisa fina.

48 NOZINJA | Nozinja Lodge
Nozinja é aquele cara sul-africano na Warp que tinha a missão de mostrar ao mundo o que é o tal do Shangaan electro. Ou talvez essa tenha sido sua missão, algum dia. Porque no seu debut propriamente dito a paleta sonora é não só tão diversificada, como divertida, incrivelmente dançante e colorida. De um reggaezinho ao calypso ou ao house, Nozinja parece mais construir um painel onde o Shangaan se adapte bem – e ele mesmo possa viver a sua própria lógica de beats ‘estranhas’ sem nenhum dever extra-sonoro.

47 SEU JORGE | Músicas Para Churrasco Volume II
Seu Jorge fez um disco de smooth soul, á Jorge Ben ou Barry White, onde o que eu mais me importo são essas crônicas meio banais, total focadas no populacho que ele foi aprimorando bem nos seus melhores hits e aqui rendeu um disco inteiro: tem música sobre gente bipolar, sobre o motoboy, a mina que de se depila, o motoboy, tem sex jams bem sacanas… Ele sabe do apelo dessas letras e é tão genial como elas formam um contraste que se complementa a toda a suavidade do soul aqui.

46 TEEDRA MOSES | Cognac & Conversations
Como o D’angelo, Teedra Moses é uma lenda do R&B com um dos discos mais importantes dos anos 2000 e que só lançou o sucessor do incrível Complex Simplicity esse ano (pra se ter uma ideia, esse cd é de 2004). Sem um décimo do orçamento ou prestígio do D’angelo, Teedra fez um disco que mantém exatamente a estética que ela formulou lá há uma década atrás (70s r&b! slow jams! smooth soul! jazzy vibes!) ainda conservadas e igualmente interessantes. Mesmo que seja com algo mais discreto e menor — e que praticamente não atraiu comentários — foi uma volta muito importante.

45 PITBULL | Dale
Duas coisas que sempre me fizeram querer defender o Pitbull: a) sua disposição pra experimentar toda uma cena que vai de musica urbana de cada local que ele já passou, desde o eurodance, ao crunk, ao grime (!) até seus bons e velhos gêneros latinos que é onde ele faz a festa e b) a voz que ele se tornou pro povo dessa etnia nos EUA e a exata consciência dele disso com suas milhares de colaborações por semana com latinos que ainda, em geral, serão sumariamente ignorados pelo mercado mainstream de lá (Prince Royce foi a última vítima). O ‘Dale’ (quer nome mais Pitbull pra um disco do Pitbull como esse?), que é apenas o segundo disco em espanhol dele, é a reunião perfeita dessas duas características; uma enorme força colaborativa entre um total de 10 convidados e focando nos ritmos latinos principalmente e acrescentando vez ou outra a eles uma pitada de synthpop, rnbass, etc.

44 JACK Ü | Skrillex and Diplo Presents Jack Ü
Hoje parece distante a baita surpresa que foi esse projeto — Diplo ficando cada dia mais boring, fuckin Skrillex — mas vamos lembrar que tudo aqui é bem distante do material solo dos dois moços (a começar: aqui tem bons hooks). As 9 faixas parecem ter 3, 4 camadas, são artifícies e não me surpreenderia se cada uma delas tivessem sido gravadas em um ritmo bem oposto ao EDM antes, pq é o que desencadeia toda a invetividade dos dois aí. Essa noção tão forte do material que eles devem produzir serem faixas maximalistas, essencialmente artificiais. Porque alguém ainda precisa de PC Music quando temos Skrillex e Diplo?

43 OWINY SIGOMA BAND | Nyanza
Como o Nozinja, os Owiny Sigoma Band no terceiro disco estão mais livres, mais ‘fora da caixa’ pra ter uma paleta mais diversificada e uma tarefa menos ortodoxa com algum projeto. Se no seu primeiro disco, eles eram ‘turistas’ fazendo música africana e no Power Punch eram especialistas apresentando esse som ao ocidente, no Nyanza há uma vontade maior em fazer faixas díspares, vivas num prazer menos extra-sonoro. É um disco menor por natureza, mas um disco necessário, vamos dizer.

42 FETTY WAP | Fetty Wap
Precisa, na real, de mais algum motivo pra esse cd estar aqui? Tipo, dizem que cada música do Fetty soa como a mesma, e realmente, tudo que eu disse sobre ‘Trap Queen’ se aplica a tudo que eu gosto aqui, mas digamos, que é só a melhor faixa de rap romântica de 80 minutos que eu já ouvi.

41 LE1F | Riot Boi
Rap é uma arte que vive por definição de dinâmica lírica sobre opressão, então me anima muito quando alguém eleva essa dinâmica a própria estética do seu material — no caso, do LE1F, o que seria dele sem essa subversão normativa de gênero, sexualidade? Cada faixa aqui vive um ambiente próprio e inventivo de falar sobre opressão, que vai desde piadas ás beats que são puro queerness. Ele escracha sua intenção subversiva desde o título: o trocadilho incrível com o movimento riot grrrl.

40 BRYSON TILLER | T r a p s o u l
Eu nunca esperei gostar tanto do Tiller na primeira vez em que ouvi ‘Don’t’ (mais um fazendo beats subaquaticaszzz), mas o songwriting desse disco é tão bom e, ó, ele é um loverboy de primeira pra vender cada uma delas – seja sendo o cara que perdeu a garota pra alguém que ele sabe ser melhor ou quando tenta reconquistá-la -, uma sensibilidade pop forte e definida pra um novato. E seus beatmakers fazem um jogo de samples com alguns hinos do r&b, mas eu aprecio especialmente quando ele interpola em “Don’t” total inesperadamente uma das obras-primas mais subestimadas da Mariah Carey.

39 SUSANNE SUNDFOR | Ten Love Songs
10 músicas sobre amor em 10 maneiras muito incomuns de se falar sobre o amor em 10 modos bem complexos e exóticos de se fazer música pop. As atenções da Susanne aqui vão da ópera ao EDM, do M83 a Taylor Swift a ABBA. Esse songcraft tão bem formatado, o cuidado pros arranjos, toda a área melódica e harmônica aqui parece uma grande disposição dela em tornar esses elementos tão diversos numa única unidade por natureza épica. Não que ela seja 100% bem sucedida nisso, mas é instigante do início ao fim.

38 RICO LOVE | Turn The Lights On
Como o Bryson Tiller, o debut do Rico Love meio que segue um fluxo de songwriting muito bom antes de qualquer coisa (um bom pra singer/songwriters no r&b tho? vários exemplos ainda pela frente). E apesar de amar muita coisa que o cara já fez pra outros artistas, eu aprecio como aqui nesse cd ele parece viver uma espécie de reinvenção, com uma profundidade emocional que vai além de qualquer coisa que ele já tinha escrito até então; e ele tem essa tendência meio hood, meio misantropo desses caras do r&b de hoje tipo Weeknd e Ty Dola $ign, mas ao mesmo tempo conserva uma certa polidez de loverboy, o que só deixa o cd mais incrível.

37 BURNABOY | On A Spaceship
Africa has more numbers than America. So if we all used our heads and focused on Africa, then we’d be good.” Depois de torrar todo o dinheiro da família num primeiro disco fracassado, o Burna Boy economizou no orçamento, mas não na ambição. Ele fala muito num tal de afro-fusion nesse disco e eu não posso exatamente discordar: alguns tiques do Fela Kuti, reggae, algumas vertentes bem novas do southern rap, muito dancehall… Porque eu me importo tanto dum garoto privilegiado nigeriano falando isso? Talvez porque o afropop atual realmente… tem a música pop mais criativa do mundo?

36 TAL NATIONAL | Zoy Zoy
Tudo é tão brilhantemente arranjado, as backing vocals femininas rementendo a uma certa tradição singular do afrobeat, os riffs introduzindo e dando aqueela sensação solar a cada faixa… São 46 minutos de pura energia. Um grupo mesmo. De trabalho todo muscular pra contemplar cada gênero popular da África aqui dentro.

35 SIBA | De Baile Solto
Uma das ‘festas’ mais populares em Belém hoje é a batucada. Pelo menos duas vezes ao mês, seja em São Brás ou na Praça da República, ela reúne gente do tipo; parece uma confraternização pra valorização da cultura de massa, popular. É algo em tese tão necessário e justo, mas na prática é aquilo: restrição de tempo, polícia em cima olhando torto, e as constantes gentes que aparecem ali querendo exotificar quem e o que é curtido, quando não pra dizer que a música é de ‘mal gosto’. O disco do Siba não tem tanto em comum com o som da batucada, mas ele é um manifesto, um sentimento inerente a qualquer um que goste da cultura de massa — aquela sensação protetora, o regionalismo, aquela visão de criatividade em músicas feitas basicamente pra refrão, etc. É a imaginação dele, a pernambucana, do maracatu, do baile, da ciranda. Mas esse é um sentimento brasileiro, de quem vive e vê cada traço criativo das culturas de massa.

34 JLIN | Dark Energy
Eu adoro a ideia de que a primeira mulher a fazer footwork já tenha um dos releases mais importantes do gênero e eu adoro que Jlin defina toda a sua estética nesse âmbito, marcando seu território num espaço menos ortodoxo que a maioria dos DJs de footwork. É provável que o Dark Energy vá ser um game changer dentro do gênero e é legal notar como toda a mutação que ela promove na sonoridade tem umag rande força política. Jlin dialoga muito com a ideia que outras mulheres da musica eletronica tem de feminilidade (há uma colaboração com a Holly Herdon aqui tho), entre Fever Ray e Gazelle Twin ela acha mais ou menos onde se posicionar (e inspirar) toda uma cena.

33 ANITTA | Bang
Ano passado, Anitta lançou um monte de bons hits que eu só vim prestar mais atenção esse ano. ‘Cobertor’, ‘No Meu Talento’ e ‘Ritmo Perfeito’ são mais distintas e bem definidas que boa parte do primeiro trabalho dela, exceto obv ‘Show das Poderosas’, e parece que viraram meio que um protótipo pra ela ir sempre melhorando a própria fórmula, como acontece aqui em boa parte do Bang. E na outra boa parte, ela vai mais além: flerta com uma cuíca mais sensual, faz rap falso com o Dubeat, flutua numa batida de r&b minimalista com o Conecrew Diretoria… Esse realmente parece um disco da maior popstar do Brasil no momento, aproveitando pra brincar com todo tipo de gênero e mcs e cantores que ela queria aqui. Parece meio canalha, mas nada de errado; e ainda é divertido a beça.

32 FUTURE | Dirty Sprite 2
Timing é das coisas mais importantes no rap hoje e Future, um dos mcs mais memeáveis do momento, entende bem disso. Tudo que o levou a turbulência do Honest (e: Ciara), ele tenta ir num caminho oposto aqui. Sem mais nada emocional. Esse é literalmente o disco de rap mais solitário que eu ouvi esse ano; amigos, mulheres unidimensionais passam por ele sem breves descrições, aquele ego sendo alimentado, um artista todo paranóico versando sobre mais raiva, suas perdas, a maconha. A coisa toda é sobre um cara idiota lidando com isso.

31 DREAM TEAM DO PASSINHO | Aperte o Play
Curioso que o Dream Team foi formado aleartoriamente pra gravar um comercial da Coca, depois era apenas um ótimo coletivo de dança e caiu de paraquedas aqui, como cantores e compositores. Curioso como essas informações formam toda uma energia natural que o disco apresenta; é como se eles fossem todos amadores e cada letra aqui fosse um teste da desenvoltura, do swag deles. Ou talvez eu simplesmente não esteja acostumado a ver aqui no Brasil alguém dialogar tanto e tão bem — e sem remorso algum — com um público jovem, que vai desde seu vocabulário, a forma como se dão as relações, a atenção que se dá aqui pros queers e etc. “Eu te olho quando tu faz selfie sozinho / você com a larga todo dread e eu só de cantinho” é uma letra muito boa tho.

30 AVA ROCHA | Ava Patrya Yndia Yracema
Disco que vai com sede ao bote, que mete os pés pelas mãos, sem medo algum dos tropeços. Talvez por isso eu goste tanto. Talvez porque os discos do Negro Leo fazem o mesmo e conseguem soar como uma profusão de ideias tortas perfeitas, suas parcerias com sua mulher, no Ava Patrya Yndia Yracema parecem mais orgânicas e por natureza mais imperfeitas. Como alguém que eu não lembro pra dar os devidos créditos no momento me disse, “essa é a verdadeira tropicalia do século 21”.

29 SELENA GOMEZ | Revival
“I mean I could, but why would I want to?” — eu amo esse verso e amo o quanto ele descreve tudo que há de mais estranho e obscuro e furtivo e silencioso e melancólico sobre esse cd. Ele gira em torno da busca da Selena pela auto estima, como um ‘Reality Show’ por uma perspectiva mais jovem (o que inclui deixar ‘Me & My Girls’ como última faixa na minha tracklist do iTunes); tudo aqui tem aquele toque da decepção, a histeria do relacionamento, a decepção e aquele encontro com o empoderamento que vai parecendo mais real a cada vez que ela descasca o Bieber. Also esse é aquele disco que toda cantora ex-Disney praticamente passou por, sua fase, mais autoral, ‘adulta’, etc. e eu ainda não sei como, mas tou muito satisfeito que a Selena entendeu que por isso ela deveria fazer música pop tão abstrata, e cada produção tão ‘complexa’ como se fosse uma descontrução de uma faixa comercial padrão sem nunca abandonar o formato (ela mistura italo disco via Moroder com tropical house ou ’80s house com Timbaland da era Nelly Furtado, pra se ter ideia) e tu vê as letras se ‘contaminarem’ com isso também, cada vez mais usando metáforas e tudo mais.

28 SIR | Seven Sundays
Outro grande disco de r&b tão focado no songwriting. Sir ganhou mais destaque esse ano por cantar o hook de ‘The Way,’ do Jay Rock (também ótima), mas o disco dele é cheio de pérolas. Cara era acostumado a escrever pra gente na linha da Jill Scott e todo o tom suave, Prince-y não mente aqui. E há uma textura dentro da produção claramente mais descontraída, meio caseiro mesmo; isso me lembra as mixtapes da Tinashe, onde ela tem todo um imaginário futurista ali, trabalhando num ar tão amador. Como o r&b é o gênero por excelência da intimidade, não há nenhum dificuldade pra cada um deles manejar isso como uma qualidade.

27 JEREMIH | Late Nights
Random, mas acho engraçado que ano passado Jeremih já falava sobre os constantes adiamentos desse disco alegando que sua gravadora tava dando mais prioridade pra Rihanna e Kanye, e mais de um ano depois, parecia impossível, mas seu disco saiu ‘de surpresa’. Enquanto Kanye e Rihanna… nada! (um ano de buzz, um ano de muito single ruim e BBHMM e nada!) E agora o Jeremih tá nessa narrativa, gerando thinkpieces sobre o pq o disco foi um fiasco, pq ele nunca será tão grande quanto deveria e etc. E é verdade, cara é um popstar de primeira pelos dois hits incríveis que esse cd já gerou (‘Don’t Tell ‘em’ e ‘Planez’) e pelo absurdo de coisas que ele faz aqui com hooks, subversões de estrutura e sonoridade do r&b (‘Paradise’, a hood ballad, é a mais importante nisso). Mas as coisas tão estranhas nesse mundo, mesmo pra um artista perfeitamente zegeist-y como Jeremih. Resta esperar que o povo que consome suas parcerias horríveis com rappers, um dia dê um pouco de atenção a esse disco (inclusive, os próprios executivos da Def Jam).

26 RAE SREMMURD | Sremmlife
11 hits, 2 mcs afiados, novinhos, tão rimando completamente deslumbrados com a fama de ‘No Flex Zone’, exatamente como a idade sugere. Ah, e em questão de voz, de tiques de voz, de jogo lírico, de flow, eles são tipo o melhor resultado da influência da Nicki Minaj no rap até o momento. Toda essa descrição acima é tão perfeitamente feita pra mim que eu nem tenho muito o que acrescentar, sabe.

25 JUSTIN BIEBER | Purpose
Sometimes it’s hard to do the right thing
When the pressures is coming down like lightening
It’s like they want me to be perfect
When they don’t even know that I’m hurting

24 LEVON VINCENT | Levon Vicent
“This is music for the ugly ducklings of the world” foi o que Vincent postou no Facebook quando liberou o disco. É, claro, sobre lançar seu disco de estréia de graça em MP3, mas me diz mais sobre a situação de lançar um disco de techno brilhante e imersivo em 2015 sobre emoções e honestidade, um melodrama incomum pros clubs, cheio de texturas e grooves e um épico indescrítivel de 11min como ‘Launch Ramp to tha Sky’.

23 SUFJAN STEVENS | Carrie & Lowell
Lidar com a morte é sempre incomum, sempre fora da sua caixa, é um sentimento que involutariamente pode mudar sua forma de interpretação, sua forma de se comunicar, etc. Com Sufjan falando sobre a morte de sua mãe, é perceptível a ‘quebra’ das mudanças estéticas progressivas que ele vinha fazendo (houve um longo tempo até que ele meio que fizesse ‘música eletrônica’ no Age of Adz). Mas no Carrie & Lowell ficam as memórias, a perda, a melancolia e só um banjo ou piano que projetam todo o tom intimista dos sentimentos.

22 BRANDON FLOWERS | The Desired Effect
Se todo o artista pop é tão focado na sua própria imagem, podemos considerar normal então que criação dessa imagem é também a definição da sonoridade? Uma pergunta de boa, pra quando o Ariel Rechtshaid e o Brandon imaginaram toda a identidade por trás desse disco: ele é conscientemente brega como um Bryan Ferry, mas charmoso e incrivelmente preciso e enxuto pra lidar com os temas mais fáceis (são 10 faixas, mas são 10 grandes faixas). Como o debut solo dele tinha falhado exatamente nesses pontos, mais em conservar uma influência do pop dos anos 80 sem muito fetiche, esse disco é meio que essa realização de ideias velhas que vão sendo cada vez aprimoradas, mais temperadas e interessantes.

21 JAMIE WOON | Making Time
Lá por 2010-11, Jamie Woon parecia se tornar o cara do momento: colaborando com Burial e imaginando com um pouco mais de especificidades e dubstep o que hoje devem chamar de alt r&b. Apesar do seu debut, ‘Mirrorwriting’, ser um semi-clássico, sua carreira nunca foi exatamente como parecia. E dá-lhe quase 5 anos sumido que só o fizeram bem. Nesse segundo semestre silenciosamente ele voltou se inspirando no D’angelo, seu modo meio jam session meio acústico e muito sensual de fazer r&b — e retirando praticamente qualquer vestígio de música eletrônica que tanto parecia ligada ao seu status anterior. É importante ouvir sua voz tãão souful por cima dessas batidas tão orgânicas, pq talvez não seja o que o elevaria a um status zeigesty, mas é o que ele faz bem no momento.

20 DJ CLENT | Last Bus to Lake Park
Sem um décimo do hype da Jlin ou qualquer um dos caras da Teklife, DJ Clent lançou um dos releases mais impressionantes de footwork até o momento. Um senhor domando um estilo muleque com categoria. E considerando um estilo muleque que é quase sempre domado por outros muleques, a idade de Clent é relevante aqui — diferente de um RP Boo, por exemplo, os samplers tem um fator nostálgico essencial em cada faixa, antes de curatorial. Mas o que interessa aqui são os synths e batidas descontroladamente oscilantes de Clent. O que ele faz em ‘Clent’s So Hott’ meio que transcende as intenções do gênero, numa faixa moldada de tantas formas pra soar chiclete sem sequer me fazer sentir falta de um vocal.

19 FIFTH HARMONY | Reflection
Vi um comentário esses dias de que se as Electrik Red (das melhores girl groups que ngm sabe que existe) fossem lançadas hoje dificilmente fracassariam como em 2009. Olhando pras Fifth Harmony e o que elas representaram pro pop em 2015, é fácil ver que isso tem fundamento. Aqui são 5 woc adolescentes cantando faixas sobre empoderamento das mais variadas formas (‘Reflection’ e ‘Them Girls Be Like’ são as formas mais criativas, já digo) e sendo teens que gostam de ser teens, mostrando que se importar com coisas tipo fandom (ffs há uma musica aqui chamada ‘Like Mariah’) não te faz pior que ninguém. Elas representam tudo que há de muito cool no pop esse ano. E eu tou totalmente ok com isso lembrando que várias dessas características me agradam até demais. Mas nada disso funcionaria tão bem se elas não tivessem um dos melhores hits do ano com um rnbass que tem meio que 3 hooks DIFERENTES e igualmente fantásticos, se elas não soubessem manejar tão bem suas influências (muito r&b anos 90 e 2000) com um pop hiper moderno, se elas não soubessem sustentar essa persona meio bad bitch pra fazer tanta música sobre ser foda e ganhar muita grana. E o principal: uma das melhores faixas aqui contém o verso ‘I wanna Kanye & not a Ray J‘.

18 DALSIN | Cinza Chumbo
Uma das maiores surpresas dessa lista, indicação random de um amigo. Mais um exemplo de mc que aproveita seu potencial e não estaciona no conforto de ser a voz que qualquer DCE quer ouvir. As beats são meio genéricas de trap rap já, mas elas são INSANAMENTE funcionais e o Dalsin rima pra caralho. Em termos de técnica e de flow, talvez um top3 dos rappers do ano, vamos dizer?? E ele é bem muscular e disciplinado, pq todos os hooks aqui são bem definidios e é tão genial tudo que ele faz aqui versando basicamente sobre como seu cachê aumenta a cada mês. E tenho que anunciar pro mundo que a linha “As gatas gemem / modelos querendo meu semen” por um dos caras do Cartel MCs em ‘Talibã’ é fantástica tbh.

17 JOANNA NEWSOM | Divers
Boa parte do corpo de trabalho da Joanna se deve a uma amargura, uma compreensão desenfreada do tempo e espaço levando a detalhes, especificidades beirando o teatral de uma tragédia (vindo de uma escola meio Tori Amos, então…). Então, fico feliz que nesse meio tempo de 5 anos desde sua obra-prima ‘Have One On Me’, muita coisa, que vai desde seu casamento, até estrelar e narrar filme do PTA a virar fã de rap (!!!), mudou e ela faz questão de detalhar dentro dessa estética aqui no Divers. Muito desse disco vai nessa distorção de tempo e espaço pra reimaginar cada mudança que ela fez, uma migração de pensamento, de fluidez, espacial, física. E tipo, aqui tem música onde ela pinta o passado violento da sua cidade e reimagina, como um futuro já clássico, tudo ali exatamente no mesmo estado em que ela se encontra agora. Sim, Joanna Newsom sendo incrivelmente corny. Nada mais.

16 VISIONIST | Safe
Louis Carnell é um ilusionista. Escutem ele: não chamem esse disco de grime. Como o Slackk fez e continuou fazendo, há algo de mais físico aqui que o aproxima sonoramente do grime mainstream (SMH. o GRIME de fato), algo que Logos nenhum um dia fará. Mas Louis faz bem mais, ele usa apenas um ou outro elemento como aprimoramento de tensão, claustrofobia — envolvendo exatamente partes chave seja do drum n bass, do house, do glitch e etc. pra formular um sentido mais próprio e perverso sonoramente. Escutem ele de novo: esse disco é como ele.

15 JULIA HOLTER | Have You In My Wilderness
As vezes eu penso que esse disco é a impressão mais forte que a Julia poderia dar de pop. Ela criou em 2013 com o ‘Loud City Song’ um dos discos mais desafiadores daquele ano e em parte isso se devia por como ela desmistificava figuras pop e a nossa relação com elas, mas aqui a pauta é ela mesma. E a intimidade que ela pode ter com vc. E intimidade pra Julia = mais faixas melódicas, mais diretas, mais emotivas, mais orgânicas. De certo ela não quer virar nenhuma espécie de Lana Del Rey com isso e parece que cada vez que ela ‘quebra’ esse tom mais pop com alguma pincelada onírica, mais distante como em ‘Vasquez’ é como se ela lembrasse de cada obra distante dessa e formalizasse esse como apenas mais um capítulo no material, sem mais definições.

14 MC DELANO | Na Ponta Ela Fica
Interessante pensar como o funk e suas ‘eras’ estão ligados a sempre uma mobilidade social ou um acontecimento específico, de grandes dimensões. Tipo o auge do funk ostentação, a possibilidade do funk pop — o que seria o sucesso deles sem a necessidade do apoio da mídia a pacificação das favelas? ou o crescimento da rasteirinha e o funketon, como resultado da imigração de haitianos. O Delano me lembra disso pq além de incorporar esses elementos, ele leva o funk a uma nova direção — suas experimentações com o samba, com a mpb, além de ser um dos únicos mcs que produz o próprio material (e o de outros) me fazem pensar aqui no funk de elite, no funk seu jorge, i guess? E o cara já tá trabalhando com o Omulu, saca só. Não há nada de muito complicado ou intelectual no que o Delano faz, mas dando uma atenção a ‘Na Ponta Ela Fica’ (dos hits do ano no funk), ele é tão mais ligado a elementos como produção vocal, construção melódica, variações de versos etc. E não num modo rockista, mas como experiência mesmo aonde o funk possa se incorporar. E toda a estética aqui é bastante impressionante.

13 ANGEL HAZE | Back to the Woods
Eu amo discos de rap bem bagaceiros, todos felizes e nada introspectivos. Amo mais que o resto dos discos de rap. Mas há horas em que eu sento e quero ouvir sobre a dor de alguém e ter empatia com aquelas descrições, especificidades, espaços, lugares, situações… Angel Haze me faz pensar e exercitar isso tanto, mas tanto. Principalmente pq muito do que ela tira e baseia seu songwriting, seus raps são fortes e parecem experiências universais. E acredite, é tudo incrivelmente emocional — tem agressividade fazendo rap e extremamente emotiva cantando, e é tão incrível como cada um é alternado sem problemas. “My brain is a cage, it’s the place where the beasts that i’m battling lay, man it’s a wrap, i relax in my rage like a bat or a rat in a trap or a cave”.

12 NEGRO LEO | Niños Heroes
Seria essa a continuação do Ilhas de Calor (leia-se: melhor cd nacional de 2014)? Talvez, mas acompanhando o facebook do Negro Leo ou simplesmente vivendo no Brasil de hoje é fácil entender porque ele tá na mesma zona, com a meesma agressividade e tocando nos mesmos assuntos. Há literalmente mais voz aqui, digamos assim; há ainda mais palco pras verborragias do Leo, suas pautas mais amplas, mais distorções pra produção vocal… é um grito além, como quem repete a mesma coisa 1 ano depois, ainda mais revoltado.

11 RAPHÃO ALAAFIN | Eu Gosto
Sim, esse é o cara que tem um dos versos em ‘Mandume’ do Emicida. E é interessante analisar seu disco do prisma do verso dele, ou aquela faixa toda; Raphão meio que agarra um desinteresse no modo mais tradicional de fazer rap e suas referências passeiam desde o Jorge Ben, ao Raça Negra e Raimundos. Sua utilização da estética do rap me parecem em prol de uma desconstrução de tudo aquilo que é pregado no rap nacional, ás vezes gera pra ele um comentário especial sobre o estado da coisas, com uma faixa chamada ‘Cuidado! Tem Guardinha no Rap’, etc. e ele desenvolve tudo aqui com uma acidez, uma ironia que faz um bem danado a essa estética mais pop — não é todo dia que temos um disco de rap tão assumidamente mainstream assim, indo atrás de hooks fantásticos e tudo.

10 ABRA | Rose
Apesar de ter alguns mcs interessantes, a primeira cantora de r&b da Awful Records que eu conheci era realmente… pera, sem piadinha ou trocadilho infame. Era ruim mesmo. Uma tal de Alexandria, que repetia os cacoetes mais óbvios de qualquer uma que acredite que tem uma remota semelhança com a Aaliyah. Então imagine o que foi ouvir aleartoriamente o disco de estreia dessa outra garota do selo, que se auto denomina a ‘darkwave dutchess’? Foi um exercício um tanto estranho, mas o disco meio que pede por isso. Sendo tanto um baixo orçamento óbvio, que aproveita o desleixo vocal da Abra como tensão no seu songwriting e sua sensibilidade pop — ela tem uma vulnerabilidade nas letras digna de mocinha frágil em conto gótico. E há que de house dos anos 80 em cada beat de r&b aqui, e é tão mas tão sombrio. Como se ela aproveitasse as mínimas possibilidades e impulssionasse as de um jeito absurdo.

9 SONS OF KEMET | Lest We Forget What We Came Here To Do
Como eu sempre faço com country, eu também escuto alguns discos de jazz ano a ano me obrigando a ser minimamente entendido do assunto. Eu escutei o disco do Kamasi Washington e… err, não foi. Mas esse aqui do Sons of Kemet foi uma surpresa e tanto; ele é bem mais imediatista que a maioria dos discos de jazz contemporâneos que eu costumo ouvir, mais dançante e orgânico também. E mais compacto. É como um desafio, que me agrada muito.. Há influências díspares de escolas de jazz totalmente opostas aqui (ethio jazz, nyc skronk etc) e elesnunca parecerem em desacordo, fizeram um disco todo enxuto, meio stripped down. É uma vitória e tanto.

8 DAWN RICHARD | Blackheart
“I thought I lost it all” — essa é a primeira frase de Dawn nesse disco. Ela enfatiza um pouco aquilo que ele será; todo congestionado, muita coisa acontecendo, muito do que experimentar, do que falar. Blackheart é tão imenso. Ele é um épico. Ele é um grande disco de r&b. Ele é também o melhor disco da Björk em uma década. Ele é um disco sobre perda. É um disco que reimagina uma das obras-primas do Michael Jackson do pov de uma stripper. Mas ele também é um disco sem gênero, sem sexo, sem cor. E por favor, vá já no youtube ver todos os vídeos que a Dawn lançou pra esse disco, eles são incríveis e bastante complementares.

7 TYLER, THE CREATOR | Cherry Bomb
O ano é 2015 e eu vivi pra ver Rihanna ter um hit de folk, Dawn Richard ser basicamente a Bjork negra e a Nicki Minaj ter a Enya como uma das grandes influências de seu cd. O Tyler tá em algum lugar entre tudo isso fazendo entre um free jazz ou soul retrô, muito noise rock por aqui e gritando sobre liberdade por todo canto. ‘Liberdade’ que, vamos dizer, é um conceito no mínimo inusitado pra ele que sempre definiu sua estética lírica como ofensiva, que ainda existe aqui meio dormida, mas que aqui se revela uma auto consciência absurda, muito on point pra um cara de 23 anos (pensar que o Eminem é 20 anos mais velho e ainda tá fazendo algo desse naipe). Tanto que mesmo seus momentos mais agressivos, de rap de fato (ver: Smuckers) tá lá ele, Ye e Weezy versando numa dinâmica econômica e moderada de rap. O que o Cherry Bomb tem de ingênuo e inocente a despeito da própria estética velha do Tyler/Odd Future, tem também de otimismo externalizado — e vendo a coerência que tudo aqui tem com a evolução do material antigo dele, é algo realmente bonito de se ouvir.

6 KENDRICK LAMAR | To Pimp A Butterfly
Agora que chegamos no fim de 2015 e esse disco deve estar em primeiro lugar até na lista da Resident Advisor, por tudo que eu já li dele, cada thinkpiece, toda semana falando sobre ‘blackness’ ou sobre como ele é ‘unapologetically black’ eu sinto que realmente não há muito acrescentar porque ele foi um raro, raríssimo caso de um disco onde todo mundo tava unido pelo consenso e pelo sentimento que o Kdot evoca — ele é particular, é de grupo, mas c’mon ele é algo que todos mais ou menos estão pensando no momento, até a Iggy Azealia. Dito isso, só queria lembrar que eu nunca gostei da versão estúdio de ‘i’, mas o improviso ao vivo do disco me faz pensar a todo instante em ‘Branco Sai, Preto Fica’, especificamente no momento em que essas palavras do título são proferidas no filme, e são ambos momentos catárticos, em que eu acho que eu compreendi da forma que eu deveria ambas as obras.

5 VINCE STAPLES | Summertime ’06
Uma das minhas séries favoritas desse ano é Black-ish, um sitcom que já foi descrito como ‘a Modern Family negra’ ou a ressurreição dos sitcoms sobre negros e etc. E é bem óbvio que nada disso representa a série num geral, embora muito do tipo de humor que ela pegue lembre mesmo as séries dos anos 90, a visão que ela dá relaciona o mau estar do racismo com categorias de classe. Porque é comum tratarmos questões étnicas e de classe no mesmo tópico, mas quando há esse descompasso? Fica mais complexo, talvez? E há de se notar que a série também não é ‘pesada’, a militância do pai, da mãe, dos 4 filhos, do avô é escrachada como piadas internas, nos pegamos debatendo sobre até onde vai tudo isso, o convívio diário com mais brancos que negros e etc etc. É o mesmo que o Vince faz aqui, digamos. Ele pega suas memórias muito pessoais de Long Beach e relaciona-as a sua militância de hoje, mas também abre um bom ponto de discussão sobre ela; a percepção branca é literalmente esfacelada no clipe de ‘Señorita’ mas aqui vira um detalhe a mais sobre como vários rappers encaram seus próprios trabalhos, por exemplo. Esse é tipo, e afirmo sem pensar mais, um dos poucos discos que merecem o rótulo de conscious hip hop.

4 YEARS & YEARS | Communion
Logo que esse disco saiu, eu escrevi sobre como ele era melhor do que você esperaria de uns garotos outsiders fazendo ‘alt’ R&B e pop house. Mas durante o ano, ele foi crescendo mais e mais comigo, eu fui pegando cada especifidade das letras super emocionais do Olly de uma forma que faz esse texto parecer pouco demais a ser dito sobre as qualidades do Communion. Tem todo aquele house, que aqui é a dance music pra dançar enquanto chora, as imagem da nostalgia, bonita mas esfacelada pelo tempo. Eu imagino ele muito como o disco da Angel Haze, pois os dois além de muito emocional, eles compartilham essa leitura de uma pessoa queer sobre a dor, a tristeza não tanto relacionados a descobertas ou a uma negação tão explícita, mas aquela insegurança emocional que vem de suas próprias experiências e que te deixam pa baixo, fora do mundo e do radar de quem te atrai ou é atraído por você. Recentemente houve um One Week One Band deles e como só há o Communion, hmm, dá pra dizer que sobre ele também. E é uma leitura tão pessoal, tão representativa e tão emocional — exatamente como o disco em si — e provavelmente as melhores coisas que foram escritas sobre os Years & Years, o Olly Alexander e o Communion.

3 ELZA SOARES | A Mulher do Fim do Mundo
Elza é e sempre será um dos ser humanos mais admiráveis que um dia eu já ouvi falar e também uma das melhores cantoras que esse país já viu. Um dos fatores que me fazem pensar nisso é ela dedicar uma carreira de mais de 50 anos pra exaltar sua negritude e sua força como mulher, nada muito diferente do que ela faz nesse cd novo. O que explica muito o sucesso de ‘A Mulher do Fim do Mundo’ é que ele parece um disco certo que veio na hora com o povo certo. Sim, ele não apresenta nada narrativamente novo pra Elza. Mas ele é um grito convicto pra uma geração que, enfim, pode entender cada uma das pautas dessa mulher de 85 anos. E pode gritar ‘Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim‘ junto com ela.

2 KEHLANI | You Should Be Here
Kehlani é a singer-songwriter da minha vida. Ela sou eu, basicamente. Eu devo isso muito a ela também ter 20 anos e também ter 3 tons de fenótipos na pele, claro, mas sim: ela meio que é minha amiga, ela segue me dando conselhos e eu escuto muito ela falar seriamente sobre as fotos que a nova bae do ex postou. Ou falando daquele jeito, meio besta, meio profundo sobre as melhores amizades em ‘Unconditional’. Ou desabafando sobre e pra sua mãe em ‘The Letter’. Ela também, como eu, é tipo uma tastemaker frustrada; ela tem muita opinião pra dar sobre muita coisa e ela é sempre muito específica e imaginativa demais. Mas ela defende cada uma dessas ideias, desses sentimentos, dessas vontades que ela tem deixando tudo muito claro em cada obra-prima do ‘You Should Be Here’ (sim, são 15 delas, mesmos as interludes) e, cara, é muito difícil eu não me ver ali a cada vez que ela defende um posicionamento. Tudo é pra te inspirar, te aconselhar, e também é sobre como ela se sente. E eu já falei que ela faz isso por cima duns beats de r&b meio Timbaland anos 00, uns traps mais minimalista, um synthpop meio naturalistas? Sim, definitivamente Kehlani sou eu…

1 JAZMINE SULLIVAN | Reality Show
“Every part of me is a vision of a portrait
Of mona, of mona lisa
Every part of me is beautiful
And I finally see I’m a work of art
A masterpiece”

11 comentários em “2015: 50 melhores discos”

  1. Fiquei surpresa com as fifth harmony no seu top20! Tinha adorado seu comentário sobre o reflection quando ele saiu, mas não imaginava que gostasse tanto assim.

    1. hahah valeu! essa posição é um questão de justiça mesmo, nem eu sabia q eu gostava tanto assim dele quando eu parei pra prestar atenção que era das coisas q eu mais ouvido esse ano e me empolguei escrevendo sobre etc etc

  2. lucasss quase num ouvi cd nium esse ano, só passei pra falar que ouvi o dalsin e tô apaixonado

    Tô indo embora, mas pode crer não é pra ficar
    É pra ver se por aqui as coisas vão pro lugar
    Só esperando o fim de semana chegar
    Por minhas coisas na mala, entrar no bonde e voltar

    CARALHHH

    1. sdds danillo <3 <3 bora marcar uma cervejada!

      e o dalsin é oq eu mais quero q descubram dae viu! pessoas precisam saber oq os rappers mais talentosos do br tão interessados em fazer!

  3. pô, eu tinha visto a sua lista de músicas e esqueci de conferir essa!
    fiquei surpreso com o álbum do Years & Years tão alto no teu ranking, pq foi o cd que eu mais tentei amar o ano inteiro e não consegui; depois que chega nas baladinhas o after taste fica meio prejudicado pra mim…

    mas tem muita coisa em potencial pra tirar daqui, eu mal consegui pensar em 30 hahaha
    e adoro como vc não desistiu desses trabalhos que significaram mais pra vc do que qualquer outra coisa, tipo o Reflection e o Cherry Bomb (still not convinced) :p

    1. hauahu foi uma meta que eu estabeleci pra mim mesmo, a de valorizar mais aquilo q tem um grande impacto em mim e com isso valorizar meu próprio gosto ne… tipo, olhando minhas listas do ano passado, tb havia cds assim q eu ‘amava’ mais q os outros mas pensava como algo errado valorizar tanto essa catarse, esse sentimento puramente pessoal q eles tinham sobre mim; agora, a partir dessa lista, eu to tentando ser justo com eles e com toda o ‘significado’, q tu mesmo disse, q eles tem pra mim – não tem nada de errado nisso mesmo hahah.

^-^

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