2015: melhores faixas

Eu gosto como a maioria das músicas aqui não são apenas felizes, como também são dançantes. Por falar, eu tava notando agora que especialmente no top20, a única música de sadboy é EDM! Eu gosto pq a ideia que eu quero passar aqui mesmo é um pouco de mim, o que foi meu ano; e as músicas e a minha relação com elas é sempre minha descrição preferida disso. Então, ver que eu consegui capturar um pouco desse sentimento, canalizando exatamente aquilo que eu queria dessas faixas, me faz um bem nada. E eu tô sendo muito brega e adorando isso. Sooo, tem a playlist de sempre do Spotify, toda errada, faltando um montão de coisa, etc. Mas faço numa boa. E por favor, tem um monte de mcs de funk na lista, alguns remixes de djs bem menores e djs menores fazendo material próprio nessa lista — maioria deles não tão no spotify — então, corram atrás! Mas como diria Annalise Keating, now let’s get to work.

100 DISCLOSURE | Holding On (Julio Bashmore’s Elevated Mix)
99 DAVIDO & MEEK MILL | Fans Mi
98 QQ | Spin Yuh Roll
97 TESSELA & NOZINJA | Wa Chacha (Tessela Version)
96 MC BRITNEY | Vai Dar Merda
95 HELADO NEGRO | Young, Latin & Proud
94 YEARS & YEARS | Shine (Toyboy & Robin Remix)
93 TYREE | Fish Boat
92 SWINGA X DORLY | Aquecendo
91 WOKE | The Lavishments of Light Looking (with George Clinton)

90 STORMZY | Know Me From
89 RASHID | A Cena (com Izzy Gordon)
88 MARGINAL MEN | Footworkzzzz (com Omulu)
87 LADY LESHURR | Queen’s Speech 4
86 UHURU | Saka Nana (with DJ Tira, Trade Mark and Mashabela)
85 WILEY | From The Outside (Actress’s Generation 4 Constellation Mix)
84 MISSRED | Murder
83 YOUNG DRO | We In Da City
82 MC BIN LADEN | Os Mlk do Fox
81 NX ZERO | Meu Bem

80 MC CAROL | Não Foi Cabral (Leo Justi Remix)
79 ZOMBY & WILEY | Step 2001
78 HOLOCAOS | Entrementes
77 THIAGUINHO | Vou Voltar Pro Rolé
76 JIDENNA | Classic Man (with Roman GianArthur)
75 K CAMP | Comfortable
74 ERYKAH BADU | Hello (with André 3000)
73 EMICIDA | Mandume (com Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin)
72 BECKY G | Break a Sweat
71 LANA DEL REY | The Blackest Day

70 CHICO CORREA | Ktorze
69 BJÖRK | Notget (Lotic Keptsafe version)
68 METÁ METÁ | Sozinho
67 THE 1975 | Love Me
66 FUTURE | Fuck Up Some Commas
65 ROBIN THICKE | Morning Sun
64 VETKUK & MAHOOTA | Jova (with Cassper Nyovest, AB Crazy, Flabba & TBO Touch)
63 TOVE LO | Talking Body (Shift K3y Remix)
62 SHIFT K3Y | 2 Doors
61 MILA J | Freaknic (with Future)

60 MC TATI ZAQUI | Água Na Boca
59 PRINCE ROYCE | Back It Up (with Jennifer Lopez and Pitbull)
58 DRAKE & FUTURE | Jumpman (Uproot Andy Dembow Remix)
57 SEVYN STREETER | Don’t Kill The Fun (with Chris Brown)
56 RAQUEL KRUGEL | Voehrk
55 VALESCA POPOZUDA | Sou Dessas
54 JANELLE MONAE | Yoga (with Jidenna)
53 MC GUIMÊ | Queira Ou Não Queira
52. ÀTTØØXXÁ | Abre (com Omulu e Mauro Telefunksoul)
51 JESSY LANZA | You Never Show Your Love (with DJ Spinn)

50 DONMONIQUE | Pilates (Kendall, Kylie, Miley)
49 BRÍCIO SILVA | Trabalho e Problemas
48 SPICE | Back Bend
47 KISS DANIEL | Woju (with Davido and Tiwa Savage)
46 BOBBY BRACKINS | My Jam (with Zendaya and Jeremih)
45 LUKE JAMES | Bad News
44 JASON DERULO | Want To Want Me
43 HIGHER SELF | Ghosts (with Lauren Mason) (DJ Q Remix)
42 MC CEBEZINHO | Tô Concentrado
41 KAROL CONKA | Tombei (com Tropkillaz)

40 FINN | Keep Calling (DJ Q Remix)
39 DAVID GUETTA | Hey Mama (with Nicki Minaj, Afrojack e Bebe Rexha)
38 DAWN RICHARD | Dance
37 LUDMILLA | Morrer de Viver (Maffalda Bootleg Refix)
36 KING | The Greatest
35 MISSY ELLIOTT | WTF (with Pharrell Williams)
34 NICKY JAM & ENRIQUE IGLESIAS | El Pérdon
33 DJ RASHAD | Cuz I Know U Feel (with Gant-man)
32 DUDUZINHO | O Mundo É Nosso
31 SAIN | Mil Planos (com Luccas Carlos)

30 DBN NYTS | Shumaya (with Zinhle Ngidi and Trade Mark)
29 J CAPRI | Likkle
28 MAURO TELEFUNKSOUL | Ajéumba$$
27 CAM & CHINA | Nada
26 MARCOS & BELLUTTI | Aquele 1% (com Wesley Safadão)
25 LUCCAS CARLOS | Iazul
24 ADAM LAMBERT | Ghost Town
23 YG | Twist My Fingaz
22 DJ NIGGA FOXX | Apocalipsiii
21 ERIC PRYDZ | Opus (Four Tet Remix)

20 J BALVIN | Ginza
Alguns fatos curiosos: num especial do TVZ pro lançamento do clipe de ‘Bang’, Anitta me apresentou “Ginza” — e lá ela já falava sobre sua ambição de ter o mesmo domínio do mercado latino que o J Balvin tem no momento. E agora? ‘Bang’ e ‘Ginza’, tirando ‘El Pérdon’ que é um fenômeno mundial, são os dois virais latinos do ano. A ideia de uma parceria entre os dois parece que vai se concretizar. E tirando que eu fico satisfeito de ver Anitta e Balvin com um material muito bom meio “hood”, urban, serem a atual cara do mercado latino, Ginza é meio que um ressureição de ‘turista’ do reggaeton numa veia bem menos ortodoxa, mais melódica, as beats organicamente sensuais. Balvin chega a se comparar ao Drake por ser um colombiano judeu ‘salvando’ um dos gêneros mais populares de Porto Rico e, bem, mesmo sabendo que Drake não é lá um grande comparativo pra muita coisa, não deixo e concordar que o que ele vem fazendo em si é bastante importante.

19 TORY LANEZ | Say It
Lanez é de Toronto e “Say It” soa exatamente o oposto do tipo de R&Boring que se estabeleceu entre os seguidores/associados da OVO: não existe o exemplo do falso ‘bad guy’ aqui, tudo nela é uma forma de lidar com o defeito, a insegurança, etc. A voz do Lanez soa como um Babyface metalizado pros tempos de um Jeremih ou C Breezy, mesmo; não há nenhum vestígio de auto ironia nisso. numa onda incasável de revival dos anos 90 do r&b, vem um grau desse de honestidade num sample de Brownstone. Como acreditar.

18 HAILEE STEINFIELD | Love Myself
“I’m gonna put my body first / And love me so hard till it hurts”. Pra música de estréia de uma atriz teen como cantora pop, parece um troço absurdamente introspectivo. E…é. Adoro como a Hailee vende colagens de frases padrão de empoderamento como uma espécie de auto análise, algum treinamento sobre si mesmo. É, talvez, a letra sobre masturbação mais analítica que eu já ouvi.

17 KATY B x FLOATING POINTS x FOUR TET | Calm Down
Ainda tentando entender bem isso aqui, mas sei que, assim como em 2012 houve o Danger e especialmente “Aaliyah”, Katy B já deu o melhor presente de Natal que eu poderia ter em 2015. Pense no breakdance elaborado e muscular do Four Tet, pense na fusão de house e soul e dubstep e uk garage do Floating Points. Tudo parece muito a cara da Katy, né? E a junção dos três veio tão foda quanto parece no papel.

16 MALIIBU N HELENE | Figure 8
Ainda preso na ideia de que isso é o rnbass encontrando as Salt n Pepa. Ainda preso na ideia de que essa vibe bad bitch devia dominar o pop novamente. Ainda preso na ideia de que o Mustard não taria perdendo relevância se tivesse só colaborando com mulheres. Substituam H*tl*ne Bl*ng por essa pérola nas suas listas já.

15 DJ SPINN & DJ RASHAD | Dubby (with Danny Brown)
“Ion’t know bout where ya from but this is how my hood work” — é uma expressão que o Rashad costumava usar, mas também é um grito de voz das periferias de Chicago (do footwork, sendo preciso). curioso que aqui o Spinn recrutou o fuckin Danny Brown pra dizer apenas estas palavras, que soam mais como uma homenagem classuda, ‘fina’ ao seu bruh que esforço conjunto de 3 potências. Spinn e Rashad mesmo manejam tudo isso como um típico material progressivo de footwork, com toda aquela verve mais experimental pre-morte do Rashad (aquele quêzinho de drum n bass é show tho) mas é claro que todo o significado da coisa eleva a um status quase espiritual…

14 RICO DALASAM | Riquíssima
Um beat meio trap, mas trap tipo T.I. circa 2005, neologismos LGBT, muito neologismos LGBT. Coisas tipo ‘Eu sou provocativo igual Kylie Minogue’. É uma letra engraçada, forte, kitsch, dinâmica, funcional… Tudo aí nos mesmos versos. Parece uma maneira bem simpes de fazer rap, mas em terra onde o gênero é quase uma bolha e a revolução fake toma conta, essa sim é a verdadeira revolução.

13 OMULU | Vila Mimosa
Nós ainda nem saímos direito da discussão de cópias do Diplo ou soundcloudxploitation do funk, mas eu já tô mais fascinado em discutir sobre as especificidades do Omulu/Leo Justi/João Br/Maffalda/etc. Não que eu não concorde sobre a apropriação e a gritante carreira moldada como o do loirinho lá, mas eu perderia tanta vantagem se não fosse direto ao ponto pra falar do som bem interessante e incomum e inventivo que esses caras fazem. Eu gosto de ‘Vila Mimosa’ como uma síntese desse pensamento pq nela o Omulu tem uma noção tão bem definida de cada gênero que ele importa aqui mas a faixa só funciona como uma mutilação dos mesmos. É uma confusão que o cara lida super bem.

12 DEMI LOVATO | Cool For The Summer
Não tem muito o que explicar. Esse é o tal do pop perfeito. Cada verso aqui é um novo hook. Isso é a síntese do songcraft. Esses são os riffs de guitarra mais agressivos que eu ouvi em algum tempo. E Demi cantando “don’t be scared cuz i’m your body type” é ridicurlamente incrível, versos como “die for each other” mais ainda. Um pouco mais ridículo que incrível, mas enfim.

11 FETTY WAP | Trap Queen
Cara, eu amo sem igual a maioria dos hits do Fetty esse ano. Again, My Way, 679, RGF Island, Im Straight… ‘Trap Queen’ trouxe aquele impacto inicial e depois o moço provou que suas especificidades (principalmente: o YEAHHHHHH 173888) valiam tanto quanto nas suas demais faixas. Sim, seu disco é um GIGANTE exercício de estilo. O motivo de eu escolher ‘Trap Queen’ é puramente emocional. E com emocional eu digo as vezes em que eu a dancei numa pista e aquele momento parecia que havia uma crença fantástica na letra, e havia um lance todo mútuo ali… Como o Fetty Wap cria aqui, é uma faixa de rap ‘romântica’, mas não romantismo meio condescendente, ele visualiza nela exatamente essa cumplicidade (um biscoito por eu me identificar tanto com isso, por favor).

10 MC 2K | Sua Bunda Treme
Enquanto o Bin Laden flertou com outros estilos inusitados (até o EDM) nem sempre dando certo e o Brinquedo teve um súbito interesse mainstream pra logo ser sabotado pela idade, o cara da KL que realmente se destacou em 2015 pra mim é o 2k. E, claro, vem pelo primeiro disco – bom – dele que saiu por lá, mas esse outro release dele pela Detona é uma das peças mais fascinantes de funk que eu já ouvi. fica na cara que ele queria meio que um rip-off dessa veia mais abstrata do Bin Laden, mas a produção do André Mendes faz um trabalho nos loops que chega mais a um incômodo, algo bem Odd Future circa 2011, quase que oposto as beats cômicas do Bin Laden/Mano DJ.

9 T Q D | Day and Night
Flava D e DJ Q fazem o tipo de dance music que eu mais gosto na Inglaterra hoje: colagens, deep house, finluência vocal de R&B, UK funky + garage, etc. Nesse projeto paralelo que os dois montaram, lançaram essa faixa dupla (um ‘Day’ e um ‘Night’ mix) que é talvez a música de dança com mais efusão eufórica que eu ouvi esse ano. Eles tem uma exata noção estética de como isso deve funcionar nas pistas, mas seus truques são todos opostos a ela pra serem moldadas (…dentro delas!)

8 RIHANNA | Bitch Better Have My Money
Meu gênero preferido de qualquer disco da Rihanna é Rihanna doenst give a fuck abt u e eu adoro como cada gesto aqui é por regra uma imposição; assim, é tudo tão sobre poder, sem nenhum remorso. É a melhor faixa de gangsta rap do ano, sem dúvidas. E also meu(s) momento(s) preferido(s) de balada em 2015 é fazer lip sync dos fake-raps dessa música. Turn up to Rihanna while whole the fuckin club wasted.

7 SKEPTA | Shutdown
Como no vídeo, parece que tudo na faixa do Skepta visa criar um movimento — um como a imagem que sempre me vem a mente ao ouví-la: a icônica performance do Yeezy no BRIT desse ano, com participação fundamental do Skepz. Ele quer criar o rock arena do grime? Talvez. É só ele apertar o bass nervoso da produção e o hook simples e agressivo típico do grime, que a magia acontece.

6 CRAIG DAVID x BIG NARSTIE | When The Bassline Drops
Parece que Craig David está vivendo uma espécie de renascimento, um timing que todos tão ganhando (inclusive eu, tendo como atividade inútil preferida compará-lo ao Bieber). Se ano passado eram as formatações entre EDM e R&B via sua sonoridade acústica do início do século com ‘Cold’ e ‘Seduction’, esse ano ele foi ainda mais nostálgico nas beats de 2step em ‘When The Bassline Drops’ e é tão incrível como ele parece não querer ser exatamente autorreferencial com isso, mas sim revigorar de novo o que ele já fez. David tá com gás ainda pra competir com o Shift k3y ou Jacques Greene como um mar de colagens em tudo que ele aprendeu com a dance e a urban music britânica. um MC de grime vivendo na mesma bolha dos stans de soundcloud como Narstie, meio que ajuda a reiterar essas noções que ele pretende aqui.

5 PRINCEBOOM | Give Them (with Reekado Banks e Tekno)
Amo como o afropop nigeriano nos últimos anos vem feito músicas pop gigantes, com aparência e corpo de um hino pra arena mesmo. Johnny, Dorobucci, Tchelete, etc. Em 2015, mais um tantão de singles (que tão nessa lista) provam esse intenso apelo que esse povo tem. ‘Give Them’ não é um banger incomum: apropriação de hip hop, r&b, dancehall pra criação do tom indiossincrático do afropop. Mas há toda uma forma de arranjar seus elementos, o hook tão grandioso e as batidas que saltam como se fossem independentes em seu próprio ritmo e que ainda assim propagam um senso de autenticidade, unidade próprios pra voltar aos elementos mais fundamentais da estética do afropop.

4 JUSTIN BIEBER | Sorry
Eu sei que é um passatempo meio perverso, mas as narrativas do pop vez em quando me agradam – e muito. Nesse caso específico, era meio que divertido e assustador escutar algumas músicas do Bieber e da Selena no rádio, na tv, e perceber o quanto um falava sobre o outro… c’mon, era ‘Everytime’ e ‘Cry Me A River’ acontecendo de novo, bora aproveitar! E o que me animou ainda mais (tanto no Purpose como o Revival), especialmente em ‘Sorry’, é ver que a criação dessa experiência deles era transformado em algo universal. ‘Sorry’, na verdade, é uma carta de redenção mais ampla — como uma boa narrativa de música pop, ela é um hino que se manifesta no contexto que vc quiser encontrar, ela dialoga com, tipo, qualquer coisa? E essa produção clubbin, um dancehall via EDM do Skrillex (que antes do Jack Ü, é o que mais me faz respeitá-lo no momento) me faz lembrar pq eu sou tão fraco pra dance music mais emocional…

3 NEGO DO BOREL | Não Me Deixe Sozinho
Uma dos tópicos que eu mais gosto de manjar aqui é o funk, e um projeto que eu ainda farei (prometo) é escrever algo mais concreto #emdefesa do pop funk. O maldito. A diluição. O terror do gênero. Mas enquanto eu não desenvolvo isso melhor, lembro que o pop funk tá virando uma espécie de movimento independente, formulando uma estética própria (na revolução dos cds, p. ex., já é possível ver as semelhanças estilísticas entre todos os artistas — e é algo que só diz respeito a eles) e dentro dela, nós tivemos a ascenção dessas faixas mais melódicas, com um trabalho vocal meio soulful e a música dependendo dele pra funcionar. ‘Não Quero Mais‘ e ‘Mundo é Nosso‘ são incríveis, mas mais incrível ainda é ver o Nego do Borel se apropriando desse conceito mais muscular de melodia e voz pra fortalecer sua persona. O refrão de ‘Não Me Deixe Sozinho’ é provável ser o hook mais bem construído do ano, pq ele é pop em essência — ele fortalece a imagem do mc, ele é teatral, é irônico, mas há algo de muito legítimo justamente nessa veia melódica que a música apresenta. é como se ela entrasse realmente no território da estética latina da produção, e frente a toda essa teatralidade, a auto ironia, há um artifície bem sincera. Se o seu disco ‘Nego Resolve’ soou precipitado demais, ‘Não Me Deixe Sozinho’ ainda é a prova de que nesse âmbito, nesse nicho ele apenas encontra novas maneiras de ser excêntrico.

2 SRILLEX & DIPLO | Where Are Ü Now (with Justin Bieber)
O disco do Jack Ü saiu de surpresa a altura do fim do Carnaval, esse ano, ‘Where Are Ü Now’ que hoje parece um triunfo e que rendeu mais e mais colaboração entre Biebz x Diplo x Skrillex, áquela época parecia uma faixa curiosa, surpreendente e meio aterrorizante até. O que eu sei é que como o cd deles era basicamente pra EDM parties, Where Are Ü Now era a única música que fazia sentido pra mim naqueles dias. Os dias a esperar os primeiros grandes compromissos do ano, os dias cinzentos, frios, é bem a época em que as chuvas da tarde de Belém se transformam em chuvas do dia inteiro. E o que mais manteve Where Are Ü Now comigo em todo o resto do ano, como eu bem disse no meu texteco pro Purpose é que aí ocorria uma inversão da ideia da música: em vez de ser o cara romântico, Bieber é na verdade o cara desesperado, meio babaca, patético e etc. Esse é o modo mais real, ou vergonhoso, de se falar sobre #sentimentos pra ele, agora. Vamos acompanhar.

1 WESLEY SAFADÃO | Veja Só No Que Deu (Omulu Remix)
O momento do show do Omulu no Café com Arte em que ele tocou esse remix foi tão catártico e absurdo e foda e emocionante. O momento em que ele parava todo set e cada ser humano que tava ali gritava “vai safadão!”, “que a culpa não foi minha” though. Não quero me estender mais por já ter escrito sobre isso, especificamente sobre ter tido o prazer de conversar com o Omulu e partilhar nossa admiração pelo Wesley, e já tendo falado aqui nessa lista mesmo sobre o que me fascina tanto nele como um grande produtor. Mas para além de tanto impacto, esse remix, que aparentemente era só uma encomenda da Skol pro Dia de São João, é uma epopeia rítmica; uma redefinição de todo o conceito de colagens que ele mesmo faz, a medida em que conserva toda explosão melódica que qualquer hit do Wesley o é, há uma textura cheia de camadas de synths que simulam aquele sentimento mais íntimo, regional do forró, mas com o mesmo compromisso estético do EDM, de que é uma experiência mecânica e artificial. Como explicar?

9 comentários em “2015: melhores faixas”

  1. Que lista! Cheia de coisas boas pra descobrir (no meu caso foi Hailee, que: que música e Maliibu N Helene por motivos de: vibes e tal).
    Achei que era única viciada nas pegadas do novo black music (tipo Fetty Wap), mas não sou! Senti falta de Drake com mais destaque porque acho mesmo que esse ano foi dele e de Kendrick Lamar, puta artista e puta produtor!

    1. não espere mta coisa do drake em qqr lista minha ;_: hahahah. mas o kendrick é presença confirmada na de cds, e bem lá em cima, com ctz!
      e que bom q mais alguem se interessa pelas maliibu n helene, tão triste q ‘figure 8’ n fez barulho algum :(

  2. Não sei se tu não queria mencionar o abandono da critica que passaste, mas reparando agora… esse ano teus textos ficaram cada vez mais pessoais. Eu não sei se isso desagrada muita gente, pode parecer um exercício egoísta né, mas eu curto muito. Parece uma maneira escapista mas muito produtiva de se falar sobre as coisas

    1. ‘exercício egoísta’ HUAHAUAHAU não sei se isso não era pr’eu me desesperar, mas eu meio que concordo ctg. tem coisas que eu passei a escrever aqui esse ano que só quem já me atura há mais tempos por aqui ou se identifica minimamente com meus gostos vai ter paciência pra ler… mas eu tenho plena consciência disso; eu não me identifico mais com ‘crítica’ ou fazer parte de staff e 90% se deve pq meus comentários são mais ligados a experiência, o afeto e o que influencia em mim daquele objeto q eu analiso.

      1. Sim, e é isso que me faz achar teus comentários cada vez mais interessantes. Tu tá no caminho certo, tá tudo muito divertido e autêntico ;)

^-^

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