Uma semana longa, grande, maior: a semana do Se Rasgum e da Karol Conka

20151118_234658 (2) 20151121_025234 (2) 20151121_003802 (2) 20151122_025802 (2)Última semana foi GRANDE, única e inesquecível. Calo no pé e ressaca rendem até agora. Realização de ver, principalmente, dois artistas que eu sonho há muitos anos em ver um show. Único pró foi não ter conseguido rever a Dona Onete na sexta (já que, devido aos atrasos, de último hora colocaram ela em outro palco; e eu, claro, na grade esperando o Mac Demarco nem pude ir dar uma espiadinha lá). Eis os highlights e algumas coisinhas random que certamente pra mim também tiveram uma importância imensurável. (desculpem pelas fotos ruins, tudo feito por mim mesmo.)

Carimbó Pirata @ Estação das Docas, 18/11/15
Eu só não digo que foi uma grande surpresa porque vários amigos já faziam mó farofa pra eles, mas ainda assim, incrível como quase tudo é funcional dentro do contexto nada ‘ortodoxo’ de mistura que eles fazem. Vários elementos, na verdade, mais parecem se incorporar ao carimbó do que meras apropriações. Única coisa que deu (muito) errado no show da Keila, da Gang do Eletro, cantando “Smells Like Teen Spirit” (!), não a toa que foi totalmente reprovado por geral e não se encaixa nada nas características que destacaram os caras do Carimbó ali.

Bixiga 70 @ Estação das Docas, 18/11/15
O Bixiga é mais ou menos aquele tipo de banda que vc não vê grandes saltos em relação a premissa do seu próprio material; eles são aquilo que vc leu sobre eles e tal. Nenhum erro aí, embora isso traga uma carga tão maior quando tem ninguém menos que Elza Soares flutuando sobre a produção deles, mas ao vivo… eles cresceram TANTO na minha percepção que agora eu tou viciado no disco deles desse ano com uma leitura bem diferente. O show desses moços paece um grande diálogo, uma sintonia combinada nas divisões dos integrantes, no que cada um desempenha e etc. Ali mais parece a união de várias personas, cada um com seu devido brilho, e a intensidade de cada batucada — para uma banda instrumental essas características parecem ser tão importantes & difíceis, e os caras botaram moral na maior tranquilidade. Como bem eu gritei meio porre pruns amigos quando acabou: “Eles são a Turma do Pagode do afrobeat”.

Ana Clara @ Hangar, 20/11/15
O baixista com a blusa de Twin Peaks fez um bom trabalho, mas a Ana Clara mesmo, coitada, super desengonçada e 0 presença de palco. As músicas dela não ajudam, tho.

Cabaret @ Hangar, 20/11/15
Alguns clichês horríveis de show de rock: vocalista com voz horrível ou não-voz; vocalista fazendo piadinhas infames que só gente muito parecida com ele riria; vocalista fazendo alguma imbecilidade tendo em mente que é transgressão; vocalista se jogando no público ao final do show. Essa banda, obviamente, faz todos eles soarem, tipo, umas 10 vezes piores.

Mac Demarco @ Hangar, 20/11/15
Voltando uns 2 anos atrás, Mac me parecia uma das poucas coisas ainda animadoras no universo do ‘indie rock’ (que hoje nem o que ele anda fazendo seja lá tão proveitoso assim, já é outra história) e o seu show no Se Rasgum em comparação com algumas bandas que eu vi por lá do mesmo nicho, mostrou bem o porquê. Muitas gentes pisoteando, muitos se apoiando no meu ombro, algumas pegadas de bunda e o recorde de snaps num dia já devem dizer alguma coisa. E olha que no papel parece só mais um show competente: ele é calculadamente irreverente e engraçado, sabe o que é timing e o repertório até que foi bem enxuto — considerando que há muita coisa que me desagrada dos seus últimos 2 projetos. Mas o que aconteceu lá naquelas quase 2 horas no Hangar foi sim bem mais forte do que aparenta. Da interação expansiva do Mac e da sua banda (cada um, uma figura a parte) a catarse que era estar no público e cantar — errado, muitas vezes — cada verso das músicas e até simular em coro o solo de guitarra inesquecível de “Ode to Viceroy”, ele me pareceu, naquele instante definir o que é um grande show; a imaginar e te deixar ver o tal do artista como alguém que tu tá conversando numa mesa de bar, mesmo. MESMO.

Céu @ Hangar, 20/11/15
Algo bem inesperado foi ver a Céu sendo headliner num dia do Se Rasgum em que tinha o Mac Demarco (!), e vendo e amando o show, a sensação meio que se intensificou: o gás do show e o êxtase do público já não eram os mesmos (pra não falar das 4 migas que tavam comigo lá na grade e foram embora assim que o Mac saiu). Mas não que isso fizesse necessariamente mal a interação do show, pelo contrário, esse estilo quiet storm minimalista dela pedia algo mais tranquilo, uma catarse menos densa mesmo. A Céu mesmo dominou o palco do jeito que eu esperava, e ela tem tanto esse jeito peculiarmente sexy e a voz não tão forte, mas perfeita pras próprias especificidades que era o que o show pedia, no fim das contas. Detalhe que, de todos os artistas de fora que eu vi nessa longa semana, Céu era a que mais tava on point com a nossa cultura (a versão carimbó de “Cangote” ficou incrível, por falar) e buscava sempre acrescentar isso ao astral do show.

Karol Conka @ Açaí Biruta, 21/11/15
Karol vira pra nós antes de começar “Bate a Poeira” e lembra de quando era criança em Curitiba e se sentia como a diferentona, um ser exótico de circo em meio a uma mesmice branca & magra & hetero comparando com o local e o público pro qual ela faz shows agora: Karol disse que sente orgulho de estar ali entre tantas pessoas diferentes, fora do padrão e se sentia representada em cada um de nós. (E quando, pra encerrar, no fim de “Tombei” ela ficou repetindo acapella num coro “Enquanto AS MAMACITAS FALAM, vagabundo senta”?) Karol vira pra nós antes de começar “Que Delícia” e fala que nunca viu um homem que chupasse buceta direito, que sexo anal é superestimado e coisas do tipo depois de lembrar quando recentemente tava num bar falando sobre sexo com as amigas e um homem começou a chamá-las de putas. Logo no início do show, Karol disse que o Pará ficava no Nordeste e, claro, um coro nas 3 próximas músicas de “NORTE!” fez com que ela se desculpasse e batesse o coro junto; foi lindo, foi forte.

Claro que tudo isso são pequenos detalhes do show só, mas como eu amo tudo sobre ele e ainda não sei expressar exatamente o que foi cada vez em que a Karol podia cantar, dançar, fazer rap, pegar nos peito e ajudar nas beats do DJ ou especialmente o momento estarrecedor de “Caxambú” (única hora do show em que eu não tirei um único snap), sim, eles serão bastante necessários. Eu amo o mini-baile funk que teve depois do show though. Não é nem que eu vá dizer que a Karol domine tudo ali, ela PASSA uma sensação de poder, uma auto-capacitação que ultrapassa todos os limites da estética da música que ela faz; Karol é a definição de boss ass bitch e o que ela fazia ali no Biruta, tornava cada um de nós que estava ali um/a boss ass bitch também.

Um comentário em “Uma semana longa, grande, maior: a semana do Se Rasgum e da Karol Conka”

  1. O show da Karol tá bombando de textão até agora por causa do “nordeste”, haha. E amigo, por mim eu até ficaria pra Céu, mas a Dani e a Tay reclamaram demais. Sorry.

^-^

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