knock knock é a comédia (involuntária ou não) do ano

comecei a ver esse filme numa hora bem ruim, sem saber muito sobre (nada mais que era um filme do eli roth com keanu reeves que provavelmente teria algo a ver com um terror) e, rapaz, o que eu encontrei foi uma das sessões em casa mais insanas que eu poderia ter. sei que isso é um clichê, mas suas falsas intenções iniciais me instigavam tanto — toda a primeira meia hora sobre uma família modelo americana, branca e rica era nada além de chata porque, sim, era pra ser; mas o roth te provoca a todo instante a pensar no que vai partir dali.

quando o jogo começa de fato, parece até que eu tou diante de uma autoironia: eli roth faz um filme sobre um cara normal de meia idade aterrorizado por duas novinhas?!, parece com algo que um dia eu sonhei sabendo que ficaria só no sonho mesmo. e eu já teria amado tudo isso só por essa subversão de conceitos (garotas jovens, aparência de indefesa como as loucas psicopatas), mas a forma como ele segue misturando comédia, melodrama a uma narrativa quase de filme pornô é deliciosamente inconsequente. e sim, vá com consciência de que o filme tem vários erros grotescos — voluntários ou não — como uma estética sempre torta e sempre tão off com algum sentido dos gêneros que o roth tá flertando. os primeiros 10 ou 15 min por exemplo, poderiam ser facilmente confundidos com alguma peça publicitária.

eu vi um monte de gente dizer que lembra muito funny games do haneke, e em estrutura é algo a se destacar, mas comparação substancial de verdade que me vem a cabeça é com gone girl: ambos são autênticas comédias sobre a hipocrisia do americano médio, suas piores ações levando a consequências no mínimo bizarras — e o melhor, sem nenhuma amarra moral com relação a isso. o curioso disso é o que mais me chama atenção no personagem do keanu reeves (gênio) é que ele tá sempre em busca de ser o cara cool, a frente da média dos caras da sua idade, mas toda ação de knock knock se desenrola em quando ele se conecta a um clichê ambulante desse tipo de homem a que ele se julga tão distante. e o próprio horror em todo o jogo a que as garotas submetem reeves, sim, tem muito a ver com a frustração que é pra ele encarar que é só mais um — a maneira vibrante a qual ele se relaciona com seu passado de dj depois vira uma ‘arma’ essencial das garotas pra destruir seu presente.

o que resta a ele quando não há mais como ir de contra a essa realidade aterrorizante de ser um típico homem de meia idade? apelar pra que as garotas lembrem que reeves é um bom homem, que paga as suas contas e ama sua esposa e seus filhos. fixed.

^-^

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