Unfriended e a interação entre as formas

O nome original desse post era “o filme em que eu sempre sonhei em fazer”, que continua sendo bastante elucidativo mas não responde bem a tudo que eu quero com isso. quer dizer, eu gosto de basicamente tudo em unfriended; eu gosto do desktop como seu espaço complexo, eu gosto do fornecimento de tensão com o iTunes abrindo, gosto do quão aterrorizante é cada vez que o skype trava, etc etc. mas o que eu quero dizer quando escrevo “o filme que eu sempre sonhei em fazer” eu quero falar da sua forma, das suas possibilidades. uma ideia generalizada. eu simplesmente quero lembrar que esse é um filme classicista, um rework de qualquer slasher que eu já vi umas cem vezes; o modo como ele está atrás dum skype, ou melhor do desktop, para formular a sua própria maneira de fazer esse gênero é um dos seus grandes apelos, mas como ele obedece cada uma de suas normas clássicas é o maior deles.

É muito um filme pra “nova era” mas sobre disciplina também, nesse caso. e é incrível todo o uso que ele faz do facebook ou/e youtube como um ponto de construção emocional dos personagens — mesmo porque, o skype jamais cumpriria essa função inteiramente — e quando o velho skype ele entra num jogo nem sempre explícito, sabendo manejar cada movimento — até seus problemas de conexões, uma aba de fora são elementos de suspense em unfriended — e vender tudo isso de uma forma bem orgânica.

A despeito desse último, eu estava assistindo a algum episódio de scream queens — pra ficarmos em outro momento da cultura pop que explora bem o que é um slasher em 2015 — esses dias e já ali eu comecei a entender como se apropriar de redes sociais pra dar parte do senso da sua forma vem mais que um elemento gratuito: post no twitter antes da morte/post no instagram depois da morte. elementos potencialmente fortes tanto cômicos quanto de grafismo. Quando eu falo de sonhar em fazer algo assim, eu falo dessa conexão (sem trocadilhos) entre essa forma que é tão tradicional, mas com um público que é sedento por informação, coisas novas (os teens) e a maneira que cada criativa que cada produto, como unfriended, encontra pra se adaptar a isto.

Um comentário em “Unfriended e a interação entre as formas”

  1. Quero muito assistir.
    Comecei ‘Scream’ e tive uma sensação parecida (acho que especialmente por ser um remake de um clássico, adaptado a era ‘digital’).
    Adorei o texto!

^-^

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