algumas lições que se aprende ao conhecer o omulu

wesley safadão, “veja só no que deu (omulu remix)”

o último sábado eu passei por alguns dos melhores momentos da minha vida. eu reencontrei inesperadamente alguns amigos, alguns amigos de ensino fundamental inclusive, me borrei todo com tinta neon, dancei “bitch better have my money” cerca de 5 vezes enquanto passava o show da rihanna no rock in rio que eu não vi naquele dia e ainda convenci a dj a tocar a versão da nicki minaj de “boss ass bitch”, e tava lá feliz no café com algumas das pessoas que eu mais gosto no mundo. mas por alguma razão, o pico da noite foi além disso — aliás, mais do que o pico. eu falo um dos melhores momentos da minha vida como nerd de música, mesmo. eu estava aguardando o “show” do omulu quase como um directioner, swiftie (ou: eu não sei se existe nome pra stan dele) e era estranho parecer tão sozinho quanto a isso: meus amigos me viam falando sobre ele, sobre o que ele faz com muita indiferença e os comentários mais positivos eram na linha de “é só um dj”, “opera as músicas”, “vai ter remixes?”, etc.

nada de novo sob o sol. mesmo que isso seja incrivelmente arcaico, eu já tou acostumado a ter uma visão, um gosto bem diferente da maioria das pessoas que eu conheço mesmo. não bastasse isso, tinha um impasse já anterior ao show entre um ou outro conhecido que eu chamava; era possibilidade de ver um ‘baile funk’, já que esse era o tipo de música cartão de visita do omulu. mas esse papo nem vale a pena ir mais a fundo. onde eu quero chegar com tudo isso, mais ou menos, é que com todas essas situações duas coisas foram mais do que relevantes pra, como sempre, me deixar confiante sobre aquilo que acredito e ainda poder testemunhar que é uma visão compartilhada entre tanta gente – e mais: tanta gente legal.

a primeira delas, obviamente foi o próprio show do omulu. que, sim, em algum nível se assemelha a um baile funk. mas isso é porque seu show parece uma fusão de qualquer evento popular; não falando apenas pelo set, que tem de mc carol a wesley safadão ou de david guetta a rae sremmurd, é algo que vem também muito pela energia do artista e a interação com que funciona seu espetáculo — nesse sentido, vamos dizer, que eu e a outra parte do público que dançava e pulava muito, gritou o “VAI SAFADÃO” e etc. também são uma parte criativa importante de tudo aquilo. essas pessoas estavam lá, naquele momento, tendo a exata noção da funcionalidade dessas músicas e conforme o show avançava atraía mais e mais gente das pistas ao lado.

e o que me fez apreciar tanto o omulu desde seu remix de “boa noite” do tropkillaz (que tá inclusive na minha lista de trax de 2014) foi o que eu mais vi ali naquela noite: sua compreensão absurda desses estilos (ok, pense em vertentes do rap, no funk, no uk bass, no tecno melody, no EDM, ufa…). ele tem uma ambição estlística forte e definida flutuando sobre todos eles, e impressiona o detalhismo de como ele o faz. ou melhor, os descontrói. no set do omulu mc carol não é funk, wesley safadão não é forró, david guetta não é EDM. sua ‘mistura’ não existe no simples ato de misturar, ele quer é incomodar, desdobrar o formato da faixa em até 3-4 novas possibilidades (e em seguida, ironicamente ou não, eu sempre gosto muito de ouvir algum novo remix ao gênero em que a música anterior pertencia). seu excelente ep do início do ano já mostrava essa exploração de limites, de flertes em uma estética forte, que preza por essa ‘brasilidade’ nas suas temáticas/sons que eu reclamo as vezes por aqui dessa forma bem subsersiva.

a outra situação foi a minha conversa propriamente dita com omulu. sim, ela existiu e teve direio a mesa de bar, selfies e skol beats, inclusive! foi uma oportunidade imensa debater com ele e a mulher dele (os dois super simpáticos) sobre assuntos que parecem quase rotineiros pra mim, que ás vezes parecem que são só pra mim mesmo. (mal sabe ele que eu também sou uma especie de dj e produtor frustrado…) naquela hora eu lembrei das vezes em que eu falei sobre funk aqui, em comentários assumidamente pessoais, onde tentava dissecar a personalidade dos mcs, do fluxo do funk sp x rj, das mudanças sonoras e comportamentais do gênero e etc. — tudo isso que o omulu TAMBÉM falou comigo e eu sinto e relembro: a nossa blogosfera precisa dar atenção, parar de resumir o funk ao funk™, o ritmo das favelas que vale uma conferida™ e se interessar mais pelas suas diferentes estéticas, vertentes e personas.

havia um monte de coisas tangencialmente relacionadas ali que também me fazia bem falar sobre — a popularidade da rasteirinha e o que esse novo hit da tati zaqui tá fazendo pelo gênero, nosso mc preferido do momento: delano, nosso cara preferido do momento: wesley safadão obv, o novo ep do leo justi, a relação do funk com o afrobeat e ás origens do tamborzão ligada aos terreiros… gawd. é tanta coisa. foi o tipo de conversa que além de tudo me ajuda a continuar a escrever sobre isso aqui e ainda cresceu minha visão sobre o próprio omulu — que se um dia pareceu só mais um na turma dos produtores br que imitam o diplo, hoje é o melhor aliénigena no nosso neopop.

8 comentários em “algumas lições que se aprende ao conhecer o omulu”

  1. Ah, e o show foi não menos que foda mesmo. Cada vez que me vem aquela visão de todo mundo se acabando de tanto pular, puta que pariu x_x

^-^

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