ts2: emicida, mustard, abra, mac demarco, future, tink, etc.

post preguiçoso mode. da última vez foi com a desculpa de muitas ideias + pouco tempo, mas dessa vez com muito tempo e mais caos que alguma ideia. algumas prioridades sendo refeitas, mudanças que ninguém esperava etc. e eu tenho um snapchat agora! (se alguém quiser ver algum lip sync de cool for the summer, favor me adicionar > lt.castro) mas aqui está uma lista de 10 releases recentes que acredito valer uma leitura em cápsula. focando em coisa bem recente e que, talvez, mereça uma maior apreciação, também.

abra – rose
altamente recomendável pra quem curte o primeiro disco da jessy lanza, aqui há as mesmas tendências disco/boogie nos tons mais sensuais possíveis (cortesia da voz da abra; ela é daquele tipo de soulful que exala sensualidade em tudo que toca, sabe?). fora que a falta de orçamento aqui (o disco foi lançado no soundcloud, pra ter uma ideia) faz bem as batidas cruas e secas com a voz dela; não chega a ser essa espécie de lo-fi r&b que tu deve estar imaginando, mas cada movimento aqui é sentido. como o uso espetacular tão calculado do piano numa música meio house e etc.

adam lambert – the original high
projeto meio EDM com 2 pés no house do house anos 90, meio dark-r&b introspectivo, sobre típicas experiências gays… essa até parece a descrição do disco do years & years, mas representa bem também esse do adam lambert, que also é um dos releases pop mais interessantes que eu ouvi esse ano. curioso da forma como o timing, as escolhas, etc. o subestimam em tantos níveis: exemplo do max martin, que ganha tantos elogios agora fazendo essa espécie de throwback anos 80 do synth funk de taylor swift a the weeknd por ellie goulding e mais recentemente, com robin thicke, mas um banger house-pop como “ghost town” (primeiro single do disco e seu melhor momento, mesmo) recebeu tão pouca atenção. triste também porque ghost town é melhor que todas essas outras tbh.

ashley monroe – the blade
talvez o disco mais forte de country que ouvi nos últimos anos (não foram tantos, ok, mas as melhores tentativas possíveis). o que é curioso vindo de uma integrante do pistol annies, grupo que segue os mesmos moldes, mas que sempre me vem aquela fragilidade mortal em suas críticas. mas a ashley no ‘the blade’ me mostra um lado mais orgânico, mais vivo nesse discurso — num sentido literal até, escolhendo algo como “on to something good” pra abrir o disco, uma ode a renovação, e terminando quase no mesmo modo, mas sem deixar qualquer ideia de que ela não encheu o disco que espaços, sujeitos etc. basicamente, ela aprimora a narrativa com outros temas, mas o songwriting sempre está nesse mesmo piloto onde tudo se encaixa bem, na vivacidade daquelas situações.

bilal – another life
tanto cuidado com cada movimento, espaço, na voz, etc. algo tão específico do bilal que faz de seus projetos minimamente interessantes em si. confesso que a ideia de um disco inteiro produzido pelo adrian younge não é lá muito animadora (suas parcerias com o ghostface SMH), mas o bilal até o controla bem — há um uso perigoso de percussão aqui que, basicamente, se converte pra uma sonoridade mais orgânica, nas harmonias e na própria voz dele.

dj mustard – 10 summers: the mixtape vol. 1
nenhuma surpresa que houve uma certa backlash com o mustard a altura dessa mixtape, aliás com ratchet rap & rnbass fundidos no geral. e, er, podemos dizer que o único defeito dele agora mesmo é não ser mais zeigest-y? porque, a despeito da falta do seu melhor parceiro (YG, que fugiu de toda esse mau falatório em grande estilo), a produção continua fina como sempre — e também, fica óbvio que a intenção é só dar uma continuidade no estilo, como o 10 summers-disco foi, nada de essencialmente novo. justine skye soa bem como sua nova musa, uma espécie de sub-tinashe que também age bem correta como um contraponto. dá pra baixar lá no datpiff.

donmonique – thirst trap
donmonique tinha me chamado a atenção no início do ano com “pilates” — ainda, um dos melhores raps do ano — e agora ela lançou esse seu primeiro (e superb) release que meio que dá continuidade a mesma estética intrincada. imagine o flow seco de, sei lá, uma lil kim e algumas batidas gélidas queridas pelos rappers ~backpackers de hoje. não é uma combinação lá muito boa no papel, mas com a dom se aproxima de um fragmento duma festa obscura/misteriosa. tem stream no soundcloud dela, ouve lá.

emicida – sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa
emicida sempre foi um bom rapper – se precisar, cheque o EMICÍDO qualquer hora – o que aconteceu em seu primeiro primeiro disco por gravadora era o mais óbvio dado popularidade e empenho de fazer dele um símbolo social ou do rap (ou idk, sinto que aqui no br é como se tudo se confundisse): ele estava lá completamente perdido, total refém do próprio status, passeando por mil sonoridades sem se dar conta que aquilo descrevia uma boa thinkpiece da vice ou carta capital, mas sempre tão pueril enquanto música. em suma, por esses motivos que fizeram o racionais ficar 12 anos sem lançar disco, já dizia o mano brown ano passado.

o novo disco do emicida é um respiro e tanto, por isso. mas não; ele não irá afetar 1 cm do seu status, não faz dele lá muito diferente do seu anterior — esse apreço pelas TANTAS sonoridades como se isso definisse a sua “brasilidade” continua sendo o maior de seus defeitos — e, sim, é problemático da primeira á última linha. mas ele está mais esclarecido e é sonoramente muito mais agradável (as aspirações a música africana são sutis mas sempre fortes). além de dialogar com seu status nem ser uma tarefa tão ruim assim, pelo contrário, isso lhe dá impulso á realizar épicos instantâneos como “mãe”, “boa esperança” e “mandume”; e trás TANTA confiança em seus momentos mais furiosos que alguns críticos provavelmente já devem estar falando que são chupados do d*ath gr*ps e que eu vejo mais num vince staples-mode de comentário social espertinho que intercala ironia/sobriedade/popularesco a fazer cada faixa exatamente nas funções que lhe são propostas.

future – dirty sprite 2
eu gosto do jeito que esse disco começa com um “i just fucked your bitch in some gucci flip flops”. eu gosto da rima também, mas essa frase em si, na abertura do disco pós-paternidade pós-ciara do future é bastante especial. e a coisa toda funciona tão bem, em grande parte porque é sobre ser um cara bem idiota e lidar com isso, em outra parte o motivo é: metro boomin. eu sei que grande parte aqui é puro marketing recuperando a imagem do rapper (em “honest” tudo que ele não era é, hum, honesto), mas ele se sai bem e muito mais confiante assim. outra parte dessa estratégia que eu caio com gosto: a inclusão dos bangers das mixtapes recentes dele. principalmente “commas” obv.

mac demarco – another one
acho que eu tou perdendo o ponto em que demarco é um bom songwriter. em tese: apenas um mini-disco fácil, mantendo tudo o que ele firmou (que sejamos sinceros, já tava cansando no anterior). o que eu ouço: a ambição se foi; ficou a capa do seu estilo, mas seus detalhes, especificidades sobre os objetos, espaços, pessoas, etc. tá chegando numa sensibilidade de rinoceronte.

tink – winter’s diary 3
bastante surpreso que essa mixtape não é o desastre que eu esperava ser (sendo sempre tão objetivo quanto a tink: boa rapper/péssima cantora — dado que aqui HÁ 0 RAP). tink realmente tem muito menos força dentro da persona que ela imagina ter, mas algumas faixas aqui são bastante envolventes e me fazem crer que ela quer um futuro mais como uma kehlani que como uma azealia banks (seu songwriting não chega a ser tão forte, mas a moça tem seus truques). fora que, a última faixa “the afterparty”, é um corte a la haim ou taylor swift que eu ainda não consigo acreditar que ela tenha feito e que, hmm, seja tão boa. essa solução certamente é melhor que o projeto necrófilo vergonhoso de reboot da aaliyah que o timbaland está tentando emplacar nas suas incursões mainstream. download no datpiff.

3 comentários em “ts2: emicida, mustard, abra, mac demarco, future, tink, etc.”

  1. amiga, primeiro eu vejo que a senhora fez snapchat, depois eu desço a barrinha esperando encontrar vc detonando a carly rae jepsen e emicida e n encontro… parabéns

^-^

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