sing-alongs

Years & Years, “Shine”

esses dias peguei no tédio um filme na tv bem ruim, mas ruim mesmo, chamado ‘se eu ficar’; era mais uma daquelas embalagens indie sempre com a receita esquemática pruma situação teoricamente complexa. a estória tinha um que de ‘e se fosse verdade…’ mas ia em direção irregular a cada insistida no seu subtexto de música (as diferenças entre o casal principal? um curte indie rock, a outra música clássica, claro) provável pra preencher o vazio daquilo que ele só me deixa claro que poderia ser, mas sem o mínimo de coragem: um romance. um melodrama.

Nessa ideia, só uma cena em específico me chamava a atenção: era o plano do casal saindo dum restaurante, e se beijando ao lado do logo do local. eu não tenho duvidas de que se eu pensasse dentro do contexto do que tava vendo, essa cena seria uma espécie de panfleto, um cartão postal que deixaria tudo na sua devida (medíocre) forma, mas do jeito que eu sou e o meu jeito torto de compreender certos gêneros me fez acreditar que aquele plano dizia exatamente onde o filme poderia ir, ser etc. sim, eu senti que aquilo representava a juventude e o amor nela, dentro do melodrama, por um ou dois segundos.

Essa relação da forma fetichista x o que realmente é (ou poderia ser) se aproxima muito da que eu desenvolvi com years & years — não que no fim das contas eles sejam uma tentativa frustrada como esse filme, mas sim que houve uma enorme desconstrução de elementos até você ficar próximo do som deles, sem recorrer aos típicos arquétipos.

Veja: eu assisto o clipe de “king” desde o início do ano na mtv e a minha reação era sempre ‘caras, 2014 já acabou e esse deep house-pop tá datado’, sem perceber que em pouco tempo eu já via a faixa muito mais longe. como um grito romântico gay bem autêntico, típico de arena (há algo de muito forte na performance do vocal, o olly, aqui, para além do hook que pede pra você dublar com umas 30 pessoas junto). e este mês mesmo, a cada festa que eu ia, o que sempre ficava na minha mente era que “king” e “shine” eram as melhores músicas de qualquer evento; as que mais me animavam e aos que estavam a minha volta. parecia sintetizar algo de bom daquele momento.

E o apelo básico deles continuava em parecer aquela banda popular de blog, tastemaker etc. as opções sonoras do disco também não saem da zona onde eles são perfeitamente credíveis nesse mercado (o house pop e o alt r&b), mas de outro lado há a forma absurda como eles arranjam isso; nos synths delirantes, na voz expressiva e incomum do olly, o songwriting sempre muito no lugar. enfim, como li o tim finney dizendo, eles conseguem a proeza de serem generosos onde a maioria pareceria cínica. e não tem como fugir que o maior catalisador, nesse sentido, são seus hooks, sempre tão fortes e imediatistas.

é por eles que eu consigo ver no years & years uma estética quase de boyband. é tudo tão óbvio, easy listening, você ouve e sente a leveza de cada elemento, das levadas melódicas etc. mas tanto faz, acho que o years & years se explica mais como um prazer indecente mesmo, algo a ser desmistificado e compreendido bem além da ‘capa’, mas que sempre faz mais sentido dentro de um karaokê.

2 comentários em “sing-alongs”

  1. Sou completamente viciada pelo Years & Years.
    Nem me lembro quando ouvi a primeira vez, mas desde então, me interessei pela discografia completa deles.. Achei sua descrição justa, mas acrescentaria que, a qualidade musical é muito superior a de bandas do mesmo estilo, além disso, não se deixaram levar pela zona de conforto diante do sucesso de ‘king’.
    Beijos

^-^

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