sobre orange is the new black: algumas ideias dispersas, mais spoilers

apenas umas impressões vagas dessa terceira temporada de orange is the new black. faz séculos que eu não falo de qualquer série aqui (e bom nesse caminho, eu viciei num bocado delas e depois as esqueci, mad men acabou etc), então escolher falar por tópicos me pareceu melhor pra uma visão meio que de turista. e a ajuda também na minha relação com a série, que sim, ás vezes se confunde com uma relação de fã.

• o que eu mais gosto (de gostar) em orange is the new black é o modo nada funcional com que se pensa a relação espectador-personagem. claro, basicamente depende do quanto você cria empatia por aquelas mulheres. mas não é um caminho fácil. e ninguém tenta esconder isso. um exemplo ao longo dessa temporada era aleida, que havia essa opção por humanizá-la dentro da relação com a filha (daya) — muito mais do que em qualquer outra situação da série — e simultaneamente, também era aquela ignorante espalhando insultos transfóbicos pra sophia.

• um exemplo ainda mais forte: dogett (que também diria respeito há um outro tópico), ainda como o arquétipo da religiosa alienada, era agora uma vítima de estupro ocasional. basicamente uma narrativa que se sustentava em dois momentos específicos e dos mais especiais da temporada: um era sua amizade improvável com a boo, as duas formavam uma espécie de sátira feminina de um buddy-movie, com conversas e ações estúpidas que sempre miravam na misandria; a outra já eram suas cenas, de fato, de estupro e o olhar frígido da tary manning, como uma sensação de quem acredita merecer aquilo. forte.

• essa foi a temporada mais divertida das 3, e isso em nada tem a ver com o plot datado da tal empresa de calcinhas sujas da piper (ffs, cada vez que vinham algum desses momentos eu só conseguia pensar que era algo que os farrely bros fariam nos anos 90 — e muito melhor). mas orange sempre teve um apelo voltado pro ridículo — ainda mais pruma série que se orgulhe tanto do seu humanismo, fazer esses dois lados funcionarem juntos sem parecer um mumblecore não é fácil. um grupo de mulheres decidindo aleartoriamente cultuar norma e crazy eyes como uma escritora de contos eróticos alieníginas foi demais tho.

• também: eu já falei que a piper não pestou pra nada além de uma chupada na alex, essa temporada??? aliás, a própria alex teve um plot horrível e mal resolvido também. de alguma forma, eu não tiro da cabeça que a queda de ambas as personagens esteja ligada ao relacionamento frio que elas tiveram. eu sei que é um pouco cruel pensar assim dado o ideal da série, mas áquele ar mítico e inatingível anterior que elas tinham ajudava e muito.

• eu gosto de como a série sempre inicia seu foco numa visão bem típica de cada personagem e o que ela está representando, para depois reconstruir as personalidades e impor alguma complexidade as tais. nas duas primeiras temporadas, uma reclamação frequente eram chang e a soso, as duas asiáticas — elas não eram exploradas, e nós ficávamos sempre naquela visão superficial e *exótica* delas. as duas ganharam alguma desenvolvimento na terceira, mas o que acontece é: 1) o episódio da chang é muito ruim, 2) ele impõe algumas normas dentro da personalidade dela, 3) o nome do episódio é meio que uma bosta. ademais, soso ameaçou ir pelo mesmo caminho em vários momentos, ma num geral, foi uma das explorações mais interessantes aqui e a sacada no final — a sororidade da taystee/poussey — me deixou muito feliz.

• sophia, taystee e flaca foram dois pontos fortes que, vamos dizer, andaram mais dentro das suas narrativas gerais. as duas primeiras, em especial, sempre foram minhas personagens favoritas; acho que por ambas (como eu expliquei acima sobre os ligeiros estereótipos iniciais) serem tão arquetípicas de um modo que eu dificilmente veria ser transformado em dramaturgia como aqui.

• sobre os novos personagens: eu realmente gostei da berdie, não só por representar um contraponto a grande maioria dos funcionários do presídio, mas ser ativa em relação a isso (colocar o healey em seu devido lugar etc. etc.). stella prometeu muito mais do que acrescentou, de fato, mas não me incomoda ela com a piper — certamente é um caminho que me agrada mais pro futuro que o relacionamento alex/piper. e o danny pearson não me chamava a atenção pelo personagem em si (super inofensivo), mas pelo ator que eu jurava conhecer de girls ou algum filme do judd apatow; até confirmar esses dias que é o fantástico comediante mike birbiglia! então, já após terminar de assistir, foi um bocado frustrante ver que alguém como o mike estava em orange fazendo simplesmente nada.

Um comentário em “sobre orange is the new black: algumas ideias dispersas, mais spoilers”

  1. pensei que só eu tinha prestado atenção no quanto o título desse ep da chang era de mau gosto! e um dos pi.o.res eps mesmo!

^-^

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s