shake that figure 8: um guia pro rnbass nesse verão

WordPress me avisou esses dias que o blog estava fazendo 4 anos e logo eu penso “e aí? algo bom pra lembrar disso?” e bem, na prática nada aconteceu. mas é verão. e numa conversa de bar qualquer, enquanto alguém dropa “all hands on deck”, eu engato uns papos sobre como esse som é a cara do verão. claro, isso parte de uma fissura americana (sim, com um tantinho de inveja), que aqui o mais próximo em ubiquidade nós conhecemos como “música do carnaval”. mas bem como eu estou na amazônia e naturalmente ninguém se importa com quando é verão aqui, uma preocupação com um som do verão da bay area não é nada demais. ainda mais pra quem quer comemorar alguma coisa.

uma introdução ao rnbass seria válida, mas eu tou há quase um ano por aqui divulgando que é a parte ro r&b mais animadora no momento, o quão foda é o dj mustard, esses bangers incríveis etc. quem tá boiando em tudo, esse artigo é uma boa. e quem não está, ouça essa playlist também do David Turner com, pelo menos uns 90% do que se fez de rnbass até agora.

natalie la rose ft. jeremih – somebody

há algo de muito errado nessa música que enquanto eu não descobrir, vou continuar ouvindo a todo instante esse hook meio travado do jeremih, transformando whitney em “i wanna take SHOTS with somebody”, muito envergonhado – admito. primeira vez que eu ouvi só achei que era bem ruim e que soava como uma “we can’t stop” ou “fancy” do rnbass, pq o seu status de emulação bagaceira não fazia bem a falta de presença da… natalie la rose (quem?), mas hoje, como um dos maiores hits do movimento, cada momento disso aqui por mais desajeitado e embaraçoso que seja(yep, eu convivo com o sample), funciona.

jidenna ft. roman gianarthur – classic man

sim, o cara daquele single perdido da rihanna que a janelle monae lançou esses tempos. e também contratado da gravadora dela. esses dois singles – numa vaga teoria auteurist – me fazem pensar que eles tentam imaginar correntes trends do universo pop/r&b da forma mais subversiva possível. “classic man”, muito mais eficiente que “yoga” nessa ideia, junta “fancy” num vocal tipicamente dancehaller ancorada numa melodia que você poderia dizer tranquilo que já ouviu em algum jazz standart.

pia mia ft. g-eazy – fuck wit u

nicnac é provavelmente o produtor de rnbass mais visado após dj mustard. ele não tem o mesmo apuro minimalista, mas as produções são sempre muito inventivas quando captam a qualidade da música de dança — sem a influência básica de g-funk como mustard, ele ainda consegue fazer a autêntica “street music”. “fuck with you” é parte do seu arsenal pros clubes, quase a beat incrível de “loyal” remodelada sem chris brown falando sobre hoes e mais sussurros da pia mia.

honey cocaine – sundae

isso é o que a gente chamava de breakfast r&b lá pela metade dos anos 2000, quando as rádios aqui tocavam algo como “i’m flirt rmx” (sim, é o melhor exemplo que eu lembre agora). dj carisma e honey cocaine apenas mixam o rnbass com essa teoria da música singela, aparentemente leve que fica deliciosamente irônica e sensual. o estilo infelizmente saiu de moda, mas soou ótima tão incrível nessa fusão com o rnbass que um revival seria bem vindo. trey e nicki também fizeram isso em “touchin lovin” e o resultado foi dos melhores singles de rnbass de 2014.

rj & choice ft. iamsu! – get rich

eu sei que esse é o hip hop mustard, o jerk rap, o ratchet rap, o pós-gfunk, mas also é tão bom e financia as melhores características simultaneamente do rnbass e de um hino do verão. eu também devo lembrar que a mixtape colaborativa do RJ & choice tá aí e todo mundo deveria ouvir, tons orquestrados e hiper disciplinados do mustard á nivel do my krazy life e 10 summers ano passado.

fifth harmony ft. kid ink – worth it

reflection tem tantos hinos rnbass prontos que mostrarão exatamente como o movimento funcionaria no top40, e óbvio, não é um aceno straigh up rnbass como as outras músicas por aqui. “worth it”, na verdade, traz o rnbass como um artifício de agressividade; ele vem a cada solo das meninas pra elevar o prehook e o hook cheio de gimmicks eficientes (sim, incluindo o trompete de “talk dirty”!) — “show me what you got cuz i don’t wanna waste my time” é incrível tbh.

bobby brackins ft. zendaya & jeremih – my jam

“my jam” é tão o hit perfeito pro verão, assim como “hot box” foi o meu fora de época preferido em 2014. é um tanto triste que ele ainda ganhe zero atenção ou faça zero barulho, visto que bobby “made another hit 4 the radio station” brackins está por trás de “2 on” e “loyal” (dois grandes símbolos do rnbass). zendaya, que já tinha o signo do rnbass em “my baby“, só me ganha mais e mais com essa voz muscular a la ciara, praticamente te lembrando que cada movimento aqui é antes de tudo, uma interação funcional com a dança.

omarion ft. jhene aiko & chris brown – post to be

“But he gotta eat the booty like groceries” na voz da jhene aiko ganha qualquer uma. desde quando saiu, para além de ser hilária, ela lembrava aquele video-meme-viral que foi a primeira experiência de boa parte da galera que curte rap com o Kevin Gates. então, esses dias fui ver por acidente o genius dessa música e vi, pelo twitter da jhene aiko que a linha realmente era uma referência ao gates! e, claro, poderia ficar falando também desse vídeo (meu preferido do ano) e o quanto ele elevou a música, o quanto os 3 nunca soaram tão likeables (partircularmente, a própria jhene, que eu nunca fui muito fã, tem os melhores momentos), a beat do mustard mimetizando o nicnac etc etc, mas gotta eat the booty like groceries.

tinashe – all hands on deck

falei da zendaya seguir os mesmos passos da cici, quando ela dobra a sua voz para as batidas e responde o movimento. e é mais ou menos o que tinashe faz em “all hands on deck” (a coreografia do clipe!!!) — ela ás vezes soa mais como uma atleta que como uma artista. o caso com tinashe é que ela vai além — soar como uma vocalista limitada é um mero artifício. o que acontece é que aprende e explora os movimentos do R&B com uma intimidade e tanto dentro do aquarius que a impressão é de vermos duas artistas completamente diferentes da garota dos clubes que fez “2 On” e aquela da pegada afrofuturista de “Indigo Child”. e é como eu já lembrava ano passado, já que o rnbass também faz parte do DNA do disco, simplesmente há um traço que marque o território único dela — no caso, uma flauta bem no topo da catarse da música.

maliibu n helene – figure 8

o jeito que se combinava esse estilo ratchet do dj mustard, a agressividade das beats a uma feminilidade tao bem definida da tinashe, sempre correlacionando tais qualidades em “2 on” foi uma das coisas que mais me animava pras produções dele ano passado. outras parcerias com mulheres foram ficando cada vez mais raras: houve a boa “my main” com a mila j e essa música horrível da fergie. mas pouco mais de 1 ano depois de “2 on”, “Figure 8” repete a ideia, a eleva, a distorce, a subverte. na quietus, chegou a se dizer que era o que aconteceria se a trina a ariana grande formassem uma dupla — uma sacada e tanto — mas eu ainda fico com maliibu n helene fazendo uma autêntica versão rnbass das salt n pepa: abraçando o bad bitch lifestyle, o jogo de palavras da maliibu sempre leve e irônico, mas cheio de postura (é um claro desafio as noções de autenticidade no rap, visto que ela soa como uma versão feminina mais talentosa de um kid ink ou tyga).

5 comentários em “shake that figure 8: um guia pro rnbass nesse verão”

  1. vaaleu por lembrar de classic man <3 era que tu menos se empolgava hahahah

    e tá na ordem certa, como é que é? essas ultimas 3 eu pensei que era teu top3 mesmo, pelo que dizias

  2. Muitas recomendações fods mesmo, Figure 8 e Sundae nunca nem tinha ouvido falar e amei.

    worth it é um tanto vergonhosa de se ouvir de inicio depois te pega lesgal – clipe incrível e tals. e all gans on deck é a melhor música do mundo.

^-^

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