taking stock: pode ler que não tá tarde

O efeito de ter algo pra fazer por semanas e só depois você se dar conta que não é necessário, é essa enxurrada de outras ideias pra escrita, que sim, sendo aproveitadas em cápsula fazem uma enorme diferença. No caso, falo do meu ~tradicional post sobre os primeiros filmes do ano, filmes do oscar e etc. que em 2015 não daria por, os 2 únicos filmes relevantes do Oscar foram American Sniper e Selma, de resto tendo coisas apáticas como Whiplash e coisas que eu simplesmente me recuso a ver por razões óbvias, como o vencedor do BP. (e fora eles, únicas coisas relevantes que aconteceram no nosso circuito, tipo Assayas e Wachowskis, eu perdi no cinema).
Esse não é de forma alguma um guia essencial desses 2 primeiros meses em discos, a maioria são releases de fevereiro que me vieram a cabeça aqui pra comentar e que estão a bordo agora com a minha obsessão por grime e discos pop esquecidos dos anos 2000 etc

Juicy J, Blue Dreams & Lean 2 – O contexto dessa tape não é dos melhores (briga com o Lex Lurger, tweets dizendo que vai encerrar a carreira), mas como um teaser do Pure THC, que não é mais do que eu tava esperando, funciona bastante. Juicy, como um capitão do já desgastado trap, é mais esperto que criativo aqui: algumas variações de uma mesma forma pra quem continua com o mesmo gás é uma boa pedida. Maioria dos hooks ficam realmente na cabeça aqui á là ‘Low’, mas a produção do Mike Will em “I’m Sicka’ faz um BANGER como poucos; batida tão downhome-friendy e Juicy hilário no melhor sentido.

DJ Clent, Last Bus to Lake Park – FOOTWORK 4EVER! E certeza que esse é top dos releases do gênero até aqui. Considerando um estilo muleque que é quase sempre domado por outros muleques, a idade de Clent é relevante — diferente de um RP Boo, por exemplo, os samplers tem um fator nostálgico essencial em cada faixa, antes de curatorial. Mas o que interessa aqui são os synths & batidas descontroladamente oscilantes de Clent. O que ele faz em “Clent’s So Hott” (haha) meio que transcende as intenções do gênero, numa faixa moldada de tantas formas pra soar chiclete sem sequer me fazer sentir falta de um vocal.

Future Brown, Future Brown – Nenhuma simpatia por isso, e falando como quem tem um grande amor pelos DJ sets do Nguzunguzu. Soa como um Major Lazer perdendo todos os pontos fortes da street music; sério, o que há de impressionante em ver grime, dancehall, reggaetone etc etc, transformados em power point de cursinho? E ainda perde mais pontos quando estes estilos são visivelmente exotificados em vez de funcionar pra alguma boate. Eu gosto escutar Shawnna, Timberlee & Kelela, mas num ambiente mais autêntico.

Tuxedo, Tuxedo – Dupla do Mayer Hawthorne com produtor de boom bap Jake One. Eu acho que me acostumei tanto com o Mayer explorando as mais diversas variações do R&B que é até difícil diferenciar ele fazendo este post-disco funk com o seu catálogo solo. O que acontece aqui é que esse som throwback-ish nas mãos do Jake é mais estilizado, agressivo (é muito próprio da veia de hip-hop dele, diga-se), não é nunca um som “velho” e Mayer doma uma vitrine tão óbvia pra nostalgia como uma jam session na pista de dança.

Rahel, Alkali – Essa é uma cantora de R&B indicada pelo LE1F (há uma colaboração com ele), e o disco tá em streaming no soundcloud dela. A maioria do que acontece aqui eu gosto muito; um balearic-r&b meio King, meio Amel Larrieux que é bem próprio pra mim, sempre prezando bem pelas basslines e os vocais suaves e luxuosos etc etc. Mas ao mesmo tempo, algo me faz admirá-lo de muito, muito longe; não há excessos, mas há cálculos para além do que deveria.

Estelle, True Romance – “Maker Her Say” era tão um óbvio rip-off bem sucedido de “Partition” pra mim, e agora com este disco, creio eu que a Estelle queria fazer um BEYONCÉ British Vers? Sei que no resultado, eu nunca gostei tanto dela como gosto agora. Tão bem resolvido nos assuntos que ela toca e a forma como aposta na imagem grown ass woman como uma solução de força e ser mais despreocupada, que faz até uma power ballad ou um deep house esquemático ali funcionar bem.

Drake, If You’re Reading This It’s Too Late – Até o disco anterior, onde o Drake ainda conseguia fazer algo do nível de “Hold On, We’re Going Home”, eu achava que ele, como um personagem ou não, sustentava um interesse — provavelmente mais pelo apelo a estética/posição de popstar, tipo Nicki/Ye — mas agora ele já foi tão explorado, seja como um meme ou gente acreditando que isso tenha a ver com ~sentimentos~~ que não sobrou mais nada. Eu penso que metade disso aqui é ele imitando o Makonnen, será? Não-voz insípida, beats daquele jeito terrivelmente Drizzy de ser…

Big Sean, Dark Sky Paradise – Muitos amigos me indicaram esse disco tratando como um lançamento importante do rap em 2015, é até hilário pensar nisso considerando a imagem do Big Sean há uns 2 anos. E, bem, nada mudou muito: acho que essa recepção diz mais pelo momento e a postura que ele vive (nenhuma diferença pro J. Cole p ex) do que o disco em si. São só seus típicos rap terríveis com uma produção mais chique. O que é mais hilário ainda são as coisas que funcionam aqui: uma música sobre a ex (IDFWU) e um dueto com a atual (Ariana Grande em “Research”).

Levon Vincent, Levon Vincent – “This is music for the ugly ducklings of the world” foi o que Vincent postou no Facebook quando liberou o disco. É, claro, sobre lançar seu disco de estréia de graça em MP3 (aqui), mas me diz mais sobre a situação de lançar um disco de techno brilhante e imersivo em 2015 sobre emoções e honestidade, um melodrama incomum pros clubs, cheio de texturas e grooves e um épico indescrítivel de 11min (“Launch Ramp to tha Sky”). Eu sei que pode parecer um absurdo a primeira vista, mas soa como um complemento ao Little Red da Katy B pra mim.

Romare, Projections – Queria ter gostado disso, de verdade. Ele é meio que como o Future Brown: muito focado nas suas ideias antes da susbstância. E mesmo que tenha coisas muitos interessantes aqui, ele é sempre tão ‘na reta’, nada forte ou catártico pra um disco de house/techno como o Levon Vincent; ele é só executado e perfumado o tempo todo.

17 comentários em “taking stock: pode ler que não tá tarde”

        1. eu gosto tanto do que o lex e a meaghan escreveram, não acho que as razões pelas quais eu não gosto do disco sejam 100% as mesmas deles tho! e as razões d’eu ser a favor da backlash deles, alem de obv ser ruim, é pq sempre tem aqueles que veem isso como a coisa mais fantástica do mundo e jamais se dariam ao trabalho de conhecer os respectivos gêneros dos quais eles se ~~apropriam [?]

  1. Mas isso justifica não gostar? Tipo, pq eles vão pegar estilos subestimados e vender como uma união global da street music eles são ruins? É isso que to entebdendo.

    1. mano, tu entendeu errado. isso ñ é uma justificativa pra achar ruim, é algo q partiu da backlash, e eu acho interessante q as pessoas estejam reclamando, saca? (e algo q eu ja tou saturando de tanto apontar, nao só pelos estilos q o FB utiliza, mas milhares de coisas q são amadas por aí a todo instante só por serem de artistas meta/outsider (lol), e q no ambiente natural são ignorados ou ~não levados a sério~~) se fosse por isso eu ñ curtia major lazer ou m.i.a. ne…

      o future brown é ruim com ou sem teoria, com ou sem um conceito, com ou sem um contexto etc

  2. Eu entendo teu pensamento, não concordo mas entendo. Mas aí tu diz que simpatiza com o que escreveram de ruim sobre ele – justamente os textos da Pitchfork e Red Bull – que são claramente “esses indies de escola de arte estão roubando nosso ritmo de favela pra vender pra outros indies de escola de arte” e eu fico confuso aqui. Essas tendências condescendentes da crítica musical não me atraem e eu fico ainda abismado como esse tipo de coisa atrai tanta gente.

    1. wtf gabs, isso não é nem de longe o que de melhor estes textos tem a oferecer. já deu uma lida nisso pra ver como a treta ficou séria? http://tktk.gawker.com/what-happens-when-a-soft-drink-brand-is-scared-by-its-o-1688269706

      essas noções q tu criou aí são mais de ‘apropriação cultural’, o que caberia melhor a uma discussão sobre ética do que sobre musica, certo? e eu to pouco me importando com isso. ou ao menos que tu ta querendo por nesse mesmo clube o fato de eu achar ruim que os membros do future brown não tenham um entendimento pleno de drill/reggaetone/grime/dancehall e o fazem de uma maneira tosca nesse disco a ponto de ambos os gêneros perderem sua essência pra se transformar em teorias… chatíssimas??? (e é isso que eu pego do que o alex e a meaghan escreveram, pq eu tb tenho essa sensação ouvindo!)

      1. Ok, confesso que teu argumento continua me incomodando rsrs
        O quê há de tão ruim em ter gêneros como referência pra se construir uma teoria? Vc acredita mesmo que a ideia do Future Brown era soar como os gêneros explorados e não uma desconstrução dos mesmos baseada no que eles realmente acreditam que seja este disco?

        1. 1) nenhum, desde q vc nao descaracterize genero algum pra fazer um pretenso pastel de vento. e isso nao se trata de fb ter ~permissão~ ou nao pra qqr um dos generos em questão, o fato eh q eles fazem e fazem mto mal
          2) nao, eu nao acredito. a porra do cd nao me dá embasamento pra isso em momento algum
          (w/r/t sobre eles fazerem mal? sim, isso é uma referencia direta a como eu acho q reggaeton/drill/grime/wtv funcionam; nao há mais oq falar para além disso. é bem claro q a estética deles é reconstituida a dedo pra dar senso as ideias do fb, e nao eles moldam os generos dentro de sua estética!)

    1. pop
      ashanti – ashanti
      paris hilton – paris
      kelly clarkson – my december
      aly & aj – insomniatic
      miss teeq – lickin on the both sides
      jesse mccartney – derparture
      avril lavigne – the best damn thing
      jc chasez – schizophrenic
      teiarra marri – teairra marri

      grime
      flowdan – original dan
      skepta – greatest hits
      jme – famous?
      kano – home sweet home
      tinchy stryder – star in the hood
      durrty goodz – ultrasound
      dizzee rascal – maths + english
      wiley – playtime is over/100% publishing/grime wave
      the bug – london zoo
      boy better know – tropical 2

      eu nem entendi se tu tava querendo indicações só de 1 dos 2 huahau isso ae é basicamente o q eu tenho escutado esse ultimo mês, se ñ for assim, já fica uma listona pra algum dia

      e eu tb to me baseando por indicações, olha. esses cds pop foram tipo tudo a lets e o yan que me recomendaram, e ainda quero mais coisa pq isso ja ta virando qse uma pesquisa…

      1. que detalhista more hahaha
        esses de pop a maioria eu conheço, mas não ouço desde a época em que eu comecei a fingir q era ruim… paris…………..

        os de grime o sr vai ter que dar uma resumida e falar por onde eu comece, que caminho eu percorro, onde eu me desenvolvo, onde eu concluo

        1. UHAUAHA começa pelo tropical 2, ñ é exatamente uma comp de grime, é mais um ~resumão da cena urban britanica, mas é impossivel de nao curtir. depois vai pros primeiros discos do wiley & dizzee & o do skepta dai. o resto tu ja vai ta manjando, então, da pra ir na tranquilidade. e o cd da paris é o melhor dessa lista tho

^-^

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