2014: melhores músicas

Done! Acho que este ano minhas listas vão demorar ainda mais que o de costumo, pq eu nunca tive um dezembro tão ativo pra discos inesperados como esse ano: nas últimas semanas eu tou ligado bastante em D’angelo/Nicki/K. Michelle/Racionais/Theo Parrish/Charli XCX/Omarion, e todos com sérias chances de fazer um corte pra lista. E eu ainda nem sequer vi o último Resnais, então…

A origem dessa lista (100! quantos mais melhor) veio dessa playlist meio caída do Spotify e há um monte de coisa boa, curiosidades do que você não ouviu, etc etc; mas considerando que esse top tem alguns freestyles, remixes, funks e Taylor Swift, ele está meio que incompleta. Posições, tipo de 100 a 30, meramente ilustrativas.

100. Detroit Swindle ft. Mayer Hawthorne – 64 Ways
99. QUE – OG Bobby Johnson
98. Migos – Fight Night
97. Shanell – Stay Down
96. A$AP Ferg ft. M.I.A. & Crystal Caines – Reloaded (Let It Go 2)
95. MC Dede – Swag
94. Trey Songz ft. Nicki Minaj – Touchin, Lovin
93. Caribou – Can’t Do Without You (Tale Of Us & Mano Le Tough Remix)
92. Kiesza – Hideway
91. Dreezy – All The Time

90. Yo Gotti – Errrbody
89. João Brasil – Nega Bass
88. Snootie Wild ft. K Camp – Made Me
87. JUNGLEPUSSY – Bling Bling
86. Teyana Taylor ft. Pusha T & Yo Gotti – Maybe
85. Sinead Harnett ft. Snakehips – No Other Way
84. Estelle – Make Her Say (Beat It Up)
83. J Capri – Lyrics To The Song
82. 2 Chainz ft. A$AP Rocky & Rick Ross – Crib In My Closet
81. Meek Mill ft. Boosie Badazz – Fuck You Mean

80. Gorgon City ft. MNEK – Ready For Your Love
79. Tropkillaz – Boa Noite (Omulu Remix)
78. Cadu Tenório & Eduardo Manso – Rust
77. Nicole Scherzinger – Your Love
76. MC Nego do Borel – É Ele Mesmo
75. Lana Del Rey – West Coast (MK Remix)
74. Denyque – How To Rave
73. Tifa – Bak It Up
72. Katy Perry – Birthday
71. Gangsta Boo & La Chat ft. Mya X – Bitchy

70. Jungle – The Heat (Joy Orbison Remix)
69. Danity Kane ft. Tyga – Lemonade
68. De Leve – Estalactite
67. Iggy Azalea ft. Charli XCX – Fancy
66. Indiana – Solo Dancing
65. Baauer ft. Alunageorge & Rae Sremmurd – One Touch
64. Kode 9 & The Spaceape – The Devil Is A Liar
63. Conecrew Diretoria – Tô De Volta no Twist
62. Yowda ft. YG – Tha’s How It Goes
61. Flo Rida ft. Sage The Gemini & Lookas – GDFR

60. Gucci Mane ft. Chief Keef – Top In The Trash
59. Liars – Vox Tuned D.E.D.
58. Charli XCX – Break The Rules
57. BOJ ft. Lola Rae – Ginger
56. Netta Brielle – 3xkrazy
55. Sage the Gemini – Bad Girls
54. DJ Rashad ft. Gant-man – Somethin ‘Bout the Things You Do
53. Mac Demarco – Chamber of Reflection
52. MC Bin Laden, MC 2K & MC Nandinho – Maconha de Uva
51. Usher – Good Kisser

50. Mila J ft. Ty Dolla $ign – My Main
49. Jazmine Sullivan ft. Meek Mill – Dumb
48. Valesca Popozuda – Beijinho no Ombro
47. seixLack – Tele-sexo
46. Bobby Shmurda – Hot Nigga
45. Beyoncé – Yoncé / Partition
44. DJ Snake & Lil Jon – Turn Down For What
43. Gabriel Garzon-Montano – Everything Is Everything
42. Vic Mensa – Down on My Luck
41. QQ – Mosquito Net

40. MC Romântico – As Novinha Tão Sensacional (João Brasil Remix)
39. Gazelle Twin – Anti Body (I Speak Machine Remix)
38. Jessie Ware – Champagne Kisses
37. K. Roosevelt – Freak (She Told Me)
36. MC Yoshi – Maconha é uma Delícia
35. Becky G – Shower
34. Shackleton – White Flower with Silvery Eye
33. Lone – 2 is 8
32. Royksopp & Robyn – Do It Again
31. Turma do Pagode – Pente e Rala

30. Bobby Brackins ft. Mila J & G-Eazy – Hot Box
29. MC Pedrinho ft. MC Livinho – Dom Dom Dom
28. Tessela – Rough 2
27. Metá Metá ft. Tony Allen – Alakorô
26. Future ft. Pharrell, Pusha T & Casino – Move That Dope
25. DEDO – Transhumanism
24. Keyshia Cole ft. Mila J, K. Michelle, Lil Mo & Da Brat – Loyal (Remix)
23. Thiaguinho – Caraca, Muleke! (João Brasil Remix)
22. Rae Sremmurd – No Flex Zone
21. Ariana Grande & The Weeknd – Love Me Harder

20. Meridian Dan ft. Big H & JME – German Whip
19. Skepta ft. JME – That’s Not Me
Foi um tanto irritante ver Dizzee e Wiley tentarem o REAL GRIME™ em 2014 dado o sucesso dessas duas músicas, mesmo que com um material minimamente interessante. Os dois percursores foram vacilando com o tempo porque perderam o critério entre a estética do grime e o chartbait, que levou a essa apropriação absurda art-school de hoje. Skepta e Meridian tem um tato melhor nessa percepção: pense no que é capturar o zeigeist entre Jessie Ware e Disclosure com a mais beat mais difícil, mais radical de grime e ainda assim plenamente conscientes de sua funcionalidade.

18. Taylor Swift – Blank Space
Isso já estaria aqui porque da primeira vez em que eu ouvi “oh my god, look at that face / you look like my next mistake” já sabia o quão grande o 1989 seria. Mas, tanto faz, isto é o que eu tenho esperado da Taylor desde… sempre? Um lugar onde ela possa recuperar a narrativa de persona pública, tanto num nível pessoal (por usar a própria experiência) quanto na construção da música (ela deixa de falar pro namorado, e vai sedenta: boys only want love if it’s torture).

17. Chronixx ft. Cecile – African King
Reggae agridoce, irônico, cínico de um jeito que eu passei o ano inteiro ouvindo nas playlists do Spotify, especialmente pelo Chronixx, que teve o ótimo e subestimado EP Dread & Terrible no meio do ano. Adoro quando Cecile entra aqui e torna tudo um pouco mais obscuro, onde ele te faz pensar que isso vai pra uma estética mais dub/roots; então a faixa retarda de forma tão agressiva e descontraída que soa mais como uma desconstrução da impressão inicial que o Chronixx tende a te dar.

16. Kevin Gates x Rustie – Wait in Line
Isto é mais revelador sobre a carreira do Rustie que qualquer coisa que ele tenha feito nos últimos anos (incluindo o decepcionante Green Language), apenas um EP-off-cut patrocinado pela Converse. Kevin Gates já seria um rapper mais estimulante que o Danny Brown pro produtor só pela batida hooky, mas também ajuda pela criação de tons e timbres vindo da produção inesperada, totalmente oposto a anemia de Brown em uma “Attack”. Rustie não está disposto a ir além de ser um DJ de trap beats no momento, mas eis uma prova de que ele só precisa do imediatismo lá do Glass Swords pra vender isso tão bem.

15. FKA twigs – Two Weeks
Eu não tenho muito a acrescentar sobre como eu me sinto até hoje, cada vez que eu ouço essa música, para além do que meu textinho em pílula lá do meio do ano disse. Resta dizer que essa definição do Diddy permanece forte aqui.

14. Juçara Marçal – Ciranda de Aborto
De uma subversão da ‘inofensiva’ MPB contemporânea, entre o noise das guitarras e a voz inigualável de Juçara. Um equivalente a canção de amor necrófila, pra tudo terminar descançando num abraço.

13. Nick Jonas – Jealous
Eu penso que essa é provavelmente a música pop mais interessante desse ano porque ela vende a historicidade da música pop em si (pela simplicidade, também, ela é apenas “mais uma” derivativa de “Hold On, We’re Going Home” de um cara que ouve mais Miguel do que Prince, mais Frank Ocean do que R. Kelly e etc) e como poderia se tornar tão estimulante a partir daí. Tive um monte de conversas sobre a letra semanas atrás, especialmente o refrão — onde Jonas pede pelo direito de hellish só porque a namorada é too sexy, beautiful – e a conclusão que eu sempre chego é que a) não há remotamente uma chance de isso ser romântico, b) nem stalkerish! c) é uma das melhores músicas sobre insegurança – ainda mais pra homens – que eu já ouvi, cheio de versos OTT vergonhosos e sendo mom-friendly assim mesmo. E há um remix com a Tinashe por aí, que eu posso considerar que está aqui nessa lista tanto quanto a original.

12. Mavins ft. Don Jazzy, Tiwa Savage, Dr SID, D’Prince, Reekado Banks, Korede Bello & Di’Ja – Dorobucci
Um 4×4 num afropop crossover é insano – insanamente cativante, na verdade. Ouvi falar que é o maior hit da Nigéria e é um tanto domesticado pro som de lá, mas um afrobeat mirando no pop nunca me agradaria tanto. É um pouco como um HS87 da Nigéria: a dinâmica como motor, um amontoado de gente muito boa sem nenhum especial a não ser camaradagem em conversas tipo mesa-de-bar, de citações de Chuck Norris pra Messi. Tiwa Savage, em especial, mesmo que a música vise um equilíbrio, manipula a produção como nenhum outro aqui.

11. Jeremih ft. YG – Don’t Tell ‘Em
10. Tinashe ft. ScHoolboy Q – 2 On
Se olhar por toda essa lista, provavelmente meu gênero preferido de 2014 foi o rnbass, com DJ Mustard e NicNac dominando as beats. Só a ideia de que aquele ratchet rap que eu falava no início do ano foi condensado pro r&b tão bem quanto um crunk 10 anos atrás já é excelente. E “2 On” e “Don’t Tell ‘Em” representam isso tão bem não tanto pela ubiquidade, mas pela própria presença de Tinashe e Jeremih, caracterizando uma fisicalidade pros snaps & bass do Mustard que outros vocalistas dificilmente teriam. Mesmo o quanto mais genérica elas soam (“Don’t Tell ‘Em”, em especial, é praticamente um rework de “Show Me“, também escrita pelo Jeremih e produzida pelo Mustard), as duas como hits soam como triunfos em 2014. Nota: eu devo ser um dos poucos que realmente gosta das interpolações de “Rhythm Is a Dancer” e “We Be Burnin” em ambas aqui.

9. Juicy J ft. Nicki Minaj, Lil Bibby & Young Thug – Low
Esse é o equivalente pro rap esse ano de “Beijinho no Ombro” — todas as linhas, em especial do Juicy e Nicki, são perfeitamente quotáveis — e falo d’um ano em que o 2 Chainz foi bastante ativo! Eu falei bastante sobre aqui logo que “Low” saiu e é uma pena que ela não tenha sido um hit ainda maior que “Dark Horse”. E, claro, eu adoro como a produção do Dr. Luke é construída como showcase básico para os 3 rappers que estão na sua melhor forma, mas também porque ela apresenta o Juicy J na figura onipresente que ele foi esse ano da exata forma em que eu sempre esperei.

8. Craig David – Cold
Uma das coisas que eu mais gosto de lidar hoje em dia quando falo em música é com a nostalgia – não aquela nostalgia rockista, do tempo melhor que o meu, mas uma nostalgia que reconstrói, recontextualiza e muitas vezes é usada como material pra narrativa. Ano passado dois exemplos, em especial, são as maiores provas disso: tivemos a Ariana Grande que recortava e reconstruía um pedaço da carreira do Babyface do jeito que ela queria e no início desse ano o próprio Babyface (junto com a Toni Braxton) lançou um disco que era uma espécie de olhar complacente mas ao mesmo amargurado sobre o papel que a música dele ocupa hoje. E alguns meses depois da Ariana, Justin Bieber lançou o Journals, um outro exemplo, que era muito parecido, em ideia, com o Yours Truly – Bieber reconstruía todos os detalhes do Craig David; dos tiques vocais ás tendências 2-step do início dos anos 00, a produção acústica, etc. Mas dentro de todas essas referências ainda era um disco que funcionava basicamente dentro da persona dele – da evolução como loverman, das batidas congestionadas de trap, escolhas de colaborações.

Eu falo de tudo isso porque, a) o disco do Bieber é muito bom, b)ele me fez passar muito tempo ouvindo Craig David esse ano e, também, c) lembrando lá da minha infância ouvindo “Fill Me In” em alguma rádio aleartória de Brasília, todo dia. Por tudo isso, como foi bom lá pelo meio do ano, num momento do tipo “ei, lembram de mim?”, Craig liberar essa faixa no Soundcloud. “Cold” em primeiro grau soa como um complemento ao que Bieber faz – uma atualização da própria estética -, mas literalmente mais muscular. É o mesmo R&B acústico que ele adorava fazer, mas pela sonoridade mais overproduced você é tentado a achar que ele está é mirando no EDM. E mesmo por todas as referências a MDMA na letra, ele soa tão pateta como 90% dos rappers que adoram fazer o mesmo hoje em dia. “Cold” é, a sua forma, como se Walter Hill fizesse um filme de ação hiper-realista lotado de slo-mo hoje mesmo.

7. Pearls Negras – Poder da Pretinha
Eu gostei muito dessas 3 quando “Pensando em Você” virou sensação aqui no início do ano, mas quando elas lançaram a segunda relativamente menos comentada mixtape, Nossa Gang, eu gostei mais ainda. Este deep cut em especial de 2 minutos, é uma forma depurada mas precisa de dizer o que há de melhor num grupo de rap de 3 garotas adolescentes: eu adoro como aquela batida trap-rave agressiva que elas tanto gostam ganha um ar mais minimalista aqui e tudo que elas precisam vai direto pra letra, que lembra as melhores canções female empowerment meio patetas das Destiny’s Child ou TLC. E a cada dia eu me pego gostando mais de um hook que inclui “com um molejo na cintura faz tu passar mal / rachou a cara se pensa que eu vou te dar moral“.

6. Devendra Banhart – Golden Girls (Liars Remix)
Eu não me importo com Devendra Banhart, na maior parte do tempo, mas eu aprecio como Angus, Aaron e Julian transformam uma música dark folk de 90 segundos em um épico imersivo de 10 minutos. E como todo bom épico há fases, onde a transição entre elas é o que mais interessa – eu gosto de como as imagens desconfortáveis típicas do minimal techno se transformam num assustador, tribal e percussivo alt-dance. E se você escutou subestimado Mess, disco dos Liars desse ano, vai notar que tudo isso não passa de um exercício de estilo. Huh!

5. KING – Mister Chameleon
Se alguém me faz questionar se o R&B poderia estar melhor do que é hoje, com certeza eu ficaria com as King antes de qualquer How To Dress Well. Mesmo com a carreira tão relapsa, de alguns singles e mais nada, elas tem feito um bom trabalho com produção idiossincrática, estruturada, inventiva e com as melhores harmonias; “Mister Chameleon” é a melhor faixa de R&B do ano por tantos motivos, mas a incrível visão do trio pro futuro do gênero é o que se destaca. E o que torna tudo que você lê por aí sobre post-Aaliyahs redundante.

4. T.I. ft. Young Thug – About The Money
Há duas músicas bem próximas por aqui com o Thugger da mesma forma que havia com o Pharrell ano passado. Da mesma maneira, também, em que os dois tiveram uma gama enorme de guest spots bons em singles de outros artistas mas eu não ando particularmente empolgado com o trabalho solo de cada um. No caso de “About the Money”, há um hook sensacional dele, mas é como ele reveza junto com ad-lib do Tip – num estilo que ele costuma usar mais pros freestyles clássicos – uma função de refrão que torna tudo tão interessante. E é até engraçado que Thug seja um dos mais notórios discípulos do Gucci Mane hoje dado essa ótima entrevista com o Cliffhord, onde ele fala que evita parcerias com seguidores do Gucci pelo melhor motivo do universo. E essa música funciona tão bem graças a interação entre duas gerações diferentes do rap de Atlanta lidando com uma energia quase equivalente se não bastante complementar.

3. Thiago Elñino & Cadu Tenório – Zé
Tem sido um pouco confuso a grande atenção que o rap nacional ganhou da crítica nos últimos anos. De um lado, o gênero é visto num período prolífico, como em nenhum outro tempo havia opções diferentes – e diferentes, entre si! Do outro, são os rappers escolhidos como os representantes desse momento (principalmente: Criolo, Emicida), quase sempre apoiados em figuras caricaturais e discursos mastigados; onde a marca, a tese que eles representam se transforma no termômetro do quão boa a música é.

Não querendo criar uma falsa dicotomia, até porquê esse sempre foi um problema que existiu no hip-hop em geral, mas o Thiago Elñino é um dos primeiros rappers em muito tempo por aqui que tem uma estética próxima do conscious rap que realmente me anima. Ou melhor dizendo: que tem alguma preocupação substancial lírica para além do discurso. “Zé” é agressiva, mas acima de tudo tem uma tensão desigual – a produção do Cadu Tenório, tho, leva o melhor do que você poderia esperar de um produtor focado em batidas electronicas para a agressividade de um rap desses (via synths industriais, produção vocal abstrata, o que for). “Zé” é sobre o carnaval, mas também é sobre quarta-feira de cinzas. “Acorda zé” é sobre o conflito momentâneo, aquele que fica como um paradoxo dentro do contexto e depois dele, apenas uma consequência.

2. MC Britney – Na Casa do Seu Zé
O fenômeno do pop funk levou um problema pra dentro do funk (o funk straight-up, mesmo). Um problema que MC Britney não dá a mínima e está mais interessada em zuar mesmo: pense naquele refrão mais chiclete, mais óbvio – do tipo que você não precisa nem saber a letra, mas a melodia te pega daquele jeito. Ah, e todo melismado; na melhor linha diva imperial. Agora imagine que esse refrão é um loop, é uma música inteira padrão de 2-3min que toca no rádio. Esse refrão fala sobre a putaria que rola na casa do seu zé. E rima putaria/orgia/pia. Eu ainda nem acredito que ela exista, na verdade.

1. Nicki Minaj – Lookin Ass
Semana passada quando saiu o incrível novo disco da Nicki, The Pinkprint, uma das minha primeiras reações por aí era falar que “All Things Go” era a “All of The Lights” dela — a ideia de perda, a nostalgia a partir dela e o resgate palpável das memórias, estava todo ali. (A ideia de que o Pinkprint é o 808s & Heartbreak dela é um outro ponto válido aqui, mas uma conversa pra outra hora.) Antes disso, eu passei o ano inteiro com essa faixa na cabeça; questionando, aprovando, discutindo, etc. Trata-se de um corte dentro do disco conjunto da Young Money pequeno (menos de 3 min), mas é o necessário pra ela ser direta e chegar exatamente onde quer, com toda a raiva que tem.

Eu falo porque “Lookin Ass” é o equivalente pra Nicki de “I’m In It” – a música mais divisiva e, por consequência a mais criticada do Yeezus -, uma faixa onde ela pode se submeter ás imagens mais simplistas e superficiais possíveis do panorama político a que fala tendo controle sobre o discurso. Coisas do nível de “i rape you n*ggas” são vomitadas aqui; depois, pior: “no dick in the pants ass n*gga“. Ela sabe exatamente onde está, e sabe exatamente como levar a alienação como catalisador da desestabilização das construções de gênero; tanto no imaginário centrado aqui, do hip-hop como instrumento intrinsecamente político, como pela forma a que se dirige a estética da faixa – observe o flow insano dela, com sotaque afiado e forte, um “i will” vira “I WUH WUH WUH WUH”. É ainda mais fascinante que a garota que ficou marcada em 2014 por versar em cima da batida de Baby Got Back “OH. MY. GOSH. LOOK AT HER. BUTT.” consegue ser tão contundente, se não estar no mesmo ponto de vista, quando diz “stop lookin at my ass ass n*ggas“.

5 comentários em “2014: melhores músicas”

  1. Adorei as resenhas.. Amo Nicki e acho mesmo que esse ano foi dela. Em compensação, espero que em 2015 possamos ver (ouvir) mais coisas como Tinashe e Jeremih e seus derivados.
    Beijos

^-^

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