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Azealia Banks, “Chasing Time”

Quando, mais ou menos há uma semana, a internet parou com o lançamento estilo Beyoncé do Broke with Expensive Taste, a única coisa que eu pensaria áquele ponto é “como ouvir um álbum de Azealia Banks em 2014?”. Digo, há anos atrás eu cheguei a falar aqui mesmo sobre o quanto eu achava a persona da Azealia chata e o material geralmente caído, mas de lá pra cá eu vi ela ir de uma das rappers mais queridas e promissoras da blogosfera a uma piada dentro da indústria; o que me fez ficar ansioso menos pelo disco em si que o modo como as pessoas interpretariam/interagiriam com ele.

Não foi uma surpresa (embora não seja também a opção que eu imaginava) que a sensação geral agora é de Banks como uma ‘sobrevivente’, até por a estrutura de mixtape com as faixas de mais de 3 anos atrás pedir por isso mesmo. O disco soa como se ela tivesse estacionado a partir do momento em que começou a brigar demais com outros artistas, considerando simplesmente que esse ainda pode ser o material que esperavam da Azealia quando “212” bombava.

Falando pela minha relação com ela em si, tudo isso favorece bastante (“212”, de qualquer forma, soa melhor hoje, quando só os reais bangers do revival do deep house ficaram, que em 2011), tanto por a) ir conscientemente ouvir isso sabendo que Azealia nunca será a estrela ou game-changer que muitos e a sua gravadora queriam e b) estar um pouco fora do ciclo do hype agora, o que me deixou mais apto pras habilidades de assonância dela – eu não acho que *rap impressionante* seja o que, hmm, me impressiona no rap de uma forma geral, mas a garota rima pra caralho; são as mesmas rimas internas com base nos mesmos sons por, sei lá, mais de 1 minuto? E ela sustentando numa boa, indo com vogais, fonemas, etc. com todos funcionando super bem.

Alguns momentos anêmicos (“Heavy Metal and Reflective” e “Yung Rapunxel” são 2 das faixas mais velhas que eu já não curtia) tornam-se muito divertidos dentro do contexto do disco, simplesmente porque Azealia tem habilidades similares ao que Busta Rhymes ou Em fariam lá no finalzinho dos anos 90 – o seu flow geral mal intencionado e técnico demais (e soando como uma explosão) ao mesmo tempo te deixa inquieto por si só, deixando a substância real do que ela tá falando bem menos relevante (e, claro, ela adora falar qualquer bobagem!). E a despeito do que eu mais admirava anteriormente no seu material (ter beats do Matt Cutler, Machinedrum, Boddika e outros caras que eu curto muito – e priorizá-los dentro da música), um dos tópicos que eu mais admiro no disco é seu senso de ritmo. Mesmo nos synths tropicais do Matt nos dois épicos finais (as Miss’ Amor e Camaraderie), no UK garage do mestre MJ Cole em “Desperado” onde ela tenta uma voz random de femme fatale ou mesmo na throwback extravagante de “Gimme a Chance” (que inclui um break de salsa e rap em espanhol!), você pode se perder na forma como a voz de Azealia se inclina e brinca com a beat.

Não é que tudo funciona perfeitamente aqui (afinal, há uma música do Ariel Pink e toda vez – e, infelizmente, não são poucas – que Azealia tenta cantar/construir um hook seu carisma desaparece) mas, tanto faz, isso é muito bom.

^-^

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