Listen Up Philip (Alex Ross Perry)

Ano passado, quando eu escrevi aqui sobre o Color Wheel, muito do que eu atribuía como de melhor no filme após ver Listen Up Philip se transformou em não mais que armas. Afinal, este filme funciona basicamente como uma extensão mainstream do anterior e, falando na linguagem mainstream própria não só porque ele tem a atriz de Mad Men e o ator favorito do Wes Anderson, mas principalmente porque todas as suas especificidades são exaltadas, escancaradas – e isto é é encarado por Perry como um motivo a mais para você se aproximar das personagens. E eu falo aqui em “armas” porque com ainda mais facilidade que lá no Color Wheel, Listen Up Philip poderia ser rapidamente enquadrado naquelas tags chatas do mumblecore indie que passa em Sundance.

Ele não deixa de ser, de fato, mas é curioso como Perry sempre busca se distanciar das características que sempre fetichizam o “gênero”: se há um jazz na trilha sonora é para te manter atento a não confiar muito nas atitudes misantrópicas alienadas de Philip; se a ex-namorada compra um gatinho é muito sobre como Perry pode construir um olhar na figura dela e na sua desajeitada vida pós-relacionamento sem recorrer a natural ideia condescendente de um namorado (o filme cresce sempre em qualquer momento que envolve a Elisabeth Moss, e o melhor mesmo é que essa visão se estende a outras mulheres que passam pela vida de Philip). Philip, o protagonista, que aliás é o maior alvo de Perry aqui: em toda a sua ambição narcisista, no seu ego e na sua natural antipatia por pessoas e felicidade, o diretor não tenta (ou não consegue) realizar uma desconstrução de personagem para nos aproximarmos de Philip; o filme trata mais sobre, por exemplo, como nós compreendemos o fato de Philip não é muito querido (e com a ciência de que ele não).

Dito isso, o que mais me chama atenção aqui é a forma como ele lida com seu processo estilístico vs. a sua relação com cada personagem. A câmera na mão desvia de alguém hora ou outra, os zooms frenéticos, etc. O que ele extrai a partir disso me lembra Cassavetes da melhor forma possível; a câmera é naturalmente invasiva com eles (e há uma sensação desconcertante, mesmo quando alguns se envolvem física/emocionalmente, por Perry filmar cada personagem no plano como se ele estivesse só) e as cores saturadas dão uma dimensão textural quando há a fuga dos momentos mais cômicos para os mais dramáticos. Ainda prefiro Color Wheel (ffs prefiro Color Wheel a qualquer filme) e toda aquela catarse que o momento do incesto trás, mas Listen Up Philip afirma mais uma vez porque Alex Ross Perry é dos diretores mais inventivos de hoje. Ainda mais vendo que toda a sua criatividade parte dum material e escola de cinema tão esquemático como esse.

3 comentários em “Listen Up Philip (Alex Ross Perry)”

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