dissolução, compreensão, expansão (1)

MC Nego do Borel, “Redes Sociais”

Eu andava meio que num loop obsessivo com o disco do Nego do Borel (antes de vazar o Aphex Twin e Luke James, claro) e, uma das razões veio de há alguns dias, creio que semana passada, ter saído esse lyric video aí. Mas não é um simples lyric video, considerando que ele tem a melhor utilização de emojis de todos os tempos! Quando eu vi isso não só percebi que o rapaz tava aproveitando a estadia na Sony Music da melhor e mais criativa forma possível (e também porque é muito bom vê-lo em todos os programas terríveis da TV brasileira toda semana), mas principalmente, caiu a ficha que “cara, temos um grande disco de funk”.

Considero que há um certo medo por trás dessa febre de mcs em gravadoras – quase sempre falso; é um medo por se ver uma música melódica como “Beijinho no Ombro” representando o funk nas rádios. Mas esse medo já devia estar superado a partir da hora em que você escuta “Na Casa do Seu Zé“, que leva esse lado melódico como uma sacada; uma sátira, não um apelo. E, ao mesmo tempo, a música da MC Britney coexiste muito bem com um hook radiofônico e mais melódico, mas orgânico do Nego do Borel: na medida em que ela vai te lembrar o momento em que a Nicki Minaj melismava PUT MY DICK IN YOUR FACE, YEEAAH há uns anos atrás, o Nego pode ser histriônico/romântico ou sério/comediante na mesma música. Isso porque mesmo ele sendo um mc ‘ortodoxo’ as diferenças de potencial pop e carisma da persona pra média é evidente. E claro, há de destacar principalmente aqui que ele acabou de lançar um disco (já havia um EP do início do ano que não diz nada), o que é quase um evento dentro do funk. E agora, Valesca vai lançar um também no final do ano, Ludmilla lançou um muito bom esses tempos (mesmo só tangencialmente ligada ao funk no momento); esse ‘medo’ não deveria existir e o que eu espero de ambos os artistas é que consigam tornar a estrutura do disco relevante dentro do funk.

Disco, que fique claro aqui, não como objeto pra aprovação rockista: quando eu escuto um disco como “É Ele Mesmo” ou qualquer um que seja, espero que (a) ele saiba me responder quem é o artista em questão e (b) err, tenha músicas boas. E o Nego não só tem muito de ambos aqui como apresentar a própria personalidade é intrínseco a maioria dos hits que ele faz desde o ano passado. O objetivo dessas músicas é como num culto a persona, mesmo que você dificilmente iria encontrá-lo num piloto automático de funk ostentação (repetição desse mesmo termo como um fetiche, narrativas no modo camisa-de-força, etc). Tudo funciona como uma auto-afirmação descontraída.

Já no início, ele é bem literal dizendo “Tu conhece esse cara? / Que te pega de jeito? / Que fura teu bloqueio? / Que te rasga no meio?”, além de ser a faixa-título do disco. É um momento representativo da vibe geral aqui tanto pelas palavras que ele escolhe (ele nesse modo sacana é um tanto auto-consciente; se não um forasteiro inofensivo na mehor das possibilidades, pela falta das típicas metáforas do funk e tal) quando pelo desapego pela letra (ela é basicamente essas perguntas). Digo, ele não é exatamente um dos melhores letristas do funk mas vai bem com o material todo quando reduz a música à essas perguntas rápidas, urgentes e memeáveis. De 19 músicas no disco, eu diria que mais da metade funciona bem mais por ele ser tão carismático e pelo charme vindo principalmente do timbre/sotaque na voz; olhe pra como ele fala SARRA NI MIM PERERECA, PULA NI MIM PERERECA. é certo que isso lembra alguma paródia de filme de terror dos anos 90, mas é fascinante na mesma proporção.

24 comentários em “dissolução, compreensão, expansão (1)”

    1. eu quero/espero falar um pouco sobre o cd da ludmilla na mesma linha depois. e vlw! eu tinha umas ideias pra escrever isso ae há mais de mês e fui esquecendo, qse tava desistindo já ;p

    1. ha! mas criar essas frases memóraveis é o básico pra um mc né. falo que ele não tem força nas rimas ou faz lá grandes metáforas, pega palavras random e transforma completamente etc (pelo menos essas são grandes qualidades no funk imo), mas nada impede de ser super interessante por outras razões

          1. ah, sei lá, eu concordo quando dizes que ele não tem essas qualidades. mas é só por ser diferente mesmo.

            e eu não consigo entender aonde isso o tornaria mal letrista, tirando esse contexto…

            1. eu n disse q ele era mal, pelo contrário, é funcional o suficiente pr’eu curtir o q ele faz ué. e ele é diferente assim como a maioria do pessoal do funk ostentação q tem mt influencia americana e,sim, eu n vejo isso como algo bom pros funks de fato, mas ele sabe driblar bem essas limitações..

              1. aí é que está, eu ainda não entendi por que não ver como algo bom? esse modelo pra mim é só mais um novo, tem seu cansaço, mas tem muita coisa boa!

                (ai que random mas amo estar discutindo um cd de funk kkkk <3)

                1. egua bia, mas então tudo isso era pra defender o funk ostentação? pô, esperava mais de ti hein. e eu já expliquei pq não me dou mto bem com isso, acho q o funk por si ja tem qualidades demais pra ficar copiando elementos tão proprios de outros estilos.
                  e sim, vamos marcar uma roundtable depois sobre dom dom dom.

  1. Quanta bobagem. Parece que leio fábulas, pensamentos confusos de pré-adolescentes defendendo um ídolo em argumentos rasteiros pra algo que nem se aproxima de crítica musical.

    1. eu devo interpretar tudo q vc falou negativamente? até pq um adolescente defendendo um ídolo é o maximo tbh, e eu mesmo nunca nem vi oq eu escrevo por aqui como ***critica musical***

    1. é pq ‘na casa do seu zé’ é a melhor (de loonge) e a q popularizou (se eu n me engano) :b mas sim, as do mc livinho, tipo pepeca do mal p. ex. são nessa mesma linha hookada/meio ironica

^-^

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