One more time, throw em back till I lose count: sobre Röyksopp/Robyn, Sia, Traxman, etc.

Do It Again (Röyksopp & Robyn, Dog Triumph) B
O que eu mais gosto dentro do Blackout, da Britney Sears, é a noção de que nada dentro dele formaria o clímax de uma narrativa; seus melhores momentos são como sequências oníricas. Robyn, mesmo não tendo a turbulenta vida de popstar como ligador da estória, repete o mesmo neste EP. (Um monte dele eu diria que é exatamente um spin off de “Britney Spears & Bloodshy & Avant – The Greatest Hits”.) Seu maior truque também é reminiscente de Britney: sua voz é como a de uma femmebot, ou femme fatale inclinado a começar com um “post-“; transpõe um clima de film noir, não neo-noir como a estética futurista dita, mas um dos anos 40 mesmo. Ela é um robô de fato aqui, e tão frígido quanto se espera, mas algo acontece quando ela navega em ambientes estéreis e som se torna monumento do dance-pop. E parecendo tão falsamente aventureiro, cativante como qualquer um do Top 40.

x (Ed Sheeran, Warner) D-
Eu inicialmente dei um passe livre pra Sheeran após “Sing” que é a sua imitação risível do JT, mas ouvindo esse disco – onde a música é certamente um highlight – fico me perguntando se o sentido dela ser boa tem algo a ver com o cara cantando ou se é porquê traz Pharrell de 2014 imitando Pharrell de 2003 que imitava MJ/M. Gaye dos anos 70. Nada interessa muito aqui dentro de “x”, que é uma completa bagunça. Ele é vendido como a versão masculina da Taylor Swift (provavelmente pra continuar fazendo esse folk de lavanderia e o Neptun&b ao mesmo tempo), mas soa mais como Ellie Goulding: há muito risco, uma parcela considerável de experimentação, com um artista que entende muito pouco do que se faz por aqui e com pouca personalidade vocal pra sustentar cada movimento. Adicione aí algumas rimas de rap horríveis e uma sequência de baladas acústicas dignas de uma canja no show do Jorge Vercilo, mais alguns acontecimentos das últimas semanas e esse é o cara ideal pra se odiar em 2014.

1000 Forms of Fear (Sia, RCA) B-
Conhecendo a carreira anterior da Sia, não parecia estranho que de vendedora do típico pop de vitrine pra TV shows ela estava se tornando mais um tipo como Lana Del Rey: outsider com persona risível (o auge veio nessa peformance, fácil a melhor sessão de auto-paródia de 2014). Pra minha surpresa, mais do que se deslocar dos abismos entre sua abordagem de composição confessional, aqui seu modo austero parece ligado ao número infinito de songwriting que ela fez pra outros artistas nesses últimos 2-3 anos. Especialmente “Diamonds” e “Perfume”, dois momentos perfeitos de cheesy pop que ela repete com louvor; essa verve melodramática á Diane Warren que Sia usa pra pincelar desde as partes mais vulneráveis, passando pelas mais agressivas e até masoquistas do disco. Pode-se dizer que pra quem passou uma carreira restrita a comparações com gente da linha de Ingrid Michaelson ou Rachel Yamagata, ela está fazendo um ótimo trabalho como Tori Amos via Kelly Clarkson/Ashlee Simpson aqui.

Da Mind of Traxman, Vol. 2 (Traxman, Planet Mu) B
Depois da morte prematura do DJ Rashad, nunca mais comentei nada por aqui sobre o footwork, nem sobre ele (mesmo sendo um assunto recorrente em qualquer fórum que eu entre). É um gênero um tanto difícil de se desmistificar – tanto que em 3 anos de intenso contato e eu ainda não consigo me referir a qualquer act do nicho sem uma introdução prévia -, e todo o seu sucesso me parece uma sucessão de pistas falsas. Mas Traxman, dentro da Teklife, sempre é o cara que ajuda a suavizar, facilitar sua intimidade com o footwork. Se no DMO V1 sua estética sample-heavy se movia com inflexão de soul e funk, nada aqui é muito diferente: seu entendimento de samplers é como um rapper usando um crooner pra cantar seus hooks, ajudando a sensibilizar o que é dito entre os versos (a utilização de Kraftwerk em “Computer Ghetto” é um grande exemplo).

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