Sob a Pele (Jonathan Glazer)

Jonathan Glazer dirigiu vários clipes nos anos 90, muitos dos quais frequentavam aquelas listas de melhores de todos os tempos, junto com diretores como Gondry e Spike Jonze. Também é bom lembrar que ele já dirigiu inúmeros comerciais, né? Porque todos esses “meios” publicitários existem, de alguma forma, em Under the skin – muito mais do que existiam em seus dois filmes anteriores (ambos ótimos). Glazer, dez anos depois de Birth, parece mais consciente e mais certo dos artifícios de imersão. E é muito bom ver filmes como UTS e, ano passado, Spring Breakers, receberem tanta atenção de gente que conscientemente sabe do seu flerte com outras estéticas e que eles se fazem necessário dentro do caos que ambos provocam.

O que é bom de se ver num sci-fi de Glazer é que ele sempre irá se distanciar da palavra high-concept. Em Under the skin não existem grandes metáforas, ele só explora ao máximo tudo o que você pode imaginar da relação opressor vs. oprimido. Nota-se que um alien, quando não coloniza, será visto como um ser estranho (= ser dominado), mas quando Scarlett descobre a genitália isto se transforma numa dicotomia: há tanto o perigo em existir como um ser estranho como em existir e ser uma mulher. Porque em ambos as relações de poder não te favorecem. E poder, aqui, não representa nada de bom.

^-^

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s