Do you, surfer girl?

Cher Lloyd ft. T.I., “I Wish”

De repente, esses dias começando a usar o Spotify ficou inevitável estar mais próximo do verão como eu gosto de estar todos os anos. As playlists para esta época são fortes e eu, assumo, perdi algum tempo ouvindo tudo aquilo (nada tão forte quanto “Problem” e “Fancy”, mas algumas surpresas como um novo single do Calvin Harris chamado, er, “Summer”, um tal de Clean Bandit que eu já conhecia e nem sabia e até é possível gostar de um single de um rapaz chamado Ed Sheeran que é, tal qual “Boyfriend” do Justin Bieber, uma pastiche de todas as parcerias dos Neptunes com o Justin Timberlake).

Eu preciso falar que eu sou um pouco tradicionalista em relação a isso tudo e, sim, fico ouvindo durante o verão muita coisa que condiz com essa época (aliás, até no natal eu gosto de ouvir… discos de natal). E há dois discos em especial que é exatamente o que eu espero (duh) pra esse verão, ou copa ou o que for. O primeiro, que saiu no início de maio, interessa menos aqui: White Women, do Chromeo; é bem o tipo de disco revivalism que eles estão acostumados a fazer e traz algumas das boas qualidades que eu mais prezo no gênero (cheesy-ismo, bobo, mas sempre no total controle de cada uma dessas opções e com olhar nada firulento para essa sonoridade).

O segundo é o Sorry I’m Late, segundo disco da Cher Lloyd. É um disco que eu tenho escutado muito nos últimos dias e o que me chama atenção na persona da Cher é o quanto ela vive num contraste com o próprio universo que cria (sim, tem um bocado em comum com a Ke$ha!). Eu observo pelas produções, especialmente as em parceria com o Shellback, que traz uma nostalgia tanto do new jack swing dos anos 90 quanto do teen-R&B da primeira metade dos anos 2000. Sons que hoje explorados parecem inteiramente voltados para o verão tranquilo, otimista; mas Cher faz questão de não vender o panfleto do otimismo. Ela é quase depressiva quando fala sobre ter 20 anos, como se já tivesse 50. Definitivamente, nada representa melhor este disco do que a versão explícita da capa.

Sua visão da love song é ponto alto aqui. Temos “Dirty Love”, um drum n bass diluído que ignora qualquer ideia de que uma música sobre amor deve ser mútua e traz Cher, basicamente, sendo egoísta. E a melhor: sua parceria com o T.I. em “I Wish”. Essa música saiu no final do ano passado, mas como um típico sintoma do verão, eu só fui dar atenção já ouvindo o disco. I Wish é uma espécie de antítese de Dirty Love, mas as duas tem em comum que ninguém saiu ganhando nesse tipo de situação.

O que eu gosto de I Wish é quando ela se apresenta na mesma frente de não-sou-tão-feliz-quanto-essas-beats-dizem do Sorry I’m Late, na sua estrutura há a ideia da garota que Cher é x a garota que o Tip quer. Quando surge o verso do Tip é que tudo fica verdadeiramente divertido; ele meio que embaralha toda a visão da Cher, e toda a noção do que ele “quer” (segundo a Cher) é deturpada. E eu assumo que tenho uma queda por esses versos no piloto automático dele, geralmente agindo como um mulherengo que não sabe bem o que dizer pras mulheres, mas a linha do “And I ain’t even trying to see you naked girl”, seguida de um “Wait, there I go exaggerate!” é uma das sacadas mais divertidas que o cara já criou.

^-^

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