Grand Piano (Eugenio Mira)

Se você procurar por Grand Piano no Google é bem capaz de encontrar mais citações a Hitchcock que ao próprio diretor do filme, Eugenio Mira. Isso é sintomático, e talvez explique o porquê ele se mostrar um filme tão importante pra mim (muito mais do que realmente achá-lo ótimo – o que, de fato, ele é).

Tudo vem de uma lembrança enquanto assistia Grand Piano, a do início da minha cinefilia. O que quer dizer também, mais ou menos, o início do meu contato com Brian de Palma. Eu não estava totalmente certo de onde circular o que, na época, me rendeu algumas experiências mais contestadoras que realmente boas. Digo porque eu encontrava muito por aí uma leitura quase universal de que De Palma era um rip-off brega de Hitchcock. Quanto a ser brega, era só uma questão de bom senso encarar como um demérito, mas ser chamado de cópia é algo realmente a se prestar atenção.

A despeito de toda a liberdade de encenação, principalmente em Blow Out e Dublê de Corpo, um filme como Grand Piano é o exato processo entre a incapacidade de criar e o autêntico (tanto quanto qualquer De Palma decente). Na verdade, Mira mostra em vários níveis – narrativamente, incluso – o quanto seu virtuosismo pode se envolver na relação que o filme tem com suas próprias influências. Talvez como em Ocean’s 12, nada aqui soe minimamente como um diálogo; no máximo, ele pede licença para sucessivas apropriações enquanto articula o próprio conceito de autenticidade.

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