Ao circuito (ou: ao Oscar)

Mais tarde tem o Oscar com Ellen Degeneres no lugar da Amy Poehler e a Tina Fey, então calculo que mais uma vez não chegue nem perto do que foi o Globo de Ouro nestes últimos dois anos. Lembro quando saíram os indicados e eu me animava com a maior parte do que via ali (dos nove indicados a melhor filme, me interessei por oito). E vendo agora, pouca coisa realmente significativa restou. Alguns diretores que eu já cheguei a defender (O. Russell, Greengrass,  Mcqueen) mostram cada dia que não valem mais a confiança.

Ainda no território das decepções, há Philomena, que embora bom não deixa a superficialidade do material escapar. Uma série de questões continuaram me instigando dias depois de ter visto (Coogan, no início, desdenha da história de Philomena, já na metade ele mesmo nos avisa quem são os mocinhos e os vilões e no fim, a própria Judi Dench está transtornada com o seu grau de envolvimento), o que só reafirma o porquê Stephen Frears continua sendo o gênio assumidamente acadêmico deste mundo. E o Ela de Spike Jonze não problematiza nem dimensionaliza nada nem ninguém; é mais fácil você elogiar o visual do Joaquin Phoenix ou a trilha sonora (só porque é feita pelo Arcade Fire).

No território dos bons tem o já discutido Gravidade e Nebraska, que soa facilmente pra mim como o melhor Payne desde Eleição, se não pelo imaginário inocente/terno que ele tem de seus personagens, pelo cuidado com este mesmo ponto de vista. E o mais forte é O Lobo de Wall Street, uma espécie de Django Livre deste ano mais pelas discussões duvidosas que atrai. Não gosto de me ater muito a tais questões, justamente pra não cair na cilada parecida com a provocada pelo filme do Tarantino, mas resta falar que ele cresce toda vez que Scorsese adentra no universo de Jordan sem muitos pudores ou algum senso crítico (pelas opções estéticas aqui, se ele fosse além o filme se tornaria um bocado supérfluo). E a trilha sonora também ajuda bastante a manter tudo em ordem.

Fora do Oscar, no início do ano passou discretamente pelo circuito o negligenciado Twixt (batizado aqui de Virgínia) de Francis Ford Coppola, uma espécie de A Beira da Loucura ainda mais divertido com o diretor consciente de que, a altura em que a sua carreira se encontra, mais vale ser esperto que talentoso.  Tal qual O Gebo e a Sombra, que já valeria a pena só para ver Manoel de Oliveira com um filme composto inteiramente de tensão.

Entre os dois, como um dos grandes destaques desse primeiro trimestre, vi essa semana o Pompéia com Paul W.S. Anderson cada dia mais maduro no seu olhar pra ação espacial, na forma como conduz um CGI – e o 3D. Penso que seus filmes são extremamente importantes (mais até do que realmente bons) para a visão que o cinema de grande orçamento permite; eu não pensaria duas vezes antes de ignorar um filme que incorporasse a estética de um video game até dois anos atrás mas algo como Pompéia (e principalmente RE:Retribuição), deixam claro que eles só precisam de um cara com a atenção e a sensibilidade que W.S. dá a tais elementos. Fora que vê-lo filmando seu próprio Spartacus era óbvio, mas condensando esse material num conto teen pessimista é ainda mais divertido.

E por fim – e sim, bem menos importante – a primeira parte do Ninfomaníaca de Lars Von Trier é o primeiro filme do diretor que só me provoca indiferença. O fato de ele estar zombando da sua fama de misógino ou aderir o gimmick não diminui o quanto isso aqui é conservador e bobo.

^-^

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s