Melhores discos de 2013 (1 de 2)

Escrevendo a noite, após sair da revisão anual de A Felicidade Não Se Compra no Olympia, um filme que eu nem sou muito fã, mas consegui rever nos últimos 3 anos sem nenhum problema (ok, com um incentivo de amigos, mas vai lá: eu mesmo não tive problemas com isso).  E num episódio de The O.C. que vi esses dias, Marissa falava “nessa época do ano (o Natal), somos mais idiotas que o normal”. Isso *talvez* justificaria eu me sentir bem com um comercial de Coca-Cola do Capra? E é algo que eu penso enquanto faço uma lista porque, simplesmente, não sei se estes textos existiriam em outro tempo. Alguns comentários que surgiram ultimamente sobre uma lista que eu fiz ano passado (!) que alertam sobre isso: umas reclamações sobre pessoalidade, talvez seja meio egocêntrico e tal.

Pode ser. Mas também, a minha relação (ou forma de relação) com música não permitira ter outro modo de falar sobre o quanto eu gosto disso, daquilo ou talvez de algo que a maioria dos *especializados* não deram atenção.

A maioria dos blogs cobre esse tipo de lista com dois objetivos: expor a relação do comentarista com o objeto citado e seduzir o leitor a respeito dele. O que eu tento fazer aqui é definitivamente mais próximo de uma exposição de ideias; não saberia nunca se, involuntariamente, algum comentário que eu faço sobre um disco não muito badalado, p. ex., for instigante pra quem lê. Se for o caso, ótimo.

E bom, como isso já tomou o espaço que eu eventualmente usaria pra relatar minha experiência com a música esse ano, o que mais representou etc. resta acrescentar que a divisão em duas partes, além do óbvio (eu dobrei os itens), ressalta um salto de ambição em cada lado. Nessa primeira parte a grande maioria são, por definição, discos menores (o termo “exercício de estilo” deve ser um lugar-comum aqui); cada um na sua visão peculiar ou objetiva representou uma parcela significativa do ano pra mim. Na segunda (espero postar antes do ano novo), discos relativamente mais impactantes. E pra começar, ainda na onda de mudanças, as menções honrosas, que esse ano serão só EPs/mixtapes/comp/mixes (segundo a FACT já é impossível discernir todos esses formatos do disco tradicional, mas eu como ainda fico muito na superfície dos tais não conseguiria fazer uma lista dessa forma). Então aqui são menções + até o #21:

Menções honrosas:
Burial, Rival Dealer
Chance the Rapper, Acid Rap
Cassie, RockaByeBaby
DJ Rashad, Rollin / I Don’t Give a Fuck
FKA twigs, EP2
Helm, Silencer
Hit-boy Presents HS87, All I’ve Ever Dreamed Of
Kelela, Cut 4 Me
The Killers, Direct Hits
Kode9, Rinse: 22
Mark Ernestus Presents Jeri-Jeri, 800% Ndagga
Migos, Young Rich Niggas
Rome Fortune, Beautiful Pimp
Tom Zé, Tribunal do Feicebuqui
Traxman, Teklife Vol. 3: The Architek

40. Quasimoto, Yessir Whatever (Stones Throw)
Quasimoto, o personagem high-pitched do Madlib, demorou 8 anos para aparecer novamente com um disco completo. Claro, ninguém notou; Madlib continua trabalhando a todo o vapor. Talvez por isso não haja muita preocupação aqui em dar continuidade na odisséia que eram os dois discos anteriores: pelo contrário, pro produtor, desde o início e em todos os níveis possíveis está claro que é um disco menor. Todo o material aqui é seguramente bom, focado etc. Madlib apenas é muito bom também sendo tradicional e, afinal, ele ainda é jazzier, ainda há seus perfeitos contrastes da voz (ela não chega a ser um artifício, mas se encaixa bem com seu toque minimalista comparado a persona frenética do Quasimoto).

39. Mac Miller, Watching Movies With the Sound Off (Universal)
Mac Miller era só uma piada em seu primeiro disco. Depois, entre tentativas válidas ou não, veio uma sequência de EPs e mixtapes tentando se redimir (nada muito substancial). Em 2013 ele conheceu Flying Lotus, Pharrell, Action Bronson, Ariana Grande, Diplo, alguns caras da Top Dwag e mais alguns da Odd Future. Um conjunto de MCs e produtores bem acima dele – eu e Mac sabemos disso. Mas algo de interessante vem no disco a partir da auto-consciência: sua voz saída diretamente de algum personagem da Looney Tunes com os versos desajeitados casam bem com as produções psychedelic-jazz, mesmo com os eventuais excessos de coolzismos. Nada que ele não possa contornar até que tenha um verso de ninguém menos que Jay Electronica numa música chamada Suplexes Inside of Complexes and Duplexes.

38. DJ Rashad, Double Cup (Hyperdub)
Ano passado falava do footwork como uma promessa ainda, com o Traxman no meu top15 e como seu disco estava ajudando a popularizá-lo, abdicando de alguns elementos mas com a mesma ideia central. Um ano se passou e fico feliz em saber como o gênero está acessível hoje e, claro, um dos mais comentados do ano. No centro, há o DJ Rashad com uma série de releases fantásticos pela Hyperdub (eu não poderia deixar de ter um que melhor resumisse parte do que ele fez em 2013) e este disco que, como seus outros já avisavam, nunca se sente pleno. Há um leve engano por aí quando se diz que este é o disco de footwork mais complexo feito até então; apesar de ter Acid Bit, Rashad aqui criou um disco competente e que mais uma vez visa aproximar o gênero de outros nichos.

37. The Fall, Re-Mit (Cherry Red Records)
Chegamos há um tipo de clichê falar que Re-Mit é um disco “de outro tempo”? Porque é a isto que se resume escrever sobre The Fall hoje em dia. Mas, realmente, é o melhor a ser dito: uma auto-descoberta e reconhecimento da própria decadência, um tipo de culto a persona que já nasce relaxado (a voz do Smith deteriorada), o espírito low-tech e, liricamente é como o intervalo entre o fim da bebedeira e o início da ressaca. É um tipo de exercício mais fascinante que eu esperaria de um disco do The Fall.

36. Bilal, A Love Surreal (eOne Music)
Um disco de Bilal vindo apenas 2 anos depois de seu anterior é por si só um evento. E trata-se também de seu mais diversificado projeto: distante das inúmeras tendência do R&B onipresente em 2013 (de rádio, de crítica) ele cria aqui algumas faixas imaginadas a partir de uma sonoridade relaxada, mas sempre sólidas lidando com o grau de experimentação no disco (é seu trabalho mais livre também, afinal). Ele não foge muito as obsessões de seus contemporâneos (baladas overdramáticas, congestionamento de sexo, influência de rock, free jazz, uma parte reservada para ser Al Green etc.), mas dentro de A Love Surreal isso é uma descontração; ele está interessado principalmente no limite (ou na falta dele) para cada um destes elementos. “Butterfly”, um confronto direto com Robert Glasper no piano não deixa mentir.

35. Autechre, Exai (Warp)
Alguém me disse há um tempo atrás que o Autechre era o grupo eletrônico mais difícil de se escrever sobre. No início do ano, quando este disco saiu, eu comecei a ouví-lo, mas nada fazia muito sentido ali pra mim. Uma trituração de ruídos? Talvez. Músicas baseadas em breaks? Prefiro o Zomby fazendo. Tudo continuou no  seu devido lugar, até que mais ou menos um mês atrás deixando o celular no aleartório, ouvi uma tal de “Recks On” – deste disco; com uma influência pesada de hip-hop, um sub-bass aqui e ali, era um delírio decididamente sobre progressão e que não se sentia mais futurista (o futuro da faixa aparentemente é esse). E depois disso… bem, acho que eu devo parar por aqui.

34. Goldfrapp, Tales of Us (Mute)
Não estava nos meus planos gostar de um disco do Goldfrapp em 2013 (talvez nem ouvir, vez que ele vazou dois meses antes do lançamento e eu só ouvi dois meses após o lançamento), a diluição no material anterior deles não fazia crer que o disco seguinte poderiar ser conceitual [!], nem tão atmosférico [!], menos ainda que simplesmente haveria muito pouco de electronica aqui [!] e que eles estariam referenciando alguns dos meus noirs preferidos [?]. Eu cheguei a comentar com alguns amigos numa primeira ouvida que ele lembrava a trilha sonora do Air para As Virgens Suicidas; não era um erro, mas um pouco redutor: os franceses cobriam a presença de uma personagem enigmática, Alison e Gregory cobrem as mais diversas narrativas entre os espaços e corpos que o percorrem (até que eles sejam mais literais, numa música chamada Laurel que, sim, trata da personagem de No Silêncio da Noite). É um caso, talvez, como Angelo Badalmentti para Twin Peaks. As concessões ainda existem (como Thea, que é sombria e encantadora na mesma medida como uma faixa da Bat for Lashes), mas eles são muito competentes enquantos estão focados.

33. Vampire Weekend, Modern Vampires of the City (XL)
Nos dois primeiros discos do Vampire Weekend, as preocupações eram sinônimos de desespero. Eles tinham um tipo de som que sempre soará quentinho (o Modern do título não é por acaso) e gostam de deixar isso bem explícito na hora de costurar suas faixas. Mas algo aqui mudou bastante: Ezra não quer maximizar nada. Se Step se confundir com algum tipo de canção de ninar, que seja. Se Diane Young for o surf-rock patético que nem os Beach Boys tentariam fazer num retorno anêmico, que seja. Em Hannah Hunt? É kistch, romântica e termina numa espécie de depreciação mútua??? Eles tão falando de Israel ou do Upper East Side? A pureza e sensibilidade com que algumas afirmações são tratadas é o que me leva a essa preocupação, junto com Koenig e Rostam. Mesmo que depois eles ainda venham falar sobre as roupas de seus críticos, isso tudo me animou bastante em 2013.

32. Blood Orange, Cupid Deluxe (Domino)
Dev Hynes fez um disco sobre contemplação de algumas individualidades. E conseguiu torná-las universais. Ele absorveu muito bem algumas influências do disco (o sophisti pop da Sade, alguns grooves do Marvin Gaye, toda a era new jack swing remexida, os vocais destemidamente andróginos são como Prince) e tem uma habilidade especial para transportar essa persona (de camadas, na dúvida dos sexos) nas composições. Por trás das melodias potencialmente pop, Hynes constrói uma fantasia de sax triste, melancólica, um erotismo que se sente pleno no próprio termo.

31. Juicy J, Stay Trippy (Columbia)
“It’s hard out here for Southern hip-hop’s ’90s pioneers”, como diria o Al Shipley num trocadilho que descreveu perfeitamente o estado em que esse disco se encontra. Juicy J vem de um duo que nunca deixou de ser apenas um fenômeno underground no hip-hop, ele deu algum crédito ao dirty south mas nunca recebeu crédito por isso e aqui está colaborando com alguns caras que tavam nas fraudas (Mike Will Made It, Lex Luger etc) quando o Three 6 Mafia já lançava grandes discos. Ah, ele tem o Dr. Luke como produtor também. Isso poderia ser um desastre do naipe de uma parceria do T6M com o Tiesto, mas não é. Em Stay Trippy, Jordan cria um discurso de autoafirmação, um triunfo que talvez só ele veja; não há nada de muito novo aqui, ele só está bastante confortável a partir de um rap muito tradicional. E como todos os holofotes estão sobre ele, Juicy ainda cria a liberdade de ter um rap de alguém como o Chris Brown [!] e receber alguns hooks horríveis de vocalistas bona fide como Justin Timberlake e Trey Songz, sem que nenhuma das faixas envolvidas sejam prejudicadas substancialmente. E num ano estranhíssimo pro rap major label (considerando que Jay Z e Kanye lançaram material), esse disco é como um ponto de equilíbrio.

30. Dawn of Midi, Dysnomia (Thirsty Ear Recordings)
A melhor capa do ano? Também, e nela eu consigo pensar também nos principais elementos que fazem esse disco tão bom:  elegância, charme, sutileza, minimalismo. O Dawn of Midi só vê cada uma dessas tags como uma capacidade de atmosfera, provocar o medo iminente sem que o disco pareça óbvio. A verdade é que tudo aqui é bastante técnico; eles estão preenchendo cada elemento com a certeza do tipo de reação a se provocar (nem, conceitualmente, o instrumentalismo cru faria diferença). Há um estudo muito bom por onde se passeia aqui (jazz, techno, Aphex Twin, Can) e bem diferente do que uma Grimes faria, esse estudo não torna seus elementos aleartórios e, err, a música ainda é humana.

29. Robin Thicke, Blurred Lines (Star Trak)
Para alguns a reminiscência pode ser uma forma de revival, para o Robin Thicke é o que separa todo o contato que ele tem com o R&B dos anos 80 de alguns tiques de retroism. Em Blurred Lines, mesmo que esse tipo de som só exista em forma de nostalgia, ele precisa acreditar que isso é o momento, e principalmente: a primeira vez em que ele existe. É o tipo de aparência (é do que vive a carreira dele, afinal) que sustenta um disco sobre estações de rádio como um disco de estações de rádio (e o que tornou toda a ambição do Daft Punk inexpressiva). Liricamente ele é funcional o suficiente para levar um universo construído no single-título adiante: o do soulman entediado, casado, nos quase 40 anos e que ainda vive de ser um tipo de sexy beast. A confiança começa a todo vapor até que a ironia se dilua em otimismo e ele encerre o disco com uma valsa [?] pessoalzinha. Como a Katherine Asaph o comparou a “Write Me Back” do R. Kelly por isso, ainda acho que ele lembra mais o discos fim-de-carreira do Marvin Gaye e Michael Jackson (Dangerous foi o último dele, né?), com alguns current trends de barriga e muita noção para ser o que eu chamaria de album de jam session.

28. Janelle Monáe, The Electric Lady (Wondaland)
2013 foi o ano em que eu vi Janelle Monae ser um pouco frágil, auto-indulgente, vi uma garota bem menos segura das suas próprias referências que em The Archandroid. Cada single que ela soltava ao longo do ano era como uma nova provação do próprio material (eu quero não usar a palavra decepção, por favor): se para um a melhor definição é pastiche (que só funciona porque, assim como o Robin, ela está interessada em reminiscência) o outro é uma autêntica faixa do Brian Mcknight (e quem diria? é a melhor do disco). Foi esquisito acompanhar todo o hype entorno dele de setembro pra cá, vez que o disco estruturalmente só confirma a percepção dos singles e mais: ele lembra muito o Because I Love It, o subestimado melhor disco da Amerie. Eu fico feliz que apesar dos impasses, no fim são 15 faixas muito boas, entre um mergulho nada sólido entre o que ela entende por/o que ela quer da música negra (o que era necessário) e as colaborações hiper sofisticadas (o que não era).

27. M.I.A., Matangi (Interscope)
Uma espécie de alimentação a persona contraditória que é M.I.A. (em mais de um sentido, já que tem aqui algumas de suas músicas mais abstratas e as mais chicletes), Matangi vem como o disco mais irregular e ao mesmo tempo o mais necessário da artista: uma reafirmação de que ela vive mais de slogans que de políticas. Google, YOLO, Drake, Lara Croft [!], Julianne Moore [!]… todos aqui surgem como arquétipos, um jogo de imposições que são a chave da autenticidade em M.I.A. Isto desencadeia sonoramente uma série de ideias muito boas; nem todas no lugar, mas de certo sempre instigantes. Com a ajuda da variedade vocal (parte infantil, parte barulhenta, doce, etc.), algumas batidas trap do Partysquad ou Hit-boy e, principalmente, duas baladas com sample vocal do Weeknd no melhor estilo de um Bon Iver no My Beautiful Dark Twisted Fantasy, Matangi talvez seja o disco que precisávamos após a turbulência que se tornou M.I.A. em 2010. É bom saber que 10 anos depois essa revolta ainda faz sentido (“Looking through your Instagram, looking for a pentagram”).

26. Jessy Lanza, Pull My Hair Back (Hyperdub)
O ano marcou o abuso de alguns discos perfumados no que a galera chama de alt r&b (tem algum termo mais decente?), alguns muito preocupados em prazeres superficiais, outros simplesmente frágeis demais. Do mesmo lado da moeda há Jessy Lanza, uma emergente da Hyperdub, que também gosta de um aspecto ‘pictórico’ dentro do disco (ao menos entre as suas influências), mas a fisicalidade e honestidade com que tudo ocorre aqui já deixam claro aonde ela pode escorregar desde o início – não que isso realmente aconteça. Jessy, com a ajuda do produtor Jeremy Greenspan dos Junior Boys, criou em Pull My Hair Back um disco de aparências: ela é mais provocante que sensual, entusiasta do whistle que é discreta demais pra parecer uma Mariah Carey, uma qualidade infantil na voz que é controlada demais para parecer bubblegum, mais frequenta boates que possibilita suas faixas boogie-oriented funcionarem dentro delas. E eu poderia passar uma semana lendo-a falar sobre a introspecção de algo, que ao menos teoricamente, é sobre cumplicidade.

25. Wolf Eyes, No Answer: Lower Floors (De Stijl)
O noise não é mais o mesmo; ver que suas principais estrelas estão caminhando em direções opostas pode ser tão instigante quanto perturbador. Os colegas John, Jim e Nate Young são pilares do gênero que não economizaram esforços em experimentar nos seus mais diversos projetos e aqui, se reunindo de novo no Wolf Eyes foi como um resultado de todas estas ideias. Se o noise é em essência desorientador, No Answer é contido; a agressividade é um clima leve de tensão, quase invisível. Eles estão no total controle de cada elemento, mas como levaram anos até se tornarem grandes estudiosos do noise, nada aqui chega a mínima possibilidade de parecer formulaico. Pelo contrário: a sensação é de ver todos os músculos de cada elemento totalmente habilitados.

24. Daniel Menche, Marriage of Metals (eMego)
Duas partes progressivamente ásperas e um objeto de perturbação que a media em que fica atrativo também ganha noções de vibração. Num disco batizado de Casamento dos Metais. Não sei o quanto eu pareço direto ou grosseiro imaginando um filme do Ken Russell a partir destas ideias.

23. Prodigy x Alchemist, Albert Einstein (Infamous Records)
Num artigo modesto sobre a desmistificação do rap como uma arte jovem, Samuel Diamond evidencia porque pode ser melhor escutar o disco de hoje do Prodigy que um mais clássico, ou anterior qualquer se preferir. Não que esse disco do melhor rapper do Mobb Deep não tenha tantos outros motivos para ser tão bom, ele apenas cresce (e se torna mais importante) nesse sentido. Numa das minhas faixas preferidas, “Confessions”, Prodigy versa de uma forma assustadora (principalmente pela sua precisão descritiva) sobre, hum, se vingar de um inimigo. Tudo pode parecer muito tradicional aqui não fosse os personagens desfocados; na verdade, eles são até um pouco unidimensionais, o que importa mesmo é o que representa o momento como uma a situação. Em Prodigy isso só pode se resolver de duas formas: na exposição da perspectiva ou a reação propriamente dita. A seu serviço, ele volta aqui mais uma vez na parceria com o parceiro de longa data, Alchemist, também um dos melhores produtores de sempre.

22. Owiny Sigoma Band, Power Punch!!! (Brownswood)
Se o primeiro autointitulado disco do Owiny Sigoma Band se assistia como um grupo de amigos de Londres indo em direção a cultura africana, este mais recente e tão bom quanto soa como músicos especialistas em cultura africana flertando com o potencial pop e experimental do Ocidente. É incrível como eles invertem algo que você imaginaria a partir dessa lógica, p. ex. o turismo de gênero inexiste aqui (mesmo quando eles pegam algo mais domesticado como o blues ou funk, todas as faixas vivem de um ilusionismo que simplesmente impedem esse pensamento!). A síntese do disco vem numa das faixas mais opostas a tudo isso (também sua melhor), “Owiny Techno”, onde há um show de bateria para um demonstração pop e as basslines ácidas, deixando a faixa quase intangível. E, claro, um discurso resumindo em “Africa, Africa”, a forma de torna essa sonoridade algo tão próprio.

21. Ciara, Ciara (Epic)
Ano que vem farão 10 anos desde que a Ciara explodiu com “Goodies”. É curioso olhar para onde ela está agora; não foi uma artista que evoluiu muito desde aquela época (não que fosse preciso), mas nos últimos anos ela tem se preocupado em reduzir suas melhores habilidades (transportar o clima das danças de ruas, criar slow jams) ao essencial. Aqui ela não exatamente estagna essa precisão, mas se esforça muito em fazer seu disco mais melódico. Eu subestimei as duas últimas faixas (Overdose e Livin It Up) pelo excesso de cálculo da aparência eurostep, mas neste contexto são dois momentos fortes dentro dele. Ela combina isso a uma boa agressividade (a até agora indescritível “Super Turnt Up” e o disco já abre com um dos melhores raps do ano, cortesia da Nicki Minaj), uma espécie de mutação para os convidados sem que nada fuja ao controle (um country crunk com Future, um bubblegum com Darkchild, etc.) e o resultado é um soft r&b de primeira.

4 comentários em “Melhores discos de 2013 (1 de 2)”

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