30 grandes músicas de 2013

Lembro que falei algo assim ano passado, mas é sempre bom lembrar que gosto de fazer essa lista de faixas como um complemento a outra que eu farei de discos. Evito colocar artistas que seguem um mesmo fluxo pelo disco (Julia Holter, Okkyung Lee) ou então são muito focados dentro de um mesmo conceito (Bill Callahan, Pusha T); claro, este pode não ser lá o melhor critério do mundo, mas como eu falo sobre cada uma dessas faixas e cada um dos discos, acaba que sempre os comentários tendem a ser parecidos e também, como é um número baixo (acredite, no primeiro corte eu selecionei mais de 100 músicas!) dá espaço a singles que  se enquadram na descrição do (meu) ano perfeitamente. Mas o rigor não será como no passado, há sim vários artistas listados abaixo que entrarão na minha lista de discos (o top5 então, está poluído por alguns deles); então se é pra dar uma definição mais concreta do que é essa lista, eu diria que são as faixas que mais andaram no random do meu iTunes em 2013. [A opção pela ordem alfabética e não por posições foi pelo meu nível de admiração por cada uma aí vai mais por algum motivo pessoal, mesmo. Só as últimas 5, até por serem o ouro do ano, eu tentei ser seletivo.] Enfim, está aí, só não digam que sentiram falta de Get Lucky e Control, por favor.

Katy B, “5 AM”
Katy e seu deep house top40-friendly, um esvaziamento de overprodução, uma aula de economia. Bom ver que, mesmo tendo alguém da linha de Charli XCX/Sky Ferreira avisando o que é o pop na blogosfera, Katy B é quem dá as cartas quando se trata do song craft – e qual é o seu verdadeiro prazer ao escutar uma faixa.

DJ Rashad f/ Addison Groove, “Acid Bit”
Um que eu penei pra escolher qual single botar aqui, e acho que nem há necessidade de explicar o porquê né. Esse é o corte mais estranho na carreira do Rashad; mais que uma excêntrica brincadeira do mestre do juke com o acid house, é uma porrada de synths, jazzista, direta, gigantesca. Um stop-flowing dentro e fora de qualquer disco.

Lone, “Airglow Fires”
Há uma razão para o Matt Cutler entender as raves anos 90 sem uma habitual falsa nostalgia: o sentido de dance arena encontrado em Fires só poderia existir naquele tempo e Cutler, inteligentemente, menos tenta capturar que remodelar esse tempo. E se em 2013 o revival deste período esteve tão acessível a diversos nichos, Cutler pede licença, ao realizar uma faixa como essa, para mostrar porque ele é o centro deste momento.

Ariana Grande, “Baby I”
“The words don’t ever come out right” é a forma da Ariana dizer que Baby I significa I love you. É bem pueril, eu sei, mas é também a melhor forma a se fazer: não há a remota possibilidade de um diálogo, ela canta um momento seu convertido em versos semi-diabéticos, sobre as incertezas universais. Mas que, mais uma vez: são só sobre ela. Detalhe que junte a interpretação overdramatica (quando não simplesmente fake) da Ariana e a produção do Babyface que é como se ele estivesse enxergando seus tempos de glória através de uma atualização (as discretas batidas trap), e ela se transformou numa boa alternativa pra quem sente falta da Amerie.

Sophie, “BIPP”
Li esses dias uma entrevista com esse enigmático produtor (ou produtora, vai saber) a respeito de referências estilísticas: Sophie diz que conceito vem a frente de estética e, por mais restrições que eu tenha essa ideia, algo de interessante em Bipp se constrói a partir dela. Sua textura é alegre, a vibração da voz gélida é colorida, seus agudos um poço de intenções fúteis/infantis… tudo parte de um conceito que talvez nem sempre vá em direção à sonoridade. Como Rustie me ensinou, eu deveria achar isso um club-ready redundante; mas por 4 minutos gostei de me sentir enganado.

Kanye West, “Blood on the Leaves”
Kanye tomando a revolta/protesto da Nina Simone para si: ele é um grande momento dentro de um espetáculo, pudera. Sua mulher, a personificação do espetáculo. Seu filho surge imerso a ele – e Kanye parece certo do tipo de situação conflitante em que se envolveu. Não é indo na direção contrária a cultura de celebridades; mas ressaltar, num corte à 808s & Heartbreak, o quão violenta ela pode ser.

Ciara, “Body Party”
Body Party vem de um argumento quase redundante, mas sempre certeiro para as grandes faixas de R&B: ela é física. Este tipo de intimidade a qual canções como Body Party estão habituadas é que permitem as mais variadas metáforas mais do que serem funcionais, criarem catarse (alguém duvida que o motivo da festa com Ludacris, Mike Will Made It, Jazze Pha e etc. no clipe seja realmente comemorar um encontro entre Ciara e Future?). Os ooohs num 808 selvagem por Future e Ciara, cheia de Gaye-isms retribui (“I’m having so much fun with you!”); uma defesa clara a escrever sobre o lado carnal dos relacionamentos.

Prince, “Breakfast Can Wait”
Eis aqui algumas tags que descrevem o que é a persona [?!!] do Prince nos últimos 15-20 anos: maldição, sexo, humor, elegância, virtuosismo, ironia. Fico feliz que ele possa fazer ainda uma faixa auxiliada por tudo isso e que, sua maior carta na manga seja uma preocupação em ser “notada” (SER uma sex jam, SER congestionada, representar a mitologia do artista etc); é o tipo de coisa que menos garante sua relevância que faz notar as dificuldades na mudança de processo de quem já passou do ponto.

Karol Conka, “Caxambú”
Em tese, é o tipo de faixa obsessão entre 11 a cada 10 rappers do Brasil (há exploração de estilos em excesso, só isso basta). Agora: é uma estética única sendo formada, um diálogo claro – e honesto – com as ruas. Se tem um pancadão funk é porque Karol vai em direção as pistas e, sim, rima porque é divertido; se tem o trap, são seus próprios instintos e ambições entrando em jogo (ela fala em Nicki Minaj e M.I.A. com a convicção que se espera) e se tem o afrobeat, é o que ela entende por persona.

Lady Gaga f/ R. Kelly, “Do What You Want”
Essa é a única faixa da lista que está dentro de um disco que eu colocaria fácil entre os 3 piores de 2013. A culpada é só a Lady Gaga mesmo, porque seus acertos vem quando se é tão somente mercadológica: 1) sim, isso foi uma tentativa picareta de recuperar algum crédito com os críticos, 2) sim, ela evoca – e esvazia – alguns dos melhores singles do ano e 3) sim, é uma letra DGAF tão expressiva e desigual quanto qualquer uma que a Miley Cyrus cantou este ano. Mas vale lembrar também que é uma música totalmente relaxada diante das suas próprias ambições, com um  prazer em ser contraponto ideal a produção esquizofrênica (uma mistura de nu-disco, french house e o synth-funk do Prince nos anos 80) e uma presença marcante do R. Kelly, que é como uma extensão do personagem cartoon de Blurred Lines.

2 Chainz f/ Pharrell, “Feds Watching”
E voltamos a 2005: os Neptunes dando aos seus amigos alguns dos melhores singles do ano e aparecem alguns rappers (ruins) implorando por uma batida sua semi-pronta (irônico que o outro rapper, no caso, seja Azealia Banks). Eu não sei como falar que essa música é tão grande sem mencionar clichês ambulantes, sobre como a interação entre o Pharrell e 2 Chainz é realmente muito boa, seu flow habitual dá lugar a versos padrões/funcionais e algo assim, mas resta lembrar que ele é o tipo de rapper bobão que me interessa bem mais que a média dos derivados absurdos do Kanye e que seu (autoconsciente) potencial memeático transformou o #METIME um forte candidato a guilty pleasure do ano.

The Knife, “Full of Fire”
Se tem uma lição que aquela ópera colaborativa desinteressante deixou, é que o Knife tende a estar cada vez mais próximos de sound designers, infelizmente. Seu hiper discutido disco desse ano, Shaking the Habitual, parte era instigante, parte estendia uma discussão que já nascia zumbi (afinal, há muito pouco sobre social media e sexualidade realmente sendo dito ali). Na parte instigante, sobra esse banger ácido de 9 minutos; espécie de abertura ‘de era’ com seu coldwave techno e um cocktail de post-punk. É, por mais improvável que pareça, uma faixa mínima; que só revela o sentido de tamanho interesse em seus últimos instantes. Talvez por isso seja tão boa.

R. Kelly, “Genius”
Exercício de cinismo rápido, olhar num fórum qualquer comentários sobre essa música: alguém chama Kellz de gimmicky, alguém diz que um senhor de 46 anos devia tomar vergonha na cara, alguém menciona que ele é o melhor letrista pós-moderno [!!!] do mundo, depois “”I’m the head of my class, girl you makin me look me better” = W.O.”. Creio que esta seja a vantagem de ainda se ouvir uma grande slow jam de R. Kelly.

Machinedrum, “Gunshotta”
Stewart continua obcecado pela variabilidade do footwork (pensar que ele tem sido um dos mais prolíficos entusiastas do gênero…) É uma faixa maximalista sobrre superfícies, e mais, por superfícies. Precisa de mais?

Drake f/ Majid Jordan, “Hold On, We’re Going Home”
Já falei um bocado sobre essa música aqui há um tempo atrás, mas acrescento que Drake consegue seus melhores momentos quando ele é um falso crente em sua própria bobagem: ele canaliza suas vitórias como uma ponte de solidão, mimetiza e pasteuriza um mesmo tipo de sonoridade (ok, ele finge que só mimetiza)  e que não fazer rap o deixa mais gentil. Duhh. Devo dizer que meu maior interesse é em como ele vai em direção a estas ideias: ele quer tanto acreditar nesse universo utópico (e a produção com aquelas batidas cardíacas [??????], você sabe que quando ele termina de cantar, ela diz #getoverit), mesmo sabendo que: ele é utópico. Nota: é um pouco bizarro andar pela internet e ler que esse é o tipo de música que descreve a  minha geração, mesmo.

Tyler, the Creator f/ Pharrell, “IFHY”
Primeiro, acho que a prática da metalinguagem no Tyler (“This isn’t a song, I just happen to rhyme when I get emo”) é especial depois de seu período de conduta questionável – que nem seria necessário, aliás, se Yonkers não tivesse lhe dado uma plataforma maior -, termina sendo uma boa forma (in)direta de explicar seu processo. Segundo, eu sei que seus versos práticos de stan/obsessão não entram na linha da humanização que é tanto pregada no Wolf mas, porra, o Tyler recebe um hook do cara que ele mesmo chama de meu herói. E sendo o Pharrell um contraste nebuloso (“I like when we hold hands”); é como ele se habituou a ser em 2013, um guru-soul humanista (obrigado ao Dan Donaghy pela invenção do termo). É tanto sobre uma decepção como sobre um ensinamento. ‘Passive-aggressive’, como os dois mencionam.

Jessie Ware, “Imagine It Was Us”
Jessie Ware fez um fantástico disco quiet storm ano passado, mas evitando comparações com qualquer outra do formato, ela encara aqui a direção as pistas de dança como um exercício rotineiro. Vindo de um 4/4 comum e a tentativa disco-inflected revivalista mais desajeitada/afetada que o Bashmore poderia fazer, Ware é um eterno êxtase e a profusão de ambiguidade, o que deu a Imagine uma especificidade até mais clara que em outras faixas do Devotion.

MC Carol, “Não Consigo Esquecer”
O ano foi da Marcelly bombando entre os jogadores de futebol e Dede, que acredita no potencial pop do funk mais que qualquer pasteurização que se autodenomine funk melody, mas Carol é uma força maior. É brilhante. Sua foça é kitsch, seu lirismo é teatral e sua voz uma fúria trágica que é o melhor show cômico que o Brasil poderia ter. Emblemático e corajoso.

Kode9, “Ok”
Curioso ver como a Hyperdub leva a carreira do Steve Goodman à fase de declínio do dubstep (dentro do seu mix pra Rinse este ano há até duas incursões moderadamente bem-sucedidas no footwork): há um esvaziamento de atmosfera muito bom aqui, e este é o ponto para que Goodman use um bass-driven rasgado/influência de trap e o passeio breakneck ao dance ainda pareça macrocósmico.

Four Tet, “Parallel Jalebi”
Apesar de eu até preferir, este ano, o Hebden mais desafiador em Kool FM, seu lado mais seguro em Paralle Jalebi é inevitavelmente mais forte: seu minimalismo sempre soa preenchido e o looping uma forma de atmosfera. Não há o que reclamar, na verdade.

Passo Torto, “Passarinho Esquisito”
Música urbana com especificidade rock, sem que necessariamente se enquadre dentro dele. Os paulistanos nos últimos anos (ver: Metá Metá) tem alguns dos melhores poemas sobre relações no espaço intrincado da cidade. Quando Romulo Fróes fala sobre o medo de solidão de certo parece um momento mais revigorante/excêntrico que uma típica lamentação. É estimulante ouvir quando cada verso parece mais temeroso.

A$AP Ferg f/ Shabba Ranks, Busta Rhymes & Migos, “Shabba Remix”
A rima do Ferg de Pikachu com Yeezus do, o Busta canalizando o seu melhor em algum tempo numa mera linha (“Bag your bitch, now she my private dancer”). Uma aula.

Haim, “The Wire”
As Haim, de certo, não fogem muito ao padrão dos grupinhos de vitrine que se formam na Urban Outfitters, mas quando elas lançaram seu disco de estreia esse ano (uma bela surpresa) parte das intenções que soavam ora pastiche ora simplesmente estupidez se resolveram em um muito sólido movimento smuggled. “The Wire”, em especial, é o tipo  de música alegre a se pensar num karaokê de sábado a noite. É um otimismo com a dose de crueldade passando despercebida. “You know there’s no rhyme or reason / For the way you turned out to be” – e ouvir esse tipo de coisa numa faixa que evoca Eagles e Shania Twain é especialmente bom.

Justin Timberlake, “Tunnel Vision”
Há algo sobre precisão que bateu com todo (sim, incluindo essa overdose no segundo semestre) o trabalho do Justin este ano. Há algo mais especial ainda em Tunnel Vision, que assumindo uma influência de EDM, reverte essa situação sem necessariamente remodelar sua estética. Ele não precisa de progressão pra esticar seus limites, o rigor continua ali de qualquer forma. Abrindo com um sample propositalmente malicioso, que confunde o “lie” de i know you lie com “like it” sem problemas; soltando os timbo-isms de um beatbox e se preocupando em costurar cada instante até que seu vocal possa chegar. É de uma percussão orgânica de 7 minutos que eu falo. E também, foi lá no final de março a primeira música que eu declarei que representaria este ano pra mim e, por um longo tempo, chamei de a melhor do ano. É um trunfo dentro do que já se chama de auge. Talvez seja a mais importante, pelo menos.

Disclosure f/ Alunageorge, “White Noise”
Eram tantos singles pra escolher do Disclosure nessa lista, mas preferi ficar com o mais óbvio e também o que andou comigo um ano inteiro. É como se Aluna estivesse expondo fragilidade em uma música sobre emoções extremas, derrotas etc. E no refrão, um momento de pânico (“just noise! white noise”), com os irmãos Lawrence existindo ali como um autocontrole na batida g&b perdida em algum lugar dos anos 90.

E as 5 obras-primas do ano, em ordem agora:

5. Vampire Weekend, “Hannah Hunt”
“There is no future, there is no answer”. São preocupações dignas de um mumblecore únicos-no-mundo que interessam ao Koenig. É claro, em parte a ambição aqui aponta para como a evolução é importante para os vampiros (e olha que depois do Contra, evoluir é uma atitude redundante…), mas não é bem isso que age na letra. Ele canta sobre a confiança que precisa sentir em Hannah, o quanto isso caracteriza uma estabilidade emocional (“Though we live on the US Dollar”). São escolhas fáceis para a frustração (do Koenng, da Hannah, do ouvinte), é verdade, mas é a forma dele se mostrar otimista as intenções alheias (“Count the seconds, watching the hours”).

4. Robin Thicke f/ T.I. & Pharrell, “Blurred Lines”
Se você pensar que em 2013 foi um ano especial para discos polarizantes (Kanye, Arcade Fire, Daft Punk) principalmente por serem frutos de uma campanha de marketing singular, Blurred Lines foi como a música polarizante de 2013. Eu esperava me sentir como um “sobrevivente” lembrando aqui (por ser um entusiasta desde março e ter acompanhado todo o tipo de backlash que Lines passou; mas ok, não vou me ater a isso, há gente o suficiente fazendo muito melhor), mas fico feliz que ela não tenha passado em branco em uma boa parcela das listas. De resto há dois pontos que são frequentemente esquecidos por aí e eu gostaria de lembrar: a) apesar de ser um pop soul crossover por excelência, é gratificante ver como o Robin pensa em cada elemento como a situação da música exige: um canalha nos falsettos, um ridículo no refrão, sem alongar nem tornar histérico aquilo que já soa agressivo (eu sei que isso é meio redundante num rápido consenso, mas se considerarmos que os artistas de r&b pós-Usher adeptos do melisma em sua maioria fazem faixas pensando diretamente em refrão/voz… há quantos como o Robin por aí? Nash, Timberlake?). E b) ele tem um tipo de obsessão por seus ídolos que, assim como a Janelle Monae, pôde formular uma personalidade inteira a partir de colagens deles. Isso é o que torna Blurred Lines ainda mais ridícula e, ainda mais interessante também: há Got to Give Up, que era Gaye batendo de frente com suas frustrações; Robin, ao contrário, gosta das frustrações, gosta de falar sobre em linhas que se confundem entre uma auto-zoação e uma crença bizarra. Ele não quer só lembrar, homenagear Gaye; quer caçoar, condensar, alterar, brincar, irritar… Há muito aqui para afirmar que Blurred Lines é a melhor música dorky-guy em algum tempo (sim, eu ouvi o disco do Lonely Island).

3. Mayer Hawthorne, “Wine Glass Woman”
Como o Robin, Mayer é um auteur que fez um disco esse ano encharcado de superprodutores. Diferente do Robin, Mayer se reservou ao papel de craftsman; por isso mesmo, fico mais a vontade em falar que isso é sobre a genialidade do Pharrell acima de tudo (e o próprio diz que o Pharrell o entendeu como produtor de uma forma que ele mesmo não conseguiu). Ele diz “We will sample sounds, to use them” sendo o cara que provavelmente não é muito como um engenheiro, é uma sonoridade bruta e ainda assim meramente contemplativa. Há todas aquelas ideias muito boas sobre música orgânica por meio de basslines (o que deixa mais evidente é que aqui ele simplesmente confia nessa percepção) e os loops (o começo e o fim são as únicas definições, o resto é um padrão que ele segue quase ortodoxamente com tags como humano, sincero etc.), sendo o que chamamos de conjuntura de seu trabalho. Eu nem quero começar a falar de ProTools, Logic, EQ e essas chatices todas, mas se alguém pudesse deixar qualquer discussão sobre técnica menos maçante eu não tenho dúvidas de que seria o Pharrell.

2. William Basinski, “The Trail of Tears”
Se Pharrell vê os loops como um mosaico, Basinski é o controle do tempo. Ou a perdição dele, digo. Em Trail of Tears é como um êxtase em busca da desconstrução, como a perdição de seus instantes (é o que deixa sua obra atemporal). Mas como Pharrell, acima de tudo, ele procura humanidade na estética: o loop mimetiza pulsação, respiração, reações a gemidos etc. É genuíno e é emocionante, ainda mais quando ele atinge um estado de espírito quase indecifrável (presente em uma espécie de negociação com o drone, já na segunda metade). A faixa-título pode ser o motivo que leva o Nocturnes a não saltar direto pros meus discos preferidos, mas esta canaliza imagens múltiplas e dilacera o que estiver dentro delas (espaços, movimentos, corpos) como um trabalho das mais diversas perspectivas sobre os mesmos.

1. Major Lazer f/ Ezra Koenig, “Jessica”
Atenção, sentindo como se os seus 12-13 estivessem recapitulados: a) eu também me sinto um otário a ponto de dizer que ela sabe de tudo e eu não sei de nada (“Teach me to burn, teach me to speak” – o frisson é como uma sensação literal), b) eu provavelmente também queria falar frases de efeito em outras línguas para parecer impressionável (e Koening realmente canta – ou fala – de um jeito despojado, numa falsa desimportância!), c) seus defeitos eram poréns facilmente esquecidos porque eram os outros que estavam errados (“Some girls they call the shots / Other girls might call your shots” – é o tipo de hipnose que todo mundo tem que passar em algum momento da vida). Ah, e d) sim, ela tinha esse nome também. E aí? E aí que o Diplo, no alto de sua busca pela sintonia da canção pop ideal e a sua excêntrica variedade sonora chama o vocal do Vampire Weekend, num ano em que eles encontraram o peso ideal para suas preocupações, para esse electro-reggae-lofi e se dividir na voz entre a sensibilidade/fragilidade. Como a banda com que eles dialogam fez, há uma melodia muito boa que entre outras coisas, é o que faz a faixa se constituir basicamente de catarse. É por isso que eu me sinto a vontade pra falar essas bobagens, sabe…

2 comentários em “30 grandes músicas de 2013”

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