50 melhores filmes de 2012

Cronenberg A DANGEROUS METHOD

Chegando a última das listas de fim de ano, dessa vez relacionada aos melhores filmes vistos de 2012. Essa vai ser longa, e mais ou menos pelo mesmo motivo que as outras são curtas: ao contrário dos discos, numa lista de filmes quanto maior o número, mais pessoal ela parece. Pra mim, ao menos.  E aqui é o que vale. Esse ano, eu posto a lista mais tranquilo do que no ano passado, enquanto lamentava por não conseguir ver vários dos filmes que mais aguardava (e alguns até agora não consegui), afinal as listas estão sempre em progresso; querer ver todos os filmes do mundo de uma vez só é bobagem. Pode até que role uma ou outra injustiça, mas fazer o que? A culpa deve cair toda sobre o nosso circuito tão fechado que empurra filmes como Um Alguém Apaixonado e O Homem que Não Dormia apenas para algumas salas das principais capitais do país. Como regra, o de sempre, apenas filmes que chegaram de alguma forma esse ano no Brasil, seja no cinema, DVD ou até em TV (sim, já existe isso, caso do documentário do Ferrara e As Acácias nas menções). E lá em baixo uma pequena lembrança de tudo o que de pior o cinema reservou esse ano também.

Menções honrosas: Deus da Carnificina (Roman Polanski), O Código (Boaz Yakin), Para Roma Com Amor (Woody Allen), O Porto (Aki Kaurismäki), Coriolanus (Ralph Fiennes), Operação Sofia (Isaac Florentine), Jane Eyre (Cary Fukunaga), A Difícil Vingança (Terry Miles), Kaboom (Gregg Araki), Battleship – A Batalha dos Mares (Peter Berg), Curvas da Vida (Robert Lorenz), O Babá(ca) (David Gordon Green), O Cavaleiro das Trevas Ressurge (Christopher Nolan), O Vingador do Futuro (Len Wiseman), As Acácias (Pablo Giorgelli), Tropicália (Marcelo Machado), Sete Dias Com Marilyn (Simon Curtis), Projeto X (Nima Nourizadeh), Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo (Lorene Scafaria), Pequenos Espiões 4 (Robert Rodriguez), A Guerra Está Declarada (Valérie Donzelli), Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios (Beto Brant e Renato Ciasca), Espelho Espelho Meu (Tarsem Singh), Cavalo de Guerra (Steven Spielberg), O Espião que Sabia Demais (Tomas Alfredson).

tmw150. Gerra é Guerra (McG)
Habitualmente iniciando com uma ligeira decepção, como já observou o Trevor Link, o McG se vê hoje em dia imune a críticas; seu cinema já não tem muita diferença pra um playground e ele se sente livre pra ser experimental e convencional num mesmo filme em intervalo de segundos. Naturalmente, essa miscelância pedia por um filme como Guerra é Guerra, num tempo propício a este tipo de filme e McG, como um bom autor que é, dedica a primeira metade a subverter a ideia desse subgênero (unir comédia romântica e filme de ação): cada um está pro seu lado, e o diretor realmente se dedica em construir a comédia-romântica-padrão como bom veículo pra excelente Resse Whiterspoon (sempre dando ênfase a plasticidade do seu rosto tipicamente americano). Quando os dois universos se encontram, McG tem mais chances de reforçar seu padrão estético (a sensibilidade em personagens saídos diretamente de desenhos animados), mas espantosamente ele se dilui demais em sustentar o argumento – a presença de Chelsea Handler não nega – gerando um filme “sem gênero” problemático demais e nunca tão forte quanto a “comédia romântica”, o “filme de ação”. Há de se destacar sequências isoladas dessa segunda parte, como o momento do tranquilizante e a troca de Smooth Operator por Sabotage que é uma das coisas mais geniais presenciadas num cinema esse ano, mas de um modo geral é meio decepcionante.

menosquenada49. Menos Que Nada (Carlos Gerbase)
Por mais que Gerbase opite constantemente por uma engenharia de argumento inofensiva, Menos Que Nada é um filme desconcertante no que tem de material para uma investigação. É óbvio que muito da força dele vem do roteiro muito bem intrincado; deixa pistas ao longo da narrativa fragmentada para uma conclusão sólida e gere um forte impacto (e o fato de ser um simples engenheiro para Gerbase ao longo de todo filme é fundamental para o choque narrativo e estético que o espectador venha a ter no ato final), mas vale lembrar também toda a construção de Dante enquanto esqizofrênico especialmente o como ele constrata com as personagens femininas, sempre tão distantes de um lugar ideal dentro do filme, é como se elas não existissem na realidade dele.

exercicio48. O Exercício do Poder (Pierre Schöller)
Alguns filmes fazem tanto valer a sua recepção, que o próprio material acaba virando a favor do que foi dito. O Exercício do Poder não chega a ser um grande filme político como muitos querem, e também está longe de ser o tipo impessoal e irrelevante como várias opiniões após o alarde entorno dele dizem. O maior problema que Schöller enfrenta é tentar construir toda a figura do homem da politica (não confundir com o homem político) no meio da imagem que é usada como maior artifício ao poder; a partir daí em diante o filme fica tão frágil quanto interessante. O impacto da primeira cena é forte e permanece como síntese das ideias de seu diretor, mas é importante ressaltar toda a rotina do personagem do Olivier Gourmet com seu clima contidamente desesperador e a sequência do acidente que alcança uma angústia que o resto do filme nem sonha conseguir. No fundo, um filme que reconhece política e encenação na mesma embalagem.

The Bourne Legacy 2012 BRRip 500MB screenshot 347. O Legado Bourne (Tony Gilroy)
A recepção quem herdou foi Nolan, mas o verdadeiro Pollack desse tempo é mesmo Tony Gilroy; a sua participação em Michael Clayton não mentia, Duplicidade é o filme que nem ele mesmo teve coragem de realizar e O Legado Bourne é o que estabelece Gilroy como o cineasta do futuro. E “futuro” nesse caso, sem nenhuma outra intenção, é apenas o cinema como prenúncio (de algo maior que certamente não virá), de pistas (as falsas são o que ele faz de melhor). Gilroy sabe bem quando e porquê ser picareta – um plano de explicação expositiva que resolve estender sua duração por puro narcisismo do diretor e ao mesmo tempo consegue fazer total sentido dentro dessa bagunça que ele criou é realmente louvável – e sabe bem como extrair densidade dos atores mesmo em personagens desengonçados (na primeira metade Rachel Weisz é a simples mocinha metida onde ela não quer estar, na segunda é quem verdadeiramente comanda a energia do filme).

pitchperfect846. A Escolha Perfeita (Jason Moore)
Uma subdivisão do filme teen americano (e alguém notou o quanto eles diminuíram?) que tem rodado com frequência nos últimos 5 ou 6 anos diz respeito aos que seguem já algumas das regras do clã Apatow (como Anjos da Lei, mais adiante). A Escolha Perfeita tem muito disso; inúmeras piadas de constrangimento são jogadas na tela principalmente com vômito e o feminismo. E para por aí, afinal quando há a possibilidade de Moore se aproximar mais da sensibilidade de Apatow, o filme fica gélido (em meio a personagem da Anna Kendrick, há a descoberta do amor e a relação conflituosa com o pai, jogadas totalmente para escanteio). O centro é como uma atualização precisa e pertinente de Meninas Malvadas, preservando o que Tina Fey deixava de mais ácido e a auto-ironia (antes a piada era com American Pie, agora com Glee; além de ambos “fecharem” uma relação clara com o público destes veículos). É por aí que A Escolha Perfeita encontra sua autenticidade: seja pelos dois locutores das audições ou pelo diálogo com O Clube dos Cinco, Moore nos mostra (na Anna Kendrick, mais uma vez) como a crítica e o material ironizado são verdadeiros aliados.

dragon245. Olhos de Dragão (John Hyams)
Há a teoria de que todo filme de ação é um filme de ator, que quando um diretor filma uma cena de luta ele tende a pensar conforme o corpo pode/poderia suportar. Aqui, Hyams dá ênfase ao atletismo de Cung Lee como seu principal marco ao longo do filme, mas ele pensa também que ator e ação devem estar integrados a partir do momento em que filma olhares e a postura dentro de um embate; fortalecendo assim uma ideia de “filme de ator” bem particular, onde expressão diz bem menos do que o habitual. Hyams constrói Olhos de Dragão mais ou menos desta ideia, ao mesmo tempo que amplia seu senso de mise en scene com a utilização do espaço em geral como algo mínimo (mesmo que seja um local grande, a iluminação que se dá muitas vezes pelos faróis de um carro, trata de diminuir a sua potência dentro do plano), degradado. De fato, não chega a ter o mesmo rigor da contribuição de Hyams para a série Soldado Universal, mas Olhos de Dragão segue como uma boa variação de sua promissora carreira.

brake444. A Conspiração (Gabe Torres)
Ótimo filme-B quase experimental em seu uso de um mínimo cenário por 80 minutos com uso preciso e consciente do décor. Torres é filho da TV e não renega certos cacoetes à CSI, aliás Brake tem uma verve pulp bem autêntica que nós costumamos encontrar num bom episódio de 24 Horas ao mesmo tempo em que o diretor preza por uma condução estilizada digna de um Spielberg novo de Encurralado. Gosto principalmente daquele primeiro momento em que há uma cena externa a ser filmada; do ponto de vista de Jeremy aparece um mendigo e seu cachorro e Torres filma a cena como se aquilo fosse repulsivo para Jeremy – de repente, a caixa se tornou a única realidade para ele. Brake, infelizmente, adota também uma prática já velha conhecida do cinema americano que aparentemente nem o filme do orçamento mais barato está ileso: o “quanto mais surpreendente melhor”, portanto não chega a ser uma surpresa que a revelação do fim soe ridícula (eu até achei bem simpática, mas não nego que preferia que o filme terminasse com Jeremy ainda dentro da caixa).

screenshot-0008042-I-82443. Anjos da Lei (Phil Lord e Christopher Miller)
Um ótimo processo sobre o relacionamento do público em geral com narrativas convencionais. Como Tina Fey fazia em Meninas Malvadas (especialmente na compreensão com que ambos os filmes tem de que nas comédias, é quase impossível traçar um retrato fiel dos adolescentes), Anjos da Lei está em constante sintonia com o material que religiosamente reverencia (a série original) ao mesmo tempo em que não se satisfaz com qualquer “cacoete” de nostalgia (a participação de Johnny Depp talvez seja uma exceção). De pano-de-fundo, os personagens desconcertantes do mundo que é a maior obsessão da comédia americana desde que os Farrelly existem, mas que aqui se destacam primeiro por superar o pós-modernismo de uma forma comum e também por trazer uma sensibilidade narrativa essencialmente contemporânea.

luz42. Luz nas Trevas, a volta do Bandido da Luz Vermelha (Helena Ignez e Ícaro Martins)
Os paralelos com Encarnação do Demônio do Mojica não são poucos e, parte do projeto de Helena Ignez e Ícaro Martins ser bem-sucedido vem da ideia que Mojica ajudou a desmistificar com sua obra-prima (a do material de reverência “infilmável”): Luz nas Trevas é sobre uma herança de Sganzerla ao cinema brasileiro atual e por isto, um filme caótico por necessidade. Já não estamos mais em 68, o bandido romantizado como um herói já não tem mais o mesmo apelo, a contracultura já faz parte da cultura e muito do que o cinema de Sganzerla tinha de mais transgressor hoje encontramos com a acessibilidade em cultura de massa (a participação do Thunderbird em especial, remete-nos logo a qualquer programa cômico escrachado que tem aos montes por aí). O que Luz nas Trevas tem de melhor é quando a mise en scène dos diretores (assim como a de Mojica) inteligentemente busca através de um personagem mítico força para não se sufocar no presente (ou seja, se unindo a ele).

jedgar341. J. Edgar (Clint Eastwood)
Após escravizar a velhice em Gran Torino e aceitá-la num processo catártico de Além da Vida, Eastwood volta a ela num ideal de demônio – cada plano mostrando o J Edgar jovem é um martírio que o J Edgar lotado de maquiagem e camadas de silicone tem de enfrentar. É claro que até o final nós já sabemos que atrás do Leonardo Dicaprio há o próprio Eastwood nos garantindo que a velhice chegou a ele que tratou de expulsá-la, mas o bom do filme mesmo é acompanhar o processo de esvaziamento histórico sofrido, como em Bird, e como este trata exatamente do fim lento de um corpo (jovem ou velho). Um fato é que se vermos o filme J. Edgar como sendo sobre o J. Edgar ele parecerá superficial demais, porque Estwood trabalha com uma visão pré-estabelecida do personagem (só há aproximação com o que ele tinha de mais mitológico, a do homem do ego grande e o homossexual) e a partir dela cria uma ideia própria para um filme sem vocação para as figuras.

lapollonide40. L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância (Bertrand Bonello)
Três corpos inserem-se no plano através de portas; os corpos se encontram naturalmente, para em seguida cada um tomar seu caminho. Admitir-se em outro plano, enquanto este fica novamente vazio. L’Apollonide é sobre o corpo (associado ao) e o sexo, mas é sobre o interior também. O interior claustrofóbico do espaço (onde se passa a maior parte do filme) e o interior feminino: aquelas mulheres vivem sonhos mas principalmente apontam suas frustrações, suas fraquezas. Nota-se que apesar do cuidado na luz e na encenação como produtos da época em que retrata, é também sobre hoje – pouco a pouco as estranhezas com a música e o modo de falar das mulheres passam -, que Bonello inteligentemente deixa subentendido ao longo do filme, mas não se contém no final perigoso a tudo construído por ele até então.

The-Mill-and-the-Cross139. O Moinho e a Cruz (Lech Majewski)
Um hipnótico exercício visual e um quadro de composição de imagens que dispensa comentários. A vontade de arrumar as personagens numa narrativa de ficção nem sempre é coerente, assim como a excessiva necessidade de explicar e justificar figuras não acrescenta mas permite ao quadro contemplativo que se desenha habitualmente entre o visitante de um museu e o que vemos nas suas paredes aquela lógica de relacionamento que vive mais sobretudo de sensações. Um detalhe que fica mais a título de curiosidade a qualquer outra coisa, a observação e crítica sócio-política embutida na obra de Bruegel como reflexo da atual condição humana e, simultaneamente, uma interessante aula de História do Renascentismo.

habemus38. Habemus Papam (Nanni Moretti)
Há duas formas de visão em Habemus Papam, duas formas que nem sempre estão em bom convívio: a do personagem de Michel Piccoli (a esta altura ainda entrega um de seus… 100? melhores momentos) e a da Igreja. No primeiro, temos um excelente filme de crise, uma depressão interior que varia chegando ao exterior da figura do papa (afinal, é um homem público); para isso, há a necessidade de fuga do âmbito social comum com destino ao auto-conhecimento. E neste sentido, os espaços que Piccoli habita após a fuga, é a maior essência política do filme – alí, há verdade e vontade de questionar, um processo filmíco ao qual Moretti se dedica com precisão. Como a forma da Igreja, ele diminui um pouco, pois há essa necessidade de enxergar o perigo iminente; e a Igreja não pode ser mais visto apenas como um espaço para os corpos por obrigação.

screenshot-med-3337. John Carter – Entre Dois Mundos (Andrew Stanton)
Não chega a ser um grande filme (não tanto quanto Wall-e, por exemplo) mas a recepção de John Carter me deixa preocupado por dois motivos: 1) antes era apenas uma desconfiança por uma simples preferência que é normal mudar de geração pra geração, mas realmente o conceito de aventura no cinema americano está totalmente deturpado e 2) atores são frequentemente subestimados em filmes que deveriam ser superestimados – e isso me lembra a pegadinha que Soderbergh fez em Contágio ano passado botando um monte de atores de prestígio num filme onde eles são tudo que menos importa. Dito isso, Stanton baseia-se inteiramente na figura de Taylor Kistch e Lynn Colins na criação do universo marciano (o azul forte dos olhos da princesa é quase tão imersivo quanto todo o espaço retratado) a partir da narrativa leve e ingênua (como quase todas as boas aventuras são) e sem abrir mão do que o personagem tem de sombrio (creio ser do próprio material de Burroughs). E junto com Star Trek do JJ Abrams e Cowboys & Aliens do Favreu é um filme que não enxerga uma reanimação no cinema popular, mas gostam de celebrar o que eles tem de melhor – e quase nada disso vem de hoje, diga-se de passagem.

wanderlust236. Wanderlust (David Wain)
Quarta dentre as colaborações semi-autorais de Wain com Paul Rudd, Wanderlust tem alguns detalhes de superfície que reforçam a boa mão do diretor pra momentos cômicos (o filme é divido em dois pólos: um centra-se na América urbana de Nova York e Atlanta com Jennifer Aninston tentando convencer os empresários da HBO com seu documentário e o irmão de Rudd e sua esposa que são caricaturas grosseiras de uma classe alta emergente – mas funciona, já que Wain aproveita-os somente como exemplificação das escolhas de David e Linda tem de fazer – e a comunidade hippie perdida no tempo de Elysium com um Justin Theroux genial e vários momentos de impacto cultural já bem típicos da comédia americana, para o bem ou para o mal) mas o que eleva o filme é mesmo a presença de Rudd, a personificação ideal do homem no século XXI. Não só no Wanderlust ou em suas outras parcerias com Wain (os personagens dele em I Love You, Man e Como Você Sabe deixam isso em evidência), Rudd representa aqui a faceta do congestionamento de informações do nosso tempo contra o bem-estar de uma comunidade natural oposta a tudo isso. Não a toa ele está prestes a viver o seu primeiro protagonista num filme do Judd Apatow.

13assassins0135. 13 Assassinos (Takashi Miike)
Sobre uma imagem que já não existe mais, e necessita de algum culto (como o próprio Miike diz: “a geração mais jovem precisa aprender sobre seu passado”). 13 Assassinos deixa claro porque as imagens de Miike são tão brutais (o que ocasionalmente não tem só a violência estilizada como causa): a maior parte dele é calma, conversas sobre natureza, lealdade, limites da honra, planos delineados, a violência usada apenas como potência ao melodrama do argumento, há alguns momentos de pura comédia e coisas do tipo. E quando essa calmaria já contaminou o espectador, Miike violenta o último quarto do filme com carnificina da batalha tão bem coreografada. Vale lembrar também que Miike vê com um pouco de crueza a imagem do samurai, ou como eles obedecem alguém que tem certeza de estar errado. É um filme de moral, e de anarquia ao mesmo tempo…

lockout434. Lockout – Sequestro no Espaço (James Mather e Stephen St. Leger)
Entre os bons filmes-B de 2012, Lockout se destaca por se dedicar tanto em não cair nas suas armadilhas mais prováveis. É sempre bom lembrar do perigo que é trabalhar com material de Luc Besson, uma das grandes pragas do cinema de ação hoje em dia, porque ele dá aos diretores em seus roteiros esquemáticos, situações já criadas de antemão em arquétipos mais prováveis de acordo com a geração em que vive (no caso, aqui nada foge a regra: situações obviamente políticas como presos reinvidicando direitos, personagens engravatados saídos diretamente de algum daqueles thrillers moralistas e um herói que atrás de todo o seu senso cômico, não esconde a vontade em ser uma hiper-diluição de algum outro do Peckimpah). Tudo que a dupla de diretores faz é pegar essas ideias de Besson e jogar aos ares em busca de uma sensibilidade visual semelhante ao cinema de Tony Scott: a expressividade das luzes, a textura das cores, o uso imediato da profundidade nos espaços, etc. Mesmo que não se esforce muito em sair da irregularidade, o sentimento estético deixado por Mather e Leger tem seu grande valor ao cinema de ação.

cena-do-documentario-vou-rifar-meu-coracao-de-ana-rieper-1343980501210_956x50033. Vou Rifar Meu Coração (Ana Rieper)
Um filme propício a época em que vivemos, num ano em que tanto se foi discutido sobre a autenticidade da música brega. Mas o que surpreende em certos momentos de Vou Rifar Meu Coração é que Ana Rieper não está muito interessada em provar algo em relação a este nicho da música, mas registrar a comoção causada por ela naquele grupo de pessoas, visivelmente carregando uma ingenuidade interiorana. Nestas situações, o filme é basicamente uma câmera apertando o rec e o impacto das letras saltando um sentimento de satisfação bastante genuino. A diretora se equilibra entre mostrar a realidade do público e a dos músicos, sendo estes ocupam o papel desconfortável do filme (Odair José volta e meia demonstra aquele sentimento de insatisfação com algo que ele tanto acredita, mas que a maioria não – ou pelo menos, prefere dizer que não).

awards2_r1_c2_s132. O Pai dos Meus Filhos (Mia Hansen-Løve)
Clemence, a filha mais velha com o pai recém-morto, vai ao cinema vai ver o filme produzido por ele; Hansen-Løve não mostra apenas a dor que Clemence sente diante do quadro, mas o caminho que ela está predestinada a percorrer – é como se aquilo fosse um ponto-chave diante da vida dela. E passando por esse ponto, ela (por necessidade, pelo afeto, pela emoção) precisa encontrar seu pai – não o corpo dele – dentro do cinema. Hansen-Løve faz cinema sobre o fim da juventude, cada passo deste caminho que suas personagens tem de percorrer é um sinal de perda da inocência. É a memória do mundo e dos seus espaços que nos comunica que será com ele que seguiremos num outro espaço. Um filme sobre a imagem verdadeira dos gestos, dos sentimentos incondicionais mesmo que para isso vez ou outra a cineasta venha a recorrer a alguns artifícios questionáveis.

magicmike1031. Magic Mike (Steven Soderbergh)
A altura em que Soderbergh faz uma terceira sequência para The Gilfriend Experience, sua própria percepção de mundo evoluiu e possibilitou que ele fizesse este filme que (huh!) está mais para Irresistível Paixão que para Traffic. Magic Mike é um de seus filmes mais limpos e espontâneos, onde o diretor sabe aproveitar a importância de um lugar tão regional, tão americano, sabe a importância do Mike e do The Kid (você pode imaginar que um é o contraponto do outro, mas os dois na verdade formam um equilíbrio sendo o Mathew McConaughey o contraponto entre os dois) como representações de duas opções distintas e irmãs ao mesmo tempo. Para não se despir totalmente do plot (já que estamos falando dos seus filmes mais industriais), Soderbergh cria imagens que se relacionam com as coreografias ao estilo de Os Embalos de Sábado a Noite a medida em que dá uma perspectiva diferenciada de mundo aos seus personagens e mostra uma relação hawksiana entre o strippers.

ghost1030. Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (Mark Neveldine e Brian Taylor)
Neveldine e Taylor são os mais notórios investigadores sobre as vulgaridades dessa geração e é sempre interessante a maneira como eles executam essas formas em sua estética, assim como Frank Tashlin fazia na década de 50 – de forma tão clara e cínica, que as vezes você acredita que eles estão ostentando esses atos. Alguns momentos do início podem sugerir um filme controlado (e por ser a primeira empreitada deles no cinema “PG-13”), mas cenas do tipo o Idris Elba cortado de cabeça pra baixo numa árvore ou o Nicolas Cage mijando fogo revelam que é bem mais uma experiência dos dois diretores diante de uma adaptação de HQ (que é bem diferente de tudo que você viu até então); eles conservam o que o material tem de mais perverso e encapam exatamente como o público geek gostaria.

xangai29. Memórias de Xangai (Jia Zhang-ke)
Zhang-ke em seu hábito recente pra filmes “menores”, mesmo por vezes recorrendo a excessos estítilicos (Zhao Tao perambulando por Xangai como uma morta-viva até que encanta a primeira vista, depois não parece mais que desnecessário – suponho que Jia tenha usado essa parte para deixar claro que o filme não é bem um documentário), mas que quando se foca no melhor de seu cinema – as movimentações das paisagens chinesas como parte humana do local, a precisão nos close-ups, etc – revelam um excelente exercício em diálogo com a Xangai-antiga enquanto se estabelece na Xangai presente. A partir do momento em que Memórias encontra atores e diretores (principalmente Hou), Jia aceita o cinema como parte essencial para a construção da Xangai.

hugo28. A Invenção de Hugo Cabret (Martin Scorsese)
Estes últimos filmes “essencialmente cinéfilos” de Scorsese são bem misteriosos em suas intenções numa análise mais detalhada. Com Hugo, eu já criei uma relação bem particular (e que eu admito estar distante de ter qualquer relação com o fato do filme ser muito bom) em relação a essas tantas ideias bem intencionadas de cinema que o Scorsese tem e a confluência das imagens também tornam o objetivo dele bem claro, mas a execução quase nunca evidencia isso. A primeira metade em especial, se atrapalha no encantamento pelo 3D (sendo a profundidade de campo quase um fetiche) e você só consegue compreender o porquê dessas opções do diretor já no alto da segunda metade, onde as possibilidades do 3D andam paralelamente a própria história do cinema.

theraid527. Operação Invasão (Gareth Evans)
Este é um filme confortado dentro das convenções de gênero, e dentro delas mesmas descobre excelentes observações sobre o mundo a qual está inserido. Há um momento-chave de Operação Invasão, onde Gareth filma um dilema da equipe da SWAT prestes a invadir um edifício entre matar uma criança ou deixá-la alertar todo o edifício que eles estão alí. Nesse momento, com uma simples tensão moral não muito diferente da que encontraríamos num genérico do Michael Mann qualquer, o diretor ilustra todo o valor da vida humana na sociedade capitalista contemporânea (quase sempre vista unicamente como uma condição). E se você acha que Gareth Evans sossega por aí, não se engane; tudo isso é só uma isca pra uma das sequências de violência mais brutais do cinema (sem a intenção do choque propriamente dito, ela tem muito mais a ver com o que o diretor mostrava nessa cena da criança/SWAT). E Operação Invasão tem bem umas 3 dessas.

haywire726. Haywire – A Toda Prova (Steven Soderbergh)
Soderbergh não é nenhum mestre (e claro, vai continuar com O Segredo de Berlim no currículo), mas tem sido ainda mais desafiador nestes seus últimos filmes do que naqueles que chamariam de “seu auge”. A primeira e a última palavra dita em Haywire é merda. Esse é um daqueles Soderberghs ultra-estilizados que não podemos (e nem queremos) ficar indiferentes. Apesar disso, como seus filmes mais recentes (acho que desde o The Gilfriend Experience mais ou menos) Soderbergh tem sido ignorado nos circuitos brasileiros; ele até passa, mas ninguém vê, ninguém comenta. Estamos diante, assim como em Olhos de Dragão, de um filme de ator com uma visão insípida do ator tradicional: ele tem uma visão autoral sobre Gina Carano (como um corpo) e ainda assim ela é o elemento primordial dentro de Haywire – os movimentos, a coreografia das lutas, tudo está em volta dela. Claro, há ainda a vontade do diretor que sempre soube como ninguém o papel da manipulação dentro do cinema, a vontade de passear pelo mercado do video-on-demand e ainda assim manter uma elegância de diretor padrão acadêmico (as inúmeras trocas de takes, as manias da heroína). Parte de Haywire é composto por detalhes fetichistas como este (há também o Ewan McGregor como bad-ass, o tipo de coisa que só o Soderbergh na maior cara-de-pau teria coragem mesmo), que podem até não acrescentar nada ao filme de fato um pouco irregular, mas ajudam muito a ter uma visão mais ampla da essência de Soderbergh como diretor.

tintin25. As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne (Steven Spielberg)
Assim como Millenium está para Fincher, Tintim também fornece o material perfeito pra essência do que Spielberg tem de melhor. Incrível como o filme reúne praticamente só fatos irreais pautado pelas possibilidades cinematográficas do “computer generated format” e ainda assim Spielberg prioriza realizar Tintim como um filme de ação em live-action – os próprios movimentos de câmera e a forma de captura dão essa ideia. Por todas as quase 2 horas se tem a ideia de que se vê apenas um fiapo de narrativa (algo que me lembra profundamente o último e melhor Indiana Jones) e a noção do tempo enquanto frenesi só reforça isso. Um pouco de sinal do envolvimento do Peter Jackson aqui e alí, mas nada que um belo plano-sequência não nos faça esquecer de seus (raros) momentos fracos.

drive324. Drive (Nicolas Winding Refn)
A despeito de toda a avalanche da recepção de Drive, ele continua sendo um ótimo veículo pro Ryan Gosling por um autor que sabe exatamente com o tipo de material está lhe dando (apesar de suas críticas garantirem o contrário). Tudo o que li sobre o diretor antes de assistir Drive era basicamente que “ele é um diretor interessante em busca de um estilo próprio”. Eu não sei se antes ele já tinha encontrado este estilo, mas em Drive definitivamente ele não está mais em busca de nada. Tudo que ele precisa pra filmar um grande filme está ali; e ele o faz, sem grandes dificuldades. Suas sobreposições, os contracampos em meio ao agonizante silêncio, a mise-en-scéne rigorosamente bem trabalhada, a câmera lenta, tudo aí forma uma melodia só; a violência é elevada a belas imagens-movimento. É um filme que se assume como artificial, certo e frívolo demais e adota tais características sem pensar duas vezes. Refn investiga e questiona cada movimento de seus personagens, investiga a violência que filma. Mas filma o necessário: temos um espaço onde o personagem faz algo, e a câmera capta isso. E só, sem espaço para vírgulas.

thegrey23. A Perseguição (Joe Carnahan)
Em um registro de um fim existencial morto por ásperas próximo de um Vigador Silencioso do Corbucci e The Thing do Carpenter – com este ele também partilha a mecânica da sobrevivência improvável dos personagens – Carnahan cria um apocalíptico thriller de ação com a vinda da morte como algo grosseiro, inevitável, inexplicável e principalmente injusto. Os lobos sendo representados puramente em CGI (o que evidencia que a ideia de Carnahan vem muito mais “do” ataque antes do “porque” e “por quem”) não negam que estamos diante de um conto de fadas moral à Peckimpah (Pat Garret & Billy The Kid, principalmente). A primeira vista pode estar distante dos outros trabalhos do diretor, mas quando percebemos nas cenas de ação o mesmo senso de cores e do espaço visual de um Esquadrão Classe A, tenho certeza que é o mesmo cara tentando ampliar seu terreno.

chelsea222. Chelsea on the Rocks (Abel Ferrara)
Mencionei lá embaixo a respeito de McG, a forma dele se considerar imune a críticas e de imaginar o cinema como um playground. De certa forma, Ferrara também já pode se considerar nesse grupo de cineastas (algo que Go Go Tales e sua mais recente ficção, 4:44 Last Day on Earth também aceitam). Por vezes parece um simples rascunho, um filme-ensaio que está longe de ser sobre o Hotel Chelsea ou os inúmeros artistas entrevistados – inclusive, no mento em que eles aparecem na tela, a única realidade deles é aquele relato contado. O que tem de aproveitável no material de Ferrara em relação ao hotel é só o que diz respeito ao seu cinema (o fato daquele ser um local de crimes, de angústia, drogas, etc – com uma fantasia sobre Sid e Nancy incluída) pra fazer um filme feliz em paralelo com seu senso de desgraça humana. Ou como ser feliz em meio há um filme lotado de desgraça.

hahaha921. Hahaha (Hong Sang-soo)
Foi meu primeiro contato com o coreano, já sabendo de todo o badalo dele nos últimos anos mas sem saber exatamente o que esperar. Como com quase todo cineasta oriental recente, num primeiro momento a reação era de decepção (não por mim, mas pelos cinéfilos em geral que vêem entre os realizadores de lá alguma “salvação”). Claro, como foi em quando eu vi Mal dos Trópicos, depois você se desprende do contexto que te levou a ver “um filme do Hong Sang-soo” e enxerga nele mais alguém fazendo um novo teste, ou um novo rascunho naquilo em que ele acreditar importar. Como em Argo (só que em Hahaha quase que radicalizado), Sang-soo se interessa antes de tudo pelas maravilhas da estória – e em tudo que ele pode influir dentro do filme – e assim como Affleck, o maior crédito do coreano é tratar as situações com naturalidade. Em Hahaha vemos homens em situações infantis (como andar com a namorada no meio da chuva) sem para isso precisarem abdicar da figura mitólogica masculina.

re5720. Resident Evil: Retribuição (Paul W.S. Anderson)
O Jake Cole fez uma observação interessante a respeito da franquia Resident Evil, comparando com Os Simpsons inclusive, diz ele que a medida em que os filmes avançam, o autor se sente a vontade para pegar o fiapo de narrativa que lhe resta construindo nele um objeto próprio sobre algo que antes poderia ser uma observação passageira de um filme anterior. Esta é uma característica cada dia mais frequente no universo das mídias (ou artes?) industriais, não ficando apenas no cinema, mas um exemplo igualmente ótimo e atual é o trabalho de McG na série Nikita: quanto mais genérico parece, mais interessante fica. E é no quinto filme da franquia que Anderson chega a sua forma mais madura (se Afterlife já era uma auto-reflexão da relação Resident Evil filme e videogame, Retribuition é Anderson criando seu próprio jogo). E ao falar em maturidade, digo que ele aceita totalmente o parque de diversões que é Retribuição; da subversão do espaço limpo e nítido ou jogando com a equivalência dos seus personagens. Sem nada de indulgência ou mostrando a denúncia do espetáculo como em Gamer, Retribuição é na verdade Anderson ostentando uma vulgaridade pop que ele (e provavelmente quem assiste) acredita no imenso poder sensorial da sensibilidade nas imagens.

skyfall1019. Skyfall (Sam Mendes)
Eu não sei se com mais alguém ou algum outro fã de 007 aconteceu, mas eu me apeguei demais a Skyfall (vi cerca de 4 vezes no cinema, incluindo aí uma que ninguém quis mais me acompanhar) por dois motivos: 1) o quanto ele é bom é surpreendente; na verdade, eu já fui pro cinema com convicção de que iria encontrar um novo Moonraker e Sam Mendes conseguiu inverter toda a expectativa usando exatamente os mesmos cacoetes com que ele está habituado – prevalece um clima de desespero, as imagens que precisam ser impactantes etc – e 2) pela forma como reverencia a série apontando sempre para o papel de 007 no filme de ação do século XXI (ou, Mendes ajusta essa homenagem como solução do texto e as imagens sempre sendo contemporâneas). A primeira hora é inevitavelmente mais forte por conter a condução de Mendes como artesão, mas não tiremos o mérito de um desfecho com uma sacada de, no fim das contas, tudo se resolver no braço.

moonrise18. Moonrise Kingdom (Wes Anderson)
Anderson segue como grande modulador de drama em planos onde seus filmes quase sempre tem formas arriscadas demais pra isto, em Moonrise Kingdom a vez é do filme teen. Temos aqui as características desse subgênero o tempo inteiro escancaradas pelo diretor (evidência do tratamento grosseiro dado aos personagens adultos em contraste com Suzy e Sam que dentro da compreensão do universo adolescente, são bem mais maduros). Dentro da concepção visual no décor, Moonrise Kingdom se assemelha muito a o Fantástico Sr. Raposo, mas não chega a ter a mesma força justamente pelo excesso de inquirições (mais cabível a uma animação, de ato). Vale dizer que o filme cresce bastante como ensaio sobre o prazer/poder do olhar (um dos momentos mais belos é quando Sam pede e Suzy curva o pescoço).

millenium17. Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (David Fincher)
Não sou fã da palavra visionário, mas não existe definição melhor pra um cara que bota uma cena de estupro num corpo andrógino como o da Rooney Mara para permitir ao espectador masculino assumir uma posição feminina diante da obra, como uma simples observação de gênero. Greatest hits David Fincher que aproveita àquilo que o cinema do diretor pós-Zodíaco (a condução narrativa, em especial) tem de melhor a medida em que fica descontrolado e visceral como seus trabalhos da década de 90. Se A Rede Social era sobre o olhar de Fincher para vida na Era da Informação, Millenium é sobre pessoas que nessa geração operam. Até as firulas dentro do Millenium são autênticos guilty pleasures (pela abertura que mais parece uma continuação de Only do Nine Inch Nails que referência ao 007 por conta da presença de Craig, eu já criei um carinho especial). Precisa de mais pra concluir que é meu preferido do Fincher?

tom416. A Música Segundo Tom Jobim (Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim)
Ao final de A Música Segundo Tom Jobim fica a frase “a linguagem musical basta”, que ele falava com frequência e que é aqui levada ao pé da letra por Nelson Pereira dos Santos. Mas Tom Jobim também era um conversador nato; bem humorado, concedia entrevistas pra lá de originais e adorava jogar com as palavras – e o que este documentário de Nelson e Dora tem de melhor vem justamente da forma como ele explora pontos como esse do músico: a sua música também ressaltam tais características, dos versos sofisticados de Águas de Março ao mais popular e palpável Samba de Uma Nota Só. Das imagens animadas no digital (recurso tão bonito quanto desnecessário) à demonstração ostensiva da universalidade da música de Tom Jobim, este documentário depura o cinema e a sua carreira de maneira tão orgânica que fica difícil não se sentir imergido pela essência de um brasileiro tão típico que se tornou universal.

unete415. Um Verão Escaldante (Philippe Garrel)
Primeiro filme em cores de Garrel em mais de 10 anos, Um Verão Escaldante constrói um paralelo inanimado com O Desprezo de Godard: temos aqui o uso das cores fortes e as atuações apáticas de Monica Bellucci e do Garrel-filho, como mortos-vivos que mais se interessam pelo flerte com outro casal já fadado ao fracasso do que descortinar a relação insípida deles próprios. Essa relação entre o longa de Garrel e o de Godard é sintomática diante do cinema francês (ou europeu em geral) do século XXI que nos é apresentado a todo instante ou como a imagem de um cineasta da Nouvelle Vague é vampirizada no nosso tempo; não por acaso Um Verão Escaldante se move por um sentimento de revolta e não do prazer da revisitação (nada muito diferente de um A Cicatriz Interior ou Le Revelateur). E o melhor do filme é perceber que Garrel ainda se sente novo o suficiente pra lidar com este mesmo tipo de cinema.

Take.Shelter (2011)2.614. O Abrigo (Jeff Nichols)
Segundo ótimo longa de Nichols é um filme de horror potente e que se constrói basicamente á sombra de sua própria força; a crença shyalamaniana de Michael Shannon é muito mais na forma como ele irá lidar com o perigo iminente (e como sua família aceitará/acreditará nisso) do que no perigo de fato. Há, é claro, uma certa complicação no ato final que tenta demonstrar um drama familiar (aliás, o filme inteiro tem alguns jogos de manipulação bem-sucedidos, como os psiquiatras de Curtis que não o levam a lugar algum) mas Nichols é inteligente o suficiente para saber que a boa fantasia não precisa necessiaramente pertencer a uma só base – as tempestades à visão de Shannon, por exemplo, são ao mesmo tempo o que o filme tem de mais assustador a medida em qe investigando, descobrimos que aquilo não é tão mportante dentro da ideia de Nichols.

detectivedeeandthemysteq13. Detetive D e o Império Celestial (Tsui Hark)
Um pouco de comédia, um pouco de mistério à Agatha Christie, um pouco de romance, um pouco de artes marciais, uma pitada de horror, um traço de intriga palaciana e muito da China antiga (enquanto mitologia, também). Um dos filmes mais inesperados vindo do Hark, considerando os trabalhos que ele fez ao longo dessa última década. Adotando o ponto de partida do “quanto mais excessivo melhor”, Detetive D é uma fábula política com sensos de espetáculo e imaginação raros mesmo para o padrão de bom diretor de filmes de ação como Hark.

texaskillingfields2011712. Em Busca de um Assassino (Ami Canaan Mann)
A Mann-filha, assim como o Mann-pai procurando espaço cinematográfico ao gênero (policial) há muito esgotado pela exploração televisiva, e justamente por (ambos) ter(em) se formado por lá os Mann são a alternativa mais plausível a uma leva menos detalhista-fetichista do cinema policial. Vemos aqui uma espécie de Miami Vice no Texas: o mundo é corrupto, os homens estão saturados àquela situação – e a Ami Mann interessa muito mais maquiar o espaço como descrição desse conflito de personagens do que ser um ponto pra investigação. E até a trama “investigação” parece humana (ou menos fadada a frieza a qual estamos acostumados): a vegetação onde o assassino do título abandona o resto de suas vítimas se aproxima de uma figura do ser humana sem umidade sobre os tons celestiais.

holymotors1311. Holy Motors (Leos Carax)
Carax, desde o Boy Meets Girl vem desenvolvendo essa tese do representar como uma histeria, como uma selvageria (a habitual colaboração com Denis Lavant não mente). Selvageria essa que tem por único objetivo aterrorizar aquilo que vêm à frente de Carax (narrativa, personagens, a propria ideia simplista de estória). Holy Motors é o corpo como a solução e a maldição; o milionário assume os mais variados tipos como “blindagem” ao que ele vive ao mesmo tempo que isso o exclui do nosso tempo. Não surpreende portanto que venha de um filme surrealista o retrato mais preciso sobre a (falta de) força da nossa identidade no cinema recente. Holy Motors, a revolução do pós-moderno, a experiência de cinema mais importante do ano.

4voltas210. As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino)
O cinema se manifestando como uma variação da realidade, e ainda assim em total consciência de sua posição manipuladora de imagens (Frammartino varrendo os humanos do enquadramento e possibilitando o triunfo das cabras não é algo que sairia da mente fácil). Há uma paralelo, é claro, muito forte neste plano-sequência: os diálogos saem da visão de que são essenciais dentro dum filme, assim como sai a ideia do ser humano enquanto o mais importante para cada situação. Morre o pastor, morre o cachorro, nasce a cabra. Para Frammartino o ciclo termina aonde mesmo começou; nas imagens, há as vidas e as voltas – ou melhor as quatro voltas, que se transformam em quatro vidas. A imagem cinematográfica como nosos principal ponto de encontro com o mistério que elas naturalmente carregam no seu fascínio. Não é uma visão tida pelo diretor que se estabelecerá no filme inteiro, é mais a possibilidade que ele tenha de mostrá-la.

569. Cinco Anos de Noivado (Nicholas Stoller)
Dentre as duas surpreendentemente pouco badaladas produções do Judd Apatow em 2012, Cinco Anos de Noivado é não apenas uma nova e bem-sucedida incursão em gênero dele mas um dos grandes exemplares da unidade ao qual sempre se voltam os filmes ligados ao “clã”. A divulgação do filme sugeriu alguma variação de Bridesmaids mas ele já começa dedicando-se a espantar tais comparações, seja esvaziando os ritos de constrangimento ou nos reforçando que a Emily Blunt não é a Kristen Wiig. A partir da conclusão desse processo, Stoller se estabelece numa comédia romântica de verdade (e não evocando elementos dela) e empurra com siinceridade a busca por sensibilidade a que tanto Apatow se dedica. Há a Emily Blunt como uma espécie de Lena Dunham menos histérica e o Jason Segel que, mesmo sem querer, já é um autor-ator contribuindo bastante, mas vem da pessoalidade de Stoller e Apatow em se comprometer a buscar o sentimento certo na hora certa.

misterios de lisboa (181)8. Mistérios de Lisboa (Raul Ruiz)
A melhor maneira de ver Mistérios de Lisboa é como um painel de dramaturgia, especialmente a clássica mas com um olho clínico e possibilidade que o cinema contemporâneo pode oferecer. Por trás de toda aquela magnífica construção da primeira uma hora, há um mistério iminente; um filme de horror que hora ou outra irá explodir e sabemos disso – e isso não tem qualquer relação com a atmosfera do filme, mas sim do simples fato que Ruiz não fica satisfeito até nos deixar completamente mergulhados dentro da narrativa. O melodrama normal e os personagens (principalmente o protagonista) comuns como condutores das mais variadas estórias pela câmera de Ruiz – não dispensando qualquer objeto – que nos consome á medida em que a única coisa interessante é continuar acompanhando aquela simples estória (e aí chegamos na essência do cinema).

uni297. Soldado Universal – Juízo Final (John Hyams)
Quando o encanador dá um tiro de escopeta que arranca metade da cabeça de um soldado, não resta mais dúvidas da fúria e audácia do Hyams. Scott Adkins e o espectador são ferramentos às mãos do diretor feitas calculadamente para impulsionarem violência, sempre sujeitos a visões grotescas involuntárias. Há os desconcertantes momentos do exército do Andrew Scott, que não faz – e nem deve fazer – sentido; são apenas sintomáticos em relação ao mundo real do confronto de banalidade e selvageria para Hyams. Como toda a parte “filme de horror” é um espetáculo a parte, Juizo Final também corre o risco de ter sua ação subvalorizada, mas não há dúvidas de que aqui Hyams tem uma maior maturidade lidando com elas (cada soco em cada luta já é pensado num efeito iminente que venha a modificar um mesmo plano e etc – e mesmo que pareça algo simples, dentro da ideia horror-art do diretor faz total diferença). Como Cronenberg com Videodrome e Argento com Suspiria, Hyams propõe em Juízo Final o definitivo fim do clássico (em sentido amplo, dentro da narrativa e do contexto da própria série Soldado Universal). E com isso, por um momento, eu tive a impressão de ver o futuro do cinema.

dredd46. Dredd (Peter Travis)
Um Assalto a 13a DP wooniano que aproveita as radicalizações de uma sociedade que já vivenciara um Os Selvagens da Noite com tonalidades pós-modernas à Paul W.S. Anderson (a justificativa para o uso do slow-motion – a droga slo-mo – pode parecer meio espertinha, mas as cenas em si são um achado). Aos que criticam Len Wiseman pela visão unidimensional de Total Recall, uma boa saída é esta nova tentativa de adaptar a HQ do juiz Dredd. Aqui, Peter Travis constitui um universo incrivelmente bem imaginado (que eu não sei até que ponto é mérito dele, não conhecendo as HQs e nem o filme com o Stallone), seja nos fundamentos morais ou na total consciência (e do bom uso) da verve pulp na violência e nas cenas de ação, a essência de Dredd aponta para Verhoeven. É bom ver como tudo se resolve na cara ou no braço; não é nem que seja uma sátira, e também não chega a ser irônico, mas o chute de Travis vai sempre nas convenções. E mesmo quando ele assume – sem volta – sua vertente política, o elemento “pulp”, o “filme-B” continua alí: estamos diante de um filme sincero e direto, que diz sem escancarar sobre uma sociedade e uma lei combalidos.

argo-screenshot5. Argo (Ben Affleck)
Medo da Verdade, com suas reviravoltas, nos dava pistas que alí encontraríamos alguém que abria um daqueles livros de estórias tradicionais infantis e ficava fascinado a cada parágrafo lido; era uma curiosidade genuína de virar as páginas lendo as estórias sem ter noção do tempo – e não era uma curiosidade sobre o que vai acontecer, mas tudo lido até então que permitiria essa vontade. Em Argo, Affleck surge nos explicando um pouco mais da sua visão de cinema, atualmente tão em desuso que poderia ser confundida facilmente com fragilidade ou grandiosidade (o que me diz muito do porque ele ser tão bem acolhido por certos críticos e pelo público, enquanto outros tentam reduzir a um mero genérico). Dito isso, se a aproximação de Argo com os outros filmes de Affleck está no que eles tem de essência, seus detalhes de superfície (e não menos importante) não poderiam ser mais opostos. Desde a ideia de espaço (que lá identificava o conflito que seus personagens iriam enfrentar e aqui quando não é falso, é um genérico pano-de-fundo qualquer) até o próprio tom adquirido pelo filme (realizado graças a sátira ingênua em Hollywood). Esses detalhes ressaltam Argo como um filme sobre a mentira, ou melhor, sobre as possibilidades de uma mentira. A dupla formada por John Goodman (e qualquer semelhança com seu papel em Matinee do Joe Dante não é mera coincidência) e Alan Arkin ostentam o falso o tempo inteiro enquanto Affleck filma da maneira mais verossímil possível (os cortes de tele-jornais, a moda qual seguem os personagens, etc – não há dúvidas quanto a estarmos no fim da década de 70 – e nos créditos ainda há uma cínica comparação entre os atores do filme e as pessoas que deram origem ao que eles interpreteram).

inkeepers364. Hotel da Morte (Ti West)
Há vários motivos para enxergar em The Inkeepers o filme de terror mais importante em muito tempo porque há inúmeros pequenos grandes filmes dentro dele. Temos a comédia social, temos o filme independente à Sundance circulando por metade da narrativa, temos o filme sobre um hotel pacato e temos o filme de terror intensamente atmosférico vendo o mal iminente. Todos estes filmes surgem calculados com a exata precisão por Ti West, pois ele encontra em cada um deles uma unidade para se centrar na imagem da maldade. E a maldade para Ti West não se trata de um hotel mal assombrado, muito menos de jovens andando por aqui e por alí atrás daquilo que eles não querem. A maldade, o mal, o medo, e por fim, o terror, para Ti West trata-se de uma força resultante da construção e do aproveitamento de cada um destes filmes para além de perfeccionismos; o hotel não é necessariamente crível, mas há de se notar que ele existe como os personagens e suas obsessões mesquinhas deveriam destoar completamente da imagem do filme de terror, e Ti West liga o foda-se para ela e os constrói do jeito que ele quer. O mal, afinal, não é matéria a ser filmada, é uma vontade de Ti West em cada objeto filmado.

historias53. Histórias que só Existem Quando Lembradas (Júlia Murat)
É interessante o paralelo que Júlia Murat faz neste seu primeiro longa de ficção; estamos diante de um filme singelo, bonitinho e carismático sobre a aceitação de uma jovem dentro de um grupo de velhos e dentro deste terreno desenvolve-se um filme de horror desconfortável sobre (a despeito da imagem orgânica de mulher jovem que impacta uma comunidade inteira) a relação daqueles personagens com a morte, ao mesmo tempo ele começa à algum western spaghetti no comportamento bruto de um casal de velhos (o principal do filme) e termina como um filme sobre a aceitação da contemporaneidade – um pouco como Weekend a Francesa do Godard. Essa relação dentro desses elementos com estes artifícios de Murat nunca surgem como algo inofensivo dentro de Histórias. e ao final, a jovem é oficialmente aceita pelo grupo; mas e com isso, eles estão “livres” da morte ou ela passou a também a ser uma presa dentro daquele espaço?

Um.pngcosmopolis2. Um Método Perigoso + Cosmopolis (David Cronenberg)
As duas obras-primas do Cronenberg que não estariam aqui se não juntas, revelam uma saída de mestre do diretor em sua rápida passagem a condição de autor de prestígio na compreensão previsivelmente errônea de boa parte da crítica em relação a ambos (nem Um Método Perigoso pretende ser o filme acadêmico do roteiro e atores chique e muito menos Cosmopolis é o retorno as origens que muitos pregaram por aí) e retomando a visão vulgarizável da figura do autor. Se em Método temos a natureza teatral da Keira Knighley lutando para estabilizar aquele universo interior caótico, em Cosmopolis é como se o Robert Pattinson pegasse àquela mesma matéria já controlada (o fato da maior parte se passar numa limousine), mas a partir da ideia política de Cronenberg fosse impossível que tudo se concentre nas mãos dele. Ambos nos dizem, na verdade, muito mais sobre híbridos que o diretor ainda originará.

Essential_Killing-2010-MSS-0331. Essential Killing (Jerzy Skolimowski)
Se Drive encontrava sua direção a medida em que se exibia como filme de ação, Essential Killing carrega seu logo de filme de ação como um fardo assombrado do qual ele tem de resistir a todo instante. E não só nesta situação, mas o personagem de Vincent Gallo está preso ao universo da não-exclusão daquilo que ele deveria excluir: a metamorfose, a natureza, a sua própria estória, os humanos, as variações climáticas etc. Tudo é catártico e extremamente repulsivo para Gallo porque a medida em que ele adquire cada um destes elementos, seus conceitos estão deturpados, sua consciência deixa de ser consciência e passa a ser um exercício involuntário e essencial. Um filme político que se forma nas condições mais apolíticas possíveis.

E uma menção aos piores filmes do ano: Os Infratores (John Hillcoat), 2 Coelhos (Alfonso Poyart), 360 (Fernando Meirelles), A Dama de Ferro (Phyllipa Lloyd), A Arte da Conquista (Gavin Wiesen), Jogos Vorazes (Gary Ross), A Mulher de Preto (James Watkins), Paraísos Artificiais (Marcos Prado), Ted (Seth MacFarlane), Flores do Oriente (Zhang Yimou), My Joy (Sergei Loznitsa), Os Vingadores (Joss Whedon), O Ditador (Larry Charles), Sombras da Noite (Tim Burton), Bem Amadas (Christophe Honoré), Amor Impossível (Lasse Hallström), Na Estrada (Walter Salles), Os Candidatos (Jay Roach), Selvagens (Oliver Stone), W.E. O Romance do Século (Madonna), Pina (Wim Wenders), Os Infiéis (muita gente fazendo merda), Solteiros com Filhos (Jennifer Westfeldt), Shame (Steve Mcqueen), Precisamos Falar Sobre Kevin (Lynne Ramsay).

33 comentários em “50 melhores filmes de 2012”

  1. Nem sabia que Chelsea on the Rocks tinha sido lançado por aqui!! Foi em Dvd?

    E concordo sobre quanto maior for o número de filmes em uma lista, mais pessoal ela parece, mas se não fosse as lista enormes que alguns caras pacientes como vc fazem certos filmes ficariam no limbo( “A Guerra Está Declarada” mesmo nem lembra que existia, e olha que eu acho esse um bom filme).

    1. um filme que pega muito de dois gêneros tão emblemáticos e deixa tudo tão indiferente, sem alma. ainda por cima, quando encontra caminho além da neutralidade, vai direto a uma violencia tipica de diretores com péssima consciencia histórica (de cinema e do mundo msm) e social. acho que isso basta.

      1. hm… eu gostei do filme, da violência e do jogo com a obsessão por imagens, etc, mesmo subaproveitando umas coisas lá. agora 2 coelhos é uma merda mesmo, rs. anyway, muito foda seus textos

        1. a separação, apesar de achar o diretor talentoso e os atores muito bons, cai numa cilada fatal pra esse tipo de filme: impõe um ponto de vista cmo se ele fosse a unica possibilidade. e mercenarios 2 é filminho de ação funcional bacaninha, muito exagero e 3-4 momentos realmente bons que, no geral, só servem pra reafirmar o quanto o primeiro é superior.

  2. Alguns comentários ai me instigaram a ver os filmes (esse da filha do Mann, ninguém comentou e eu nem sabia que tinha tanta relação assim com o trabalho dele, da Hansen-Love eu já venho adiando ver a algum tempo) e eu nem sabia que tu gostavas tanto assim do Soderbergh, só foi difícil de aturar L’Apollonide lá em baixo.

  3. Realmente essa seleção revela o “gosto” do dono desse ‘blog’ relacionar Cosmópolis entre os melhores e excluir um filme interessante e ainda relaciona-lo entre os piores “Shame (Steve Mcqueen)” é um tanto quanto polêmico. Ter coragem de relacionar o “Motoqueiro Fantasma” cheio de efeitos especiais questionáveis e com a atuação sempre igual do Nicolas Cage [ talvez um dos atores mais canastrões da história do cinema]. L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância (Bertrand Bonello) é um filme interessante mais contado de uma forma extremamente entediante. Para quem assistiu a triologia original da série ‘Millenium’ a versão de 2009, dirigida pelo dinamarquês Niels Arden Oplev e produção Sueca sabe que se por um lado Rooney Mara como Lisbeth Salander o limitado ator , Daniel Craig no papel Mikael Blomkvist é um James Bond, piorado e apesar da opinião de muitos criticos eu acho a versão Sueca superior e sem canastrice de roteiro americano. Por isso acredito que Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (David Fincher) não devia estar nessa relação e tampouco Luz nas Trevas, a volta do Bandido da Luz Vermelha (Helena Ignez e Ícaro Martins) pois é um filme muito dificil de chegar ao final {e sou até conhecido da Helena Ignez e da sua filha} mas a atuação de Ney Matogrosso acaba sendo interessante. Bom mais gosto é como bunda, cada um tem a sua!!! Parabéns pois suas outras indicações são ótimas muitas eu pude assistir pegando o nome aqui e gostei muito mesmo…Muito grato por sua generosa contribuição

  4. ***correção: quis dizer que é muito elogiável a atuação de Rooney Mara como Libeth Salander. Mas que o ator Daniel Graig compromete em muito o resultado final bem como o “padrão roteiro de Hollywood”. Se era para considerar um filme de ação pq Sherlock Holmes não é nem citado?

  5. Filmes ótimos, mas que seus comentários “cabeça” me fazem não querer ver. Na terceira resenha já comecei a vomitar de tanta atitude.

  6. Cara, faz mais listas dos filmes que menos gostou!! kkkkkkkk
    Gosto é foda…mas achei suas críticas muito implacáveis, como a maioria dos críticos de cinema.. ted e precisamos falar sobre kevin, para mim, são geniais. O primeiro pela inovação no tipo de humor, que me agrada muito, o segundo pelo teor psicanalítico perceptível apenas aos que conhecem a teoria! O filme fica simplesmente fantástico quando se encaixa na teoria!!

    Abraço e estou indo agora para os melhores de 2013!

  7. infelizmente…uma lista dessas se torna inválida sem o grande Batman – O cavaleiro das trevas ressurge…E o incontestável filminho da Marvel Os vingadores

^-^

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