Alguma coisa sobre Ted, Killers e Muse

Sei que eu deveria aparecer por aqui com mais frequência, mas o tempo tá me levando… e a tendência é levar cada vez mais. Assim que acabar o Amazônia Doc eu faço algo mais elaboradinho. Por sinal, cadê o povo por lá? Estranho que o único dia que lotou foi poque exibiram aquele curta horrível do Roger Elarrat que foi pra Cannes. Ontem até reclamaram da falta de público dos últimos dias. E se liguem que semana que vem vai ser internacional, parece que vão exibir o novo do Soderbergh e os aguardadíssimos The Cabin in The Woods e Tabu do Miguel Gomes.

Não sou bem do tipo que impõe nada, mas tenho preconceito contra quem gosta de Ted, ou reformulando: tenho preconceito contra quem gosta de Seth MacFarlane. Esse tipo de humor simplório, manjado, que joga fetiches pra ganhar público fácil (sem nem saber o que fazer com eles de fato) é realmente irritante. Se na TV já não funciona, no cinema então pareceu um remake de algum filme do Judd Apatow pelo Jason Reitman. Diz Seth que o tal do Ted é sobre maturidade (o rly?) e ele termina dizendo que ser imaturo é legal. Mas o pior são as situações bestas que ele arranja pra resolver/criar um desenvolvimento pro filme (é preciso que a namorada deixe o John pra que ele sequer brigue com o Ted, todo aquele conflito oco envolvendo os fãs e ainda: é preciso que o Ted morra e ressucite pra ela aceitar o ursinho na vida dos dois). Ainda por cima são as piadas sempre recorrentes na comédia americana pós-Hangover, e elas sempre são com os outros (os gays, os gordos, chineses etc). Tudo pro público que vai se chocar com um ursinho de pelúcia fumando maconha se sentir bem com um final daqueles.

O Battle Born é mais um grande disco do Killers, que infelizmente tá passando meio despercebido. Cadê toda aquela gente que sempre vem chamando eles de coxinha? Era até divertido de se escutar, porque creio eu que isso é uma armadilha que eles mesmos propõe no trabalho, assim, colocar uma espinha no miolo do disco. Por vezes parece mesmo uma banda jovem querendo bancar os velhos chatos. Mas não é. Gosto muito da visão de Flowers e cia do rock como um espetáculo burlesco (e quem dera que todas as poucas bandas de gênero que restam por aí também pensassem assim), porque ele o é. Assim como o Day & Age, esse disco parece uma amontoado de combinações que não se encaixam, de perguntas ridículas para respostas existencialistas. A sobriedade springteeana recente é a espinha do Battle Born, é o que vai incomodar (e agradar também) mas ele, de fato, é mais um ótimo exercício de manifesto pela emoção duma sonoridade brega.

Por outro lado, a banda odiada “do momento”, o Muse, tá fazendo por merecer. Acabaram de lançar o provável pior disco do ano, The 2nd Law; todo em tom épico que já fez a banda ficar chata no The Resistance, lotado de elementos bagunçados (não sei se a intenção era emular o Beach Boys, mas se for, pior ainda pra eles), falsetes do Matthew Bellamy que beiram ao kistch, pseudo-politicagens que eu tou acostumado a ouvir numa música do Linkin Park, mas nada é pior do que virar pastiche de Skrillex (já até sinto falta de quando eles se contentavam em ser um sub-Radiohead). É como eu já andei falando por aí: sabe quando um primo seu de 3-4 anos chega fantasiado com um lençol pra te assustar e você não sabe se por pena dele se finge de assustado, se ri da situação ou se diz pra ele que isso não causa nenhuma reação? é mais ou menos assim que eu me senti ouvindo as orquestrações desse 2nd Law.

4 comentários em “Alguma coisa sobre Ted, Killers e Muse”

  1. Eu que sou fã de Family Guy tô sem entender esse conservadorismo todo de Ted até agora! Mas tem momentos bem bons, vai, principalmente com o FlashGordon hehehe.

  2. Parei com o Muse já desde o Black Holes, sempre o que eu notava era isso, faltava identidade, sempre se movimentando como sombra… E pelas mínimas musicas que tocam por aí esses tempos, já dá pra ver que não mudou nada.

^-^

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