Ali

(…) In the case of Ali, this sense of a deliberately constructed film may trouble audiences who expect a straight-forward biography. Alternatively those not conversant with the life and times of Muhammad Ali may leave the cinema somewhat bewildered. But what is most compelling and extraordinary about this film is exactly this impressionistic re-telling of the past. Mann is certainly interested in the world that Ali lived in, but he is even more interested in that world from Ali’s perspective. There are countless close-ups of Ali’s face, gestures and responses. With cameras attached to the boxers’ heads we are trapped in the centre of the blows, sweat, blood and pain of the fight scenes. Lubecki claims that “Ali is about 99 percent Steadicam and handheld work”. Historical figures like Malcolm X are mainly established and portrayed in terms of Ali’s relationship to them. Wives appear and disappear only to become part of a larger fresco of passers-by; people who watch Ali when he fights, who surround him as he walks, whose Nikon cameras flash at him in the ring, who cheer him in street parades, and who run beside him along the back alleys in Zaire chanting “Ali boma ye” (“Ali kill him”) prophesising his impossible victory.

Ali has been criticized as an over-directed film, a film that only offers momentary images of who Muhammad Ali was, why he was important and how he contributed to the culture of his time. And yet each time I have returned to the film I have found something else, something more. For instance the extraordinary sequence around the assassination of Malcolm X is weighted down with a darkness and inevitability as he walks towards the front of the hall to greet his final congregation. The camera lingers behind him, but close to his face, as if a broader vision is not possible. We cannot see the space around him or what lies ahead, and this feeling of entrapment is emotionally heightened by the sombre music. He reaches the lectern as the congregation begins to cheer his arrival. Cut to Ali driving, alone, into a dark tunnel, then back to Malcolm X who is immediately and brutally cut down by his assassin’s bullets. We finally settle on a close-up of Malcolm’s dying face framed by a crescendo of screaming confusion. Ali’s car is stopped in the street as he is told of Malcolm’s death. He sits there, stationary, listening to the radio, weeping in disbelief like those in the streets around him. The camera leaves him alone, at a distance, rendered through the blurred, watery windows of his car. Words from the song “It’s been a long time coming, but I know a change is coming” underscore these events, and inevitably link the destinies of the two men, before violently erupting into Ali’s next monumental battle in the ring. This is Mann at his finest.

In the complex world of Ali, Michael Mann privileges the poetic courage of belief and resistance, of hope and resurrection. It transcends biography. It is an impressionistic odyssey interweaving the heart and mind of the great Muhammad Ali. It is another great Michael Mann film.

[Anna Dzenis]

O Ali já é bem o sexto ou sétimo filme que eu revejo do Mann só esse ano, e todos que eu revi me pareciam ainda melhor que o de costume, o que só reafirma que Mann é um diretor que compreende a realidade e o papel dela dentro dum espaço ou na figura de um personagem, porque filmes de estrutura épica como Fogo contra Fogo, todo ano temos um; mas na convicção do tipo de material que está lidando e a maneira de extrair substância de roteiros excessivamente funcionais (o de Ali é um bom exemplo, evocando filme de esporte e cinebiografia) o número de exemplos diminui drasticamente. Na década de 90, a carreira do Mann é marcado por transição e crise: o olhar pros personagens, a preocupação com o drama e o romance, etc. Nem tanto ocorreu um amadurecimento, é mais uma nova percepção de universo a partir de O Último dos Moicanos (injustamente negligenciado, não é o seu melhor momento, mas aponta pruma coerência dentro de sua filmografia), não a toa que ele resolveu refilmar L.A. Takedown por motivos que vão além de orçamento e ambição. Os dois filmes que seguem Fogo contra Fogo (Insider e Ali) dão um maior espaço pra dramaturgia, e na superfície parecem condensar uma temporada inteira de série em pouco mais de 2 horas e se O Informante termina sendo espécie de ressaca pós-Heat, em Ali a narrativa episódica é bem resolvida. Os saltos de tempo e a precisão com que Mann anda pelas dimensões do roteiro dão o tipo ideal de universo que o personagem-título precisa habitar, afinal esse universo é só sua base; Muhammad Ali é bem mais que uma peça necessária dentro dele. Tanta coisa acontece no tempo do universo (contexto político, social) de Ali, e ainda assim ele é o centro daquele espaço, porque Ali-filme se faz necessário na construção do Ali-mito-personagem. E se para ser um mito, Ali tem que abrir mão de ser Classius Clay, Classius X ou até mesmo Muhammad Ali, o Ali-filme de Michael Mann se revela tão real quanto imaginário, fundamentado nesta ideia de mito. Filme de cineasta.

^-^

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