The Avengers e coisas melhores

O plano acima é de uma das tantas cenas horrorosas de ação de Os Vingadores. O filme é recheado de CGI, mas não gosta muito disso, porque ele tem que ser palpável. Chega a ser bizarro a inocência dos diálogos que muda a personalidade dos personagens quando lhe convém contrastando com a necessidade de sobrepor os efeitos e criá-los da maneira mais realista possível, este que talvez seja a única certeza dele. Isso já diminui o filme, ao menos pra mim. Oras, estamos falando de uma ficção, onde as coisas mais extraordinárias acontecem, por que não se entregar logo ao fantástico ao invés de investir no oposto daquilo que quer ser? Esses tipos de efeitos tendem a deixar os filmes meio feios e só servem pra jogar na cara quantos 200 milhões foram gastos em produção. E ainda há esses momentos de explosões, fogo pra tudo quanto é canto onde o realismo de Whedon mais sofre; peguem e comparem com Drive (o do Steve Wang, clássico das locadoras da década de 90), por exemplo, lá temos uma perícia para além de ser uma grande cena de ação, há um cuidado com o posicionamento da dupla principal em meio a explosão que vem logo atrás. Lá eles não tiveram nem um décimo do orçamento de Vingadores, nem é um sci-fi, fantasia, sei lá mais o que, e ainda assim é tudo aqui eles tentaram fazer aqui e não tiveram sucesso.

E já que chegamos no ponto da grana, é bom ressaltar que a Marvel gosta de formar fanáticos e é pra justamente isso que filmes como Os Vingadores existem: sua maior e única preocupação é dar alguma razão aos fetichismos que os fã(náticos) por esses heróis têm em vê-los retratados, de alguma forma, próximos da realidade. O desenvolvimento de tudo (ele existe?) é banhado em muito álcool-gel, os personagens saem como entram dentro do filme, suas apostas nunca passam de apostas (ele tem excesso de “alívios” cômicos; longe de humor ser prejudicial a alguma coisa, o problema é que aqui ele nunca se integra ao filme propriamente dito como nos Homens de Ferro do Favreu, tudo está muito na superfície logo, uma dose baixa é o mínimo que se espera). Um bom momento é a luta entre Scarlett Johansson e Jeremy Renner. Infelizmente ela é bem menos duradoura que as demais, mas não deixa de ser a única a provocar um misto de emoções, do reencontro, da necessidade, da vontade e dos porquês de estar fazendo aquilo. Me veio logo a cabeça Once Upon a Time in Mexico do Robert Rodriguez: os personagens estão sempre conectados e os sentimentos variam conforme a adrenalina da situação.

Numa sessão onde todos pareciam nerds pulando a cada nave que era destruída, rindo até onde não era pra rir, pelo menos O Ricardo disse as palavras mais sábias sobre o filme: “Tava esperando um filme e veio esse festival de caras fotogênicos nessas batalhas cartoonescas esquecíveis“. Realmente, Whedon e a Marvel tentam empregar todos os valores estéticos e narrativos dos filmes do Homem de Ferro e Capitão América, mas eles não compreenderam direito o que Joe Johnston e Jon Favreu fizeram.

***
Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto assim, duas cantoras pops interessantíssimas estão lançando disco agora. A primeira é a Marina & The Diamonds, que veio de um disco muito melhor que esse novo, mas não deixa de ter sua meia dúzia de hits. O Electra Heart segue num esquema parecido com It’s Not Me, It’s You da Lily Allen: exagero de produção bem notada. Ambas tem a noção exata do que estavam fazendo, só que no disco da Allen isso deu mais certo, aqui no da Marina ela parece brigar através de sua voz wannabe Kate Bush com os produtores o tempo todo. Isso funciona as vezes (Teen Indle), em outras dá em merda das grandes (Primadonna, que parece um remix do Gigi D’Agostino para alguma música da Whitney Houston). De superior em relação ao que a Marina apresentou logo no início da carreira, só que ela mais gatinha assim loira. Detalhe que o melhor do disco ficou de bonus.

A outra é a Gaby Amarantos e o seu aguardadíssimo Treme. Engraçado que quando escutei Xirley e Ex Mai Love (que também são as duas melhores do disco), notei logo uma espécie de diluição do estilo, maior sofisticação é claro, mas pouca fidelidade ao que se entende por tecnobrega. Era como se ela quisesse domesticar cedo demais o estilo pro resto do Brasil, ao contrário do funk carioca, que ficou popular na sua forma mais bruta. Mas escutando o álbum inteiro, acredito é que ele sofra um excesso de devoção, uma necessidade desnecessária em ser regional, ser tecnobrega e lembrar as aparelhagens mal construídas. Enfim, coisas que atrapalham um pouco toda a proposta de diversão da Gaby. O bom é que esses esforços aparecem só na segunda parte do Treme e até alí, já deu pra você pegar a energia que o disco queria passar o que faz até alguns momentos mais caretas dele funcionarem (Mestiça, Faz o T). A Gaby dá um tom bem consciente no disco entre o artístico e o debochado, que poderia até ser comparado ao que Marina & The Diamonds adota no The Family Jewels (Marina que é fã assumida da Britney Spears e chama will.i.am de gênio em tudo quanto é canto insere tudo o que aprendeu com a cultura de massa organizando entre experimentos e subversões). Se todas as cantoras pop fizessem assim, o mundo seria mais feliz.

4 comentários em “The Avengers e coisas melhores”

  1. pô eu achei divertidão. até concordo ctg sobre as cenas de comédia (a maioria dos atores nem tem timing pra isso mesmo e o texto também é bem fraco), mas acredito que a ideia era só formar uma liga entre todos os heróis e nisso ele se sai muito bem, visto que as sequências em que todos atuam juntos são as melhores.

  2. Bom tu ter lembrado disso, deles “atuando” juntos, pq eu achei que teve preocupação demais em calcular o tempo de cada um [isso impediu várias sequencias de decolarem]. mesma coisa que aconteceu com o ultimo american pie

  3. o andrade é que é gênio, mas sério, é bem divertidinho. e ainda não entendi essa de tu gostar de homem de ferro 2, se cinema fosse só explosão td bem…

^-^

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