Spartacus: Blood and Sand/Vengeance

de Steven S. DeKnight

Deveriam abrir um centro de pesquisa sobre Spartacus em alguma universidade inglesa. Sério, das coisas mais inacreditavelmente boas que pintaram na TV nos últimos anos. A primeira vista, a série logo me lembrou As Panteras: Detonando, onde McG pegava todo e qualquer cacoete de “diretores” como Rollan Emmerich e elevava a décima potência e, contra todas as expectativas, fez o filme mais delirante/experimental/sensorial/bizarro que Hollywood produziu na década de 2000. O mesmo ocorre em Spartacus, criada assumidamente pra ser uma irmã do terrível 300, que consegue dar razão a existência de tantos maneirismos através da obstinação de seus personagens (é até interessante o tratamento cru que dão pra maioria deles; num mundo idealizado por/para Spartacus, onde todos os seus objetivos são claros demais e caminham pela tela como se fossem elementos tão relevantes como, sei lá, os figurinos). O que diferencia Steven S. DeKnight e a turma de diretores da série é que enquanto McG é um diretor inconsequente (imagino que até hoje ele não tenha ideia da potência de sua criação), eles sabem exatamente o que estão fazendo: se aproveitam da influência de Zack Snyder imposta por produtores para explorar o além dos litros de sangue, sempre mostrando um domínio dos poucos espaços, fazendo de cada luta de gladiadores um verdadeiro delírio imaginético e os treinos formam as partes em que o ser humano – quanto ser humano mesmo, e não peças de jogo – pode existir. O filme de Snyder tinha até algo de interessante, mas 1) ele não sabe como explorar nada do que tinha em mãos e prefere dar voltas e mais voltas de slow-motions para chegar a lugar nenhum e/ou 2) ele tem uma visão muito acima do talento. No mais, Spartacus também se utiliza de 300 para não parecer mais que uma série-B-vagabunda. A cada cabeça, braço decepado é uma nova vibração, um deslumbramento, porque o time de DeKnight não quer horrorizar ninguém com o horror do, quer apenas mostrar do que um sentimento estético é capaz. Spartacus não é cinema, mas poderia ser. E está bem distante do que foi estabelecido como padrão para as séries americanas.

Spartacus: Blood and Sand (1a temporada) *****
Spartacus: Vengeance (2a temporada) *****

^-^

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