Guerra é Guerra

Em algum momento de Guerra é Guerra, Lauren conversa sobre os defeitos de seus pretendentes com Trish. Entre outros, ela solta: “Tuck é britânico”. Nesse momento fica bem claro porque o filme existe: ele é feito para/por americanos, americanos e suas particularidades, americanos e seus clichês, americanos e seus dilemas (fúteis). Baseado nessa ideia, nada mais natural que escalar Reese Witherspoon para viver a tal garota divida em dois. Reese, que já foi dona de personagens fascinantes como Elle Woods e a Elizabeth de E Se Fosse Verdade, foi por muito tempo o sonho-americano com seu rosto tipicamente americano que causa um deslumbramento desigual em comédias românticas americanas. É difícil para qualquer diretor se adaptar a cada atuação tão própria que Reese impõe, pois quase sempre, é mais do que justo iniciar a cena e apresentar Reese ao espectador até que ela revele todo o seu carisma para depois pensar em filmar um espaço-com-um-corpo. Em Como Você Sabe, por exemplo, James Brooks fez um filme de encontros, mas enquanto ele não filmava corpos num espaço, basicamente era só o rosto de Reese.

Dentro de Guerra é Guerra, há todo esse encantamento provocado por Reese. Ligeiro como todo o filme, mas há. Até porque McG é um diretor de ação física (é óbvio que fica mais fácil pra ele filmar os dois caras), mas ele se esforça bastante para realizar um primeiro ato brilhante mostrando um mundo de Reese e o outro mundo de Hardy/Pine quase que em filmes diferentes, até o uso das cores muda radicalmente de um pro outro. Assim, os dois mundos vão se unindo de forma digerível; diferente dos outros representantes dessa união de sub-gêneros (Sr. & Sra. Smith, Killers, etc) onde as informações eram burocratizadas ou jogadas na tela sem o menor cuidado. Mas lá pela metade, quando os três personagens centrais já estão familiarizados, Guerra é Guerra surpreende por se tornar menos interessante. Não que não continue tendo uma grande quantidade de ótimas cenas por aí (a sequência em que Tuck e FDR invadem a casa de Lauren para plantar escutas/câmeras enquanto ela anda pra-lá-e-pra-cá ouvindo música e de olhos fechados é um de seus trunfos), além da participação hilária de Chelsea Handler com seus constrangimentos bizarros de meia-idade, mas tudo caminha para um desenvolvimento raso do enredo; bem diferente do que McG plantava no início.

Só que verdade seja dita: num mundo de impessoalidades fetichistas por imigrantes da era videoclíptica, acompanhar um McG sempre será a melhor escolha.

2 comentários em “Guerra é Guerra”

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