American Horror Story

1a temporada
de Ryan Murphy e Brad Falchuck, 2011

Talvez já esteja um pouco tarde pra falar dessa que foi a série mais badalada do ano passado (ao menos entre as iniciantes) – eu mesmo terminei de ver em dezembro -, mas como é o que tem pra falar hoje, vai isso mesmo. Pensei em falar alguma coisa sobre aquele disco da Lana Del Rey, mas como já andam massacrando o suficiente por aí e falando por mim, nem ia valer a pena. Também queria falar algo sobre o My Bloody Valentine, banda na qual eu não consigo parar de ouvir há pelo menos uns dois meses, mas não encontrei uma palavrinha certa. Enfim.

Depois que eu parei de ver Glee (sim, a primeira temporada é interessante), não imaginei que voltaria ver qualquer coisa escrita por esse cara chamado Ryan Murphy. Mas vi, tinha visto algumas cenas que me interessaram e o terror piscológico vem rendendo tanta coisa boa. Os dois primeiros episódios são sensacionais, com alguns furos bem modestos, mas é um terror genuíno; desprovido de grandes sustos anárquicos; que antes da cena-chave de gênero específica surgir já te deixa desorientado (provavelmente o Ryan Murphy é tão picareta que tentou recriar aqueles códigos de constragimentos dos sitcoms pra um terror). O que mais impressiona é ele optar pelo terror mais clássico, menos “infantilizado” como o cinema vem abraçado já há pelo menos uns 30 anos. Não que isso seja algo ruim, claro. Mesmo que desde Ilha do Medo essa seja a grande tendência do gênero, caramba, isso é uma série de TV. E vamos combinar que o terror nunca foi preferência entre eles, portanto, um produto tão maduro como esse deve ser levado em consideração.

Infelizmente, depois de um início tão bom a série caiu descontroladamente: já no terceiro episódio começam a surgir sustos completamente equivocados (que em pouco tempo se transformaram na principal atração da série) e a trama principal não parecia mais que uma diluição de O Iluminado (mais pra Stephen King do que pra Stanley Kubrick, vale lembrar). De interessante ficou a inserção de fatos reais – ainda que por vezes de maneira abrupta – dentro da construção do terror, como o caso da Dália Negra ou a forte relação de Tate com os atentados que ocorreram nos Estados Unidos a partir da década de 90 em consequência do bullying. Aliás, falando em Tate, o que mais incomodou nestes últimos episódios é a falta de cuidado em construir os personagens adolescentes que se dizem tão “complexos”. Murphy cai na mesmíssima banalidade de Glee e não soube trabalhar bem com as peculiaridades de cada um. Só que aqui em American Horror Story o caso é ainda mais grave: diante da nossa visão, enquanto Tate e Violet sofrem sem motivo aparente, se mutilam e pensam em se matar o tempo todo, eles não parecem mais que dois idiotas diante do espectador.

E a tal série promissora terminou como nada além de um festival de descuídos, um monte de enfeites e quase nada de desenvolvimento, sustinhos rápidos e nada mais. Até a Jessica Lange, que tinha a melhor personagem da série, com o tempo já não era tão interessante assim (mais pelas auto-sabotagens do autor do que pela atriz). E pelo que eu andei lendo sobre a segunda temporada, a coisa ainda pode ficar muito pior…

2/5

2 comentários em “American Horror Story”

  1. Também me decepcionei com American Horror Story, os únicos episódios dignos de toda a fama que recebeu são o duplo de Halloween e os três últimos… A série tinha uma boa estética, atmosfera deliciosa e ótimos personagens, mas conseguiu se auto-destruir em vários aspectos!
    Eu daria 3/5 e até que não me arrependi de conferir, principalmente por causa do espetáculo que a Jessica Lange dá (SPOILER – aquela cena final, dela com o filho anticristo da Vivien, é a melhor de todas) …

  2. Nos episódios de Halloween, a série já tava com vários problemas de didatismo mas eu gosto dos dois também, mas esses dois (ou três) últimos tava difícil de chegar no fim haha. E a Jessica Lange manda muito bem mesmo.

^-^

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