Os 50 melhores discos de 2011

No fim das contas não dá pra falar que foi um ano ruim, mas que uma grande explosão de criatividade como foi o Kanye West em 2010 e o Animal Collective em 2009 fez falta não dá pra negar. Até o próprio Kanye lançou um disco com o Jay-Z bem dentro do espero (o que não deixa de ser um elogio). Mas a lista ficou bem mais variada do que eu esperava, apesar de que esse ano aquele incansáveis rótulos não tiveram vez. Tem algumas mixtapes, uns 4 discos nacionais e até um EP, que é tão bom que não poderia ficar de fora (mas deixei na lanterninha pra não atrapalhar os discos de fato).

E antes de começar a lista é bom lembrar também daqueles que nem fizeram discos tão ruins pra estarem no mesmo grupo do I’m With You e nem tão bons pra aparecerem nessa, as famosas Menções Honrosas: Era extraña (Neon Indian), Safari Disco Club (Yelle), Cinderella’s Eyes (Nicola Roberts), Biophilia (Björk), Hot Sauce Committee Part Two (Beastie Boys), Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa (Mundo Livre S/A), Eye Contact (Gang Gang Dance), w h o k i l l (tUnE-yArDs), Take Care (Drake), Cyanide Sisters (Com Truise), It’s All True (Junior Boys), Wasting Light (Foo Fighters) e Blue Songs (Hercules and Love Affair). E agora sim…

50. Florrie
Experiments EP

49. The Decemberists
The King Is Dead

48. Frank Ocean
Nostalgia, Ultra.

47. Tori Amos
Night of Hunters

46. Gui Boratto
III

45. Jamie Woon
Mirrorwriting

44. Gang of Four
Content

43. Active Child
You Are All I See

42. Washed Out
Within and Without

41. Gil Scott-Heron & Jamie xx
We’re New Here

40. David Lynch
Crazy Clown Time

39. Vanguart
Boa Parte de Mim Vai Embora

38. Wye Oak
Civilian

37. Pública
Canções de Guerra

36. Danny Brown
XXX

35. The Roots
undun

34. Feist
Metals

33. Real Estate
Days

32. Émilie Simon
Franky Knight

31. Radiohead
The King of Limbs

30. Wilco
The Whole Love

29. Tom Waits
Bad As Me

28. Lykke Li
Wounded Rhymes

27. Lady Gaga
Born This Way

26. The Black Keys
El Camino

25. Cliff Martinez
Drive (Original Motion Picture Soundtrack)

24. CunninLynguists
Oneirology

23. Jay-Z & Kanye West
Watch the Throne

22. Wild Beasts
Smother

21. PJ Harvey
Let England Shake

20. The Weeknd
House of Balloons

19. Panda Bear
Tomboy

18. Tyler, The Creator
Goblin

17. Fleet Foxes
Helplessness Blues

16. Katy B
On a Mission

15. Destroyer
Kaputt

14. Metronomy
The English Riviera

13. Nicolas Jaar
Space Is Only Noise

12. Marisa Monte
O que Você Quer Saber de Verdade

11. SebastiAn
Total

10. James Blake
James Blake

9. Kendrick Lamar
Section.80

8. Kate Bush
50 Words for Snow

7. Bon Iver
Bon Iver

6. Battles
Gloss Drop

5. Beyoncé
4

Pode até parecer estranho um disco tão comum como o 4 ganhar tanto destaque assim em 2011. A estrutura mainstream não poderia ser mais clichê: uma faixa diferente do habitual (Run The World), um ”carro-chave” (Countdown), baladinhas, as faixas mais frias de encerramento, etc. O que ele tem de diferente (ou seria superior?) dos seus amigos de charts é que não é um disco com toda a pressão de ter sei lá quantos hits. É pop, é mainstream, porque é isso que a Beyoncé sabe e gosta de fazer. E devo dizer que faz muitíssimo bem. Desde seu disco de estréia ela prepara um disco como 4: tentar colocar toda a essência do R&B num mesmo lugar. Mas infelizmente era sempre sabotada pelos incontáveis fillers e, no fim, pareciam aqueles típicos discos de um hit só; coisa que no 4 não há: são 12 músicas, cada uma muitíssimo bem trabalhada. Desde 1+1 – talvez a música de amor mais bonita dos últimos tempos -, até o militarismo de Run The World (Girls) e a grandeza indescritível de Countdown. É como se ela alcançasse aqui um patamar parecido com o que Prince e Michael Jackson estiveram lá pela década de 80.

4. Girls
Father, Son, Holy Ghost

É o Girls de sempre (daquele disco e o EP, hahaha), mas com toda a maturidade que o ”Album” certamente não tem. Aqui eles não deixam de lado as letras sofridas de jovem pra jovem, nem larga a mão de toda a bagunça deliciosa que sempre será a maior marca do grupo, porém o som é mais ambicioso, as referências são mais claras – e vão além de sentimento de nostalgia – e as letras estão sempre em sintonia perfeita com o som. E como qualquer ser consciente da ambição de um disco como esse, Owens usa e abusa do som dass guitarras; afastando na mesma medida em que atrai o ouvinte, e tudo parece fechado. Mas não se engane: não é só restrito para quem fez e sofreu aquelas letras; Father, Son, Holy Ghost é como se eles te chamassem pra uma aventura, onde todos são grandes amigos e tão sempre lá pra te ouvir choramigar por sei-lá-o-que.

3. M83
Hurry Up, We’re Dreaming

A pretensão de Anthony Gonzalez vai parar lá no finado Plutão de tão grande junto com esse disco, tão grande quanto (em qualquer sentido). Hurry Up, We’re Dreaming é o tipo de disco que qualquer banda irá ao menos tentar fazer um dia: quase uma reconstituição da carreira inteira, e quase uma reconstituição da cena musical atual; pretensioso, grandioso, marcante. Em meio a tantos exemplos de composições sobre a juventude que eu citei aqui nessa lista – Girls, Tyler The Creator, etc – Gonzalez talvez não seja o melhor ou o mais criativo, mas de vez em quando ele larga a artificialidade de discos como o Saturdays = Youth de lado e torna a adolescência um momento muito mais prazeroso e menos complicado, como em Wait. E o disco segue tendo um pouco de tudo em termos de instrumentração, sempre regado a letras e tons de vocais excessivamentes dramáticas daquela forma irresistíveis mesmo, onde a tristeza nem parece um caminho ruim.

2. Cut Copy
Zonoscope

Vou confessar que depois de ouvir aquela babaquice que os Strokes chamam de quarto album, a minha cota pras bandas que dizem tomar a década de 80 como referência se esgostou. É sempre um CTRL+C e CTRL+V em Strange Love aqui, a melodia idêntica a de Blue Monday ali… Não só saturou como se tornou mera picaretagem para alguns se aproveitarem da coitada. Mas o que o Cut Copy faz nesse disco é bem mais do que se inspirar, colar ou se sentir nostálgico. Ok, vai ser difícil você não encontrar um synth que não lembre Soft Cell ou letras românticas de baile de formatura como as do Pet Shop Boys. O problema é que essa é a melhor descrição do Cut Copy, de uma forma geral. E nesse Zonoscope eles conseguem manter toda a essência do gigante In Ghost Colours e ainda assim, através das distorções, dialogar com a música eletrônica atual (LCD Soudsystem sendo o mais notável). É o Cut Copy, sem medo de ser pop, brega, exagerado ou romântico. O som que aponta pro futuro, mesmo sendo velho.

1. The Beach Boys
The Smile Sessions

Se esse disco não ficasse nessa posição, era melhor nem colocar na lista (ele é tão superior a tudo que está aqui que talvez fosse o ideal de ser feito). Nem é só uma questão de ser fã saudosista dos Beach Boys comemorando o lançamento depois de mais de 40 anos do lendário Smile, é questão disso aqui ser o som do futuro, e mesmo assim respirar anos 60. E também não é questão de inovar hoje ou em 1967, mas sim de arquitetar tudo no seu devido lugar sem qualquer vestígio de erro. E olha que pra quem tem tantas ideias como o Brian Wilson e coloca tudo de uma vez no liquidificador, as chances de resultar em desastre não são mínimas. Escutar o Smile é como, por alguns momentos, esquecer de todos os nossos problemas (e os dos outros também) – assim como o nosso ”guia” Wilson também esquece a depressão – e entrar numa realidade totalmente oposta a essa aí. Digo realidade porque eu vivi esse disco, e quero viver mais vezes. Tão fantástico e fantasioso, tão feliz.

6 comentários em “Os 50 melhores discos de 2011”

  1. “ele larga a artificialidade de discos como o Saturdays = Youth” LOL LOL LOL O Saturdays é bem melhor que esse novo do M83 ae. As vezes eu tenho a impressão de que o povo tem medo de falar mal, certamente vai entrar pro hall daquelas coisas que já nascem gigante na mente de muitos.

  2. Lucas me surpreendeu não ter o criolo na lista. Não ouviu não?
    Tbm me surpreende terem merdas como este do Wilco (irregular demais), Publica e o do Sebastian. Mas bom ver o Cut Copy em segundo, o Zonoscope parece não ter sido tãão bem aceito pelos mortais comuns =/

    1. Eu ouvi o do Criolo sim, poderia entrar nas menções. Mas esqueci taanta coisa entre elas, então… E sério que tu não gostou do SebAstian??? hahaha, uns dos poucos que eu consigo convencer a ouvir.

^-^

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