Take Care

Drake, 2011

Ano passado, uma grande decepção pra mim foi o álbum de estréia do Drake, o Thank Me Later. Mesmo sendo tão bem recebido pela crítica e pelo público, me parecia um álbum que se achava tão grande (e talvez seja), mas em momentos necessários demonstrava fragilidade. Os tons vocais e as letras excessivamente melosas – pra muitos, “melancólicas” – não soavam mais do que um grande apelo pop. Mas não dá pra negar que o cara é talentoso, mesmo que no seu debut ocorra uma espécie de auto-sabotagem, as inúmeras parcerias com rappers e artistas amigos provam isso. Somando com as participações de peso (The Weeknd, Nicki Minaj, André 3000, Jamie xx), resolvi dar mais uma chance para ele nesse segundo disco, Take Care.

E não é que é bom mesmo? É inevitável que o estereótipo de “superestimado” acabe sendo utilizado aqui (as reações exageradas não serão poucas, para ambos os lados), mas o Drake adquiriu uma certa maturidade e as faixas fluem como algo além do teor radiofônico. Talvez o sentido disso tudo seja as várias parcerias com The Weeknd. Ele é um seguidor da cartilha de Drake, mas fez muito melhor, diga-se de passagem, no House of Balloons. Por isso – talvez, repito – ele seja o guia de Drake por todo o Take Care.

O disco segue numa grande mistura: faixas como a ótima Make Me Proud evocam elementos do típico cenário alternativo britânico e traz ainda Nicki Minaj no seu melhor estilo provocadora e pouco sutil. A faixa-título Take Care une em pouco mais de 4 minutos e meio toda a essência do soul, hip-hop e a música eletrônca, contando ainda com Rihanna em grande harmonia com esses vários tons – essa adepta da escolinha Drake, onde costuma fazer mais sentido em “feats” que em sua próprias músicas.

Apesar de em vários momentos parecer um trabalho particular demais, Drake nunca permite uma maior aproximação do ouvinte com ele, propriamente dito. Quem acredita que pode conhecer um artista por um disco, vai se dar mal. Ele quer formar um personagem. Contar uma estória. Uma aventura. E tudo se movimenta com um ar canastrão, meio kitsch, meio teatral…

Só há um certo excesso de duração e de faixas no disco. Aliás, não sei se só eu notei, mas muitos artistas agora estão nessa de fazer disco extenso demais. Parece até uma necessidade de provar algo grandioso, quando na verdade em casos como Take Care isso não acrescenta em nada. Depois da parceria com Stevie Wonder, o interesse diminui muito e ó retorna rapidamente em HYFR (Hell Ya Fucking Right) – fácil a música mais grudenta.

Mas, driblando todos os equívocos, continua sendo uma boa surpresa.

3/5

2 comentários em “Take Care”

  1. eu acho que o principal erro foi esse tempo excessivo, o disco acaba tendo muita coisa inútil, se cortasse, seria algo bem melhor. por exemplo, pro tipo de música que ele parece querer fazer, o Lil’ Wayne não se encaixa, e mesmo assim é presença garantida, daí fica difícil.

    e o Just Blaze tem uma das melhores produções do ano com Lord Knows. destoa um pouco do restante do álbum, mas mesmo assim…

    1. a produção de lord knows é foda pra caramba mesmo, mas sei la, as vezes acho que a musica não era pra ele ou ele não ta a altura da musica, hahaha. fora que tbm merecia um rapper melhorzinho pra participação =P

^-^

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