Melancolia

Lars von Trier, 2011

Fui pego de surpresa com os movimentos de câmera errôneos do Lars Von Trier. Logo ele que sempre dominou a técnica da câmera tremida em filmes como Ondas do Destino agora parecia um amador maravilhado com uma nova descoberta. Muitos dos personagens mostram por palavras estar conectados entre si, mas a câmera inquieta do cineasta impede isso, porque simplesmente ele se recusa a filmá-los juntos. Fica até uma impressão de que ele não compreendeu sua própria obra completamente. É um desprezo pelo enquadramento que agonia. Lembrava até mesmo Jonathan Demme em O Casamento de Rachel (que não por coincidência, é uma emulação de tudo aquilo que Lars e Thomas Vintenberg colocaram em prática do movimento Dogma).

Excetuando isso, não há muito do que reclamar. Melancolia continua a tentativa de Lars de tentar explicar um pouco da depressão que lhe atormenta, assim como em Anticristo. O tal planeta é a metáfora perfeita da depressão, aquela que vai se aproximando de Justine e Claire, de formas distintas e parecidas ao mesmo tempo. É um filme bastante pessoal, mas que se preocupa mais com a forma como irá tocar o espectador – ao contrário do outro citado, outro bom filme mas cercado de equívocos. A imensa quantidade de simbolismos e metáforas vem em forma de qualidades na maior parte da projeção, mas acabam distanciando o espectador daquela trama em partes onde Von Trier os transforma na principal substância para compor sua obra.

Kirsten Dunst é o que Emily Watson, Nicole Kidman, Björk e cia representaram em filmes anteriores do dinamarquês. Sempre um personagem onde a fonte de inspiração são adjetivos pessimistas. Porém, mesmo com todos os elogios e concordar que sua atuação foi excelente (não a melhor de sua carreira, ainda acho que ela dificilmente fará outra Maria Antonieta durante essa vida), Charlotte Gainsbourg – o corpo de Anticristo – está ainda melhor.

Os melhores momentos ficam logo no início e bem no finzinho. Claro, Von Trier como bom marketeiro, soube como poucos criar uma edição tão sensacionalista quanto grandiosa. A introdução é dos momentos mais belos de 2011; cenas que misturam os efeitos especiais, os atores, o tom da fotografia, a música clássica a lá 2001 – Uma Odisséia no Espaço e formam um conjunto muitíssimo bem orquestrado. E o final então? A morte poucas vezes foi algo tangível desta forma, um sentimento e uma sensação concreta. Grande. Poderosa. Não chega a ser um Ondas do Destino, ou um Dançando no Escuro e muito menos Europa, mas está sim entre os melhores do dinamarquês.

4/5

4 comentários em “Melancolia”

    1. É pq tem certos elementos que não funcionam em certos momentos, mas o filme mesmo é sensacional. E com ctza quem já não gosta do LVT, vai achar que é só mais um filmeco dele mesmo, haha

^-^

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