Potiche: Esposa Troféu

 

François Onzon, 2010

François Ozon é um dos diretores franceses mais comentados da atualidade, ficou conhecido pela comédia kitsch, aquela que cai facilmente no gosto popular, é muito mais qualitativa do aparenta. Porém o diretor abandonou o estilo desde 8 Mulheres, fazendo ao longo dos últimos 8 anos filmes carregados de drama, suspense, críticas e debates de cunho social, mas nada de tom leve que o marcou tanto. É em Potiche: Esposa Troféu que ele retorna a sua velha forma, sucesso de crítica e de público, com a boa veia para o kitsch que ele sempre teve.

Além do retorno de Ozon as comédias, Potiche: Esposa Troféu marca também o reencontro dos dois maiores ícones do cinema comercial francês: Gérard DépardieuCatherine Deneuve, afastados desde o mítico casal em O Último Metrô de François Truffaut.

Potiche é um termo em francês que quer dizer mulher (ou esposa) troféu e Madame Suzane Pujol não é nada menos que isso. Casada há mais de trinta anos com o mulherengo senhor Robert Pujol, madame Pujol cuida da casa, do marido e tem longas caminhadas matinais para manter a forma. Ignora as grosserias e as puladas de cerca do marido e ainda escreve poemas. A vida de Suzane Pujol realmente é o retrato perfeito de uma burguesa da alta sociedade na década de 70. Até que seu marido é sequestrado por grevistas funcionários da fábrica da família, Suzanne decide então tomar a direção da fábrica para si e negociar diretamente com os grevistas.

O lugar é uma cidadezinha do Norte francês, o tempo é o final da década de 70. Época marcada pelas cores supersaturadas, pelo exageros, época onde todas as dúvidas e desconfianças da década de 60 tinham passado e o que ficou foi uma divisão da sociedade em modernos e clássicos. Nota-se que a família Pujol fazia parte dos clássicos. Eles vivem como qualquer estereótipo de famílias manda: marido machista, esposa submissa, filha casada que já sente a idade chegando, filho jovem indeciso e sem personalidade.

O filme é consistente de maneira correta (e bastante risível) até o momento em que Suzanne diz: Eu mudei, eu sou uma nova mulher. Daí em diante, Ozon perde a mão, ele abandona todo o clima familiar – que era o que equilibrava a estória – e passa a comandar uma trama extremamente feminista.

Até que há algo de interessante a se tirar dessa parte, como a confusão com o verdadeiro pai do filho de Suzanne, que possibilita a descoberta engraçadíssima de suas traições. Mas no geral, Ozon se divide entre a seriedade dos assuntos abordados e o humor escrachado. E nessa batalha, o humor acaba sendo esmagado. Já no fim, ainda há uma passagem de tempo maçante, onde tudo passa a envolver política. Mas como é uma comédia, é tudo tratado com bastante superficiliadade.

É Catherine Deneuve que ainda consegue levantar Potiche: Esposa Troféu. Não que aquilo tudo deixe de ser desinteressante, porém é graças ao carisma e expressividade da atriz (nunca foi tão evidente como na cena final) que algumas sequências passam a ser toleráveis. E é claro, pela atmosfera teatral, que torna uma obra mais dependente de seus atores. O filme tem um elenco grandioso, contando com Judith Godrèche, Fabrice Luchini, Gérard Dépardieu (que inclusive deve decepcionar muito de seus fãs, com uma atuação mecânica e um personagem não muito relevante)Karin ViardJérémie Renier, mas não tem jeito, a eterna bela da tarde domina todas as cenas possíveis.

Potiche: Esposa Troféu é satisfatório na medida do que se propõe, mas deixa a desejar quando se trata do realizador, ainda mais para quem está voltando a um gênero no qual era tido como mestre. A impressão que dá a quem assiste é que François Ozon não soube tratar de seus temas com consistência. Ora era sério, ora tentava ser engraçado. Fica aqui no aguardo de mais filmes como 8 Mulheres, entre as melhores comédias feitas na década passada.

3/5

(visto no Festival Varilux, Belém – PA)

5 comentários em “Potiche: Esposa Troféu”

  1. Eu adoreei mesmo, bem fodinha. Senti uma vibe parecida com a dos filmes do Wes Anderson, esse negócio de ser livre dos estereótipos…

  2. tu falas mal ai da parte em q [spoiler] a suzane vira política [/spoiler] mas só faltou explodir o castanheira inteiro de tanto rir na parte q [spoiler] a secretária distribui os planfletos [/spoiler] rsssss

^-^

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