X-men: Primeira Classe

Matthew Vaughn, 2011

Após realizar um dos filmes mais badalados do ano passado, Kick-Ass – Quebrando Tudo, o diretor Matthew Vaughn recebeu uma difícil missão: provar aos fãs de X-Men que ainda poderia haver um bom filme relacionado a franquia. No início, pouca gente deu atenção. A maioria só esperava mais um filme caça-níquel no pior estilo Michael Bay, querendo apenas arrancar o dinheiro do seu bolso, sem a menor ambição de fazer algo de bom gosto. Mas nas últimas semanas, Vaughn vem provando o contrário. O filme, surpreendentemente foi aclamado pela crítica, sendo comparado até ao Batman de Christopher Nolan, tido como o reinventor dos filmes de super-heróis.

Se é melhor que os dois filmes do Nolan sobre o Batman, eu não tenho certeza, mas de fato é bem melhor que os outros quatro filmes realizados sobre o X-Men. Inicialmente, somos apresentados à Erik Magnus Lensherr, um jovem que, aprendendo a controlar seus poderes, busca vingança contra o homem que marcou seu passado nos campos de concentração nazistas. Em busca de seu objetivo, ele alia-se à Charles Xavier, um jovem nerd especialista no assunto, que tem em comum, além da mutação genética, o alvo em questão: Sebastian Shaw, um ambicioso homem que coloca em risco toda a humanidade através de manipulações com as nações comunistas.

O prólogo no início, mais precisamente na trama situada em Erik, soa um tanto desnecessário, com gritos forçadíssimas do garoto (que por sinal, nunca uma atuação de uma criança e tão rápida foi tão prejudicial) e mostrando uma ideia errática do que iríamos encontrar em X-Men: Primeira Classe.

Mas logo há aquele elo entre Charles e Erik, que fortalece-se posteriormente em uma grande amizade. É nos dois e no restante dos mutantes que achamos o principal motivo pelo o filme se torna tão bom: ao contrário dos anteriores, ele não mostra a fúria desse grupo com o resto da humanidade, mas sim, o lado mais psicológico de tudo isso, as dúvidas, as frustrações, as decepções, as motivações, as ideologias. Está tudo alí, seja estampado com ares da divisão entre bem e mal no rosto da bela Jennifer Lawrence, ou nas expressões faciais que remetem a vingança de Michael Fassbender.

Matthew Vaughn novamente mostra-se um grande diretor, habilidoso em conduzir sequências de ação, mas competente também em momentos mais densos e relacionados aos dramas dos mutantes. A linguagem cinematográfica usada por ele é as vezes até poética. Vaughn também acerta junto aos roteiristas na reconstituição do período sessentista, não apenas na estética perfeita; que apesar do enredo, consegue se manter fiel ao seu tempo; como também em termos de importância histórica, navegando consideravelmente no lado sócio-político entre Estados Unidos e União Soviética. Por isso, não seria deselegante afirmar que X-Men: Primeira Classe cria uma realidade paralela da crise dos mísseis de Cuba, ponto alto da Guerra Fria, muito coesa por sinal.

Outro lado do roteiro que agradou muito foi a distribuição e a construção do elenco, que era alvo de muitas revoltas nos filmes anteriores. Além de conseguir dar espaço a todos os mutantes na trama de forma considerável, Vaughn consegue tratá-los muito bem. Duas personagens em especial se beneficiaram muito com essa situação: Mística e Emma Frost. A Mística de Jennifer Lawrence é uma adolescente divida, uma garota que não sabe se aceita ou não a sua própria origem e o roteiro consegue muito bem dar espaço a todos os seus dramas. Nem se compara a Mística de Rebecca Romijn (que inclusive faz um cameoengraçadíssimo), quase uma figurante na primeira trilogia. E a Emma Frost, ou Rainha Branca, de January Jones é uma grande peça em todos os momentos do filme, ainda que não seja tão bem desenvolvida quanto Mística.

O elenco é constituído só de grandes atores ou, pelo menos, grandes promessas. A já comentada Jennifer Lawrence, que inclusive foi indicada ao Oscar esse ano por Inverno da Alma, consegue unir o ar dramático-adolescente que o filme propõe, ao mesmo tempo em que segura o lado natural femme fatale da personagem; Michael Fassbender prova mais uma vez porque é um dos grandes atores dessa nova geração, construindo um Erik eficaz, vingativo, denso, mas também mostrando um lado mais humano do grande vilão de X-Men e deixa o gostinho de “quero mais” para a supremacia de Magneto na continuação do longa; o veterano Kevin Bacon que usa de todo o seu talento para encarnar as malícias e o humor negro de Shaw, mas quem me surpreendeu mesmo foi James McAvoy. Já conhecia ele de Desejo e Reparação e até que se saiu muito bem ao lado de Keira Knightley, porém aqui ele realizou a difícil tarefa de tornar a bondade de Charles Xavier algo crível, infinitamente superior ao abobalhamento que Patrick Stewart fazia.

Como todo filme do gênero, há aquele combate final entre bem e mal (será que esse clichê é mesmo cabível a situação do enredo?). Aqui temos o grupo de Shaw lutando contra o grupo de Charles e Eric, e ambos os grupos lutam contra soldados norte-americanos. Imerso a isso tudo, há um dos poucos momentos em que Vaughn abusa de recursos gráficos, mas esse tipo de erro é recompensado logo em seguida com a sequência memorável e bastante intrigante capitães se despedem de sua tripulação ao avistar mísseis vindo a sua própria direção.

Com tantas qualidades, os defeitos ficam implícitos, mas eles ainda estão lá. Os efeitos especiais são falhos em momentos como o da Angel voando, a caracterização risível de Fera e os furacões da batalha final, além do ritmo imposto, que funciona em maior parte do filme, porém nos últimos 20 minutos são tediosos. Neles é perceptível o arrastamento da trama. Não tinha porque ainda haver extensão após o tiro que Charles leva e fica paralítico, tudo que veio depois já deveria ser parte de uma provável continuação. Mas, felizmente, não há nada que ofusque o melhor filme extraído de X-Men.

4/5

10 comentários em “X-men: Primeira Classe”

  1. Deverias ter esperado até segunda pra ir com agnt

    Tava lendo o texto e percebi que tem um spoilerzão, nem pra avisar né ¬¬

  2. É triste pra alguem q é fã de HQ como eu ler isso q o Vi escreveu. Sempre tão flando sobre q filmes de super-heróis são só diversão, mas é mto mais do q isso. Só sendo especialista nisso pra saber qual é a sensação de como o Lucas mesmo disse, ver uma personagem com a Mistica finalmente recebendo o ptencial q merece. Oq eu concordei mto é esse lance de realidade paralela, o filme se aprofundou demais em todo o contexto histórico e reformulou de forma digna! Gosto dos outros filmes do X Men até mesmo do Wolverine q todo mundo fla mal, mas esse com ctza é o melhor. Vaughn ja era fodão em Kick-Ass, agora então virou meu idolo. Concordo tbm q o McAvoy consegiu ser o bom moço q naturalmente o Xavier é sem ser um bundão.

  3. calma, will oO
    eu gosto que só do homem-aranha e de star trek por exemplo, mas acho que de uma maneira geral esse gênero de filmes é mesmo muito mais produção que história. HAHAHAHA

^-^

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s